Amor entre Balas II

Capítulo 23 — A Sombra de Nápoles

por Mateus Cardoso

Capítulo 23 — A Sombra de Nápoles

O aroma de café fresco e pão torrado preenchia a cozinha, mas a atmosfera era tensa. Isabella, com um semblante sério, folheava um álbum de fotografias antigo que Matteo havia lhe dado. Eram fotos de sua infância, de um tempo que parecia pertencer a outra vida, com rostos desconhecidos e cenários que ela nunca vira. Matteo, sentado à mesa, observava-a, o olhar distante, como se estivesse revivendo cada memória dolorosa.

"Quem é essa mulher?", Isabella perguntou, apontando para uma foto em preto e branco de uma mulher com um sorriso terno, mas com olhos que pareciam carregar uma tristeza profunda. Ela estava ao lado de um menino magro, que se parecia assustadoramente com Matteo, mas com um olhar de pura inocência.

Matteo suspirou, o som preenchendo o silêncio. "Essa é Sofia. Minha… mãe." A palavra saiu com dificuldade, como se ele a tivesse usado pela primeira vez. "Eu mal me lembro dela. Lembro-me apenas do cheiro do seu perfume e da sua voz cantando para mim. Ela morreu quando eu era muito novo. Os Moretti… eles a tiraram de mim."

A revelação atingiu Isabella como um golpe. A crueldade dos Moretti parecia não ter limites. Para Matteo, que lutava contra o passado, essa era mais uma ferida aberta.

"E o seu pai?", ela perguntou, com medo da resposta.

Matteo desviou o olhar, fixando-o na xícara de café. "Eu não sei quem era meu pai. Sofia nunca me disse. Ela apenas dizia que ele era um homem bom, mas que as circunstâncias não permitiam que estivessem juntos. Acho que os Moretti não gostavam da ideia de um filho que não pudessem controlar." Ele deu um sorriso amargo. "Eles queriam me moldar à imagem deles. Me tornar um deles. Mas Sofia me ensinou a ser diferente."

Isabella se aproximou dele, colocando a mão em seu ombro. "E você é diferente, Matteo. Você é tudo o que eles não são."

Ele pegou a mão dela, apertando-a com força. "Mas eles estão determinados a me destruir, Isabella. Vincenzo sabe que eu tenho um ponto fraco. E ele sabe que esse ponto fraco está em Nápoles."

Naquela manhã, Matteo havia recebido uma mensagem anônima, um aviso velado de que "segredos antigos não ficam enterrados para sempre". Era a confirmação de que Vincenzo estava cavando fundo em seu passado, buscando algo que pudesse usá-lo contra ele.

"O que você acha que ele está procurando?", Isabella perguntou, a mente girando.

"Eu não sei", Matteo admitiu, a voz tensa. "Eu fugi de Nápoles com nada além da roupa do corpo e o desejo de esquecer tudo. Não havia nada que pudesse ser usado contra mim. Mas Vincenzo é um homem que não desiste facilmente. Ele deve ter descoberto algo que eu não sei. Algo que conecta o meu passado em Nápoles com o presente da família Rossi."

Marco entrou no escritório, sua expressão séria. "Patrão, recebemos uma informação. Um dos antigos contatos dos Moretti em Nápoles, um homem chamado Salvatore, desapareceu. Ele era conhecido por ter 'orelhas' em todos os lugares. E coincidentemente, Vincenzo esteve em Nápoles na semana passada."

Matteo se levantou abruptamente, o corpo tenso. "Salvatore… eu me lembro dele. Ele era um informante dos Moretti. Sempre soube de tudo que acontecia no submundo. Se ele desapareceu, é porque Vincenzo o silenciou. Ou porque ele descobriu algo que não devia."

"E se essa informação for sobre você, Matteo?", Isabella sugeriu, o coração apertado. "Se Salvatore soube de algo sobre o seu passado, algo que os Moretti não queriam que viesse à tona?"

"Ou algo que eles querem usar para me incriminar", Matteo completou, a voz sombria. "Talvez eles estejam plantando algo. Uma prova falsa. Uma história que me ligue a crimes que eu não cometi."

A ideia de ser manipulado, de ter seu passado distorcido para destruí-lo, era um pesadelo para Matteo. Ele havia lutado tanto para se livrar das garras dos Moretti, para construir uma vida honesta, que a possibilidade de ser enredado novamente era insuportável.

"Precisamos ir a Nápoles", Isabella disse, a decisão firmada em seu olhar.

Matteo a encarou, surpreso. "Nápoles? Isabella, é perigoso demais. Se Vincenzo está lá, ele terá seus homens por toda parte. E se ele está procurando por algo, nós podemos nos colocar bem no meio do fogo cruzado."

"Mas é lá que estão as respostas, Matteo", ela insistiu. "Seus segredos estão enterrados em Nápoles. Precisamos desenterrá-los antes que Vincenzo o faça. Precisamos saber o que Salvatore descobriu."

Ele hesitou por um momento, a luta interna visível em seu rosto. A prudência lhe dizia para fugir, mas o amor e a necessidade de proteger Isabella e seu futuro o impulsionavam a enfrentar o perigo.

"Você está certa", ele finalmente disse, a voz firme. "Não podemos mais nos dar ao luxo de fugir. Precisamos enfrentar isso de frente." Ele a segurou pelos ombros, o olhar intenso. "Mas você vai ficar em São Paulo. É muito arriscado para você."

"De jeito nenhum", Isabella respondeu, a voz firme. "Eu não vou ficar aqui esperando. Eu vou com você. Se o seu passado está em jogo, o nosso futuro também está. E eu não vou deixar que você enfrente isso sozinho."

Matteo a olhou por um longo momento, a admiração e o amor transbordando em seus olhos. Ele sabia que ela era forte, mas ela o surpreendia a cada dia.

"Tudo bem", ele concordou, um leve sorriso surgindo em seus lábios. "Mas você vai fazer exatamente o que eu disser. E vamos ser extremamente cuidadosos."

Naquela noite, enquanto a chuva continuava a cair sobre São Paulo, Matteo e Isabella planejavam sua viagem a Nápoles. A cidade que ele tentou esquecer, a cidade de sua infância e de sua dor, agora se tornava o palco da batalha final pela sua liberdade e pelo seu amor.

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