O Chefe da Máfia III
Capítulo 14 — O Preço da Verdade
por Mateus Cardoso
Capítulo 14 — O Preço da Verdade
O envelope nas mãos de Lorenzo parecia queimar, um presságio sombrio de verdades que ele não estava pronto para encarar. As palavras de Giovanni, a revelação sobre Doutor Almeida, ecoavam em sua mente como um veneno lento e insidioso. Ele havia confiado naquele homem por anos, o considerava um membro da família. A ideia de que ele era o arquiteto de toda aquela dor, de toda aquela manipulação, era quase impossível de processar.
Luiza o encontrou no escritório, o rosto pálido e as mãos apertando o papel com força. Ela sentiu o peso da atmosfera, a aura de desespero que emanava dele. "Lorenzo? O que aconteceu? Você viu o Giovanni?"
Ele a olhou, seus olhos escuros e intensos, a confusão e a raiva lutando em seu olhar. "Eu o vi", disse ele, a voz rouca. "E ele... ele me contou algo chocante."
Ele entregou o envelope a Luiza, o conteúdo do papel desdobrando-se em uma teia de provas e acusações que a deixaram sem fôlego. Transações financeiras suspeitas, e-mails codificados, gravações de conversas incriminadoras. A mão de Doutor Almeida estava, de fato, em tudo. Ele estava usando a rivalidade entre Lorenzo e Marco para desestabilizar a família Bianchi e tomar o controle de seus negócios.
"Não pode ser", Luiza sussurrou, as mãos tremendo enquanto folheava os documentos. "Almeida? Mas ele sempre foi tão... confiável."
"Confiável para quem?", Lorenzo disse amargamente. "Ele é um mestre em disfarçar suas intenções. Ele nos manipulou a todos, Luiza. Ele nos fez brigar entre nós." Ele sentou-se na cadeira de couro, o corpo tenso. "Giovanni, por mais que eu desconfiasse dele, estava certo. Havia uma armadilha. E ele, querendo provar seu valor, acabou descobrindo tudo."
Luiza se aproximou dele, sentando-se em seu colo, buscando conforto em sua proximidade, mas a inquietação era evidente. "E agora? O que vamos fazer?"
"Agora", Lorenzo disse, o olhar fixo no horizonte, como se visse um inimigo invisível, "vamos expor a verdade. Almeida vai pagar por tudo o que fez. Ele vai pagar caro."
A decisão estava tomada, mas o caminho à frente era perigoso. Almeida não era um inimigo qualquer. Ele tinha influência, recursos e um conhecimento profundo das fraquezas dos Bianchi. A guerra que se anunciava seria brutal.
Enquanto isso, Doutor Almeida, em seu luxuoso consultório, sentia uma satisfação fria. Os planos estavam se desenrolando perfeitamente. Lorenzo estava se afogando em seus próprios problemas, Marco estava consumido pela sede de vingança, e Giovanni, o filho rebelde, estava prestes a ser silenciado. Ele acreditava ter o controle absoluto da situação, a verdade firmemente sob seu domínio.
No entanto, um pequeno detalhe o incomodava: o desaparecimento de Giovanni. Ele esperava que o "acidente" que planejou para ele tivesse sido bem-sucedido. Mas a falta de notícias era um prenúncio de algo que ele não conseguia prever.
Giovanni, escondido em um refúgio seguro providenciado por um antigo contato de confiança, sentia o perigo ainda rondando. Ele sabia que Almeida não o deixaria em paz. Ele precisava fazer algo para garantir que Lorenzo tivesse as provas em mãos. Ele discou um número, a voz tensa.
"Eu preciso que você leve isso até Lorenzo. É a prova final. A prova que vai incriminá-lo de vez."
A pessoa do outro lado da linha, um homem leal a Giovanni, concordou. Ele sabia dos riscos, mas a amizade e a dívida eram maiores.
No dia seguinte, enquanto Lorenzo e Luiza se preparavam para um confronto direto com Almeida, um dos homens de confiança de Giovanni apareceu na mansão Bianchi. Ele entregou a Lorenzo um último pendrive, um com dados ainda mais comprometedores, que detalhavam a colaboração de Almeida com a família rival para desviar recursos da organização e incriminar Lorenzo pelo atentado contra o pai de Marco.
"Giovanni pediu para que eu entregasse isso a você", disse o homem, com o olhar sério. "Ele disse que é a peça que faltava para você ter certeza."
Lorenzo pegou o pendrive, sentindo uma onda de alívio misturada com a apreensão. Ele sabia que era a hora. A hora de acabar com aquela farsa.
O confronto aconteceu na sede da empresa, um lugar neutro, mas carregado de simbolismo. Lorenzo, Luiza e alguns homens de confiança estavam presentes. Do outro lado, Doutor Almeida, com um sorriso condescendente, e seus capangas, prontos para qualquer eventualidade.
"Lorenzo, meu caro rapaz", Almeida disse, a voz suave e paternal. "Que surpresa agradável. Pensei que estivesse ocupado com seus problemas familiares."
"Meus problemas acabaram, Almeida", Lorenzo respondeu, o olhar penetrante. "E os seus estão prestes a começar." Ele ergueu o pendrive. "Eu sei de tudo. Sei sobre a sua traição, sobre como você usou Marco, sobre como você incriminou a mim."
O sorriso de Almeida vacilou por um instante, mas ele rapidamente recuperou a compostura. "Lorenzo, eu não sei do que você está falando. Você está confuso. Talvez o estresse esteja afetando sua mente."
"Não, Almeida", Luiza interveio, a voz firme. "Nós temos as provas. As suas próprias palavras, as suas transações, tudo está aqui." Ela olhou para ele com desprezo. "Você é um monstro. Um demônio disfarçado de anjo da guarda."
Almeida sentiu o suor escorrer por sua testa. A situação estava saindo do controle. Seus capangas se moveram, prontos para agir. Mas Lorenzo estava preparado. Seus homens estavam posicionados, antecipando a violência.
"É uma pena, Almeida", disse Lorenzo, um sorriso frio nos lábios. "Você pensou que tinha tudo planejado, mas subestimou a inteligência e a lealdade de algumas pessoas. Especialmente a de Giovanni."
O nome de Giovanni, dito naquele contexto, fez Almeida congelar. Ele sabia que algo havia dado errado.
A polícia, alertada por Lorenzo com antecedência, invadiu o local. Almeida, pego de surpresa e sem saída, tentou fugir, mas foi detido. A verdade, por mais dolorosa que fosse, havia vindo à tona. O preço da verdade era alto, e muitos haviam sofrido para que ela fosse revelada. Mas agora, Lorenzo podia começar a reconstruir sua família e seu império, livre da sombra da manipulação. A batalha havia sido vencida, mas a guerra ainda não havia terminado.