Cap. 1 / 21

Amor no Topo III

Amor no Topo III

por Fernanda Ribeiro

Amor no Topo III

Por Fernanda Ribeiro

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Capítulo 1 — A Sombra do Passado na Metrópole Iluminada

O ar na cobertura de Leonardo de Andrade era rarefeito, carregado não apenas pela altitude vertiginosa que o separava do burburinho incessante de São Paulo, mas também por uma tensão palpável. A metrópole, lá embaixo, brilhava como um tapete de diamantes, um espetáculo de luzes que Leonardo, o magnata implacável da Andrade Holdings, via todos os dias como um lembrete constante de sua ascensão. Mas naquela noite, a cidade parecia mais um espelho distorcido de sua própria alma: grandiosa, deslumbrante, mas com sombras profundas.

Ele observava a paisagem noturna de sua imponente sala de estar, o copo de uísque ambarino girando preguiçosamente em sua mão. A transparência do vidro refletia o céu escuro e as luzes cintilantes, quase como se ele pudesse tocar o firmamento com a ponta dos dedos. Aos quarenta e poucos anos, Leonardo era a personificação do sucesso: um homem que esculpiu seu império com ferro e aço, conhecido por sua frieza calculista nos negócios e por um passado que ele se esforçava para manter sepultado sob camadas de sucesso e poder.

Um silêncio incômodo pairava no ar, quebrado apenas pelo tique-taque cadenciado de um relógio antigo em uma parede lateral, um presente de sua falecida mãe, a única fraqueza que ele permitia exibir. A porta de correr de vidro que dava para a varanda se abriu com um leve assobio, trazendo uma brisa fresca da noite que agitou as cortinas de seda. Ele não se virou. Sabia quem era.

"Você está observando a cidade de novo, Leo?" A voz suave, mas com uma nota de preocupação que não passava despercebida por ele, pertencia a Sofia Alencar. Ela era sua sócia, sua confidente mais próxima, e, para muitos, o único elo aparente de Leonardo com o mundo real. Sofia, com seus cabelos negros sempre presos em um coque elegante e um olhar penetrante que via além das fachadas, era a personificação da inteligência e da elegância discreta.

Leonardo finalmente se virou, um sorriso frio brincando em seus lábios. "Alguém precisa garantir que nada mude lá embaixo enquanto eu estou aqui em cima. E você sabe, Sofia, eu detesto surpresas."

Sofia se aproximou lentamente, seus saltos finos fazendo um som delicado no piso de mármore polido. Ela parou a uma distância respeitosa, seu olhar avaliando o semblante tenso do amigo. "Surpresas podem ser boas, Leo. Ou elas podem ser inevitáveis. E a noite de hoje… bem, ela não parece ser sobre negócios."

Ele deu um gole em seu uísque, o líquido quente descendo por sua garganta. "O que a traz aqui tão tarde, Sofia? Não me diga que você está preocupada com meu bem-estar. Isso não condiz com a sua usual pragmática eficiência."

"Talvez eu esteja apenas curiosa," ela respondeu, sentando-se em uma poltrona de couro clara, como se o ambiente, por mais luxuoso que fosse, ainda lhe parecesse um pouco frio. "Ou talvez eu tenha recebido um telefonema. Um telefonema que me deixou… preocupada."

O olhar de Leonardo endureceu. Ele pousou o copo na mesinha de centro, o som abafado. "Um telefonema? De quem?"

"De um lugar que você não visita há muito tempo, Leo. Um lugar que você fez um esforço hercúleo para esquecer." Sofia fez uma pausa, seus olhos fixos nos dele, buscando uma reação que ele tentava disfarçar. "Da sua antiga casa. Da cidade onde você cresceu."

A menção da cidade natal de Leonardo, um pequeno vilarejo no interior de Minas Gerais, que ele abandonou há mais de vinte anos, atingiu-o como um golpe. A fachada de aço rachou por um instante, e um vislumbre de dor, algo que Sofia raramente via, cruzou seu rosto. Ele apertou os punhos, os nós dos dedos brancos.

"Quem te ligou, Sofia?" Sua voz estava baixa, perigosamente calma.

"Uma mulher. Ela disse que se chama Helena. Helena Viana."

O nome ecoou no silêncio da sala, carregado de memórias indesejadas. Helena. A mulher que ele amou com a intensidade de um furacão e que, de alguma forma, se tornou o catalisador de sua fuga daquele lugar. A mulher que ele deixou para trás, acreditando que era o único caminho para sobreviver, para prosperar.

"Helena…", Leonardo murmurou, como se o nome fosse uma erva daninha que ele tentava arrancar de sua mente. "O que ela queria?"

"Ela disse que precisava falar com você urgentemente. Que era algo sobre… o passado. Algo sobre uma dívida." Sofia escolheu as palavras com cuidado, sabendo que cada sílaba era um gatilho. "Ela parecia desesperada, Leo. Falou em perigo. Falou que a vida dela e de alguém que lhe é caro estava em risco."

O olhar de Leonardo tornou-se gélido, um reflexo de aço polido. O fantasma de Helena Viana, que ele acreditava ter deixado enterrado sob as cinzas de seu passado, ressurgiu, exigindo sua atenção. A cidade iluminada lá fora parecia subitamente menos convidativa, mais sombria. O poder que ele acumulou, a fortuna que construiu, tudo parecia insignificante diante da sombra que se projetava sobre ele naquela noite.

"Perigo", Leonardo repetiu, a palavra soando como um eco distante em sua própria mente. Ele se aproximou da varanda novamente, seu olhar agora não mais fixo na cidade, mas em um ponto invisível no horizonte. "Dívida. Depois de todos esses anos."

Ele se lembrava de Helena como um furacão de paixão e desespero. Uma mulher de pele morena, olhos escuros e profundos como a noite, e um sorriso que podia incendiar o mundo ou deixá-lo em cinzas. Eles se apaixonaram perdidamente em sua juventude, em meio à simplicidade árdua de sua cidade natal, um amor que ele acreditava que os salvaria de tudo. Mas o destino, como muitas vezes faz, tinha outros planos. A ambição de Leonardo, sufocada pelas limitações daquele pequeno mundo, o impulsionou para longe. Ele acreditou que podia protegê-la de longe, que seu sucesso traria segurança. Mas a distância, o tempo e as circunstâncias criaram um abismo intransponível.

"O que você acha que ela quer, Leo?", Sofia perguntou, sua voz suave, mas insistente.

Leonardo fechou os olhos por um momento, uma imagem fugaz de um rosto que ele jurou nunca mais ver invadindo sua mente. A inocência em seus olhos, a confiança que ela depositava nele… E a decepção quando ele partiu.

"Eu não sei, Sofia. Mas se Helena Viana está dizendo que há perigo, então eu acredito nela. Ela nunca foi de mentiras fáceis." Ele se virou, seus olhos agora carregados de uma determinação sombria. "Prepare um jato. Preciso ir para Minas Gerais o mais rápido possível."

Sofia assentiu, já compreendendo a gravidade da situação. Ela conhecia Leonardo bem o suficiente para saber que quando algo de seu passado o assombrava, ele não descansava até que a questão fosse resolvida. E agora, o passado, personificado por Helena, estava batendo à sua porta, exigindo sua atenção, ameaçando desmoronar o império de controle que ele tanto lutou para construir.

"Deixe que eu cuido de tudo", Sofia disse, levantando-se. "Você deveria tentar descansar. Amanhã será um longo dia."

Leonardo não respondeu. Ele voltou a olhar para a cidade, mas agora as luzes pareciam menos como um farol de sucesso e mais como uma miragem distante. A sombra de Helena Viana, a sombra de seu passado, pairava sobre ele, escura e ameaçadora, prometendo um confronto que ele temia e, ao mesmo tempo, desejava. A metrópole iluminada, palco de seu triunfo, de repente se sentiu pequena diante da tempestade que se formava em seu coração.

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