Amor entre Balas II

Capítulo 24 — O Labirinto de Nápoles

por Mateus Cardoso

Capítulo 24 — O Labirinto de Nápoles

O ar de Nápoles era denso, impregnado com o cheiro de sal marinho, poluição e a fragrância adocicada de limoncello. Isabella sentiu uma estranha mistura de nostalgia e apreensão ao sair do aeroporto. Era a primeira vez que ela visitava a terra natal de Matteo, a terra de seu passado sombrio. Matteo, ao seu lado, parecia um homem renascido e ao mesmo tempo assombrado. Seus ombros estavam mais tensos, seus olhos mais vigilantes, absorvendo cada detalhe da cidade que ele um dia chamou de lar.

"É… diferente do que eu me lembrava", Matteo murmurou, o olhar fixo nas ruas movimentadas, nos prédios coloridos e desgastados pelo tempo.

"O que você esperava?", Isabella perguntou suavemente, tocando seu braço.

"Não sei. Talvez mais… sombrio. Ou talvez mais vibrante. É tudo tão… intenso." Ele respirou fundo, como se quisesse absorver tudo de uma vez. "Eu fugi daqui há vinte anos. Deixei tudo para trás. Mas parece que o passado nunca nos deixa em paz."

Eles haviam chegado a Nápoles com uma missão clara: encontrar o Salvatore, o informante dos Moretti que havia desaparecido, e descobrir o que ele sabia sobre o passado de Matteo. A investigação de Marco em São Paulo indicava que Vincenzo estava usando informações antigas de Salvatore para incriminar Matteo.

"Marco conseguiu rastrear um dos últimos contatos de Salvatore antes de ele desaparecer", Matteo disse, enquanto o carro os levava para o centro da cidade. "Um dono de um pequeno bar em um bairro antigo. Ele pode ter visto ou ouvido algo."

O bairro era um labirinto de vielas estreitas, casas antigas com varandas de ferro forjado e o burburinho constante de vozes italianas. O bar de Salvatore, o "Il Fato", era pequeno e escuro, com um cheiro de fumaça e álcool impregnado nas paredes. Um homem mais velho, com um olhar cansado e um avental sujo, limpava copos atrás do balcão.

"Salvatore?", Matteo perguntou em italiano, a voz firme, mas cautelosa.

O homem levantou a cabeça, seus olhos percorrendo Matteo e Isabella com uma curiosidade desconfiada. "Salvatore não vem mais aqui. Ele sumiu faz semanas."

"Nós sabemos", Isabella interveio, sua voz suave, mas persuasiva. "Mas ouvimos que ele costumava falar com você. Sobre negócios. Sobre pessoas importantes."

O homem deu um sorriso irônico. "Salvatore falava com todo mundo. Ele era um rato curioso. Mas ele não falava muito sobre o que sabia. Apenas sobre o que ele achava que sabia."

"Ele mencionou alguém… de fora?", Matteo perguntou, a esperança se misturando à apreensão. "Alguém que estivesse interessado em assuntos antigos?"

O homem pensou por um momento, o olhar fixo em Matteo. "Houve um homem. Estrangeiro. Alto. Falava italiano com sotaque. Ele veio perguntando por Salvatore. E ele… ele tinha o olhar de quem está acostumado a dar ordens. Como um capanga de respeito."

O coração de Isabella disparou. "Ele se parecia com alguém que você conhecia?", ela perguntou, tentando disfarçar o nervosismo.

"Não conheci pessoalmente. Mas Salvatore mencionou um nome. Um nome que ele dizia ser um fantasma. Alguém do passado. Alguém que estava voltando."

Matteo se inclinou para a frente, seus olhos fixos no homem. "Que nome?", ele exigiu, a paciência se esgotando.

"Ele chamou de… 'o Menino de Nápoles'", o homem disse, a voz baixa, como se pronunciasse um segredo perigoso. "Salvatore disse que esse 'Menino de Nápoles' era alguém que os Moretti haviam criado, mas que tinha fugido. Alguém que agora era forte o suficiente para ameaçá-los."

Matteo fechou os olhos por um instante, uma onda de choque percorrendo-o. Ele era o "Menino de Nápoles". O fantasma que ele tentou enterrar estava agora surgindo das cinzas.

"E esse homem estrangeiro", Matteo perguntou, a voz rouca, "ele sabia que você estava falando com Salvatore?"

"Não sei. Eu disse que Salvatore havia sumido. Ele parecia… decepcionado. Mas ele deixou o nome dele. Para o caso de Salvatore aparecer. Um nome de um hotel. E um número de telefone."

O homem anotou o nome do hotel e o número em um pedaço de papel e entregou a Matteo. Era uma pista. Uma pista perigosa.

"Obrigado", Matteo disse, pegando o papel. "Você foi muito prestativo."

Ao saírem do bar, Isabella sentiu o peso da gravidade da situação. "O Menino de Nápoles… Ele sabe quem você é, Matteo."

"E ele está aqui", Matteo respondeu, a voz grave. "Vincenzo enviou alguém para me encontrar. Para me silenciar, provavelmente. Ou para coletar informações sobre mim que ele ainda não tem."

Eles se dirigiram para o hotel mencionado. Era um estabelecimento elegante, mas com um ar de decadência, um reflexo da própria cidade. O homem que o dono do bar descreveu era um dos capangas de Vincenzo, um homem conhecido por sua brutalidade e eficiência.

Ao entrarem no lobby, Isabella notou um homem sentado em um sofá, lendo um jornal com atenção exagerada. Ele era alto, com ombros largos, e um corte de cabelo impecável. Seus olhos, quando se ergueram do jornal, eram frios e calculistas. Era ele.

"Matteo", Isabella sussurrou, o coração batendo acelerado.

Matteo assentiu, seu olhar fixo no homem. Ele sabia que estava em perigo, mas a adrenalina começou a fluir, a familiar sensação de perigo aguçando seus sentidos.

"Precisamos sair daqui discretamente", Matteo disse. "Ele pode ter nos visto. Ou pode ter informantes aqui também."

Eles se afastaram do homem, fingindo interesse em um quadro na parede. Mas enquanto se dirigiam para a saída, o homem se levantou e começou a andar na direção deles.

"Ele nos viu", Isabella disse, o pânico começando a tomar conta.

"Calma", Matteo a tranquilizou, segurando sua mão com firmeza. "Vamos sair daqui. E então nós vamos virar o jogo contra ele."

No momento em que chegaram à porta, o homem se aproximou deles, um sorriso cruel nos lábios. "Matteo Rossi, eu presumo?", ele disse em um italiano com um sotaque carregado. "Vincenzo Moretti manda lembranças. E ele quer saber se você tem alguma coisa a dizer antes de… desaparecer para sempre."

O confronto era inevitável. O passado de Matteo havia finalmente o alcançado em Nápoles, e a sombra de Vincenzo pairava sobre eles, ameaçando engolir o futuro que eles tanto lutavam para construir.

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