O Chefe da Máfia III

Capítulo 17 — O Labirinto da Traição

por Mateus Cardoso

Capítulo 17 — O Labirinto da Traição

As ruas de São Paulo, banhadas pela luz fria da madrugada, escondiam segredos que poucos ousavam desvendar. Em um dos bairros mais opulentos da cidade, longe dos olhos curiosos da alta sociedade, Enzo Falcone sentia o peso do seu erro se abater sobre ele. A euforia inicial da sua suposta “jogada de mestre” havia se dissipado como fumaça, deixando para trás o amargo gosto do arrependimento e o medo palpável do que estava por vir. Ele se moveu de um esconderijo para outro, um fantasma em sua própria cidade, cada sombra um potencial inimigo, cada sirene distante um prenúncio de desgraça.

Ele estava em um apartamento discreto, alugado sob um nome falso, o tipo de lugar que um homem rico como ele jamais pisaria em tempos normais. As cortinas estavam fechadas, impedindo que qualquer raio de sol invadisse o cômodo. O silêncio era quase ensurdecedor, quebrado apenas pelo som da sua própria respiração irregular e pelo zumbido constante da cidade lá fora.

Enzo olhou para o celular em suas mãos. As chamadas não atendidas, as mensagens não respondidas. Cada uma delas era um lembrete de seu isolamento. Ele havia apostado tudo, e a mesa virou, deixando-o sozinho, encurralado.

“Droga!” Ele jogou o celular contra a parede, o aparelho se estilhaçando em mil pedaços. A raiva, a frustração, o medo – tudo explodia dentro dele. Ele se encolheu em uma cadeira, enterrando o rosto nas mãos.

Ele se lembrou do olhar de Marco quando a verdade veio à tona. Não era apenas decepção, era uma dor profunda, uma ferida aberta que ele, Enzo, havia infligido. E ele sabia que Marco, o irmão que sempre o protegeu, que sempre o amou, não perdoaria essa traição.

Os Moretti… Eles eram a razão de sua queda. Eram astutos, cruéis, e não tinham escrúpulos. Ele pensou que poderia manipulá-los, usar sua força para se livrar de Marco e assumir o controle. Mas a verdade era que eles o haviam usado. E agora, ele era descartável.

Um estrondo alto vindo da rua o fez pular. Ele se levantou rapidamente, o coração batendo descompassado. Seria a polícia? Seriam os homens de Marco? Ou os Moretti, garantindo que ele não pudesse falar?

Ele espiou por uma fresta na cortina. Um carro preto de vidros escuros estava estacionado em frente ao prédio. Nenhum sinal da polícia. Não eram eles. E se fossem os homens de Marco, seriam mais discretos.

O sangue gelou em suas veias. Eram os Moretti. Eles vieram para silenciá-lo.

Enzo correu para a porta, procurando por uma arma. Ele não tinha nada. Em sua pressa para fugir, ele havia deixado tudo para trás. Ele se sentiu encurralado, um rato em um labirinto sem saída.

Ele ouviu o som de passos no corredor, pesados e deliberados. Eles sabiam onde ele estava. Eles o encontraram.

A porta do apartamento foi arrombada com violência, revelando dois homens corpulentos, vestidos de preto, com expressões impenetráveis. Eles não eram da família Falcone. Seus olhos eram frios, calculistas.

“Enzo Falcone,” disse um deles, a voz grave e ameaçadora. “O Senhor Moretti quer conversar com você.”

Enzo engoliu em seco, o pânico tomando conta. Ele tentou manter a calma, mas suas mãos tremiam incontrolavelmente. “Eu… eu não tenho nada a dizer a ele.”

O outro homem deu um passo à frente, um sorriso cruel brincando em seus lábios. “Oh, você terá. E se não disser, garantimos que você não poderá mais falar. Nunca mais.”

Eles avançaram, e Enzo recuou, batendo as costas contra a parede. Ele sabia que a luta era inútil. Ele não era um lutador como Marco. Ele era um estrategista, um manipulador, e agora, suas próprias táticas haviam se voltado contra ele.

“Por favor,” Enzo implorou, a voz embargada. “Eu posso… eu posso ser útil aos Moretti. Eu sei os segredos dos Falcone. Posso dar a eles tudo o que eles querem.”

O homem com o sorriso cruel riu. “Você já deu o que precisávamos, Falcone. E agora, seu conhecimento é um risco. E os Moretti não gostam de riscos.”

Eles o agarraram pelos braços, a força bruta os permitindo dominá-lo facilmente. Enzo lutou, mas era como tentar resistir a uma rocha.

“Me soltem!” ele gritou, mas ninguém podia ouvi-lo.

Enquanto era arrastado para fora do apartamento, Enzo vislumbrou um reflexo em um espelho na parede. Ele viu o homem que se tornou: um traidor, um covarde, um homem destruído por sua própria ambição. A imagem o assombrou.

Eles o colocaram no banco de trás do carro. A porta se fechou com um som abafado, selando seu destino. O carro acelerou, as luzes da cidade passando em um borrão.

Enzo fechou os olhos, o medo paralisando-o. Ele pensou em seu pai, em sua mãe, em Marco. Pensou em Isabella, em sua inocência. Ele havia destruído tudo. E agora, era seu fim.

De repente, o carro freou bruscamente. Houve um alvoroço do lado de fora. Gritos, tiros. Enzo se encolheu no banco, o corpo tremendo.

O carro foi atingido por algo com força. As portas se abriram. As figuras dos homens que o capturaram estavam tensas, desorientadas.

Enzo aproveitou o momento de distração. Ele se jogou para fora do carro, correndo desesperadamente na direção oposta aos confrontos. Ele correu sem olhar para trás, o som dos tiros e dos gritos ecoando em seus ouvidos.

Ele correu pelas ruas escuras, por becos estreitos, sentindo a adrenalina o impulsionar. Ele não sabia para onde estava indo, apenas sabia que precisava fugir. Fugir dos Moretti, fugir de Marco, fugir de si mesmo.

Enquanto corria, ele percebeu que não estava sozinho. Uma figura sombria emergiu das sombras, bloqueando seu caminho. O coração de Enzo disparou.

“Parado, Enzo,” uma voz profunda e fria ressoou. Era uma voz que ele conhecia bem demais. Era a voz de Marco.

Enzo paralisou, encurralado entre os homens dos Moretti e seu próprio irmão. O labirinto da traição finalmente o havia levado a um beco sem saída.

Marco Falcone emergiu das sombras, seu rosto uma máscara de raiva contida. A pistola em sua mão apontava diretamente para Enzo. Ao lado de Marco, Alessia observava a cena com sua habitual frieza, seus homens posicionados estrategicamente.

“Onde você pensa que está indo, irmão?” Marco perguntou, a voz baixa e perigosa.

Enzo engoliu em seco, sentindo a derrota amarga. “Marco… eu…”

“Não diga uma palavra,” Marco o interrompeu. “Não há desculpas que valham a pena ouvir agora.”

Os homens dos Moretti, percebendo a oportunidade, avançaram cautelosamente. Mas Marco não lhes deu tempo. Ele disparou, não em Enzo, mas em direção aos seus captores. A ação foi tão rápida e inesperada que os homens dos Moretti foram pegos de surpresa.

O caos irrompeu. Tiros ecoaram pela rua escura. Alessia e seus homens entraram em ação, neutralizando os captores de Enzo com eficiência brutal.

No meio da confusão, Marco agarrou Enzo pelo braço. “Você vem comigo. Agora.”

Enzo, tremendo, não ofereceu resistência. Ele havia perdido a batalha. Havia perdido tudo. A única coisa que restava era seguir o caminho que seu irmão, o homem que ele traiu, lhe impunha.

Enquanto eram levados para longe do local do confronto, Enzo olhou para trás. Viu os corpos dos homens dos Moretti caídos no chão. Aquele era o preço da traição. E ele sabia que o seu próprio preço ainda não havia sido totalmente pago. O labirinto da traição o havia levado para longe de casa, mas agora, seu irmão o trazia de volta, para encarar as consequências de seus atos.

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