Amor entre Balas II

Capítulo 4 — O Sussurro da Vingança

por Mateus Cardoso

Capítulo 4 — O Sussurro da Vingança

A noite envolvia São Paulo em um manto de mistério e promessas. As luzes da cidade, como estrelas artificiais, pontilhavam a escuridão, cada uma delas escondendo histórias de ambição, desejo e perigo. No luxuoso apartamento de Isabella, a atmosfera era de tensa expectativa. O cheiro de vinho caro e a música suave criavam um contraste gritante com o tipo de conversa que estava prestes a acontecer.

Rafael estava sentado à sua frente, a expressão grave, mas seus olhos transmitiam uma admiração crescente pela mulher que ele vira florescer em meio à brutalidade. Isabella, com um vestido vermelho vibrante que realçava a curva de seus seios e a elegância de suas linhas, exalava uma sensualidade perigosa, uma arma tão eficaz quanto qualquer pistola.

"Os Rossi estão se sentindo seguros demais", disse Isabella, girando o cálice de vinho em sua mão. "Eles acham que a morte de Marco nos deixou enfraquecidos. Que a nossa guarda está baixa."

"Eles subestimam você", respondeu Rafael, um leve sorriso brincando em seus lábios. "Subestimam a sua inteligência. E subestimam a sua capacidade de retaliação."

"Marco me ensinou a nunca subestimar um inimigo. Mas também me ensinou a capitalizar em cima de sua arrogância", disse Isabella, sua voz ganhando um tom de malícia. "Eles abriram a porta para nós, Rafa. Agora, vamos entrar."

Ela contou-lhe sobre o plano, um plano audacioso que envolvia infiltrar-se em um dos eventos mais exclusivos da alta sociedade paulistana, um baile de gala organizado pela própria família Rossi. O objetivo não era apenas coletar informações, mas também enviar uma mensagem clara: eles estavam presentes, eles estavam observando, e a vingança era uma questão de tempo.

"Você quer ir?", perguntou Rafael, surpreso. "É um risco enorme. Se eles descobrirem quem você é..."

"Eu sei dos riscos", Isabella o interrompeu, seus olhos encontrando os dele com uma determinação inabalável. "E Marco também sabia dos riscos. Ele sempre me protegeu, mas agora eu preciso fazer isso sozinha. Preciso mostrar a eles que não sou apenas a amante de Marco. Sou a sucessora dele. E que o meu amor por ele me torna mais perigosa do que eles jamais imaginaram."

Houve um momento de silêncio, onde as palavras não ditas carregavam o peso de seus sentimentos. Isabella sentia a dor da perda de Marco, mas também sentia a força que ele deixara nela. E Rafael sentia a devoção por ambos, uma devoção que o impelia a protegê-la a qualquer custo.

"Eu vou com você", disse Rafael, sua voz firme e decidida. "Você não vai sozinha."

"Eu sei", respondeu Isabella, um sorriso genuíno iluminando seu rosto. A presença de Rafael era um conforto, uma garantia de que, mesmo no perigo, ela não estaria completamente desprotegida.

Na noite do baile, o salão de festas estava deslumbrante. O lustre de cristal lançava raios de luz sobre os convidados elegantemente vestidos, a música clássica criava uma atmosfera de sofisticação e poder. Isabella, em um deslumbrante vestido de noite azul-marinho, com diamantes discretos adornando seu decote, era a personificação da elegância e do mistério. Rafael, em um impecável smoking, era a sua sombra protetora.

Eles se misturaram à multidão, sorrindo, conversando, fingindo ser apenas mais um casal na noite de gala. Isabella observava atentamente os irmãos Rossi, Giovanni e Isabella, os líderes da família. Giovanni, com seu semblante cruel e olhos frios, emanava uma aura de perigo calculista. Isabella, a irmã, era igualmente perigosa, com um sorriso que escondia uma inteligência afiada e uma crueldade implacável.

"Eles têm um informante dentro da nossa organização", sussurrou Isabella para Rafael, enquanto fingiam admirar uma escultura. "Marco me contou. Alguém que está passando informações para eles. Precisamos descobrir quem é."

"Eu já tenho alguns suspeitos", respondeu Rafael, discretamente indicando com a cabeça para alguns indivíduos no salão. "Mas a sua presença aqui nos dará a oportunidade de confirmar."

Enquanto conversavam, Isabella notou um homem se aproximando de Giovanni Rossi. Um homem que ela reconheceu instantaneamente. Era Sergei Volkov, um traficante de armas internacional com quem Marco tivera alguns negócios tensos no passado.

"Isso não é bom", murmurou Isabella. "Volkov não costuma aparecer em eventos sociais. Ele tem negócios. E os negócios dele envolvem armas."

Giovanni e Volkov trocaram algumas palavras em voz baixa, e então Volkov se afastou, seu olhar encontrando o de Isabella por um breve instante. Havia um reconhecimento ali, um desafio silencioso.

"Ele sabe quem você é", disse Rafael, percebendo o olhar de Volkov.

"E ele sabe que eu sei que ele está aqui", respondeu Isabella. "Isso pode ser útil."

Ela decidiu se aproximar de Volkov, com Rafael a uma distância respeitosa. Ao se aproximarem, Volkov ofereceu um sorriso sardônico.

"Senhora... ah, Isabella, não é?", disse Volkov, sua voz um rosnado baixo. "Que surpresa agradável encontrá-la em um ambiente tão... pacífico."

"Senhor Volkov", respondeu Isabella, seu sorriso igualmente artificial. "Acredito que você não é do tipo que frequenta festas sem um motivo. Qual o seu negócio aqui?"

Volkov riu. "Negócios são negócios, minha cara. E os negócios entre a minha família e os Rossi estão florescendo. Especialmente agora."

"Especialmente agora que há um vácuo de poder?", Isabella adivinhou, seus olhos fixos nos dele. "Vocês acham que podem se aproveitar da nossa situação."

"A vida é feita de oportunidades, Isabella", disse Volkov, inclinando-se um pouco para frente. "E a morte de Marco foi uma grande oportunidade para todos nós. A sua organização está enfraquecida. E aqueles que sabem como jogar o jogo, estão prosperando."

"Marco me ensinou a jogar o jogo melhor do que ninguém", disse Isabella, sua voz ganhando um tom de ameaça velada. "E ele me ensinou que os jogadores que tentam trapacear, geralmente acabam perdendo tudo."

O olhar de Volkov se endureceu. "Você está se arriscando, Isabella. Essa família... eles são perigosos."

"E eu também sou", respondeu ela, dando um passo para trás. "E quando eu decidir me vingar, você será um dos primeiros a saber. Assim como os Rossi."

Ela se afastou, deixando Volkov para trás, com um ar de desprezo em seu rosto. Rafael se juntou a ela, a preocupação evidente em seus olhos.

"Ele está envolvido", disse Rafael. "Volkov está fornecendo armas para os Rossi. Isso torna a situação ainda mais perigosa."

"Eu sei", respondeu Isabella, seu olhar fixo em Giovanni Rossi, que agora conversava animadamente com um grupo de convidados. "E ele vai pagar por isso. Mas primeiro, precisamos desmascarar o traidor em nosso próprio círculo."

Isabella passou o resto da noite observando atentamente. Ela notou um dos homens de confiança de Marco, um homem chamado Ricardo, agindo de forma estranha. Ele parecia nervoso, constantemente olhando ao redor, e em um momento, ela o viu trocar um envelope discreto com um dos seguranças dos Rossi.

"É ele", sussurrou Isabella para Rafael. "Ricardo. Ele é o traidor."

Rafael assentiu, seus olhos fixos em Ricardo. "Eu vou cuidar dele. Mas precisamos de provas irrefutáveis."

Ao final da noite, quando os convidados começavam a se dispersar, Isabella se aproximou de Giovanni Rossi.

"Uma noite agradável, Sr. Rossi", disse ela, com um sorriso que não alcançava seus olhos. "Mas a melhor parte ainda está por vir."

Giovanni a encarou, um brilho de desafio em seus olhos. "Veremos", ele respondeu, antes de se afastar.

Enquanto isso, Rafael seguia discretamente Ricardo. Ao saírem do salão, Rafael o interceptou em um corredor escuro. A luta foi rápida e brutal. Ricardo, pego de surpresa, tentou resistir, mas Rafael era mais forte, mais experiente. Ele o dominou, encontrando o envelope que Ricardo tentara esconder. Dentro, havia documentos detalhados sobre os planos de Isabella e Rafael para a operação contra os Rossi.

Quando Isabella e Rafael saíram da festa, eles sabiam que a vingança estava apenas começando. A informação vazada seria usada contra eles, mas eles estavam preparados. Isabella havia antecipado a traição de Ricardo, e o plano já havia sido modificado.

"Eles acham que ganharam", disse Isabella, enquanto o carro se afastava do luxuoso salão de festas. "Eles acham que nos pegaram de surpresa. Mas eles não sabem o que estão enfrentando."

O sussurro da vingança pairava no ar, uma promessa fria e mortal. Isabella sentia o amor por Marco queimando em seu peito, um amor que se transformara em uma força indomável, uma força que a impulsionaria a lutar, a vingar, e a provar que o legado de Marco estava em mãos seguras. As balas poderiam ter tirado seu amor, mas não tirariam sua força. E a família Rossi aprenderia isso da maneira mais difícil.

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