O Contrato Nupcial III

Capítulo 2 — A Proposta Irrecusável

por Beatriz Mendes

Capítulo 2 — A Proposta Irrecusável

Isabella olhou para o envelope grosso sobre a mesa de mogno, sentindo o peso das décadas de história empresarial que aquele escritório parecia carregar. O envelope, em papel de alta gramatura, exalava um ar de formalidade e, ao mesmo tempo, de mistério. O nome "Sterling Enterprises" estava discretamente gravado em relevo, um selo de poder e influência inquestionável. Arthur Sterling, sentado à sua frente, observava-a com uma expressão indecifrável, seus olhos azuis penetrantes como dois feixes de gelo. Ele não oferecia calor, nem remorso, apenas a fria eficiência de um negociador implacável.

"Eu já disse, Arthur. Não há mais nada entre nós para acertar. O que tínhamos, acabou. E eu segui em frente." As palavras saíram da boca de Isabella com uma firmeza que ela não sentia por dentro. A lembrança dos últimos sete anos, dos esforços para se reerguer, para construir uma vida longe dele, a fortalecia.

Arthur deu um gole lento em seu uísque, o gesto deliberado, como se quisesse que cada segundo aumentasse a tensão no ambiente. "Seguiu em frente, é? E onde você está agora, Isabella? Uma artista promissora, vivendo do seu trabalho? Ou vivendo da memória de um passado que você insiste em ignorar?" A ironia em sua voz era cortante.

O sangue de Isabella ferveu. Ele ousava questionar sua resiliência, sua capacidade de construir algo próprio? "Eu construí minha vida, Arthur. Com minhas próprias mãos. E não preciso de nada seu."

"Não? E a herança da sua tia, Sofia? O que aconteceria com ela se você não tivesse uma 'conexão' que pudesse facilitar a venda de certas propriedades em Portugal?" A menção da tia Sofia, sua única família restante, atingiu Isabella como um raio. A velha senhora, com sua saúde fragilizada e suas finanças complicadas, dependia dela para tudo. Isabella sabia que Arthur sabia disso. Ele sempre soube como usar as vulnerabilidades alheias.

O rosto de Isabella empalideceu. Ela sentiu um nó se formar em sua garganta. "Você não tem o direito de falar da minha tia."

"Eu tenho o direito de querer acertar as contas. E a herança da sua tia é um bem que está diretamente ligado ao nosso passado. Lembra-se do acordo que ela fez com meu pai, antes de..." Ele hesitou, escolhendo as palavras com cuidado. "...antes que tudo desandasse?"

Isabella lembrou-se com clareza dolorosa. Sua tia Sofia, em um momento de desespero financeiro, havia feito um acordo com o pai de Arthur, um homem tão frio e calculista quanto o filho, para garantir o sustento futuro. Um acordo que, de alguma forma, envolvia a Sterling Enterprises e, por consequência, Arthur.

"O que você quer, Arthur?", ela perguntou, a voz embargada. A esperança que ela havia tentado manter acesa começava a vacilar diante da astúcia dele.

Ele sorriu, um sorriso genuíno desta vez, mas um sorriso que emanava um perigo ainda maior. "O que eu quero é simples. Quero o que me é devido. E você, Isabella, é a chave para conseguir isso." Ele pegou o envelope e o empurrou suavemente em sua direção. "Dentro deste envelope, está a minha proposta. Um contrato. Um novo contrato."

Hesitante, Isabella estendeu a mão e pegou o envelope. O papel era frio contra seus dedos. Ela não o abriu, mas sentiu o peso dos documentos dentro dele. A possibilidade de que seu futuro, e o futuro de sua tia, dependesse daquele papel, a aterrorizava.

"Que tipo de contrato?", ela sussurrou, a voz mal audível.

"Um contrato de casamento", Arthur disse, e o eco dessas palavras a atingiu como um soco no estômago.

O sangue gelou nas veias de Isabella. Casamento? Ele estava brincando com ela? Depois de tudo o que aconteceu, depois de sete anos de silêncio e sofrimento, ele a estava pedindo em casamento?

"Você enlouqueceu, Arthur?", ela exclamou, a voz embargada pela incredulidade e pela raiva. "Você acha que eu voltaria a me casar com você? Depois de tudo?"

Ele ergueu as mãos em um gesto de rendição falsa. "Calma, Isabella. Não estou pedindo para você se casar comigo por amor. Longe disso. Estou propondo um acordo prático. Um acordo de conveniência."

"Conveniência para quem?", ela disparou, sentindo o pânico crescer.

"Para nós dois. Pense bem. Você precisa garantir o futuro da sua tia, ter segurança financeira. Eu preciso... de outras coisas. Coisas que um casamento oficial pode me proporcionar." Ele fez uma pausa, deixando a ambiguidade pairar no ar. "Este contrato garante a você uma segurança financeira vitalícia. Uma quantia generosa, suficiente para cuidar da sua tia e de você, sem nunca mais ter que se preocupar. Em troca, você se torna minha esposa. Oficialmente. Por tempo determinado. Um acordo de cinco anos."

Cinco anos. Isabella riu, um riso amargo e sem alegria. "Você quer me comprar, Arthur? Com dinheiro? Acha que pode comprar a minha dignidade?"

"Não estou comprando sua dignidade, Isabella. Estou oferecendo uma solução. Uma solução que lhe convém. E que me convém. Pense nos seus projetos artísticos, na liberdade que teria para se dedicar a eles sem as preocupações financeiras. Pense no que sua tia Sofia receberá."

Ela olhou para o envelope em suas mãos, as pontas dos dedos tremendo. A proposta era tentadora, sedutora em sua praticidade cruel. A segurança para sua tia, a liberdade para sua arte. Tudo o que ela havia lutado para conquistar, agora oferecido em troca de uma farsa.

"E o que você ganha com isso, Arthur? Além de uma esposa de fachada?"

Ele a encarou, seus olhos azuis encontrando os dela com uma intensidade que a fez se sentir exposta. "Há certas questões de negócios, heranças, acordos de acionistas, que se tornam mais simples com um casamento. E, francamente, o nome Sterling precisa de uma nova imagem. Uma imagem de solidez, de família."

Uma família. A ironia era cruel. A família que ele havia destruído, agora ele queria reconstruir com uma mentira.

"E se eu recusar?", ela perguntou, a voz baixa, mas firme.

Arthur deu um sorriso frio. "Então, a herança da sua tia Sofia ficará em um limbo jurídico, sujeita a disputas e a burocracias que podem durar anos. E eu, infelizmente, não poderei intervir. A Sterling Enterprises tem seus próprios interesses a proteger."

A ameaça era clara. Ele estava jogando sujo, usando a fragilidade de sua tia contra ela. Isabella sentiu uma onda de desespero. Ela estava presa. Encurralada.

"Preciso pensar", ela disse, a voz embargada pela emoção que tentava reprimir.

"Claro", Arthur respondeu, com a mesma frieza calculista. "Você tem 48 horas. Mas, Isabella, pense bem. Esta é a sua única chance de garantir um futuro seguro para você e para sua tia. E, quem sabe, talvez até descobrir que um contrato nupcial pode ser mais interessante do que você imagina."

Ele se levantou, indicando o fim da reunião. Isabella também se levantou, o envelope pesando em sua mão como uma âncora. Ela sentiu o olhar de Arthur em suas costas enquanto saía do escritório, o luxo e o poder da Sterling Enterprises a sufocando. A cidade de Nova York, antes um símbolo de esperança e recomeço, agora parecia um labirinto de armadilhas, e Arthur Sterling, o mestre de todas elas. Ela havia voltado para enfrentar o fantasma do seu passado, mas ele se revelara mais real e mais perigoso do que jamais imaginara.

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