O Contrato Nupcial III

Capítulo 5 — A Sombra de um Acordo Antigo

por Beatriz Mendes

Capítulo 5 — A Sombra de um Acordo Antigo

A manhã em Manhattan amanheceu radiante, um contraste gritante com a tempestade de emoções que ainda assolava Isabella. A noite anterior havia sido um turbilhão de paixão, um reencontro avassalador com Arthur Sterling que a deixou confusa e vulnerável. Aquele beijo, aquela entrega, haviam borrado as linhas tênues entre o contrato e o sentimento, entre a fachada e a realidade. Ela se sentia exausta, mas uma estranha excitação a percorria.

Arthur, ao seu lado na cama king-size, dormia profundamente. Sua expressão serena, os cabelos escuros espalhados pelo travesseiro, o tornavam quase irreconhecível. Isabella o observou, a mente girando em mil direções. Ele disse que a amava. Ele, Arthur Sterling, o homem que a havia desdenhado, o homem que a abandonara, estava dizendo que a amava. Seria verdade? Ou apenas mais uma jogada em seu jogo calculista?

Ela deslizou para fora da cama com cuidado, evitando acordá-lo. Vestiu o robe de seda que encontrara em uma cadeira e foi para a varanda, buscando o ar fresco da manhã. A cidade despertava abaixo dela, um mar de luzes e sons. O silêncio da varanda era interrompido apenas pelo som distante do trânsito.

Um leve tremor percorreu seu corpo. Ela sabia que aquela noite não podia ser apenas um acidente, um deslize do passado. Havia algo mais, um motivo oculto, uma peça que ainda faltava no quebra-cabeça. A herança de sua tia Sofia, o contrato nupcial, tudo parecia conectado a um plano maior.

Arthur acordou quando ela retornou ao quarto. Seus olhos azuis a encontraram, e um sorriso preguiçoso surgiu em seus lábios.

"Bom dia, Sra. Sterling", ele disse, a voz rouca de sono.

Isabella sentiu um rubor subir pelo rosto. "Bom dia, Sr. Sterling."

Ele se levantou e a abraçou por trás, beijando seu ombro nu. A familiaridade do toque, a intimidade que se instalara entre eles, era ao mesmo tempo reconfortante e perturbadora.

"Você parece pensativa", ele observou.

"Apenas... processando", ela respondeu, escolhendo as palavras com cuidado. "Ontem à noite... foi intenso."

"Foi", ele concordou, apertando-a suavemente. "Mas necessário, você não acha?"

"Necessário para quê, Arthur? Para o contrato? Para a fachada?"

Ele a soltou e se virou para encará-la, sua expressão tornando-se séria. "Necessário para que possamos seguir em frente. Para que possamos construir algo real."

"Real? Arthur, estamos casados por um contrato. Você sabe disso."

"Eu sei. Mas o que começou como um contrato pode se tornar algo mais, Isabella. Você não sente isso?"

Isabella não podia negar. Havia uma conexão inegável entre eles, uma atração que ia além do físico. Mas o medo de se entregar novamente, de ser machucada, a impedia de admitir em voz alta.

"Eu não sei o que sinto, Arthur. Estou confusa."

"Dê tempo ao tempo, Isabella. E talvez, apenas talvez, você descubra que este contrato nupcial é a melhor coisa que nos aconteceu."

Ele a beijou novamente, um beijo mais suave, mais cheio de promessa do que de paixão. E, por um momento, Isabella permitiu-se acreditar.

No entanto, a paz que ela sentia era efêmera. Nos dias que se seguiram, enquanto o "casamento" se consolidava em público, Isabella sentia uma inquietação crescente. Ela começou a investigar o passado de Arthur e sua relação com sua tia Sofia. Descobriu documentos antigos, cartas trocadas entre seu falecido pai e o pai de Arthur, que falavam de um acordo secreto, de um investimento em uma empresa que ambos haviam fundado no passado.

Um dia, enquanto vasculhava alguns arquivos antigos no apartamento de Arthur, ela encontrou uma pasta esquecida em uma gaveta. O nome na capa a fez gelar: "Acordo Sofia & Sterling".

Com as mãos trêmulas, ela abriu a pasta. Lá dentro, havia cópias de um contrato, assinado anos antes por sua tia Sofia e pelo pai de Arthur. Um contrato que estabelecia um acordo financeiro complexo, ligando a herança de Sofia a certos dividendos e participações em empresas da Sterling Enterprises. Era esse o verdadeiro motivo pelo qual Arthur a havia convocado de volta? Era para garantir a sua parte naquele acordo antigo, selando-o com um casamento?

O coração de Isabella apertou. A paixão da noite anterior, as palavras de amor, tudo parecia agora uma elaborada armadilha. Arthur não a amava. Ele a queria para garantir o controle sobre a herança de sua tia, para solidificar o acordo do seu pai.

Ela o confrontou naquela noite, a pasta em suas mãos. Arthur estava em seu escritório, revisando documentos.

"O que é isso, Arthur?", ela perguntou, a voz embargada pela raiva e pela decepção.

Ele ergueu o olhar, surpreso. Viu a pasta em suas mãos e seu rosto empalideceu.

"Onde você encontrou isso?", ele perguntou, a voz tensa.

"Não importa onde. O que importa é o que está aqui dentro. Um acordo que você escondeu de mim. Um acordo que explica tudo."

Arthur suspirou, um som de derrota. Ele se levantou e caminhou até a janela, olhando para a cidade iluminada.

"Você está enganada, Isabella. Não é bem assim."

"Enganada? Você usou a minha tia, usou a mim, para garantir o controle desse acordo. Você disse que me amava. Tudo mentira, não é?" As lágrimas rolavam livremente por seu rosto.

Arthur se virou para ela, seus olhos azuis repletos de uma dor que ela nunca tinha visto antes. "Eu te amo, Isabella. Eu sempre amei. Mas o acordo é real. E sim, ele é importante. Meu pai o fez, e eu preciso honrá-lo. E sim, o casamento facilita as coisas."

"Facilita? Ou é a condição para que eu não me oponha? Para que eu não descubra o seu jogo?"

"Não é um jogo, Isabella. É a minha vida. O meu legado. E você... você é parte disso. Você sempre foi."

Ele se aproximou dela, a pasta ainda em suas mãos. "Eu sei que te magoei. E eu sinto muito. Mas eu não posso perder você de novo. Não agora. Me dê uma chance, Isabella. Me deixe provar que o meu amor é real. Que este contrato pode ser mais do que apenas um acordo."

Isabella olhou para ele, a dor e a confusão lutando em seu interior. Ela o amava. Ela sabia disso. Mas a sombra daquele acordo antigo pairava sobre eles, ameaçando destruir tudo o que eles poderiam construir. Ela estava presa em um dilema, dividida entre o amor que sentia e a desconfiança que ele havia plantado em seu coração. O futuro, incerto e sombrio, se estendia diante dela, e ela não sabia mais em quem confiar, nem o que acreditar. A farsa de Manhattan havia se revelado um labirinto de verdades e mentiras, e Isabella estava perdida em seu centro.

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