O Contrato Nupcial III

Capítulo 3 — A Farsa Começa em Manhattan

por Beatriz Mendes

Capítulo 3 — A Farsa Começa em Manhattan

Isabella sentiu o peso do envelope como se ele contivesse não apenas papéis, mas o destino de sua tia Sofia e o seu próprio. A oferta de Arthur Sterling era ousada, calculista e, de uma forma perversa, tentadora. A segurança financeira vitalícia, a liberdade para dedicar-se à sua arte sem preocupações. Tudo isso em troca de um casamento de fachada, um acordo de cinco anos. O dilema a consumia. Fugir era impossível, pois Arthur já havia revelado seu trunfo: a fragilidade da saúde e das finanças de sua tia.

Ela saiu do imponente prédio da Sterling Enterprises, a luz fria de Nova York banhando seu rosto. As ruas movimentadas, antes um pano de fundo para sua ansiedade, agora pareciam um palco para um drama que ela não queria encenar. Cada passo a afastava do escritório de Arthur, mas a imagem de seus olhos azuis, frios e calculistas, persistia em sua mente.

A conversa com sua tia Sofia, via chamada de vídeo, foi um misto de alívio e angústia. A voz fina e vacilante da velha senhora transmitia gratidão e uma preocupação velada com o futuro. Isabella, com o coração apertado, não revelou a verdadeira proposta de Arthur. Apenas mencionou que havia uma "oportunidade de investimento" que poderia garantir a estabilidade financeira de ambas. A tia Sofia suspirou, aliviada. "Que Deus te abençoe, minha filha. Sempre soube que você daria um jeito."

De volta ao seu modesto apartamento em Greenwich Village, Isabella abriu o envelope. Os documentos eram extensos, repletos de cláusulas e termos legais que ela mal compreendia. Mas a essência era clara: um contrato de casamento, com todas as implicações legais e financeiras. Um acordo de "separação de bens", claro, mas com generosas disposições para ela. Em troca, ela deveria manter as aparências de um casamento feliz, participar de eventos sociais selecionados, e, acima de tudo, não revelar a verdadeira natureza do acordo.

Os cinco anos pareciam uma eternidade, mas também uma fuga temporária da realidade. A alternativa era ver sua tia sofrer as consequências da ganância e da burocracia. Ela não podia permitir isso.

Com um suspiro resignado, Isabella pegou o telefone. Precisava informar Arthur. Sua voz, quando atendeu, estava carregada de uma frieza que espelhava a dele.

"Eu aceito, Arthur."

Um silêncio se seguiu, carregado de significado. Ela imaginou o sorriso satisfeito que ele devia estar ostentando.

"Excelente, Isabella. Sabia que faria a escolha certa." A voz dele, agora, parecia um pouco mais suave, mas ainda assim carregada de autoridade. "Precisamos resolver os detalhes rapidamente. O casamento será em duas semanas. Algo discreto, para a imprensa não criar alarde."

"Duas semanas?", Isabella exclamou, chocada. "Arthur, isso é impossível! Preciso me organizar, avisar a minha tia..."

"Eu cuido de tudo. Você só precisa comparecer e cumprir a sua parte do acordo. Teremos um pequeno coquetel em minha cobertura, apenas para alguns sócios e pessoas-chave. E depois, um jantar íntimo. Nada que chame muita atenção. O importante é o registro oficial."

Isabella sentiu um nó na garganta. Casar-se com Arthur Sterling em duas semanas, como se fosse a coisa mais natural do mundo? Era surreal.

"Eu não tenho nada para vestir", ela murmurou, mais para si mesma do que para ele.

"Isso também está previsto", Arthur respondeu, como se lesse seus pensamentos. "Uma das primeiras providências será providenciar seu guarda-roupa. E um designer de sua confiança, se preferir, que terá carta branca."

Ele estava antecipando cada detalhe, cada preocupação. Era como se ele já tivesse planejado tudo isso há muito tempo.

Nos dias que se seguiram, Nova York se transformou em um turbilhão de preparativos. Arthur, de fato, cuidou de tudo. Um apartamento luxuoso foi alugado para Isabella em um dos edifícios mais elegantes de Manhattan, com vista para o Central Park. Um closet repleto de roupas de alta costura foi montado, com peças escolhidas a dedo por um renomado estilista. Um casamento civil, rápido e sem cerimônia, foi marcado em um cartório discreto.

Isabella sentia-se como uma peça em um jogo de xadrez, movida por um jogador mestre. Ela cumpria as exigências, sorria para as câmeras quando necessário, mas por dentro, uma tempestade de emoções a consumia. A raiva, a tristeza, o medo, e, para sua própria surpresa, uma faísca de curiosidade. Como seria viver ao lado de Arthur Sterling novamente, mesmo que em um acordo?

O dia do casamento chegou, um dia de céu azul e sol radiante, um contraste cruel com a turbulência em sua alma. Vestida em um elegante tailleur branco escolhido por Arthur, ela se sentiu uma estranha em sua própria pele. O juiz de paz, um homem jovial e eficiente, proferiu as palavras de praxe. Arthur, ao seu lado, estava impecável em seu terno escuro, seu olhar fixo em um ponto distante.

"Pode beijar a noiva", o juiz disse, com um sorriso.

Arthur virou-se para ela, seus olhos azuis encontrando os dela por um breve instante. Era um olhar que parecia carregar anos de história, de paixão, de decepção. Ele a beijou, um beijo breve, formal, sem qualquer traço da paixão que um dia compartilharam. Era um beijo de contrato, um beijo de fachada.

Mais tarde, naquela noite, na cobertura deslumbrante de Arthur, com vista para as luzes cintilantes de Nova York, o coquetel começou. A elite empresarial e social da cidade estava presente, todos observando a recém-casada Isabella com curiosidade e admiração. Arthur a apresentou como sua esposa, sua voz calma e confiante, como se aquele casamento fosse o ápice de um amor profundo. Isabella sorriu, assentiu, e desempenhou o papel de esposa feliz com a habilidade de uma atriz experiente.

"Você está linda, Isabella", Arthur sussurrou em seu ouvido, enquanto brindavam com champanhe. A proximidade dele era eletrizante, uma lembrança perigosa do passado.

"Só estou fazendo o meu papel, Arthur", ela respondeu, sem desviar o olhar dele.

"E está fazendo um excelente trabalho", ele disse, um leve sorriso em seus lábios. "Mas não se preocupe. Em breve, a fachada pode se tornar... mais interessante."

Ele a puxou para mais perto, seus corpos se tocando por um instante. Isabella sentiu seu coração disparar. O jogo havia começado, e ela sabia que Arthur Sterling era um mestre em torná-lo mais interessante, mais perigoso, e, talvez, mais apaixonante do que qualquer um deles imaginava. A farsa em Manhattan estava apenas começando.

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