Amor nas Alturas 200

Capítulo 7 — A Fachada de Vidro e o Calor Escondido

por Camila Costa

Capítulo 7 — A Fachada de Vidro e o Calor Escondido

A mansão Ventura, um colosso de vidro e aço que se erguia no topo de uma colina com vista para a cidade de Nova York, era um espetáculo de opulência e poder. Para Clara, vinda de um passado modesto, a mansão parecia um palácio de um conto de fadas distorcido, onde a beleza escondia segredos sombrios. Ela caminhava pelos corredores imensos, os passos ecoando no mármore polido, sentindo-se como um ratinho em um labirinto de luxo.

Rafael a guiava, sua mão firmemente pousada em sua cintura, um gesto possessivo que a deixava desconfortável, mas incapaz de se afastar. Cada toque dele enviava uma onda de sensações conflitantes através dela – repulsa, medo, e uma estranha e avassaladora atração que a assustava ainda mais.

"Este será o seu quarto, Clara," ele disse, abrindo uma porta dupla maciça.

O quarto era vasto, com uma cama king-size coberta por sedas finas, uma varanda com vista deslumbrante e um closet que era maior que seu antigo apartamento. Tudo era impecável, luxuoso, e incrivelmente impessoal. Era um quarto de hotel cinco estrelas, projetado para impressionar, não para confortar.

"Obrigada," ela murmurou, a voz um sussurro tímido.

Rafael a puxou para perto, seu olhar escrutinando cada detalhe de seu rosto. "Espero que goste. Você vai passar muito tempo aqui. Nós vamos passar muito tempo aqui."

Ele se inclinou e a beijou. Não foi um beijo terno ou apaixonado, mas sim um beijo possessivo, um selo em seu acordo, uma declaração de posse. Clara fechou os olhos, tentando se desligar, tentando se lembrar que aquilo era apenas um papel, um teatro. Mas o calor dos lábios dele, a pressão firme, o cheiro inebriante… era tudo muito real.

Quando ele se afastou, Clara sentiu um frio na barriga. "Rafael, sobre… sobre o nosso acordo… como vai funcionar?"

Ele sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. "Simples. Seremos o casal perfeito. Jantares de negócios, eventos sociais, aparências públicas. Ninguém vai questionar. A imprensa vai nos adorar. E enquanto a fachada durar, os Mendonça estarão satisfeitos, e sua dívida será um problema meu. E a sua mãe… ela estará segura."

"E nós?", Clara perguntou, a voz tensa. "O que acontece entre nós?"

Rafael a rodeou, seus olhos percorrendo seu corpo com uma intensidade que a fez corar. "Nós… faremos o que for necessário para manter as aparências, Clara. E talvez… descubramos outras coisas no processo." A promessa implícita em suas palavras era ao mesmo tempo tentadora e aterradora.

Os dias seguintes foram um turbilhão. Clara foi apresentada a um mundo que ela mal conseguia conceber. Jantares com magnatas e suas esposas impecáveis, eventos de caridade com a elite de Nova York, festas exclusivas onde sorrisos eram armas e conversas eram cuidadosamente orquestradas. E em todos os momentos, Rafael estava ao seu lado, o braço em volta de sua cintura, o sorriso perfeito em seus lábios, a imagem do marido devotado e bem-sucedido.

Ela aprendeu a jogar o jogo. A sorrir quando necessário, a concordar em momentos estratégicos, a manter a compostura mesmo quando sentia que ia explodir. Mas era exaustivo. A constante vigilância, a necessidade de ser alguém que ela não era, a deixavam esgotada.

Uma noite, em um jantar em homenagem a um renomado artista plástico, Clara se viu presa em uma conversa com a Sra. Albright, uma mulher conhecida por sua língua afiada e sua habilidade de desenterrar segredos.

"Clara, querida," a Sra. Albright disse, seus olhos penetrantes fixos nos dela. "É tão maravilhoso vê-la aqui, ao lado de Rafael. Vocês formam um casal tão… inesperado. Quase tão inesperado quanto a súbita resolução da dívida do seu pai. Os Mendonça são criaturas famintas, não são? E eles parecem ter deixado você em paz tão rapidamente."

Clara sentiu um calafrio. Ela engoliu em seco, tentando manter a calma. "Meu marido, Rafael, é um homem muito… eficiente em resolver problemas."

A Sra. Albright deu uma risadinha baixa. "Ah, sim. Eficiente. E tão… protetor. Ele cuida de tudo, não é mesmo? Até mesmo de… questões de família. Especula-se muito sobre a sua união, sabe. Que foi um acordo rápido. Um casamento de conveniência, alguns diriam."

O rosto de Clara queimava. Ela sentiu o olhar de Rafael em sua direção, observando-a de longe. "Nós nos apaixonamos," ela disse, a voz firme, uma mentira que ela estava começando a internalizar. "O amor pode ser surpreendente."

A Sra. Albright sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Ah, o amor. Sim, o amor. É algo realmente… poderoso. Especialmente quando envolve grandes fortunas e a resolução de dívidas antigas." Ela pousou uma mão delicada no braço de Clara. "Mas me diga, querida, além de ser a esposa perfeita e charmosa, você tem algum… talento? Algo que a distinga, além de sua beleza? Rafael parece gostar de mulheres com substância."

A provocação era clara. Clara sentiu uma pontada de orgulho ferido. Ela era mais do que apenas uma "substância" ou uma "fachada". Ela era uma artista. Uma criadora.

"Eu sou designer," Clara disse, sua voz ganhando firmeza. "Eu crio. Eu dou vida a ideias."

A Sra. Albright ergueu uma sobrancelha. "Ah, que interessante. E o que você tem criado ultimamente, Clara? Algo para o Sr. Ventura? Talvez uma nova linha de joias para sua coleção?"

Antes que Clara pudesse responder, Rafael apareceu ao seu lado, seu braço se envolvendo firmemente em sua cintura. "Clara está desenvolvendo um projeto pessoal, Sra. Albright," ele disse, sua voz suave, mas com um tom de autoridade que encerrava a conversa. "Algo que ela é muito apaixonada. E que eu apoio totalmente." Ele se inclinou e sussurrou no ouvido de Clara: "Não se deixe abalar, meu bem. Ela só está tentando nos desestabilizar."

A proximidade dele era eletrizante. O perfume dele, o calor de seu corpo contra o dela, a forma como ele a defendia, mesmo que fosse por conveniência… era tudo perturbadoramente atraente.

Naquela noite, de volta à mansão, Clara estava no seu quarto, olhando para a cidade iluminada. Rafael entrou, fechando a porta suavemente atrás de si. Ele não disse nada, apenas se aproximou dela, seu olhar fixo no dela. A tensão no ar era palpável.

"Ela te incomodou," ele disse, sua voz baixa.

"Um pouco," Clara admitiu. "Ela é… curiosa."

"Não se importe com ela," Rafael disse, estendendo a mão para tocar seu rosto. "Você se saiu bem. Mais do que bem. Você é uma atriz nata, Clara."

"Eu não sou uma atriz," ela sussurrou, o toque dele enviando arrepios por sua pele. "Eu sou designer."

"Você é o que você precisa ser neste momento," ele respondeu, seus dedos traçando a linha de sua mandíbula. "E neste momento, você é minha esposa. E isso significa que você precisa ser forte. E confiante." Ele a puxou para perto, seus corpos se tocando. A intensidade em seus olhos a fez prender a respiração. "E às vezes, meu bem, a linha entre o que é real e o que é apenas uma fachada, se torna muito tênue."

Ele a beijou novamente. Mas desta vez, o beijo era diferente. Era mais profundo, mais faminto. Era um beijo que expressava uma possessividade feroz, uma necessidade que ia além do acordo. Clara, contra sua própria vontade, se rendeu. As barreiras que ela havia construído desmoronaram sob a força de sua paixão avassaladora. Ela se agarrou a ele, sentindo o calor de seu corpo contra o dela, a força de seus músculos.

Naquele momento, sob o manto da noite de Nova York, a fachada de vidro da mansão Ventura parecia se dissolver, revelando o calor escondido, a paixão que ardia entre dois estranhos unidos por um pacto sombrio. Clara sabia que estava entrando em território perigoso, que aquele beijo não era apenas parte do jogo, mas sim o início de algo mais intenso e complicado. E, para seu próprio espanto, uma parte dela ansiava por descobrir o que estava além daquela linha tênue.

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