A Secretária do Bilionário 77

Capítulo 12 — A Estrada para o Desconhecido e o Sussurro do Passado

por Beatriz Mendes

Capítulo 12 — A Estrada para o Desconhecido e o Sussurro do Passado

A decisão estava tomada. Sofia não conseguia mais viver na incerteza, no limbo criado pela partida abrupta de Gabriel. A dor da ausência, antes um peso esmagador, agora se transformara em um motor, impulsionando-a para a frente. O colar com o pingente em forma de chave, que ela guardava em segredo, era a única pista tangível que ela possuía. A chave para um mistério que a consumia.

Ela sabia que precisava ser discreta. Gabriel era um homem de negócios implacável, com uma rede de informações que se estendia por todos os cantos. Uma investigação aberta e barulhenta certamente chamaria a sua atenção, caso ele estivesse monitorando seus passos, ou pior, atrairia a atenção indesejada de terceiros. Por isso, Sofia agiu com a precisão de quem planeja uma operação secreta.

Ela usou seus dias de folga para pesquisar incansavelmente. O endereço vago que encontrou em um dos relatórios de Gabriel era o suficiente para direcioná-la a uma vasta área rural, a algumas horas de carro da cidade. O nome da propriedade, "Engenho das Sombras", soava sinistro e fascinante ao mesmo tempo, alimentando ainda mais a sua curiosidade. As poucas informações disponíveis online descreviam um lugar de beleza selvagem, mas abandonado há décadas, envolto em lendas locais sobre desaparecimentos e fortunas perdidas.

Sofia sabia que não podia contar com a ajuda de Maria. A governanta era leal a Gabriel e, embora a amasse, certamente o alertaria. Ela precisava ir sozinha, enfrentar o desconhecido com suas próprias forças.

Na manhã de uma sexta-feira chuvosa, com o céu cinzento refletindo seu próprio estado de espírito, Sofia pegou o carro alugado. Vestia roupas simples e discretas, um casaco grosso e um lenço que cobria parcialmente o seu rosto. Uma mochila com o essencial: água, alguns lanches, um mapa, o colar escondido em um pequeno bolso interno e o celular, com a bateria totalmente carregada.

A viagem começou sob uma garoa persistente, que logo se intensificou, transformando a estrada em um espelho d'água. Os arranha-céus da cidade foram gradualmente cedendo lugar a paisagens mais rústicas, a campos verdes e a pequenas vilas que pareciam adormecidas no tempo. A cada quilômetro percorrido, Sofia sentia uma mistura de apreensão e excitação. A incerteza do que a aguardava era palpável, mas a esperança de encontrar Gabriel, ou ao menos entender os motivos de sua partida, a impulsionava a seguir em frente.

Ela dirigiu por horas, a música suave tocando baixo no rádio, tentando acalmar os nervos em ebulição. As estradas ficaram cada vez mais estreitas e menos conservadas, e a chuva começou a diminuir, dando lugar a um nevoeiro denso que envolvia a paisagem como um véu fantasmagórico. A sensação de isolamento era intensa. Ela se sentia longe de tudo e de todos, imersa em um mundo que parecia pertencer apenas a Gabriel e aos seus segredos.

Finalmente, após seguir as indicações imprecisas do mapa e de um velho morador local que a olhou com desconfiança quando mencionou o "Engenho das Sombras", Sofia avistou uma entrada em meio à vegetação densa. Um portão de ferro enferrujado, parcialmente derrubado, dava acesso a uma estrada de terra batida, ladeada por árvores imponentes cujos galhos retorcidos pareciam garras prontas para agarrá-la.

O carro avançava lentamente, os pneus espalhando lama para todos os lados. O nevoeiro era tão espesso que mal se via a poucos metros. O silêncio era quase absoluto, quebrado apenas pelo barulho do motor e pelo som dos pingos de chuva que ainda caíam das folhas. A atmosfera era carregada de uma energia antiga, quase mística. Sofia sentia como se estivesse entrando em um portal para outra dimensão, um lugar onde o tempo parecia ter parado.

De repente, a vegetação se abriu, revelando uma clareira. E ali, em meio ao nevoeiro, erguia-se o Engenho das Sombras. Não era uma ruína completa, mas uma estrutura grandiosa, embora decadente. Uma casa principal, com janelas escuras e sem vida, telhado parcialmente desabado e paredes cobertas por musgo e hera. Ao redor, os restos de galpões, senzalas antigas e o esqueleto de um antigo engenho de cana, tudo consumido pelo tempo e pela natureza. Era um lugar de beleza melancólica, um testemunho silencioso de um passado glorioso e, talvez, trágico.

Sofia estacionou o carro perto da entrada principal e desceu, sentindo a umidade fria infiltrar-se em suas roupas. O cheiro de terra molhada, de mofo e de vegetação em decomposição invadiu suas narinas. O silêncio era ainda mais profundo ali, um silêncio que parecia conter sussurros de vozes esquecidas. Ela sentiu um arrepio percorrer a espinha.

Ela caminhou em direção à casa principal, os olhos fixos nas janelas escuras, como se esperasse ver um vulto, um olhar observando-a de volta. A porta principal estava entreaberta, rangendo levemente com a brisa que se levantava. Com o coração acelerado, ela empurrou a porta e entrou.

O interior era sombrio e empoeirado. Móveis antigos, cobertos por lençóis brancos que pareciam fantasmas, estavam espalhados pelos cômodos. Teias de aranha pendiam como cortinas fantasmagóricas. A luz fraca que entrava pelas janelas sujas criava um jogo de sombras que dava vida aos objetos inanimados. Era como se o tempo tivesse congelado ali, preservando os vestígios de uma vida que um dia floresceu.

Sofia começou a explorar os cômodos, cada passo ecoando no silêncio. Ela passou pelo que parecia ser uma sala de estar, com um piano empoeirado em um canto. Em outra sala, uma biblioteca com livros antigos e mofados, cujas capas desbotadas contavam histórias esquecidas. Ela sentia a presença de Gabriel pairando no ar, como se ele tivesse acabado de sair. Seus instintos lhe diziam que ele estivera ali recentemente.

No escritório da antiga casa, um cômodo mais preservado que os outros, ela notou algo diferente. Uma escrivaninha de madeira maciça, com alguns objetos que pareciam intocados pela poeira. Um tinteiro antigo, uma pena de escrita, e uma fotografia emoldurada. Sofia se aproximou com cautela. A fotografia era antiga, em preto e branco. Nela, um casal jovem e sorridente, sentados em um banco de jardim. A mulher, com um vestido elegante, tinha um olhar doce e sereno. O homem, com um sorriso que lembrava vagamente o de Gabriel, parecia protetor ao seu lado.

Sofia sentiu uma pontada de algo que parecia reconhecimento, mas não conseguia identificar de onde vinha. Quem eram aquelas pessoas? Seriam os antigos donos do engenho? Ou alguém mais próximo de Gabriel? Ela pegou a fotografia, o papel ligeiramente amarelado pelo tempo.

Enquanto examinava a moldura, sentiu um leve desnível na parte de trás. Curiosa, ela retirou a moldura. Havia um compartimento secreto. E dentro, um pequeno diário de capa de couro, com as páginas amareladas e a caligrafia elegante e cursiva.

As mãos de Sofia tremeram ao pegar o diário. Seria este o segredo que Gabriel tentava proteger? Ou talvez, o segredo que o assombrava? Com o coração acelerado, ela abriu o diário na primeira página.

"12 de Setembro de 1958. O amor é uma chama que aquece os corações mais frios, mas também pode queimar e deixar cicatrizes profundas. Hoje, a felicidade nos sorri, mas sinto que as sombras do passado espreitam, prontas para roubar o nosso futuro."

Sofia continuou lendo, absorvendo as palavras de uma mulher chamada Helena. Ela narrava a sua história de amor com um homem chamado Antônio, o herdeiro do Engenho das Sombras. Descrevia a beleza do lugar, a vida que levavam ali, mas também as dificuldades, os conflitos familiares e as ameaças que pairavam sobre eles. A cada página, Sofia sentia a angústia de Helena, o seu amor profundo e a sua luta contra forças que ela mal compreendia.

E então, em uma das últimas entradas, Helena mencionava um filho. Um bebê que nasceu frágil, mas que representava a esperança de um futuro melhor. A entrada terminava abruptamente, com uma data: 15 de Março de 1960. Depois, apenas páginas em branco.

Um arrepio gelado percorreu o corpo de Sofia. Helena e Antônio. Um filho. E Gabriel? Seria ele um descendente dessa história? O nome Antônio soou familiar em algum contexto relacionado a Gabriel, mas ela não conseguia precisar. A fotografia, o diário, o local... tudo parecia conectar-se a um passado que Gabriel tentava manter escondido.

Ela guardou o diário e a fotografia com cuidado. Aquele lugar não era apenas um investimento antigo. Era um lugar com história, com segredos de família. E Gabriel, com sua personalidade enigmática, parecia carregar o peso desse passado.

Ao sair da casa principal, Sofia sentiu o peso do que acabara de descobrir. A estrada para o desconhecido a trouxera a um lugar de memórias, a um sussurro do passado que parecia influenciar o presente. Ela agora entendia um pouco mais a complexidade de Gabriel, os motivos que poderiam levá-lo a agir de forma tão reservada. Mas as perguntas só se multiplicavam. Qual era a sua ligação com aquele lugar? Por que ele a deixara ali?

Olhando para a paisagem desolada, sob o céu que começava a se abrir lentamente, Sofia sentiu que estava mais perto de Gabriel do que jamais esteve. Mas também sentiu a vastidão do abismo que ainda os separava, um abismo construído com os segredos de gerações. A chave em seu bolso parecia agora pesar mais, um convite para desvendar um mistério que ia muito além do que ela imaginara.

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