O Chefe da Máfia III

Capítulo 23 — O Jogo de Espelhos

por Mateus Cardoso

Capítulo 23 — O Jogo de Espelhos

A mansão Rossi se transformou em um palco de sombras e enganos. Cada corredor, cada cômodo, parecia um labirinto onde a verdade se escondia atrás de disfarces e sorrisos falsos. Dante, com a frieza de um predador calculista, orquestrava um intrincado jogo de espelhos, onde as aparências enganavam e a realidade era distorcida a cada passo. Seu objetivo: desmascarar o traidor dentro de sua própria casa, o homem que ousou cobiçar o seu poder e o seu império. E o alvo principal, o homem que emanava a aura de lealdade inabalável, era Riccardo.

"Precisamos de uma distração, Isabella", Dante disse, sua voz um sussurro perigoso em meio ao silêncio da biblioteca. Ele apontou para um mapa detalhado da região de Nápoles, espalhado sobre a mesa de carvalho maciço. "Lorenzo ainda está ativo. Ele se esconde nas sombras, mas seus tentáculos se estendem. Precisamos dar a ele a impressão de que estamos nos recuperando, que nossos planos estão avançando. Mas com uma falha deliberada. Uma isca."

Isabella assentiu, seus olhos percorrendo os pontos marcados no mapa. Ela sentia a tensão em cada fibra do corpo de Dante, a raiva contida que borbulhava sob a superfície polida de seu controle. Ela o amava, e a ideia de que alguém pudesse trair essa confiança, de que alguém pudesse machucá-lo, era insuportável. "E o que você propõe?", ela perguntou, sua voz calma, mas carregada de uma determinação silenciosa.

"Vamos espalhar rumores. Rumores sobre um novo carregamento vindo de fora, algo valioso. Algo que Lorenzo adoraria interceptar. Vamos dar a ele a sensação de que recuperamos a nossa força, que estamos de volta aos negócios com mais vigor do que nunca." Dante levantou-se e começou a andar pela biblioteca, seus passos soando ritmicamente no tapete persa. "E vamos planejar essa operação de forma que pareça secreta, crucial. Algo que Riccardo, com seu acesso, precisará saber. E é aí que vamos pegá-lo."

Riccardo. O nome pairava no ar, um espectro incômodo. O homem que Dante chamava de irmão, que o serviu com devoção inabalável por anos. Mas Dante sentia, com a certeza sombria que a experiência lhe ensinara, que por trás da fachada de lealdade, Riccardo escondia uma ambição voraz. Uma sede de poder que poderia levá-lo a qualquer extremo.

"E como ele saberá sobre essa operação?", Isabella perguntou, sua mente correndo para antecipar os movimentos.

"Marco", Dante respondeu, com um leve sorriso que não chegava aos seus olhos. "Marco é um homem de confiança de Riccardo. Ele ouve tudo, ele repete tudo. Se eu deixar que Marco 'vaze' a informação para Riccardo, ele terá o que precisa. E ele se sentirá confiante o suficiente para agir."

A ideia era audaciosa, perigosa. Colocar um embaixador de confiança em uma posição de vulnerabilidade. Mas era um risco que Dante estava disposto a correr.

"E o que acontecerá quando ele morder a isca?", Isabella perguntou, seus olhos encontrando os de Dante, buscando a confirmação de que não haveria piedade.

Dante parou em frente a ela, seus olhos escuros como a noite. "Quando ele trair, Isabella, ele não terá para onde fugir. Estaremos esperando. E ele enfrentará as consequências. As consequências de brincar com o fogo. As consequências de trair a mim." Ele a puxou para perto, seus braços a envolvendo em um abraço possessivo. O cheiro de seu perfume, misturado com o aroma de couro e de poder, a envolveu, um refúgio seguro em meio à tempestade. "Você, meu amor, ficará longe de tudo isso. Sua segurança é a minha prioridade. E eu não permitirei que ninguém a coloque em risco."

Isabella retribuiu o abraço, sentindo a força e a proteção que emanavam dele. Ela sabia que Dante era capaz de amar com a mesma intensidade que era capaz de odiar. E ela era a personificação desse amor.

Nos dias que se seguiram, a mansão Rossi se tornou um ninho de intrigas. Dante e Isabella, como mestres de um tabuleiro de xadrez humano, moviam suas peças com precisão cirúrgica. Marco, o homem escolhido para ser o mensageiro involuntário, recebeu informações sobre um carregamento secreto de armas que chegaria a um galpão abandonado na periferia de Nápoles em uma noite específica. A informação, cuidadosamente arquitetada, parecia legítima, vital para a recuperação do poder dos Rossi.

Riccardo, como esperado, foi informado por Marco. O brilho em seus olhos, que Isabella notou em um dos encontros casuais, era diferente. Não era mais o brilho de lealdade, mas de antecipação. Uma satisfação silenciosa que a fez sentir um arrepio.

Na noite marcada, a atmosfera na mansão era eletrizante. Dante e Isabella, acompanhados por alguns de seus homens mais confiáveis, se posicionaram em pontos estratégicos, observando a escuridão em busca de qualquer movimento. O galpão abandonado, um local desolado e esquecido, era o palco perfeito para a armadilha.

"Ele vai aparecer", Dante sussurrou, sua voz tensa, mas firme. "Ele não resistirá à tentação. A ganância o cegará."

Isabella sentiu seu coração acelerar. Ela confiava em Dante, mas a magnitude do que estava prestes a acontecer a deixava apreensiva. A lealdade de Riccardo era uma fachada tão bem construída que a ideia de sua queda era quase irreal.

Então, eles viram. Um comboio de carros escuros se aproximava do galpão. O motor de um dos carros se calou, e as portas se abriram. Riccardo desceu, seguido por alguns homens que Isabella não reconheceu de imediato. Ele parecia confiante, no controle.

"É ele", Dante disse, seus olhos fixos em Riccardo. "Agora é a hora."

De repente, as luzes do galpão se acenderam, revelando a emboscada. Os homens de Dante emergiram das sombras, armas em punho. Riccardo, pego de surpresa, recuou, seu rosto mudando de confiança para pânico em um instante.

"Riccardo!", Dante gritou, sua voz ecoando no silêncio repentino. "Você achou que poderia me trair?"

Riccardo, em meio ao caos, tentou se recompor. "Dante… o que é isso? Você está louco?"

"Louco?", Dante riu, um som gélido e sem humor. "Não, Riccardo. Eu estou apenas limpando a minha casa. Estou me livrando da escória que se esconde nas sombras." Ele se aproximou de Riccardo, a distância entre eles encurtando a cada passo. "Você achou que era esperto, não é? Que poderia manipular a todos nós? Que poderia roubar o que é meu?"

Riccardo tentou argumentar, mas as palavras se perderam em sua garganta. A verdade estava exposta, nua e crua. O homem em quem Dante mais confiava era o traidor.

"Eu confiei em você", Dante disse, sua voz carregada de uma dor profunda. "Eu te tratei como um irmão. E você me apunhalou pelas costas."

A partir dali, a confrontação se tornou uma batalha de voluntades. Riccardo, encurralado, tentou uma última vez argumentar, apelar para a antiga amizade. Mas Dante, com a frieza de um juiz implacável, proferiu a sentença.

"Você escolheu o seu lado, Riccardo. E agora, você pagará por isso."

O que se seguiu foi um desfecho sombrio, um testemunho da brutalidade do mundo em que viviam. Riccardo, o homem que um dia foi o braço direito de Dante, foi levado, seu destino selado nas mãos da máfia. Isabella observou tudo de longe, sentindo um misto de alívio e tristeza. A ameaça interna havia sido neutralizada, mas o custo, como sempre, era alto. O jogo de espelhos havia terminado, e a verdade, por mais dolorosa que fosse, havia prevalecido.

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