Fusão de Corações

Capítulo 7 — O Espelho Quebrado da Verdade

por Larissa Gomes

Capítulo 7 — O Espelho Quebrado da Verdade

Os dias que se seguiram ao encontro na festa foram um borrão de reuniões tensas, análises de contratos e, em segredo, uma crescente preocupação com Rafael Montenegro. Clara tentava, a todo custo, manter o foco em seu objetivo principal: reconquistar o que era seu por direito. Mas a presença dele, mesmo à distância, era palpável. As palavras dele, carregadas de insinuações e promessas veladas, ecoavam em sua mente, perturbando sua concentração e, para seu desespero, despertando uma curiosidade que ela lutava para reprimir.

Em uma tarde chuvosa, enquanto analisava antigos relatórios financeiros da Valente Corp., Clara encontrou um arquivo que a fez parar. Era um dossiê detalhado sobre a ascensão meteórica de Rafael Montenegro no mundo dos negócios. As primeiras páginas descreviam um jovem ambicioso, de origem humilde, que, com inteligência afiada e uma ética de trabalho implacável, construiu um império do zero. Mas, à medida que avançava, a narrativa se tornava mais sombria. Havia rumores de negócios escusos, de rivais eliminados de forma… criativa, de acordos fechados sob coação.

"Ele é realmente um predador", murmurou para si mesma, sentindo um arrepio. A imagem do beijo na festa, daquele olhar intenso, parecia contrastar violentamente com a descrição fria e calculista do homem que agora ela conhecia melhor. Ou será que não? Talvez essa fosse a verdadeira natureza dele: um lobo em pele de cordeiro, capaz de alternar entre a sedução e a brutalidade com uma facilidade assustadora.

O celular tocou, e ela se assustou. Era um número desconhecido. Hesitou, mas a curiosidade falou mais alto.

"Alô?", disse ela, a voz um pouco trêmula.

"Clara? Sou eu, Sofia." A voz, familiar e acolhedora, trouxe um alívio inesperado. Sofia, a antiga secretária de seu pai, uma mulher leal e discreta que ela havia perdido de vista após a morte dele.

"Sofia! Que surpresa maravilhosa! Como você está?" O tom de Clara mudou instantaneamente, voltando a ser o de antes, antes de Rafael Montenegro invadir sua vida.

"Estou bem, querida. Mas estou ligando porque… porque eu me preocupo com você. E tenho visto algumas coisas que não me agradam."

Clara sentiu um aperto no peito. "O que você tem visto, Sofia?"

"Tenho me encontrado com alguns dos antigos funcionários da Valente Corp. Pessoas que foram dispensadas sem cerimônia após a sua saída. E eles… eles têm me contado coisas. Coisas sobre como a empresa foi vendida, sobre contratos assinados às pressas, sobre o Rafael Montenegro estar envolvido nisso tudo desde o início."

A chuva batia forte contra a janela, como se quisesse lavar os segredos que a cidade guardava. Clara sentiu o chão se abrir sob seus pés. A ideia de que Rafael Montenegro pudesse ter se aproveitado da fragilidade de seu pai, de sua doença, era insuportável.

"O que exatamente eles disseram, Sofia?", perguntou Clara, a voz embargada pela emoção.

"Disseram que seu pai estava muito doente, Clara. E que o Rafael… ele o pressionou. Ofereceu um dinheiro que parecia uma salvação naquele momento, mas com condições. Condições que beneficiariam apenas a ele. Disseram que seu pai assinou tudo porque estava fraco, acreditando que estava protegendo você de alguma forma, mas que se arrependeu amargamente nos seus últimos dias."

As palavras de Sofia caíram sobre Clara como uma avalanche. O espelho quebrado de sua vida, de sua família, de sua própria percepção sobre o passado, estava agora refletindo uma imagem cruel e distorcida. Aquele beijo, a atração que sentia, tudo se misturava com a raiva e a dor da traição.

"Eu… eu não sabia", Clara conseguiu dizer, a voz mal audível.

"Eu sei, querida. Por isso te liguei. Sei que você é forte, Clara. E sei que seu pai confiaria em você para lutar pela verdade. O Rafael Montenegro é um homem perigoso. Ele sabe como manipular as pessoas, como usar as fraquezas alheias a seu favor. Ele não quer apenas a Valente Corp. Ele quer destruir tudo que seu pai construiu, e talvez… talvez ele tenha uma razão pessoal para isso."

A última frase de Sofia pairou no ar, carregada de um mistério ainda maior. Uma razão pessoal. O que poderia ser? Uma rivalidade antiga? Uma vingança?

"Obrigada, Sofia. De verdade. Você me deu muito em que pensar."

"Tome cuidado, Clara. Ele é astuto. E quando um homem como ele quer algo, ele não desiste."

Após desligar, Clara ficou imóvel por um longo tempo. A chuva parecia ter cessado lá fora, mas dentro dela, a tempestade se intensificava. Aquele dossiê, as palavras de Sofia, tudo apontava para um plano calculado, uma manipulação fria que começou muito antes do beijo na festa. Rafael Montenegro não era apenas um rival; ele era o arquiteto de um plano que envolvia a ruína de sua família.

Ela pegou o telefone e discou o número de Rafael. A chamada foi atendida rapidamente.

"Clara. Surpresa novamente. Pensei que estava pensando." A voz dele era calma, mas agora Clara a ouvia com outros ouvidos, com a suspeita corroendo cada palavra.

"Estou pensando, Rafael. E percebi que você não está interessado em um acordo. Você está interessado em vingança."

Houve um silêncio prolongado, um silêncio que dizia mais do que qualquer palavra. Quando ele finalmente respondeu, sua voz estava mais fria, despojada de qualquer traço de sedução.

"Você está se enganando, Clara. Eu estou interessado em justiça. E a Valente Corp. é minha por direito."

"Seu por direito? Depois de manipular meu pai em seus últimos dias? Depois de se aproveitar da fragilidade dele?" A voz de Clara estava carregada de fúria, uma fúria que ela tentava conter, mas que ameaçava explodir.

"Seu pai tomou as decisões que tomou. E eu não manipulei ninguém. Ofereci a ele o que ele precisava."

"E você o fez com um sorriso no rosto, imaginando o quão fácil seria tomar tudo dele?", ela o acusou.

"Você não sabe de nada, Clara", ele disse, a voz dura como aço. "Você viveu em uma bolha, protegida pelo nome de seu pai. Mas a verdade é mais complexa do que você imagina."

"A verdade é que você é um oportunista sem escrúpulos!", ela gritou, sentindo as lágrimas arderem em seus olhos.

"E você é uma menina mimada que pensa que o mundo lhe deve alguma coisa", ele retrucou, a voz carregada de desprezo.

O ódio emanava da linha telefônica, uma energia palpável que os conectava de uma forma perigosa. Clara respirou fundo, tentando se recompor.

"Eu vou lutar, Rafael. Vou lutar por cada centavo, por cada memória, por cada pedaço do legado de meu pai. E você vai descobrir que eu não sou apenas uma menina mimada."

"Estou ansioso para ver isso, Clara", ele disse, sua voz agora carregada de uma ameaça velada. "Mas lembre-se, os jogos são perigosos. E você pode acabar se machucando mais do que imagina."

Ela desligou o telefone, o corpo tremendo de raiva e de uma tristeza profunda. O espelho quebrado de sua realidade agora refletia um inimigo perigoso, um homem que ela não conhecia, mas que parecia estar intrinsecamente ligado ao seu passado. E, naquele turbilhão de emoções, uma certeza se firmou em seu peito: ela não descansaria até descobrir toda a verdade, não importa quão dolorosa ela fosse.

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