Amor entre Balas III

Capítulo 14 — O Ninho da Serpente

por Mateus Cardoso

Capítulo 14 — O Ninho da Serpente

A madrugada em Santos era um espetáculo de sombras e silêncio, quebrada apenas pelo som distante das ondas quebrando na costa e o ocasional ruído de um navio no porto. O ar salgado e úmido me envolvia, trazendo consigo o cheiro pungente de peixe e diesel, um aroma que para mim, sempre fora sinônimo de força e resiliência. Estávamos em um armazém abandonado na zona portuária, um local esquecido pelo tempo e pela sociedade, mas que agora se tornava o palco de uma emboscada cuidadosamente planejada.

Rafael, com sua habitual compostura, inspecionava os últimos detalhes com alguns dos nossos homens mais confiáveis. Seus olhos escuros, penetrantes como os de um falcão, varriam o terreno, antecipando cada possível movimento do nosso alvo. A tensão no ar era palpável, uma eletricidade fria que anunciava a iminência do confronto.

“Ele está chegando, Don Rafael.” A voz de Rafael soou baixa, carregada de antecipação. “Nosso contato confirmou. Ele está a caminho, sozinho.”

Senti um arrepio percorrer minha espinha, uma mistura de adrenalina e apreensão. O “Sombra”, o homem que servia de ponte entre os Marcondes e os mercenários que atacaram meu pai, estava prestes a cair em nossa armadilha. Era a nossa chance de obter as provas que precisávamos, de desvendar a teia de traição que ameaçava a nossa família.

“Vocês têm certeza de que ele estará sozinho?” Perguntei, minha voz rouca pela falta de sono e pela tensão.

“Absoluta. Nosso contato garantiu. Ele não trará proteção. Acha que está vindo para uma transação final e secreta.”

A verdade era que o “Sombra” estava vindo para receber o pagamento que Thiago lhe prometera, o dinheiro que seria usado para pagar os mercenários, um ciclo de violência e ganância que eu estava determinado a quebrar.

Enquanto esperávamos, Rafael me contou sobre o progresso das investigações sobre Thiago. As gravações e fotos que nosso contato nos prometeu estavam a caminho, e se fossem autênticas, seriam a prova definitiva da traição do meu tio.

“E Thiago? Ele suspeita de algo?”

“Ele está agindo com cautela, Don Rafael. Mas nossos informantes dizem que ele está cada vez mais inquieto. Ele sabe que algo está se movendo, mas não sabe o quê. Ele teme que nós estejamos nos aproximando.”

“Bom. Que ele sinta o cerco se fechando.” Minha voz era um rosnado baixo. A raiva e a decepção por ter meu próprio tio como inimigo queimavam em meu peito.

De repente, um feixe de luz de faróis rasgou a escuridão, iluminando a entrada do armazém. Um carro escuro parou abruptamente. A porta se abriu e um homem saiu, alto e corpulento, com um chapéu de aba larga que escondia parte do seu rosto. Era ele. O “Sombra”.

“Agora!” A ordem de Rafael foi sussurrada, mas carregada de autoridade.

Nossos homens emergiram das sombras, cercando o armazém com precisão militar. O “Sombra” se virou, assustado, seus olhos arregalados ao perceber que havia caído em uma emboscada. Ele tentou sacar uma arma, mas foi mais rápido. Um dos meus homens o desarmou com um golpe preciso, e em segundos, ele estava imobilizado, ajoelhado no chão empoeirado.

“Quem é você? Quem o enviou?” Perguntei, aproximando-me dele, minha voz fria como o aço.

O homem tremeu, o medo evidente em seu rosto. “Eu… eu sou apenas um intermediário.”

“Um intermediário que facilitou o ataque ao meu pai. Um intermediário que trabalhou para os Marcondes.”

Ele negou com a cabeça freneticamente. “Não! Não os Marcondes! Fui contratado por outro… por alguém de dentro.”

Meu sangue gelou. Alguém de dentro. A traição era ainda mais profunda do que eu imaginava.

“Quem? Diga o nome!”

“Eu… eu não sei o nome dele. Apenas o conheci como… ‘O Corvo’.”

“O Corvo?” Repeti, o nome ecoando em minha mente. Era um nome desconhecido, mas o peso que carregava era assustador.

“Ele me deu as instruções, o dinheiro… e o contato dos mercenários. Ele disse que era para enfraquecer a famiglia, para criar caos.”

“E quem é o ‘Corvo’? Ele é um Marcondes? Um dos nossos?”

O homem engoliu em seco, o olhar desviando-se do meu. Era uma hesitação que dizia muito.

“Ele… ele tem os meios, os contatos… e o poder de orquestrar algo assim. Ele opera nas sombras, Don Rafael. Ele é perigoso.”

“Mas quem é ele?” Insisti, sentindo a frustração me dominar.

Rafael, percebendo minha impaciência, se aproximou. “Ele nos deu um nome, Don Rafael. O contato que ele usou para contratar os mercenários… é o mesmo contato que Thiago usa para suas operações mais secretas.”

Meu coração disparou. Thiago. O “Corvo”. A aliança que eu temia estava confirmada. Meu tio não era apenas um cúmplice, ele era o arquiteto do plano.

“Isso não é possível…” Murmurei, a voz embargada pela incredulidade.

“É possível, Don Rafael. E é a verdade.” Rafael me entregou um pendrive. “Nosso contato nos enviou. São as gravações e fotos do encontro entre Thiago e o emissário dos Marcondes. São irrefutáveis.”

Peguei o pendrive, meus dedos tremendo. A verdade, por mais dolorosa que fosse, era o único caminho. A serpente estava em nosso próprio ninho, e eu precisava arrancá-la antes que ela nos destruísse por completo.

“Levem-no,” ordenei aos meus homens, a voz firme e fria. “Ele nos servirá de moeda de troca. Ou de prova.”

Saí do armazém, o ar salgado de Santos agora me parecendo pesado, sufocante. A traição de Thiago era um golpe devastador, mas também era o que me dava a força necessária para agir. Eu não podia mais hesitar. Precisava expor meu tio, precisava mostrar à famiglia a verdade, por mais sombria que fosse. A guerra pela liderança estava prestes a se tornar pessoal, e eu estava pronto para lutar com todas as minhas forças.

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