Amor nas Alturas 200

Capítulo 8 — O Jogo de Vantagens e as Sombras do Passado

por Camila Costa

Capítulo 8 — O Jogo de Vantagens e as Sombras do Passado

A manhã seguinte chegou com a luz fria de Nova York filtrando pelas imensas janelas da mansão, iluminando o quarto onde Clara e Rafael haviam passado a noite. O ar estava carregado com a lembrança do beijo intenso, um beijo que havia quebrado as barreiras e revelado uma química inegável entre eles. Clara acordou com o corpo levemente dolorido, mas com uma clareza perturbadora. O pacto, o jogo, tudo se tornara mais real, mais perigoso.

Rafael já estava acordado, sentado em uma poltrona de couro antiga, lendo um jornal financeiro. A cena era tão familiar quanto surreal. Ele ergueu o olhar quando sentiu que ela se movia, um leve sorriso brincando em seus lábios.

"Bom dia, Sra. Ventura," ele disse, sua voz rouca de sono, mas com aquele tom de posse que ela começava a reconhecer.

Clara se sentou na cama, puxando o lençol de seda para perto. "Bom dia, Rafael." Ela hesitou, sem saber como abordar a noite anterior. Era um erro? Uma oportunidade? "Sobre… ontem à noite…"

Ele largou o jornal e se levantou, caminhando em sua direção. "Sobre ontem à noite," ele repetiu, ajoelhando-se ao lado da cama. "Não foi um erro, Clara. Foi… uma constatação. Nós temos uma conexão. Uma atração que não podemos ignorar."

"Mas nós temos um acordo," ela murmurou, sentindo-se encurralada. "Somos casados por conveniência."

"E quem disse que conveniência não pode ter seus prazeres?", ele retrucou, seu olhar fixo no dela. "Você é linda, Clara. Inteligente. E você me desafia. E eu gosto disso. Gosto de você. E você, eu acho, gosta de mim também."

Clara sentiu seu rosto corar. Era verdade. Apesar de todo o medo e da situação precária, ela sentia uma atração inegável por Rafael. Sua força, sua confiança, o perigo que o cercava… era tudo um ímã irresistível.

"Isso é perigoso, Rafael," ela disse, tentando se afastar. "Esse jogo que estamos jogando… tem regras que não entendemos completamente."

"Eu entendo as regras, Clara," ele disse, seu tom se tornando mais sério. "E eu sei como jogar. E meu objetivo é vencer. E se no processo, eu encontrar prazer, não vou reclamar." Ele a puxou para perto, sua mão acariciando seu rosto. "Hoje teremos um encontro com os Mendonça. Precisamos mostrar a eles que nosso casamento é sólido, que a dívida está sob controle. E que você, minha esposa, está completamente sob meu domínio."

O encontro com os Mendonça foi tão tenso quanto Clara temia. Eles eram um casal de meia-idade, vestidos com elegância sombria, seus olhos frios e calculistas como os de predadores. Marco Mendonça, o patriarca, tinha uma aura de ameaça que a fazia sentir desconfortável. Sua esposa, Sofia, era mais sutil em sua crueldade, seus sorrisos finos e sarcásticos.

Sentados à mesa de um restaurante exclusivo em Manhattan, a conversa era um campo minado. Rafael era o anfitrião perfeito, charmoso e confiante, com Clara ao seu lado, radiante em um vestido que ele havia escolhido para ela. Ela se esforçava para manter a compostura, para projetar a imagem da esposa feliz e realizada.

"Rafael, meu bom amigo," Marco Mendonça começou, sua voz com um tom de falso apreço. "É um prazer vê-lo tão… realizado. E sua nova esposa… ela é um espetáculo à parte. Tão jovem. Tão… promissora."

Sofia Mendonça acrescentou com um sorriso gelado: "Sim, a união de vocês foi uma surpresa para muitos. Mas, como dizem, o amor tem seus próprios caminhos. E a fortuna também."

Clara sentiu o olhar de Rafael em seu braço, um lembrete silencioso para permanecer firme. "Estamos muito felizes," ela disse, tentando soar genuína. "Rafael tem sido um marido maravilhoso. E sua generosidade em me ajudar… eu sou eternamente grata."

Marco Mendonça riu, um som seco e sem humor. "Generosidade, sim. Mas também sabedoria, minha cara Clara. Você é um investimento inteligente, não é, Rafael? Uma forma de garantir que todos os seus… compromissos sejam honrados."

Rafael apertou o braço de Clara, como se para reforçar sua aliança. "Clara é mais do que um investimento, Marco. Ela é minha esposa. E farei tudo para protegê-la e garantir sua felicidade." A implicação era clara: a dívida de Clara estava resolvida, e qualquer interferência dos Mendonça seria tratada com a força que eles conheciam.

A conversa continuou, um jogo de xadrez verbal onde cada palavra era cuidadosamente calculada. Os Mendonça lançavam insinuações e ameaças veladas, testando os limites de Rafael. Ele respondia com uma calma calculista, sempre com Clara ao seu lado, a imagem perfeita de sua nova vida.

Clara, no entanto, sentia as sombras do passado pairando sobre eles. Ela sabia que a dívida de seu pai era apenas a ponta do iceberg. Havia histórias sobre a família Mendonça, sobre seus negócios obscuros, sobre as pessoas que eles haviam arruinado. Ela se perguntava se Rafael estava apenas se livrando de um problema, ou se estava entrando em um conflito ainda maior.

Mais tarde, de volta à mansão, Clara confrontou Rafael. "Eles não confiam em você, Rafael. E eles não confiam em mim."

"Eles não precisam confiar em nós," Rafael respondeu, servindo-se de um uísque. "Eles só precisam acreditar que a dívida está paga e que você está segura. Isso é o suficiente para mantê-los afastados por enquanto."

"E depois?", Clara perguntou, a preocupação em sua voz. "O que acontece quando eles perceberem que você está apenas usando essa fachada para se livrar deles?"

Rafael deu um gole em seu uísque, seus olhos escuros fixos nela. "Eles não vão perceber. Ou se perceberem, será tarde demais. Eu sou sempre um passo à frente, Clara. E você está comigo agora. Segura."

"Segura?", Clara riu, uma risada amarga. "Eu me sinto mais em perigo do que nunca. Eu estou presa em um mundo de mentiras, com um homem que eu mal conheço, e a ameaça constante de pessoas perigosas."

Rafael se aproximou dela, o olhar intenso. "Você não está presa, Clara. Você fez uma escolha. E essa escolha te protegeu. E eu prometi te proteger. E eu vou cumprir essa promessa. De todas as maneiras possíveis." Ele a segurou pelos ombros. "Você não precisa se preocupar com os Mendonça. Eles são um problema meu. E você… você é minha responsabilidade agora."

A responsabilidade. A palavra soou como uma corrente. Clara se sentiu dividida entre o medo e uma estranha sensação de segurança. Rafael era perigoso, mas ele também parecia determinado a protegê-la.

"O que você realmente quer de mim, Rafael?", ela perguntou, sua voz baixa. "Além da fachada?"

Ele sorriu, um sorriso enigmático. "Eu quero que você seja minha parceira, Clara. Que você entenda meu mundo. E que, talvez, você comece a gostar dele. E que você me ajude a vencer nesse jogo. Porque no final das contas, é disso que se trata. Vencer."

Ele a beijou, um beijo que era ao mesmo tempo gentil e possessivo, um lembrete de sua união, de seu pacto. Clara se rendeu, permitindo que o calor dele a envolvesse. As sombras do passado pareciam recuar por um momento, substituídas pela intensidade do presente, pela promessa de um futuro incerto, mas carregado de paixão e perigo. Ela sabia que estava se entregando a um jogo complexo, onde as apostas eram altas e as consequências, imprevisíveis. Mas, de alguma forma, ela sentia que não estava mais sozinha.

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