Cap. 13 / 21

Amor no Topo III

Capítulo 13 — A Sombra da Desconfiança

por Fernanda Ribeiro

Capítulo 13 — A Sombra da Desconfiança

O beijo quebrou o silêncio e as barreiras. Isabella sentiu-se num turbilhão de emoções. A urgência, a paixão, a vulnerabilidade que Ricardo expôs ali, na frente de todos, a desarmaram por completo. Ela o encarou, os olhos arregalados pela surpresa e pela intensidade do momento. A música suave que preenchia o salão parecia agora um mero ruído, abafado pelo som de seu próprio coração acelerado.

"Ricardo… o que você está fazendo?", ela conseguiu sussurrar, a voz embargada. A adrenalina ainda corria em suas veias, misturada a uma onda de pânico e excitação.

Ele a olhou intensamente, a expressão em seu rosto uma mistura de desafio e uma súplica silenciosa. "O que eu sempre quis fazer, Isabella. O que eu não consigo parar de querer fazer." Ele segurou suas mãos, os dedos entrelaçados com os dela. A eletricidade que emanava do toque era inegável. "Eu não posso mais fingir. Não posso mais fingir que você não significa nada para mim. Você é a única que me faz sentir assim."

Isabella lutou para manter a compostura, para não se entregar à torrente de sentimentos que ele despertava. A imagem do passado, das promessas quebradas e da dor que ele lhe causara, pairava em sua mente como um aviso sombrio. "Você sabe que isso é impossível, Ricardo. Nós não podemos. Eu não posso."

"Por que não, Isabella? Porque eu cometi erros? Sim, eu cometi. Erros terríveis. Mas eu aprendi com eles. E você… você mudou tanto. Você é mais forte, mais linda, mais… tudo. E você ainda mexe comigo como ninguém jamais mexeu." Ele apertou suas mãos, seus olhos fixos nos dela, buscando uma resposta, uma brecha em sua armadura.

Nesse momento, uma voz se fez presente, cortando a intimidade que se formava entre eles. "Ricardo, querido! Que bom te ver com uma companhia tão… interessante."

Era Vivianne Dubois, uma socialite conhecida por sua beleza estonteante e sua língua afiada. Ela se aproximou, com um sorriso forçado que não alcançava seus olhos. Seus olhos, cheios de cobiça e rivalidade, percorreram Isabella de cima a baixo, um escrutínio disfarçado de admiração.

O olhar de Ricardo endureceu instantaneamente. A admiração que ele dedicava a Isabella foi substituída por uma frieza calculada ao encarar Vivianne. "Vivianne. O que você quer?"

Vivianne deu uma risadinha, um som agudo e desagradável para os ouvidos de Isabella. "Só vim parabenizar você e sua família pela fundação, Ricardo. E talvez… conhecer a nova musa." O tom de Vivianne era carregado de sarcasmo. Ela lançou um olhar provocador para Isabella. "Você é Isabella Rossi, não é? Ouvi falar muito de você. A empresária de sucesso que sumiu do mapa e agora reaparece como uma fênix."

Isabella sentiu um arrepio de antipatia. Ela reconheceu a provocação, a tentativa de minar sua confiança. Mas ela não era mais a garota insegura do passado. Ela deu um sorriso polido para Vivianne. "É um prazer conhecê-la, Sra. Dubois. E sim, eu sou Isabella Rossi. E estou aqui para apoiar a Fundação Harmonia."

Ricardo interveio, colocando um braço protetor em volta da cintura de Isabella, puxando-a um pouco para mais perto. "Isabella é uma amiga. E uma apoiadora importante da nossa causa."

Vivianne sorriu, mas seus olhos brilhavam com inveja. "Amiga, é? Interessante. Eu achava que vocês dois tinham um passado um tanto quanto… agitado."

O ar ficou pesado. Isabella sentiu o olhar de Ricardo em seu rosto, esperando sua reação. A menção ao passado era uma armadilha. Ela não podia dar a Vivianne a satisfação de vê-la abalada.

"O passado é algo que devemos deixar para trás, Sra. Dubois", disse Isabella, com um tom firme e educado. "Assim como a sua tentativa de criar intrigas desnecessárias. Agora, se me dão licença, eu gostaria de conversar com alguns dos responsáveis pela fundação."

Ela se desvencilhou suavemente do abraço de Ricardo e, com um aceno de cabeça elegante, dirigiu-se a outro grupo de convidados, deixando Ricardo e Vivianne sozinhos. Ela sentiu os olhos de Vivianne em suas costas, mas não se virou.

Ricardo observou Isabella se afastar, um misto de orgulho e preocupação em seu rosto. Ele se virou para Vivianne, o olhar frio. "Você não aprendeu nada, Vivianne. A minha vida pessoal não é da sua conta. E muito menos a de Isabella."

Vivianne deu de ombros, um sorriso calculista brincando em seus lábios. "Ah, Ricardo. Eu só estou curiosa. Afinal, você sempre foi um homem de muitos segredos. E essa Isabella Rossi… ela tem um ar de mistério que me intriga. Será que ela é tão pura quanto parece?" A insinuação era clara e maldosa.

Ricardo sentiu a raiva borbulhar dentro dele. Ele sabia que Vivianne era uma cobra, sempre pronta para dar o bote. "Isabella Rossi é uma mulher digna de todo respeito. Algo que você claramente não tem. Agora, se me dão licença, tenho uma convidada especial para acompanhar." Ele se virou e, sem mais delongas, caminhou em direção a Isabella.

Ele a alcançou perto de um grupo de empresários. "Você está bem?", perguntou ele, a voz baixa, mas cheia de preocupação genuína.

Isabella assentiu, forçando um sorriso. "Estou ótima, Ricardo. A Sra. Dubois tem um talento especial para tornar as noites mais… animadas."

Ele sorriu, um sorriso genuíno que iluminou seu rosto. "Ela é uma víbora. Mas você a manejou com maestria. Sempre soube que você era mais forte do que aparentava."

O elogio, vindo dele, a aqueceu. A desconfiança que Vivianne plantou começou a se dissipar, substituída pela sensação agradável do olhar dele, pela proximidade que ela tanto tentava evitar.

Eles passaram o resto da noite juntos. Conversaram, riram e, ocasionalmente, trocavam olhares intensos que prometiam mais do que palavras podiam dizer. Ricardo a apresentou a pessoas importantes, mostrando a todos que Isabella Rossi era a mulher ao seu lado. E Isabella, por sua vez, sentiu-se mais segura e confiante do que nunca. A presença dele, a forma como ele a defendia de Vivianne, a fazia questionar suas próprias convicções.

Será que ele havia mudado mesmo? Será que o amor que eles compartilharam no passado, e que parecia ter sido destruído, poderia renascer?

No final da noite, enquanto Ricardo a conduzia para fora da mansão, em direção ao seu carro, ele parou. O luar banhava seus rostos, criando uma atmosfera mágica. "Isabella", disse ele, sua voz carregada de emoção. "Eu sei que você tem medo. E você tem razão em ter. Mas eu te juro, eu estou disposto a reconquistar sua confiança. Eu te quero. E eu preciso de você. Mais do que nunca."

Ele se inclinou e deu um beijo suave em sua testa. Um gesto de carinho, de promessa. Isabella sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo.

"Precisamos conversar, Ricardo", disse ela, sua voz um sussurro. "Mas não aqui. Não agora."

"Quando?", ele perguntou, ansioso.

"Eu te aviso", respondeu ela, com um sorriso que misturava a incerteza e uma esperança recém-descoberta.

Ele assentiu, compreendendo. Ela ainda não estava pronta para se entregar completamente, mas o primeiro passo havia sido dado. O beijo no salão havia quebrado o gelo, a interação com Vivianne havia reforçado a proteção dele, e a conversa final, sob o luar, havia selado a promessa de um futuro incerto.

Ao chegar em casa, Isabella se jogou na cama, exausta, mas com a mente fervilhando. O beijo de Ricardo ainda ardia em seus lábios. A sombra da desconfiança ainda pairava, mas a luz da esperança começava a brilhar mais forte. Ela havia enfrentado o passado naquela noite, e havia saído vitoriosa. Agora, o futuro parecia uma tela em branco, pronta para ser pintada com as cores de um amor reencontrado.

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