Amor entre Balas III

Capítulo 12 — A Sombra da Traição

por Mateus Cardoso

Capítulo 12 — A Sombra da Traição

O cheiro de café forte e fumaça de cigarro pairava no ar do meu escritório, um aroma familiar que normalmente me trazia uma estranha sensação de conforto, mas que agora parecia pesado, impregnado pela tensão. A madeira escura da mesa, polida pelo uso constante de gerações, testemunhava o peso das decisões que recaíam sobre meus ombros. Do lado de fora, a cidade pulsava, indiferente ao turbilhão de conflitos que se desenrolava em meu santuário.

Rafael estava sentado à minha frente, o semblante sério, os olhos fixos em um dossiê aberto sobre a mesa. Cada página virada era um passo a mais na investigação que nos consumia. A madrugada já chegava ao fim, mas o cansaço era um luxo que não podíamos nos dar.

“Luizinho foi pego na nossa armadilha, Don Rafael.” A voz de Rafael era baixa, quase um sussurro, mas a notícia carregava o peso de uma bomba. “Ele estava em uma das nossas casas de veraneio, tentando sumir com um carregamento de diamantes que usaria para pagar os mercenários. Pensou que era esperto, mas não contava com a nossa vigilância.”

Sentei-me na cadeira, o corpo tenso, os dedos tamborilando impacientes na superfície fria da mesa. “E ele falou? Revelou quem o contratou?”

Rafael balançou a cabeça lentamente, um movimento que me gelou os ossos. “Não diretamente. Ele é leal a alguém, mas não é leal o suficiente para morrer por essa lealdade. Estava assustado, desesperado. Confessou que foi contatado por um intermediário, alguém que ele conheceu em um bar no Brás, um lugar que frequentam nossos rivais.”

“Os Marcondes?” A pergunta saiu com um rosnado. A família Marcondes, sempre à espreita, sempre buscando uma oportunidade para nos derrubar.

“É o mais provável. O intermediário deu o nome de um homem chamado ‘O Sombra’. Luizinho não o conhece pessoalmente, apenas sabia que esse ‘Sombra’ era quem organizava tudo. Ele recebeu as instruções, o dinheiro, e o contato para os mercenários.”

“Um intermediário… um nome em código… eles são bons em se esconder.” Sentei-me para trás, a frustração borbulhando em meu interior. Estávamos mais perto, mas ainda longe o suficiente para a verdade escapar. “E os mercenários? Conseguimos identificá-los?”

“Ainda não. Eles foram contratados através de uma rede obscura, pagamentos em criptomoedas, desaparecendo assim que o trabalho foi feito. Mas estamos rastreando cada movimento. Acredito que em breve teremos algo.”

Um silêncio pesado pairou entre nós. A sombra da traição era palpável. Quem poderia ser o elo entre os Marcondes e o nosso próprio império? Quem dentro da nossa organização teria o poder e a audácia de facilitar um ataque desses?

“E o meu tio, Thiago? Alguma informação sobre ele?” Perguntei, a voz carregada de uma esperança sombria.

Rafael abriu um novo dossiê. “Thiago tem se mantido discreto desde o ataque. Mas um dos nossos informantes, um garçom que frequenta os restaurantes que ele costuma frequentar, nos deu uma pista. Thiago foi visto em reuniões privadas com um homem que identificamos como sendo um emissário dos Marcondes. Alguém que não costuma aparecer publicamente.”

Meu sangue gelou. Thiago e os Marcondes. A aliança que eu temia, mas que esperava que nunca se concretizasse.

“Eles estavam apenas… conversando, ou algo mais?”

“Nossos homens não conseguiram ouvir a conversa, mas a tensão era visível. Pareciam estar discutindo algo importante, com bastante… urgência.” Rafael me entregou uma fotografia. Nela, meu tio aparecia conversando com um homem corpulento, o rosto obscurecido por um chapéu de aba larga, mas os olhos, mesmo distantes, pareciam sinistros.

“Isso é tudo que temos?” Minha voz saiu áspera.

“Por enquanto. Mas é o suficiente para confirmarmos que Thiago está envolvido. A questão é: ele é o mandante, ou é um peão?”

“Ele sempre quis mais. Sempre se sentiu subestimado. E se os Marcondes o prometeram a liderança… ele não hesitaria.” Levantei-me e fui até a janela. A cidade, antes um cenário de oportunidades, agora parecia um labirinto de perigos. “Precisamos de provas irrefutáveis, Rafael. Algo que possamos apresentar para desmascará-lo, para que todos vejam a serpente que se esconde em nosso próprio jardim.”

“Estamos trabalhando nisso. E há algo mais.” Rafael hesitou novamente, e eu sabia que a próxima notícia seria ainda mais sombria. “Há rumores circulando. Sussurros. De que o ataque foi bem-sucedido em enfraquecer a famiglia. Alguns membros do conselho… estão começando a questionar a sua liderança, Don Rafael.”

Senti um aperto no peito. A lealdade, tão frágil em nosso mundo, agora se desfazia como areia entre os dedos.

“Eles estão… duvidando de mim?” Minha voz era um fio.

“Eles estão com medo. E o medo os torna imprevisíveis. Thiago, se ele for o mandante, está contando com isso. Está contando que a desconfiança interna nos dividirá, nos enfraquecerá, e ele poderá então assumir o controle, talvez em aliança com os Marcondes.”

A traição, que antes parecia distante, agora estava à espreita, em cada sombra, em cada olhar enviesado. Meu tio, o homem que deveria ser um pilar de apoio, agora se revelava um dos meus maiores inimigos.

“ Precisamos agir rápido, Rafael. Antes que essa semente de discórdia germine completamente.” Olhei para ele, a determinação endurecendo meu olhar. “Precisamos expor Thiago. Precisamos provar que ele é o traidor. E precisamos fazer isso de forma que todos os membros da famiglia vejam, sem margem para dúvidas.”

“Como, Don Rafael?”

“Vamos dar a eles o que querem. Vamos fazê-los duvidar de mim. Mas vamos virar o jogo contra Thiago. Se ele quer me ver cair, vamos fazê-lo cair primeiro. E vamos garantir que a queda seja espetacular.”

Um sorriso sombrio se espalhou pelo meu rosto. A teia estava se apertando, sim, mas agora era eu quem a puxava, guiando meus inimigos para o desespero. A traição do meu tio era um golpe duro, mas era também a oportunidade que eu precisava para me livrar de um inimigo que estava muito perto, muito perigoso. O jogo de sombras estava apenas começando, e eu estava pronto para lançar a minha própria, e a mais escura, para apagar a luz da traição.

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