O Contrato Nupcial III

Capítulo 24 — A Verdade Revelada e a Fúria de um Rei Ferido

por Beatriz Mendes

Capítulo 24 — A Verdade Revelada e a Fúria de um Rei Ferido

A noite do evento beneficente deixou Lucas em um turbilhão de emoções. As palavras de Sofia, embora carregadas de ressentimento, continham um fio de esperança que ele agarrava com todas as forças. Ele sabia que reconquistar a confiança dela seria um processo longo e doloroso, mas estava determinado a lutar. Nas semanas que se seguiram, Lucas mergulhou de cabeça nas atividades da fundação. Ele não apenas supervisionava as doações e os patrocínios, mas também se envolvia ativamente nos projetos, visitando os abrigos, organizando campanhas de conscientização e, acima de tudo, aprendendo sobre as necessidades das crianças e das famílias que a fundação amparava.

Sua dedicação não passou despercebida por Sofia. Ela o observava de longe, com uma mistura de surpresa e desconfiança. Via-o conversando com as crianças, ouvindo as histórias dos cuidadores, trabalhando lado a lado com a equipe da fundação. Havia algo em sua postura, em seu olhar, que era diferente. Não era o Lucas calculista e distante do passado, mas um homem que parecia verdadeiramente empenhado em uma causa que ia além de seus interesses pessoais.

No entanto, a dor da traição e da manipulação ainda ardia em seu peito. A revelação sobre o plano de seu pai para arruiná-lo, executado por meio de uma empresa concorrente criada especificamente para esse fim, fora um golpe devastador. E o pior de tudo era saber que Lucas, em sua busca cega por poder e controle, quase se tornara a arma involuntária de seu pai. Ela se sentia traída não apenas por Lucas, mas pela própria vida, que parecia conspirar para mantê-la presa em um ciclo de dor e desilusão.

Certa tarde, enquanto Lucas supervisionava a montagem de uma nova ala para o abrigo infantil, um carro luxuoso parou abruptamente na entrada. Era Seu Antônio, o pai de Sofia, acompanhado de dois homens corpulentos. Lucas sentiu um arrepio de apreensão. Ele sabia que a presença de Seu Antônio ali não era casual.

“O que faz aqui, Antônio?”, Lucas perguntou, mantendo a compostura.

Seu Antônio deu um sorriso sarcástico, seus olhos percorrendo o local com desprezo. “O que faz aqui, Lucas? Tentando limpar sua imagem às custas do trabalho alheio? Patético.”

Lucas ignorou o insulto. “Estou ajudando a fundação de Sofia. Algo que você deveria ter feito há muito tempo.”

O sorriso de Seu Antônio desapareceu, dando lugar a uma fúria contida. “Você acha que pode se redimir com essa palhaçada? Você, que quase me ajudou a destruir tudo o que eu construí? Você, que se vendeu por migalhas?”

Lucas sentiu o sangue subir à cabeça. A menção ao plano de Seu Antônio era um risco que ele não esperava. “Eu não me vendi para ninguém, Antônio. E o que você fez foi doentio. Manipular sua própria filha, usar pessoas inocentes como peões em seu jogo sujo…”

Antes que Lucas pudesse terminar, Seu Antônio deu um passo ameaçador em sua direção. “Cuidado com o que você fala, moleque. Você não tem ideia com quem está lidando.”

Nesse momento, Sofia chegou. Ela viera ao abrigo para uma visita surpresa e se deparou com a cena tensa. Seu rosto empalideceu ao ver o pai ali, em um lugar que ela tanto amava, confrontando Lucas.

“Pai! O que está fazendo aqui?”, ela perguntou, a voz trêmula.

Seu Antônio se virou para a filha, o olhar de fúria se suavizando em um sorriso falso. “Vim ver como você está, meu amor. E o que você anda fazendo. Parece que seu marido está se esforçando para agradar a todos, não é mesmo?”

Sofia ignorou o tom de Seu Antônio e se voltou para Lucas. “Você está bem?”, ela perguntou, a preocupação genuína em sua voz.

Lucas assentiu, ainda encarando Seu Antônio. “Estou bem, Sofia. Mas seu pai parece ter alguns assuntos pendentes.”

Seu Antônio riu, um som áspero e desagradável. “Assuntos pendentes? Eu vim para colocar as coisas em ordem, Sofia. E para deixar claro para esse… playboy… que ele não é digno de você, nem de seu legado.” Ele se virou para Lucas, com um brilho perigoso nos olhos. “Você se acha esperto, Lucas? Acha que pode virar o jogo? Eu construí meu império do zero. E eu sei como destruir qualquer um que se interponha em meu caminho. E você, meu caro, está no meu caminho.”

A fúria de Seu Antônio explodiu. Ele avançou em direção a Lucas, os dois capangas se posicionando para intervir. Mas antes que a situação pudesse escalar para a violência física, Sofia se colocou entre eles.

“Parem! Parem os dois!”, ela gritou, a voz ecoando no silêncio repentino. Ela encarou o pai, a determinação substituindo o medo. “Pai, você não tem o direito de vir aqui e perturbar o trabalho que eu e Lucas estamos fazendo. Você não tem o direito de me ameaçar, nem de ameaçá-lo.”

Seu Antônio olhou para a filha, chocado com sua ousadia. “Sofia, você está defendendo esse… impostor? Depois de tudo o que ele fez?”

“Ele cometeu erros, pai. Erros graves. Mas ele está se esforçando para consertá-los. E eu não vou permitir que você venha aqui e destrua tudo o que estamos construindo. Você deveria sentir vergonha de si mesmo.” As palavras de Sofia foram como um golpe para Seu Antônio. Ele não estava acostumado a ser desafiado, muito menos pela própria filha.

“Vergonha? Eu não tenho vergonha de nada, Sofia! Eu fiz o que era preciso para proteger o que é nosso! E você, com sua ingenuidade, está jogando tudo fora!” Ele se virou para Lucas com um olhar de puro ódio. “Você vai se arrepender disso, Lucas. Você vai se arrepender de ter cruzado o meu caminho.”

Com uma última ameaça velada, Seu Antônio se virou e se dirigiu ao carro, seguido por seus capangas. A tensão no ar era palpável. Sofia, tremendo, virou-se para Lucas.

“Você está bem?”, ela perguntou novamente, a voz ainda embargada.

Lucas a abraçou forte. “Estou bem, Sofia. Graças a você.” Ele sentiu a força dela, a coragem que ela demonstrava mesmo quando estava ferida.

“Eu não acredito que ele fez isso”, ela murmurou, enterrando o rosto em seu peito. “Ele… ele planejou tudo. Ele usou a mim, usou você, para me machucar.”

Lucas a segurou com firmeza. “Eu sei, Sofia. E eu sinto muito. Eu deveria ter desconfiado dele desde o início. Eu estava tão focado em provar meu valor para você que me tornei cego para as armadilhas dele.”

“Não, Lucas”, ela o interrompeu, afastando-se um pouco para olhá-lo nos olhos. “A culpa não é sua. A culpa é dele. Ele é um homem doente, obcecado por poder. E ele não vai parar até conseguir o que quer.”

“Mas nós não vamos deixá-lo”, Lucas disse, a determinação em sua voz crescendo. “Nós vamos lutar contra ele. Juntos.”

Sofia o encarou, e pela primeira vez em muito tempo, Lucas viu um brilho de esperança em seus olhos. A raiva e a dor ainda estavam lá, mas agora misturadas com uma nova força, uma força que vinha da união.

“Juntos?”, ela perguntou, um leve sorriso surgindo em seus lábios.

“Sim, Sofia. Juntos. Eu não vou deixar que ele destrua você, nem o que é importante para você. Eu vou proteger você. E vamos derrotá-lo.”

O olhar dela suavizou, e ela encostou a testa na dele. “Eu… eu acho que você pode ter razão, Lucas. Talvez… talvez juntos possamos acabar com isso.”

Naquele momento, sob o olhar das crianças que voltavam a brincar, Lucas sentiu que tinha ganhado uma batalha importante. Ele não apenas estava lutando por Sofia, mas estava lutando ao lado dela. A revelação sobre o plano de Seu Antônio havia exposto a verdadeira natureza dele, e isso, de certa forma, uniu Lucas e Sofia contra um inimigo comum. A guerra pela alma de Sofia estava longe de terminar, mas agora, eles eram um time. E juntos, eles enfrentariam qualquer adversidade.

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