Amor no Topo III
Claro, com todo o prazer e a paixão que uma boa novela brasileira exige! Prepare-se para mergulhar nas profundezas do "Amor no Topo III".
por Fernanda Ribeiro
Claro, com todo o prazer e a paixão que uma boa novela brasileira exige! Prepare-se para mergulhar nas profundezas do "Amor no Topo III".
Amor no Topo III Autor: Fernanda Ribeiro
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Capítulo 11 — O Beijo que Quebra o Silêncio
O sol da manhã pintava o céu de tons alaranjados e rosados, mas para Isabella, o espetáculo parecia embaçado por uma névoa de incerteza. A noite de ontem pairava sobre ela como uma nuvem densa, com os ecos das palavras de Ricardo ainda ressoando em sua alma. O convite para o evento beneficente, a ironia em seus olhos, a forma como ele a olhava… tudo se misturava em um turbilhão de emoções que ela lutava para decifrar.
Ela estava em seu apartamento, o luxo discreto que antes a confortava agora parecia um pouco vazio. O cheiro do café fresco, que de costume a animava, não conseguia afastar a melancolia que a envolvia. Sentada à mesa da cozinha, com uma xícara quente nas mãos, Isabella revia cada detalhe, cada gesto. Ricardo, o homem que ela jurava ter deixado para trás, o homem que a machucara profundamente, continuava a ocupar um espaço perturbador em seus pensamentos.
Ela havia tentado se convencer de que a indiferença era a melhor arma. Que o sucesso que construiu, a vida que edificou longe dele, seria suficiente para apagar as cicatrizes. Mas a verdade, por mais dolorosa que fosse, era que a presença dele ainda a abalava.
Um toque suave na porta a tirou de seus devaneios. Era Mariana, sua melhor amiga e confidente, que apareceu com um sorriso radiante e um sorriso de quem já sabia de tudo. Mariana era a única que sabia sobre o passado dela com Ricardo, e o olhar cúmplice que trocaram bastou.
"Bom dia, sonhadora", disse Mariana, com a voz cheia de carinho. "Parece que a noite foi longa. Ou melhor, o pensamento sobre a noite foi longo."
Isabella soltou um suspiro. "Mariana, eu não sei o que pensar. Ele apareceu. Assim, do nada, com aquele jeito dele que me desmonta por inteiro."
"E o que ele disse? Ou melhor, o que ele não disse que está te matando?", perguntou Mariana, sentando-se à mesa e pegando um pão de queijo que Isabella havia preparado.
"Ele… ele me convidou para aquele evento da fundação. Disse que seria bom para os negócios. Mas o jeito que ele falou… o jeito que ele me olhou… era como se ele estivesse me testando, me provocando." Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao se lembrar do olhar penetrante de Ricardo.
"E você aceitou, claro", Mariana completou, com um tom de brincadeira.
Isabella hesitou por um instante. "Eu… eu não disse que sim, mas também não disse que não. Eu fiquei… paralisada. É como se cada vez que ele aparece, ele consegue me tirar do eixo. E eu odeio isso, Mari. Eu construí tanto para não depender mais disso."
Mariana pegou a mão de Isabella. "Isabella, você não é mais a garota que ele deixou para trás. Você é uma mulher forte, independente, e você sabe disso. O que aconteceu no passado não define o seu futuro. Mas também não podemos fingir que não existiu. Às vezes, enfrentar o fantasma do passado é o que nos liberta."
"Eu só não quero me machucar de novo, Mari. Ele me fez tanto mal. Eu jurei que nunca mais voltaria a sentir aquilo." A voz de Isabella embargou um pouco.
"E você não vai. Porque agora você tem a si mesma. E você tem a mim. Mas se o seu instinto diz que há algo mais aí, algo que vale a pena explorar, talvez você deva dar uma chance. Uma chance para você se mostrar quem você se tornou." Mariana deu um aperto na mão de Isabella. "E, convenhamos, um evento de gala com Ricardo é um palco e tanto, não é?"
Isabella riu, um riso fraco, mas um riso. "Você sempre sabe o que dizer para me tirar do fundo do poço."
Enquanto isso, na imponente mansão da família Almeida, Ricardo também não conseguia tirar Isabella de seus pensamentos. Ele a vira na noite anterior, radiante, confiante, uma mulher que ele mal reconhecia, mas que, ao mesmo tempo, era a mesma Isabella que o assombrava em seus sonhos.
Ele andava pelo escritório, o ambiente suntuoso e impecável, um reflexo de sua vida controlada e calculista. Mas naquele momento, o controle parecia ter escapado por entre seus dedos. Ele se lembrava da surpresa nos olhos dela ao vê-lo, da tensão em seus ombros, do sorriso contido que ela tentou disfarçar.
"Ela ainda sente algo", murmurou para si mesmo, com um sorriso que misturava frustração e esperança. "Ela só não quer admitir."
Ele pegou a taça de whisky que repousava sobre a mesa de mogno. O líquido âmbar refletia a luz fria do ambiente. Ele não era um homem de se apegar a sentimentos passados, mas Isabella era uma exceção. Havia algo nela, uma força, uma paixão, que o atraíam de forma irresistível.
Seu vice-presidente, Miguel, entrou no escritório sem bater, o que era comum entre eles. Miguel era seu braço direito, um homem leal e pragmático, que conhecia Ricardo melhor do que ninguém.
"O que te aflige, chefe? Você está mais introspectivo que o normal esta manhã", disse Miguel, com um tom levemente brincalhão.
Ricardo deu um gole no whisky. "Isabella. Ontem à noite."
Miguel franziu a testa. "Ainda com ela? Pensei que tivesse superado isso, Ricardo."
"Não é tão simples, Miguel. Ela mudou. Ela está… deslumbrante. E ainda me afeta, para o meu desgosto." Ricardo suspirou. "Quero o convite para a fundação. Eu me certifiquei de que ela recebesse. Quero que ela vá."
Miguel ergueu uma sobrancelha. "Isso pode ser perigoso, Ricardo. Vocês dois juntos… pode ser uma bomba relógio."
"Eu sei. Mas eu preciso ver se ainda há alguma faísca. Eu preciso entender o que aconteceu. E eu preciso que ela esteja lá." Ricardo olhou para Miguel com uma intensidade que não deixava margens para discussão. "E eu quero que você cuide de todos os detalhes para que aquele evento seja impecável. Para ela."
Miguel assentiu, compreendendo a complexidade da situação. Ele sabia que Ricardo não era de agir por impulso, mas também sabia que, quando se tratava de Isabella, a razão de Ricardo muitas vezes dava lugar a um turbilhão de emoções.
No final da tarde, Isabella recebeu um telefonema inesperado. Era do cerimonial do evento beneficente.
"Senhorita Isabella Rossi?", disse uma voz formal.
"Sim?", respondeu Isabella, um pouco surpresa.
"Em nome da família Almeida e da Fundação Harmonia, gostaríamos de confirmar sua presença em nosso evento beneficente na próxima semana. O Sr. Ricardo Almeida fez questão de pessoalmente garantir seu convite."
O coração de Isabella disparou. A confirmação, dita de forma tão oficial, parecia selar o destino. Ela sentiu um misto de pânico e uma estranha excitação. Era oficial. Ela estaria no mesmo evento que Ricardo.
Ela desligou o telefone e ficou olhando para o nada. A decisão estava tomada, não por ela, mas pelas circunstâncias. Ela teria que ir. E ela teria que se preparar. Não para reconquistar Ricardo, mas para mostrar a ele, e a si mesma, o quão forte ela havia se tornado.
À noite, no aconchego de seu apartamento, Isabella abriu o guarda-roupa. Um vestido de gala, de um azul profundo, chamou sua atenção. Ela o havia comprado há meses, sem um propósito específico, apenas porque se sentiu bonita nele. Agora, parecia o traje perfeito para a batalha que se avizinhava.
Enquanto se olhava no espelho, a imagem de Ricardo surgia em sua mente. O olhar intenso, a voz rouca, a promessa tácita de um reencontro que poderia mudar tudo. Ela se lembrou do beijo que eles compartilharam anos atrás, um beijo roubado em um momento de vulnerabilidade, que havia sido o prelúdio de sua destruição.
Será que esse reencontro seria um novo prelúdio? Ou seria o epílogo de um amor que se recusava a morrer? A resposta, Isabella sabia, estava nas mãos dela. E, talvez, nas mãos de Ricardo também.
Ela fechou os olhos, respirou fundo e sentiu um novo fôlego de determinação. Ela iria ao evento. E ela não seria mais a Isabella que ele deixou. Ela seria a Isabella Rossi, a mulher que construiu seu império com suas próprias mãos. E, se por acaso, um beijo inesperado surgisse no meio da noite, ela estaria pronta para decidir se esse beijo seria um recomeço ou um adeus definitivo. A noite do evento prometia ser explosiva.