O Contrato Nupcial III
Capítulo 22
por Beatriz Mendes
Absolutamente! Prepare-se para mergulhar de volta no turbilhão de emoções e conflitos de "O Contrato Nupcial III". Aqui estão os capítulos solicitados, recheados de drama, paixão e a intensidade que só uma novela brasileira pode oferecer.
O Contrato Nupcial III Autor: Beatriz Mendes
Capítulo 22 — O Resgate da Alma Ferida
O ar da mansão parecia pesado, carregado de uma tensão palpável que se instalara desde a partida abrupta de Sofia. Lucas sentia-a em cada fibra do seu ser, um eco constante do silêncio que ela deixara para trás. Os corredores, antes repletos do som dos seus passos leves e das suas risadas melodiosas, agora soavam vazios e assustadoramente silenciosos. Ele tentava se concentrar no trabalho, as planilhas e relatórios que antes o cativavam pareciam agora insignificantes, superficiais. A verdadeira batalha estava acontecendo dentro dele, uma guerra silenciosa contra a saudade avassaladora e o arrependimento que o roía.
Ele revia mentalmente cada palavra trocada com Sofia no dia em que ela partiu. A dor em seus olhos, a determinação em sua voz, tudo se gravava em sua memória como um pesadelo vívido. Ele a empurrara para longe, temendo a vulnerabilidade que ela despertava nele, temendo o amor que teimava em florescer em seu peito, um amor que ele acreditava ser um luxo que sua vida atribulada não podia comportar. Ele era um homem acostumado a controlar tudo, a dominar cada situação. Mas Sofia, com sua simplicidade e força sutil, desarmara suas defesas, revelando um homem que ele próprio mal conhecia.
O toque do telefone em sua mesa o tirou de seus devaneios sombrios. Era Ricardo, seu fiel braço direito, a voz carregada de preocupação.
“Lucas? Você não apareceu para a reunião das dez. Está tudo bem?”
Lucas pigarreou, tentando soar mais firme do que se sentia. “Sim, Ricardo. Apenas um contratempo. Adie a reunião para as duas da tarde. Preciso de um tempo.”
“Contratempo? Lucas, você está pálido. E desde que… desde que a Sofia foi embora, você anda ausente. O que está acontecendo?”
O nome dela ecoou na sala, um golpe direto em seu peito. “Não é nada que você precise se preocupar, Ricardo. Apenas… a empresa precisa de mim. E eu preciso… pensar.”
Ele desligou antes que Ricardo pudesse insistir, o coração batendo descompassado. Pensar. Era exatamente isso que ele precisava fazer. Pensar em Sofia, em seu rosto, em seu sorriso, na forma como ela o desafiava e o acalmava ao mesmo tempo. Pensar no vazio que sua ausência criara.
Decidiu sair, o ar fresco da cidade parecia um bálsamo. Dirigiu sem rumo, as ruas familiares de São Paulo parecendo estranhas e distantes. Seus pensamentos o levaram de volta ao início de tudo: o contrato, a conveniência, a farsa. Mas, em algum momento, a linha entre a encenação e a realidade se tornara tênue, quase imperceptível. Ele havia se apaixonado por Sofia, por sua inteligência, por sua resiliência, pela forma como ela se recusava a ser definida por ele ou pelo casamento. E ele a machucara. A ideia o aterrorizava.
Parou o carro em frente a um pequeno café, um lugar que ele e Sofia haviam descoberto por acaso semanas antes. Lembrava-se do riso dela quando ele tentou pronunciar o nome italiano de uma torta e ela o corrigiu com ternura. O aroma de café fresco e pão doce pairava no ar, um lembrete agridoce dos momentos simples que eles compartilharam.
Entrou e sentou-se em uma mesa afastada, observando as pessoas passarem. Cada casal que entrava de mãos dadas, cada olhar carinhoso trocado, parecia zombar de sua solidão. Ele pediu um café preto, forte, como sua dor.
Foi então que ele a viu. Sentada em uma mesa perto da janela, sozinha, com um livro aberto à sua frente, estava Helena. A irmã de Sofia. Lucas nunca se dera bem com ela. Helena sempre fora reservada, um pouco fria, e parecia desaprovar a união de Lucas e Sofia desde o início. Mas, naquele momento, ele viu algo em seus olhos que o fez se aproximar. Uma tristeza profunda, quase um desespero velado.
Respirou fundo e caminhou até a mesa dela. “Com licença, Helena. Posso me juntar a você por um momento?”
Helena ergueu os olhos, surpresa, e um leve rubor subiu por seu pescoço. Ela o estudou por um instante, a expressão indecifrável. “Lucas. Que surpresa. Por favor, sente-se.”
O silêncio se instalou entre eles, um silêncio diferente do vazio que Lucas sentia em sua mansão. Era um silêncio carregado de histórias não contadas. Lucas quebrou-o.
“Eu… eu queria saber de Sofia. Ela está bem? Você tem falado com ela?” Sua voz saiu mais rouca do que ele esperava.
Helena suspirou, fechando o livro com um baque suave. “Ela está… se recuperando. Está em um lugar seguro. Mas a mágoa, Lucas… a mágoa é profunda.”
Lucas sentiu um aperto no estômago. “Eu sei. Eu fui um idiota. Um covarde. Eu a amo, Helena. Mais do que imaginei ser possível amar alguém.” As palavras saíram atropeladas, sinceras. Ele nunca havia admitido isso para ninguém, muito menos para a irmã da mulher que ele amava e magoara.
Helena o olhou, e pela primeira vez, ele viu um lampejo de algo que não fosse frieza em seus olhos. Talvez empatia, talvez compreensão. “Sofia é forte, Lucas. Mais forte do que você imagina. Ela lutou muito para encontrar a sua voz, para se libertar das expectativas alheias. E você, com suas ações, a fez sentir que todo o progresso que ela fez foi em vão.”
“Eu não queria isso, Helena. Eu juro que não queria. Eu estava com medo. Medo de me entregar, medo de ser vulnerável. Eu nunca tive nada parecido com o que sinto por ela. E por causa do meu medo, eu a perdi.” A confissão era dolorosa, mas libertadora.
Helena permaneceu em silêncio por um momento, observando-o. “Sofia te amava, Lucas. E talvez, por isso, ela esteja sofrendo tanto. Ela acreditava em você, acreditava na sinceridade dos seus sentimentos, mesmo quando tudo indicava o contrário. E quando você a rejeitou, ela sentiu como se a própria alma tivesse sido pisoteada.”
As palavras de Helena eram um golpe, mas também um raio de esperança. Se Sofia o amava, talvez houvesse uma chance. “O que eu posso fazer? Como eu posso consertar isso?”
“Você não pode consertar o passado, Lucas. Mas você pode tentar construir um futuro diferente. Sofia precisa saber que você está disposto a lutar por ela. Que você está disposto a mudar. Que você a vê não como parte de um contrato, mas como a mulher que você ama.” Helena pegou uma xícara de chá, suas mãos tremendo levemente. “Ela mencionou algo sobre um evento beneficente que a empresa dela está organizando em algumas semanas. Um evento para ajudar crianças carentes. Sofia sempre se dedicou a essa causa. Se você mostrar interesse genuíno nessa causa, se você se aproximar dela com humildade, talvez você consiga uma brecha em seu coração novamente.”
Lucas assentiu, a mente fervilhando de novas ideias. Um evento beneficente. Era a oportunidade perfeita. Ele podia se dedicar a isso, mostrar a Sofia que ele valorizava o que era importante para ela, que ele estava disposto a se esforçar.
“Obrigado, Helena. De verdade. Obrigado por… por me dizer isso.” Ele se levantou, sentindo um peso menor em seus ombros.
Helena deu um leve sorriso. “Faça o que for preciso, Lucas. Sofia merece ser feliz. E você… você merece a chance de provar que não é apenas um homem de negócios implacável, mas alguém capaz de amar e de se arrepender.”
Lucas saiu do café, a luz do sol parecendo mais brilhante agora. Ele sabia que o caminho seria árduo, que reconquistar a confiança de Sofia seria uma batalha árdua. Mas pela primeira vez em muito tempo, ele sentiu uma pontada de esperança. Ele a amava. E ele estava disposto a lutar por esse amor, a resgatar a alma ferida que ele próprio havia deixado para trás. Ele dirigiu de volta para a mansão, mas agora com um propósito, com um plano. A batalha pela alma de Sofia havia começado.