Amor entre Balas III

Capítulo 20 — O Preço da Liberdade

por Mateus Cardoso

Capítulo 20 — O Preço da Liberdade

O nascer do sol tingia o céu de São Paulo com tons de laranja e rosa, um espetáculo de beleza efêmera que contrastava brutalmente com a escuridão que pairava sobre a vida de Dante. O armazém na zona portuária, palco da sua vingança final contra Angelo, agora era um crime scene, cercado por fitas amarelas e policiais uniformizados. Dante estava de volta ao apartamento, exausto, o ferimento no braço enfaixado por Isabella, mas com uma determinação renovada em seus olhos.

A morte de Angelo havia deixado um vácuo de poder, e Dante sabia que outros estariam ansiosos para preenchê-lo. A guerra não havia acabado; ela apenas mudara de forma. Ele precisava agir rápido, consolidar seu império e garantir a segurança de Isabella, antes que os inimigos do passado e do presente pudessem explorar a sua vulnerabilidade.

Isabella o observava, o coração apertado. Ela o amava com uma intensidade que a assustava, mas também o temia. A linha entre o homem que a amava e o homem que matava era tênue, e ela sentia que estava cada vez mais perto de cruzá-la. As palavras do bilhete, “Cuidado com quem você confia”, ainda ecoavam em sua mente.

“O que faremos agora, Dante?”, ela perguntou, a voz baixa e carregada de incerteza.

Dante a puxou para perto, seu olhar encontrando o dela. “Agora, Bella, nós vamos tirar tudo o que é nosso das sombras. Nós vamos legitimar tudo. Eu não quero mais essa vida. Eu quero uma vida com você, sem ter que olhar por cima do ombro a cada minuto.”

Um brilho de esperança surgiu em Isabella. A ideia de uma vida longe do perigo, uma vida normal ao lado de Dante, era tentadora. Mas ela sabia que não seria fácil. O mundo em que eles viviam não permitia saídas fáceis.

“Legitimar… como?”, ela perguntou, cética.

“Com o seu nome. Com a sua influência. Sua família construiu uma base sólida, Bella. Nós vamos expandir. Vamos criar algo limpo, algo que ninguém possa tocar. E eu vou me afastar de tudo isso. Eu vou te dar a vida que você merece.”

As palavras dele soaram como uma promessa, mas também como uma confissão. Dante estava disposto a abandonar seu império para ficar com ela. Era um sacrifício imenso, um ato de amor que a emocionou até as lágrimas.

“Mas você pode fazer isso?”, ela perguntou, a dúvida ainda presente. “Eles vão te deixar ir?”

“Eles terão que deixar”, Dante respondeu, com um toque de desafio em sua voz. “Ou então eu vou garantir que eles se arrependam.”

Naquele momento, o celular de Dante tocou. Era um número desconhecido. Ele atendeu, sua expressão mudando de determinação para uma fria cautela.

“Dante… quem é?”, Isabella perguntou, sentindo um arrepio.

“Um velho amigo”, ele respondeu, a voz tensa. “Ele diz que tem uma proposta para mim. Uma forma de sair de tudo isso. Em troca de… informações.”

O sangue de Isabella gelou. Informações. A polícia. A ameaça de ser entregue, de ser usada como moeda de troca, ressurgiu com força total.

“Informações sobre o quê?”, ela sussurrou.

Dante desligou o telefone, o rosto contraído em uma carranca. “Sobre mim. Sobre você. Sobre tudo o que fizemos.”

“Quem é ele, Dante?”, ela implorou.

Ele hesitou, o olhar desviando do dela. “Alguém que eu achei que fosse um aliado. Alguém que… me traiu.”

A desconfiança voltou com força total. Aquele “velho amigo” era o homem que havia enviado o bilhete? Era ele quem estava tentando separá-los? Ou era alguém de dentro da organização de Dante?

“Dante, você tem que me dizer!”, Isabella insistiu, a voz embargada pela angústia. “Eu preciso saber em quem confiar.”

Ele a olhou nos olhos, a dor e a frustração visíveis. “É complicado, Bella. Mas confie em mim. Eu não vou deixar que ninguém nos separe. Eu vou proteger você. Sempre.”

Ele a abraçou, mas Isabella não conseguiu relaxar completamente. A promessa de uma vida nova e limpa parecia distante, ofuscada pela sombra da traição que ainda pairava sobre eles.

Nos dias seguintes, Dante trabalhou incansavelmente. Ele usou seus contatos, sua inteligência e sua brutalidade para consolidar seu poder, neutralizando potenciais rivais e eliminando as ameaças que Angelo havia deixado para trás. Ele também começou a traçar os planos para a transição, movendo seus ativos para empresas legítimas, preparando o terreno para uma nova vida.

Isabella o observava, dividida entre o amor que sentia por ele e o medo do que ele era capaz. Ela sabia que ele a amava, que a queria fora desse mundo. Mas ela também sabia que o mundo do crime não liberava seus prisioneiros facilmente.

Uma noite, enquanto Dante estava fora, resolvendo os últimos detalhes, Isabella tomou uma decisão. Ela não podia mais viver com a incerteza. Ela precisava saber a verdade. Ela pegou o celular e discou o número do detetive Silva.

“Detetive Silva”, ela disse, a voz firme. “É Isabella Rossi. Eu quero falar sobre a invasão no meu apartamento. E sobre o Dante.”

Uma conversa tensa se seguiu. Isabella, com a voz trêmula, mas determinada, ofereceu um acordo. Ela forneceria informações sobre as operações de Dante, sobre seus contatos, sobre as atividades que ele estava tentando legitimar. Em troca, ela pedia proteção para si mesma e para Dante. Ela queria que eles pudessem desaparecer, começar uma nova vida, longe de tudo.

Silva, inicialmente cético, logo percebeu o valor da oferta. Isabella era a chave para desmantelar o império de Dante, para finalmente derrubar o homem que ele era para a polícia.

“Senhorita Rossi”, disse Silva, a voz fria e calculista. “Seu acordo tem condições. E a primeira delas é que você precisa nos dar provas. Provas irrefutáveis.”

Isabella assentiu, um nó na garganta. Ela sabia que estava prestes a cometer um ato de traição, mas acreditava que era a única maneira de garantir a liberdade para ela e para o homem que amava.

Quando Dante retornou, encontrou Isabella sentada à mesa, os olhos marejados, mas com uma determinação fria no rosto.

“O que aconteceu, Bella?”, ele perguntou, sentindo imediatamente que algo estava errado.

Ela olhou para ele, as lágrimas finalmente caindo. “Eu fiz o que eu tinha que fazer, Dante. Para que pudéssemos ter uma chance.”

Ele a olhou, confuso. “O que você quer dizer?”

“Eu… eu fiz um acordo com a polícia, Dante. Eu… eu vou entregá-los. Tudo. Em troca de liberdade.”

O choque tomou conta do rosto de Dante. A traição, vinda dela, era um golpe devastador. Ele a encarou, o olhar cheio de dor e incredulidade.

“Bella… por quê?”

“Eu não aguento mais, Dante!”, ela exclamou, a voz quebrada. “Esse mundo… ele está nos consumindo. Eu quero uma vida. Eu quero você… mas sem tudo isso. Eu quero paz.”

Dante deu um passo para trás, como se tivesse sido fisicamente atingido. A mulher que ele amava, a única pessoa em quem ele pensou que podia confiar cegamente, estava prestes a traí-lo.

“Você não entende, Bella”, ele disse, a voz baixa e rouca. “Esse é o nosso preço. Essa é a única forma de sobreviver.”

“Eu não quero mais sobreviver, Dante!”, ela gritou, as lágrimas escorrendo pelo rosto. “Eu quero viver!”

Ele a olhou por um longo momento, a dor em seus olhos substituída por uma resignação sombria. Ele havia prometido protegê-la, mas havia falhado. Ele havia se envolvido com ela, e agora, o preço da liberdade era a sua própria queda.

“Você fez a sua escolha, Bella”, ele disse, a voz desprovida de emoção. “E eu… eu tenho que fazer a minha.”

Ele se virou e caminhou em direção à porta, um homem quebrado, mas ainda perigoso. Isabella o observou partir, o coração em pedaços, sabendo que havia acabado. O amor entre eles, que floresceu entre balas e sangue, agora se desfazia em meio à amarga realidade da traição. O preço da liberdade, ela percebeu com uma dor insuportável, era a perda de tudo o que ela mais amava. E enquanto as sirenes se aproximavam, um prenúncio sombrio do fim, Isabella sabia que o futuro que ela tanto desejara, agora se transformara em um pesadelo, um labirinto de consequências onde o amor se perdera para sempre nas sombras da desconfiança.

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