O Chefe da Máfia III
Capítulo 8 — A Fúria do Leão Ferido
por Mateus Cardoso
Capítulo 8 — A Fúria do Leão Ferido
No luxuoso apartamento em Copacabana, a calmaria da manhã era uma ironia cruel. Dante sentiu o vazio ao seu lado na cama antes mesmo de abrir os olhos. Um pressentimento gelado percorreu sua espinha. Isabella não estava ali. O cheiro de seu perfume ainda pairava no ar, mas a presença dela havia desaparecido. Um rápido olhar ao redor confirmou suas suspeitas: o escritório, a porta entreaberta, os papéis espalhados no chão. O álbum.
Um rosnado baixo escapou de seus lábios. A raiva, contida por anos de autocontrole, ameaçava explodir. Ele caminhou rapidamente para o escritório, a mente acelerada, juntando os pedaços do quebra-cabeça. Isabella. A carta. A fotografia. Ele a vira fugindo, o desespero em seus olhos, as palavras de acusação ecoando em seus ouvidos.
Ele a havia subestimado. Acreditara que poderia protegê-la, controlá-la, sem que ela jamais descobrisse a verdade sombria que os ligava. Mas Isabella era mais forte do que ele imaginava. E agora, ela sabia.
Dante se jogou na poltrona de couro, a testa apoiada nas mãos. Por um instante, a imagem de Isabella, com seus olhos cheios de mágoa e repulsa, o atingiu com força. Ele a amava, de uma maneira possessiva e avassaladora, sim. Mas o amor dele era intrinsecamente ligado ao poder, ao controle, à linhagem. E Isabella, sem saber, era a chave para tudo isso. A carta, uma relíquia de um passado que ele preferia esquecer, era a prova de sua crueldade. Mas, para ele, era uma necessidade. Uma necessidade para a sobrevivência de sua família, de seu império.
"Giovanni!", ele gritou, a voz ecoando pelo apartamento.
O homem apareceu em segundos, o rosto impassível, mas os olhos atentos. "Sim, capo?"
"Isabella fugiu. Ela sabe. Ela encontrou a carta." A voz de Dante era perigosamente calma, uma calma que prenunciava a tempestade. "Quero que a encontre. Agora. E quero saber com quem ela falou. Quem a ajudou."
Giovanni assentiu, a lealdade inabalável em seus olhos. Ele sabia que, quando Dante falava com aquela calma, o perigo era iminente. Ele não era apenas o chefe da máfia; era um leão ferido, e sua fúria seria devastadora.
Enquanto Giovanni mobilizava seus homens, Dante voltava seus pensamentos para o que Isabella havia descoberto. A carta. Uma prova irrefutável de seu envolvimento na morte dos pais dela. Ele sabia que ela não acreditaria em suas explicações, não importava o quão plausíveis elas pudessem parecer. Para ela, ele era o monstro que destruiu sua família.
Ele pensou no advogado que ela mencionou. Lucas Rocha. Um nome que já havia cruzado seus caminhos em outros casos, um homem astuto, mas que sempre se manteve à margem de seu mundo. Ele representava um obstáculo inesperado.
"Giovanni", Dante disse, mudando de tom. "O advogado Lucas Rocha. Investigue tudo sobre ele. Se ele estiver ajudando Isabella, ele se tornará nosso próximo problema."
A busca por Isabella começou. Os homens de Dante espalharam-se pela cidade, os olhos afiados vasculhando cada rua, cada beco, cada rosto. Eles sabiam que ela não tinha para onde ir, que suas opções eram limitadas. A influência de Dante era vasta, e poucos ousariam esconder alguém de seu interesse.
Enquanto isso, no escritório de Lucas Rocha, Isabella sentia um lampejo de esperança. O advogado, apesar da gravidade da situação, parecia determinado a ajudá-la. Ele já estava em contato com uma agência de viagens discreta para organizar sua ida para Minas Gerais, sob um novo nome, com documentos falsos.
"Precisamos ser rápidos", Lucas advertiu, a voz tensa. "Os homens dele estarão procurando por você em todos os lugares. A discrição é nossa única arma neste momento."
Isabella concordou, a garganta seca de medo. Ela olhou pela janela do escritório, vendo o sol subir no céu, um sol que parecia zombar de sua situação. Ela havia escapado do cativeiro de Dante, mas a caçada havia começado.
De volta ao apartamento de luxo, Dante sentia a frustração crescer a cada minuto que passava. Isabella era como fumaça, escapando por entre seus dedos. Ele sabia que ela estava com medo, mas também sabia que ela era teimosa. E essa teimosia, que um dia o fascinou, agora era sua maior dor de cabeça.
Ele se levantou e caminhou até a mesa de seu escritório. Pegou a fotografia antiga, a imagem de seus pais, jovens e sorridentes, e a de seus pais, ainda mais jovens, posando com um homem que ele reconheceu imediatamente: o pai de Isabella. Um ancestral de uma linhagem que ele precisava controlar. Ele passou o dedo sobre o rosto de Isabella na foto. O destino deles estava selado desde o nascimento, uma união predestinada, mas que ele teria que forjar à força, se necessário.
"Você não vai fugir de mim, Isabella", ele murmurou para a fotografia, a voz carregada de possessividade. "Você é minha. E eu sempre busco o que é meu."
Enquanto isso, Giovanni recebia um relatório. Isabella havia sido vista entrando no escritório de um advogado criminalista. A informação foi transmitida a Dante, que sentiu um arrepio de fúria. Lucas Rocha. O advogado ousou interferir em seus planos.
"Ele vai se arrepender disso", Dante declarou, os olhos faiscando. "Giovanni, prepare tudo. Precisamos de uma mensagem clara para ele. Para que ele saiba que brincar com fogo tem consequências."
A noite caiu sobre o Rio de Janeiro, trazendo consigo uma atmosfera de tensão crescente. Isabella, sob a proteção de Lucas, estava a caminho da rodoviária, sua fuga para Minas Gerais prestes a começar. Ela sentia um misto de alívio por estar se afastando de Dante, mas também um pavor profundo do que viria a seguir.
No entanto, longe dali, Lucas Rocha se preparava para um confronto que ele nunca imaginou que teria. Ele sabia que Dante não era um homem que aceitava derrotas. E agora, ele era o guardião de Isabella, o obstáculo entre ela e a fúria do chefe da máfia. A rede de mentiras se apertava ao redor deles, e a cada passo, o perigo se tornava mais real. A luta pela verdade e pela sobrevivência havia ganhado novos e perigosos jogadores.