O Contrato Nupcial III

Capítulo 23 — A Prova de Fogo no Evento Beneficente

por Beatriz Mendes

Capítulo 23 — A Prova de Fogo no Evento Beneficente

O anúncio do evento beneficente para a fundação de Sofia espalhou-se como fogo pela cidade, e para Lucas, soou como um chamado. A fundação, dedicada a amparar crianças em situação de vulnerabilidade social, era o projeto de vida de Sofia, um reflexo de sua compaixão e de seu desejo de fazer a diferença. Era o palco perfeito para Lucas demonstrar a genuinidade de seu arrependimento e a profundidade de seus sentimentos. Ele decidiu se envolver ativamente na organização, não apenas como patrocinador, mas como um participante dedicado, disposto a mergulhar de cabeça em cada detalhe.

Ele sabia que Sofia estaria lá, observando. Não seria fácil. Os olhares dela poderiam ser gélidos, as palavras cortantes, mas ele estava preparado. Sua equipe foi instruída a maximizar o apoio à fundação, oferecendo recursos, voluntários e qualquer tipo de ajuda que fosse necessária. Lucas, por sua vez, dedicou horas de seu tempo, participando de reuniões, visitando os centros de acolhimento mantidos pela fundação e conversando com as crianças e os cuidadores. Ele queria entender a paixão que movia Sofia, queria sentir o que ela sentia.

Em uma tarde, enquanto visitava um dos abrigos, Lucas se viu em meio a um grupo de crianças pintando desenhos. Uma menina, com olhos brilhantes e um sorriso tímido, estendeu a ele um papel com um desenho colorido e vibrante. Nele, havia um sol sorrindo, uma casa e duas figuras de mãos dadas. Ele sentiu um nó na garganta. A inocência e a pureza daquela cena eram um contraste gritante com a complexidade e a dor que ele havia criado em sua própria vida.

“É lindo”, ele disse à menina, a voz embargada. “O que significa?”

Ela apontou para as duas figuras. “É você e a moça bonita que ajuda a gente. Você disse que ela é importante.”

Lucas sentiu o coração disparar. Sofia. Ela era a moça bonita. Era a esperança e a inspiração daquelas crianças. Ele compreendeu, mais do que nunca, o quão valioso era o trabalho dela e o quão tolo fora ao tentar afastá-la de algo que a definia.

No dia do evento, o salão de festas estava deslumbrante, decorado com as cores vibrantes da fundação. Músicos tocavam melodias suaves, e os convidados, a nata da sociedade paulistana, circulavam com elegância. Lucas, impecavelmente vestido em um terno escuro, sentiu a familiar ansiedade antes de uma grande negociação, mas desta vez, o prêmio era algo infinitamente mais valioso.

Ele a avistou do outro lado do salão. Sofia estava radiante em um vestido azul-marinho que realçava a beleza de seus traços. Ela conversava animadamente com alguns convidados, sua presença iluminando o ambiente. Lucas sentiu uma onda de admiração e amor o invadir. Ele esperou o momento certo, o momento em que ela estivesse sozinha.

Quando ela se afastou um pouco do grupo, ele caminhou em sua direção. Seus olhos se encontraram, e por um instante, o tempo pareceu parar. Havia uma faísca de surpresa no olhar dela, mas logo foi substituída por uma expressão neutra, quase defensiva.

“Sofia”, ele disse, a voz baixa e firme.

Ela o encarou por um momento, um leve tremor em seus lábios. “Lucas. Não esperava vê-lo aqui.”

“Eu queria vir”, ele respondeu, sem rodeios. “Eu tenho me dedicado à organização deste evento. Eu acredito na sua causa, Sofia. E acredito em você.”

Um leve arqueio de sobrancelha foi a única reação dela. “É bom saber que você agora se lembra da existência da minha fundação.” O sarcasmo em sua voz era palpável, uma arma afiada que ela usava com maestria.

Lucas não se deixou abater. “Eu errei, Sofia. E me arrependo profundamente. Eu fui um covarde. Eu deixei meus medos me controlarem e te afastei. Mas eu não quero mais viver assim. Eu te amo.” A declaração, dita ali, diante de tantas pessoas, era um ato de coragem e vulnerabilidade que ele nunca pensou ser capaz de realizar.

Sofia o olhou, seus olhos fixos nos dele. Por um instante, ele vislumbrou uma rachadura em sua armadura, uma sombra de dor misturada com algo que poderia ser esperança. Mas ela rapidamente recompôs-se.

“Amor, Lucas? Você fala de amor quando suas ações gritam o contrário? Quando você me humilhou, quando me fez sentir uma idiota, você não pensou em amor. Você pensou em controle, em poder, em manter sua imagem intacta.”

“Eu não sabia como lidar com o que eu sentia”, ele confessou, a voz embargada. “Eu nunca amei ninguém assim. E isso me assustou. Eu me sinto um tolo por ter me deixado levar pelo medo. Mas hoje, eu quero que você saiba que eu não tenho mais medo. Eu quero lutar por nós, Sofia. Eu quero reconquistar você.”

Ele estendeu a mão em direção a ela, mas Sofia recuou, como se estivesse se protegendo de uma ameaça. “Reconquistar? Lucas, você acha que é tão simples assim? Que palavras bonitas em um evento de caridade podem apagar todo o mal que você fez?”

“Eu sei que não é simples”, ele disse, a voz mais firme. “Eu sei que eu preciso provar a você. E eu estou disposto a fazer qualquer coisa. Eu quero te ajudar em tudo que você faz, Sofia. Eu quero estar ao seu lado, não como parte de um contrato, mas como o homem que te ama.”

Ela o observou em silêncio por longos segundos, a expressão indecifrável. Os flashes das câmeras dos fotógrafos que registravam o evento pareciam capturar a tensão entre eles. Então, ela deu um passo para trás.

“O evento está apenas começando, Lucas. E eu tenho responsabilidades. Se você realmente quer provar algo, comece demonstrando que você valoriza o meu trabalho, o meu tempo e a minha dedicação a essa causa. Talvez, se você continuar a se envolver e a mostrar que não é apenas uma fase passageira, talvez… talvez possamos conversar em outro momento.”

Com um último olhar que misturava tristeza e uma ponta de desafio, Sofia se virou e se juntou novamente ao grupo de convidados, deixando Lucas sozinho com suas palavras não ditas e a esperança que acabara de acender. Ele sabia que aquele era apenas o primeiro passo de uma longa jornada. A batalha estava longe de terminar, mas ele sentia que, pela primeira vez, estava no caminho certo. Ele continuaria a se dedicar à fundação, a mostrar a Sofia que seu amor era genuíno e que ele estava disposto a lutar por ela, com toda a força que possuía. A prova de fogo havia começado.

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