Amor entre Balas III

Capítulo 18 — O Sussurro da Desconfiança

por Mateus Cardoso

Capítulo 18 — O Sussurro da Desconfiança

A delegacia era um lugar frio e impessoal, um labirinto de corredores cinzentos e salas austera, onde a esperança parecia ter sido deixada do lado de fora. Isabella sentou-se em uma cadeira desconfortável em uma sala de interrogatório, o ar pesado com o cheiro de café velho e desespero. A polícia a cercava, os rostos sérios, os olhares investigativos. Ela contou a história de uma invasão, de um homem desconhecido que a ameaçou, mas omitiu cada detalhe que pudesse ligá-la a Dante. Era um jogo perigoso, um malabarismo com a verdade que a deixava exausta e assustada.

“Senhorita Rossi”, disse o detetive Silva, um homem de meia-idade com olhos cansados e uma barba por fazer, “tem certeza de que não viu o rosto dele? Alguma característica que possa nos ajudar?”

Isabella balançou a cabeça lentamente. “Estava escuro. Ele usava um boné.” Ela sentiu um aperto no peito. A desconfiança nos olhos do detetive era palpável. Eles sabiam que ela estava escondendo algo.

“E o homem que atacou você”, continuou Silva, com a voz calma e insidiosa, “você tem certeza de que ele não foi mandado por alguém próximo a você? Alguém que você conhece?”

O coração de Isabella disparou. As palavras do intruso ecoavam em sua mente: “o homem que o ama… vai acabar te entregando”. Seria possível que Angelo ou alguém ligado a ele estivesse plantando a semente da desconfiança, tentando separá-la de Dante, tentando fazê-la um alvo? Ou pior, tentando fazê-la um peão em seus jogos?

“Eu… eu não entendo do que o senhor está falando”, Isabella respondeu, a voz falhando um pouco. “Eu só quero que encontrem o homem que invadiu meu apartamento.”

O detetive Silva suspirou, esfregando a testa. “Entendo. Mas este não é um caso isolado, Senhorita Rossi. Há muita coisa acontecendo nas ruas de São Paulo ultimamente. Muita violência. E quando alguém como você, com um passado… digamos, complicado, aparece envolvida em algo assim, precisamos investigar todas as pontas.”

O passado complicado. A herança de sua família, agora nas mãos de Dante. A conexão com o submundo. Tudo isso a tornava um alvo, uma peça no tabuleiro de xadrez de Dante.

Após o interrogatório, Isabella foi liberada, mas sentia os olhares dos policiais em suas costas. A sensação de estar sendo vigiada era opressora. Ela sabia que não estava segura, que o perigo a seguia como uma sombra.

Ao chegar em seu apartamento, o silêncio parecia ainda mais carregado. Ela sentia falta de Dante, da sua presença forte e protetora. Mas, ao mesmo tempo, a desconfiança plantada pelo detetive Silva e pelas palavras do intruso começava a corroer sua confiança.

Ela ligou para Dante, mas ele não atendeu. Provavelmente estava ocupado, lidando com as consequências do ataque no galpão, caçando Angelo. Mas a inquietação em seu peito crescia.

Enquanto preparava um chá para se acalmar, Isabella notou algo incomum. Um pequeno envelope de cor creme estava deixado na caixa de correio, algo que ela não havia visto antes. Não havia remetente, apenas seu nome escrito em uma caligrafia elegante, mas fria.

Com as mãos trêmulas, ela abriu o envelope. Dentro, havia um único cartão. As palavras escritas eram curtas, mas carregadas de um significado sinistro:

“A lealdade é um luxo que poucos podem pagar. Cuidado com quem você confia, Isabella. O jogo está apenas começando.”

O coração de Isabella gelou. A mensagem era clara. Alguém sabia de sua conexão com Dante, de sua posição vulnerável. E estava usando isso contra ela.

“Quem está me enviando isso?”, ela sussurrou para o apartamento vazio.

A desconfiança se instalou em seu coração como uma serpente fria. Ela pensou nos homens de Dante, em sua lealdade absoluta. Mas e se houvesse uma rachadura nessa lealdade? E se Angelo estivesse agindo nas sombras, tentando virá-la contra Dante? Ou pior, e se alguém dentro do círculo de Dante a visse como uma ameaça?

Ela lembrou-se das palavras de Dante sobre Angelo. “Ele se sentiu ofuscado. E quando a ganância se mistura com o medo… o resultado é esse.” E se essa ganância estivesse se espalhando, contaminando outros?

De repente, uma voz familiar soou atrás dela.

“Bella?”

Isabella se virou bruscamente, o susto fazendo-a quase deixar cair a xícara de chá. Dante estava parado na porta da sala, o rosto marcado pela exaustão, mas os olhos brilhando com alívio ao vê-la. Ele estava mais cedo do que o esperado.

“Dante!”, ela exclamou, correndo para ele, abraçando-o com força. Ela sentiu o cheiro familiar de sua pele, o calor de seu corpo. Por um momento, todo o medo e a desconfiança se dissiparam.

Ele a abraçou de volta, apertando-a contra si. “Eu senti sua falta. Você está bem?”

Ela assentiu, enterrando o rosto em seu peito. “Sim. Mas… aconteceu algo.”

Ela contou sobre a invasão, sobre o detetive Silva, e sobre o cartão misterioso. Dante ouviu atentamente, sua expressão se tornando cada vez mais sombria.

Quando ela terminou, ele a afastou gentilmente, segurando seu rosto entre as mãos. “Esse jogo de gato e rato está ficando perigoso demais, Bella.”

“Quem enviou o cartão, Dante? Quem está tentando nos separar?” A pergunta saiu em um sussurro aflito.

Dante suspirou, um peso visível em seus ombros. “Angelo é o mais provável. Ele está desesperado para me atingir, e você é a minha maior vulnerabilidade.” Ele a olhou nos olhos, a intensidade em seu olhar fazendo seu coração acelerar. “Mas eu não vou deixar que ele ou qualquer outro te machuque. Eu te protejo, Bella. Sempre.”

Ele tirou o celular do bolso. “Eu preciso resolver isso de uma vez por todas. Vou encontrar Angelo. E vou acabar com isso.”

“Mas a polícia…”, Isabella começou, preocupada.

“Eles estão ocupados demais tentando me pegar para perceber o que realmente está acontecendo nas sombras”, Dante disse, com um sorriso sombrio. “Eu cuido disso. Você fique aqui. Em segurança.”

Ele a beijou, um beijo apaixonado, mas também uma promessa. Uma promessa de proteção, de um futuro onde eles pudessem ficar juntos, longe do perigo. Mas enquanto ele se afastava, Isabella sentiu um aperto no peito. A desconfiança plantada, a incerteza sobre quem estava por trás de tudo, a deixava em um estado de alerta constante. Ela sabia que o jogo estava longe de acabar. E ela temia que, no final, o maior perigo não viesse de seus inimigos, mas de dentro, da fragilidade da confiança que ela depositava naquele homem perigoso que amava. A noite avançava, e com ela, as sombras da desconfiança se adensavam, ameaçando consumir o amor que florescia entre balas.

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