Amor entre Balas III

Capítulo 17 — O Cerco se Fecha

por Mateus Cardoso

Capítulo 17 — O Cerco se Fecha

O silêncio do apartamento era um bálsamo para os sentidos de Isabella, mas não conseguia acalmar a tempestade em seu peito. O cheiro suave de lavanda que emanava das almofadas, as luzes indiretas que criavam uma atmosfera de paz, tudo parecia uma ironia cruel diante do caos que havia dominado a noite. Ela caminhava de um lado para o outro na sala, as mãos entrelaçadas, o olhar perdido em algum ponto indefinido no horizonte urbano que se estendia pela janela panorâmica.

Dante havia a deixado ali há poucas horas, prometendo voltar assim que resolvesse tudo. Mas o “tudo” dele era um abismo de perigo e incerteza. As palavras dele, o tom de sua voz, a ferocidade em seus olhos… ela ainda podia sentir o eco. Ele estava determinado a aniquilar Angelo, a erradicar a ameaça que ele representava. E ela sabia, com uma certeza dolorosa, que Dante cumpriria sua palavra.

O celular em sua mão vibrou, e o coração de Isabella deu um salto. Era Dante. Uma mensagem curta, direta, como sempre.

“Estou a caminho. Fique onde está. Estarei aí em vinte minutos. Fique segura, meu amor.”

Meu amor. Aquelas duas palavras simples tinham o poder de desarmá-la, de fazê-la esquecer por um instante o mundo cruel em que viviam. Mas a segurança… a segurança era um luxo que eles pareciam não poder mais desfrutar. O cerco estava se fechando, e ela sentia isso em cada fibra do seu ser.

Enquanto esperava, Isabella decidiu se distrair. Pegou um livro da estante, um romance clássico que um dia a transportara para mundos de fantasia. Mas as palavras fugiam dela, os personagens se tornavam borrados, e sua mente voltava, inexoravelmente, para Dante. Para a noite no galpão, para os olhos dele cheios de dor e fúria, para o toque de seus dedos em sua pele.

Ela se lembrava da primeira vez que o vira, em um evento beneficente onde sua família estava presente. Ele era o homem mais imponente da sala, um predador elegante em meio a cordeiros. Seus olhares se cruzaram, e ela sentiu uma faísca, uma atração imediata e perigosa. Na época, ela o via como o chefe da máfia, um homem a ser evitado. Agora, ela o via como Dante, o homem que a amava com uma paixão avassaladora, o homem que a protegia, mesmo que essa proteção a envolvesse em sua própria teia de perigo.

Um ruído inesperado quebrou o silêncio. Um barulho abafado vindo do corredor. Isabella congelou. Não era o som de uma porta se abrindo suavemente, nem o som de passos familiares. Era algo mais furtivo, mais ameaçador. Seus instintos, afiados pela experiência recente, gritavam perigo.

Ela se moveu com a agilidade que a vida lhe ensinara, agachando-se atrás do sofá macio, o coração martelando contra as costelas. O livro caiu de suas mãos com um baque surdo. Ela prendera a respiração, ouvindo atentamente.

O som se repetiu, mais perto agora. Um arrastar sutil, como se alguém estivesse se movendo lentamente, deliberadamente. O que quer que fosse, estava tentando entrar no apartamento.

Isabella procurou em sua mente por alguma arma improvisada. Um abajur pesado? Um vaso de cerâmica? Sua mão alcançou a mesa de centro, onde descansava um pequeno peso de papel de bronze, um presente de Dante. Não era muito, mas era algo. Ela o segurou com firmeza, os nós dos dedos ficando brancos.

A maçaneta da porta da frente girou lentamente. Isabella fechou os olhos por um instante, reunindo coragem. Ela não era mais a vítima indefesa. Ela era a mulher de Dante. Ela lutaria.

A porta se abriu com um rangido quase imperceptível, e uma figura esguia adentrou o apartamento, movendo-se com a destreza de um fantasma. A luz fraca que entrava da rua revelava um homem vestindo roupas escuras, o rosto obscurecido pela sombra de um boné. Ele parecia estar procurando por algo, seus olhos percorrendo a sala com atenção.

Isabella esperou o momento certo. Quando o homem virou as costas para ela, se aproximando da janela, ela explodiu de seu esconderijo. Com um grito que misturava medo e determinação, ela avançou, brandindo o peso de papel.

“Fique longe!”, ela gritou, a voz mais forte do que esperava.

O homem se virou abruptamente, surpreso. Ele não esperava resistência, muito menos uma tão audaciosa. Seus olhos, agora visíveis sob a luz, eram frios e calculistas. Ele não parecia um capanga qualquer. Havia uma inteligência sombria em seu olhar.

Ele riu, um som baixo e seco. “A garota corajosa. Dante tem bom gosto, admito.”

Antes que Isabella pudesse reagir, ele se moveu com uma velocidade surpreendente, desarmando-a com um movimento rápido e preciso. O peso de papel voou de sua mão, caindo no chão. Ela sentiu uma dor aguda em seu pulso quando ele o torceu, e então, ele a empurrou com força, fazendo-a cair desajeitadamente no tapete.

“Você não deveria estar aqui, querida”, disse ele, a voz agora mais calma, como se estivesse dirigindo-se a uma criança teimosa. “Este jogo não é para você.”

Isabella se levantou, ofegante, o corpo dolorido, mas o espírito intacto. Ela encarou o homem, a raiva substituindo o medo. “Quem é você? E quem o enviou?”

Ele sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. “Digamos apenas que somos… intermediários. E o remetente é alguém que Dante conhece muito bem.”

A menção a Dante enviou um novo arrepio de medo através dela, mas ela o reprimiu. “Angelo?”, ela perguntou, a voz cheia de esperança e apreensão.

O homem deu uma risada baixa. “Angelo é um peixe pequeno. O tubarão é outro.” Ele se aproximou dela, o olhar penetrante. “Mas isso não importa. O que importa é que sua presença aqui é uma fraqueza para Dante. E fraquezas… devem ser exploradas.”

Ele estendeu a mão, como se fosse agarrá-la, e naquele instante, a porta da frente se escancarou com violência. Dante entrou no apartamento, o rosto uma máscara de fúria indomável. Seus olhos percorreram a cena rapidamente: Isabella caída no chão, o homem misterioso parado sobre ela, a porta escancarada.

Em um instante, Dante se moveu. Com uma velocidade assustadora, ele agarrou o intruso pelo colarinho, o punho cerrado já erguido. A luta foi rápida e brutal. Dante, mesmo com a ferida ainda sangrando, era uma força da natureza. Os homens de Angelo, se é que ele era um deles, subestimaram a fúria do leão ferido.

O intruso era habilidoso, mas Dante era mais forte, mais desesperado. Ele jogou o homem contra a parede, o impacto fazendo um quadro cair e se estilhaçar no chão. Isabella observava, o coração batendo descompassado, sem saber se deveria se esconder ou ajudar.

No final, Dante o dominou, pressionando-o contra o chão, um joelho em seu peito, a mão em sua garganta. O homem lutava, mas era inútil.

“Quem te enviou?”, Dante rosnou, a voz perigosa. “Quem mandou você me avisar que o cerco está se fechando?”

O homem, ofegante, cuspiu no chão. “Você não vai vencer, Dante. Você está cercado. A polícia está em cima de você. E quem o ama… vai acabar te entregando.”

As palavras dele atingiram Isabella como um golpe físico. Entregando? Quem poderia entregá-lo? Ela? A ideia era absurda, mas as palavras do homem pairaram no ar, sombrias e ameaçadoras.

Dante apertou a garganta do homem, o rosto contorcido de raiva. “Você vai me dizer o nome dele, ou eu vou fazer você se arrepender de ter nascido.”

Nesse momento, sons de sirenes se aproximaram rapidamente. As luzes azuis e vermelhas das viaturas policiais começaram a iluminar a fachada do prédio.

Dante olhou para o homem no chão, um cálculo rápido passando por seus olhos. Ele não podia ser pego ali, não naquele momento. Ele olhou para Isabella, a preocupação estampada em seu rosto. Ele sabia que ela estava em perigo.

“Você tem sorte hoje”, disse Dante ao intruso, soltando-o. “Mas não conte com isso para sempre.”

Ele se virou para Isabella, o olhar intenso. “Você está bem?”

Ela assentiu, incapaz de falar.

“Eu preciso ir”, disse ele, a voz firme, mas com uma urgência subjacente. “Fique aqui. Ligue para a polícia. Diga que houve uma invasão. Não mencione nada sobre mim. Entendeu?”

Isabella assentiu novamente.

Ele se aproximou dela, o olhar fixo em seus olhos. “Eu voltarei. E então, vamos resolver isso. Juntos.” Ele depositou um beijo rápido em sua testa, um gesto de carinho em meio ao caos, e então, com a agilidade de um felino, ele desapareceu pela porta dos fundos, antes que as luzes policiais inundassem o apartamento.

Isabella ficou parada, o corpo tremendo, o coração ainda acelerado. O apartamento, antes um refúgio, agora parecia um campo de batalha. Ela olhou para a porta, para as luzes piscando lá fora, e sentiu a verdade cruel das palavras do intruso. O cerco estava se fechando, e o perigo estava mais perto do que nunca. E, de alguma forma, ela sabia que o destino de Dante, e o seu próprio, agora estava entrelaçado com o futuro daquela perigosa teia de mentiras e traições.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%