O Contrato Nupcial III

Capítulo 4 — Noites de Armadilha em Manhattan

por Beatriz Mendes

Capítulo 4 — Noites de Armadilha em Manhattan

O apartamento luxuoso em Manhattan, com suas vistas panorâmicas e decoração impecável, era um deslumbre. Para Isabella, no entanto, era uma gaiola dourada. Cada peça de mobiliário caro, cada obra de arte selecionada a dedo, parecia um lembrete constante da sua nova realidade. Era a casa de Arthur Sterling, a casa que ela agora compartilhava, pelo menos de fachada, com o homem que havia prometido amá-la e depois a abandonara.

Os primeiros dias do casamento foram uma sucessão de eventos sociais calculados. Jantares de negócios, recepções de gala, eventos de caridade. Isabella se via mergulhada em um mundo de aparências, onde cada sorriso era medido e cada palavra carregava um significado oculto. Arthur era um anfitrião impecável, galanteador, o marido perfeito aos olhos do mundo. Ele a apresentava com orgulho, elogiava sua beleza, sua inteligência, sua desenvoltura. E Isabella, por sua vez, desempenhava seu papel com maestria, sorrindo, concordando, e mantendo a compostura, mesmo quando sentia o olhar de Arthur sobre ela, um olhar que parecia penetrar sua alma.

"Você está se saindo melhor do que eu esperava, Isabella", Arthur disse uma noite, depois de um jantar em um restaurante exclusivo. Eles estavam em seu carro, o silêncio do interior contrastando com o burburinho da cidade lá fora.

"Eu sou uma boa atriz, Arthur", ela respondeu, com um leve sorriso. "Ou talvez você apenas tenha boas instruções."

Ele riu, um som grave e agradável. "Talvez um pouco dos dois. Mas eu a escolhi por uma razão. Você é mais do que apenas uma bela fachada, Isabella."

A profundidade em sua voz a atingiu. Havia algo mais ali, algo que ia além do acordo. Uma lembrança do homem que ela um dia amou, um homem complexo e fascinante. Ela desviou o olhar, focando nas luzes da cidade que passavam como um borrão.

As noites no apartamento eram um teste de sua força. Viviam sob o mesmo teto, compartilhavam a mesma cama, mas a distância entre eles era palpável. Arthur, embora fisicamente presente, parecia sempre distante, absorto em seus negócios. Ele trabalhava até tarde, fechava acordos complexos, e Isabella muitas vezes o via apenas como uma silhueta contra a janela iluminada.

Uma noite, ela o encontrou em sua biblioteca, um cômodo imenso com estantes que iam do chão ao teto, repletas de livros antigos e modernos. Ele estava sentado em sua poltrona de couro, um copo de uísque na mão, o olhar perdido no vazio.

"O que te aflige, Arthur?", ela perguntou, aproximando-se dele.

Ele ergueu o olhar, surpreso com sua presença. "Apenas pensando. As responsabilidades são muitas."

"E você as carrega sozinho?", ela questionou, sua voz carregada de uma preocupação genuína.

Arthur a observou por um longo momento, como se a visse pela primeira vez. "Talvez eu não precise mais carregá-las sozinho."

A implicação era clara. Ele estava falando do acordo, da fachada de casamento. Mas algo em seus olhos sugeria mais. Uma vulnerabilidade, uma saudade, que ela pensava ter desaparecido para sempre.

"Estamos casados por contrato, Arthur. Não se esqueça disso." As palavras saíram mais duras do que ela pretendia.

Ele sorriu, um sorriso melancólico. "Eu sei. Mas às vezes, as linhas entre o contrato e a realidade se tornam... confusas."

A tentação de se aproximar, de tentar resgatar algo do passado, era imensa. Mas Isabella sabia que era perigoso. O acordo era claro. Cinco anos. E então, cada um seguiria seu caminho.

No entanto, as noites começaram a mudar. Arthur, antes distante, passou a procurá-la. Não de forma invasiva, mas com uma sutileza que a desarmava. Ele a convidava para assistir a filmes na sala de estar, compartilhava detalhes de seu dia, e, aos poucos, a conversa fluía, solta e natural, como nos velhos tempos. Isabella se pegava rindo de suas piadas, debatendo seus pontos de vista, e até mesmo sentindo uma pontada de afeto.

Uma noite, depois de um evento particularmente estressante, eles voltaram para casa exaustos. No corredor, Arthur a segurou suavemente pelo braço.

"Você se lembra daquela noite no Rio, Isabella?", ele perguntou, sua voz rouca. "Antes de tudo ruir."

Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela se lembrava. A noite em que ele lhe prometeu o mundo, em que juraram amor eterno sob as estrelas tropicais.

"Eu me lembro", ela sussurrou.

Ele a puxou para perto, seus corpos se tocando. O cheiro dele, amadeirado e cítrico, a envolveu, e as memórias de paixão avassaladora a assaltaram. Seus olhos azuis encontraram os dela, e dessa vez, havia algo além de frieza. Havia desejo.

"Eu nunca quis te machucar, Isabella", ele disse, sua voz embargada. "Você sabe disso, não sabe?"

O coração de Isabella disparou. Ela lutava contra o desejo, contra as lembranças, contra a esperança que teimava em ressurgir.

"Eu não sei mais o que acreditar, Arthur."

Ele levou uma mão ao seu rosto, acariciando sua bochecha com o polegar. A pele dela arrepiou-se com o toque. "Acredite em mim. Eu ainda te amo, Isabella. Mesmo depois de tudo."

As palavras, ditas com tanta sinceridade, a atingiram em cheio. O amor. A palavra que ela tentara banir de sua vida, que ele havia pisoteado. E agora, ele a trazia de volta, em meio a um contrato nupcial.

"Você não pode me amar, Arthur. Você me deixou. Você me destruiu." As lágrimas começaram a rolar por seu rosto.

"Eu cometi erros terríveis, eu sei. Mas o tempo me ensinou muitas coisas. E a coisa que mais aprendi é que você é a única mulher que eu amei, Isabella. A única que eu amo."

Ele se aproximou, seus lábios roçando os dela. Isabella fechou os olhos, entregando-se ao momento, à tentação. O beijo começou suave, terno, um reencontro de lábios que ansiavam por mais. Mas rapidamente se aprofundou, carregado de uma paixão reprimida por anos, de um desejo que explodiu em ambos. As mãos de Arthur exploravam seu corpo, e Isabella respondia com a mesma urgência, como se o tempo tivesse parado e eles fossem novamente os amantes de outrora.

O beijo se tornou mais intenso, mais necessitado. Ele a pegou nos braços, seus corpos colados, e a carregou em direção ao quarto. As luzes da cidade, lá fora, pareciam brilhar mais intensamente, testemunhas silenciosas do reencontro de dois corações atormentados. A farsa de Manhattan se tornava cada vez mais real, e as noites, outrora frias e vazias, agora eram preenchidas por uma paixão perigosa, que ameaçava consumir ambos em suas chamas. Isabella sabia que estava entrando em um território perigoso, onde o amor e o contrato se misturavam, e onde as consequências poderiam ser devastadoras.

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