Amor entre Balas III

Capítulo 24 — A Rede se Apertando

por Mateus Cardoso

Capítulo 24 — A Rede se Apertando

Os dias que se seguiram ao encontro com Dante foram um borrão de ansiedade e um aprendizado doloroso sobre a arte da dissimulação. Isabella se movia pela cidade com uma nova cautela, seus sentidos aguçados a cada ruído inesperado, a cada olhar prolongado. A visita de Sofia e as palavras de Dante haviam plantado uma semente de medo, mas também acenderam nela uma determinação férrea. Ela não seria uma vítima passiva.

Ela intensificou seus contatos, tentando obter informações sobre as movimentações das facções rivais e, mais especificamente, sobre qualquer sinal de atividade incomum ligada ao passado de Dante. Seus antigos contatos, aqueles que ainda lhe deviam favores ou que compartilhavam um respeito relutante por ela, responderam com mensagens evasivas e avisos velados. A atmosfera na cidade estava pesada, como a eletricidade antes de uma tempestade. Rumores sobre novas alianças e confrontos iminentes circulavam como fogo em palha seca.

Uma tarde, enquanto revisava alguns relatórios financeiros que Dante lhe havia pedido para analisar – uma tarefa que ela desempenhava com uma eficiência surpreendente, para a surpresa até de si mesma – um nome surgiu repetidamente em um contexto de transações obscuras e movimentações suspeitas. "O Sindicato das Sombras". Isabella não se lembrava de ter ouvido Dante mencionar esse nome especificamente, mas a natureza dos negócios associados a ele soava alarmantemente familiar. Era uma organização antiga, quase mítica no submundo, associada a antigas dívidas e a um código de honra brutal e obsoleto.

Ela sentiu um arrepio. Poderia ser essa a "velha guarda" que Dante mencionara? A ideia de que Dante estivesse lidando com inimigos que ele pensava estarem aposentados, ou mortos, era perturbadora. O perigo não vinha mais apenas do presente, mas de um passado que se recusava a permanecer enterrado.

Decidida a investigar, Isabella fez um contato discreto com um velho amigo de seu pai, um jornalista investigativo que, apesar de ter se afastado do submundo anos atrás, ainda mantinha uma rede de informantes valiosos. Ela sabia que era arriscado, mas a necessidade de entender o que estava acontecendo era mais forte do que o medo.

O jornalista, um homem chamado Ricardo, concordou em encontrá-la em um café discreto no centro da cidade. A conversa foi tensa, as palavras sussurradas em meio ao burburinho das mesas ao redor.

"O Sindicato das Sombras, Isabella?", Ricardo repetiu, os olhos estreitos. "Faz anos que não ouço falar deles. São um pessoal antigo, violento. Foram dizimados anos atrás, mas nunca completamente extintos. Diziam que os remanescentes se espalharam, se esconderam, esperando o momento certo."

"Eles estão voltando?", Isabella perguntou, a voz baixa.

Ricardo deu um gole em seu café. "Os boatos indicam isso. Algo está mexendo no ninho. Parece que eles estão tentando reconstruir a antiga glória, ou, quem sabe, se vingar daqueles que os derrubaram. E Dante... Dante é um nome que certamente estaria na lista de quem eles gostariam de ver cair."

A confirmação foi um golpe. "Como Dante se encaixa nisso?", ela insistiu.

"Seu pai, Isabella. Ele foi um dos responsáveis por enfraquecer o Sindicato anos atrás. Uma guerra longa e sangrenta. Dante, como herdeiro, carrega essa marca. Ele é um alvo natural." Ricardo a olhou com compaixão. "Você está em um perigo real, querida. Mais do que você imagina."

A conversa com Ricardo deixou Isabella ainda mais apreensiva, mas também lhe deu um senso de propósito. Ela precisava agir, não apenas para sua própria segurança, mas para a de Dante. Ela voltou para o apartamento, a mente fervilhando com novas informações e um plano incipiente. Se o Sindicato das Sombras era o inimigo, então ela precisava entender seus métodos, suas fraquezas.

Ela passou a noite revisando os documentos que Dante lhe havia deixado. Em meio a relatórios de negócios legítimos, ela encontrou anotações codificadas, listas de nomes e cifras financeiras que ela não conseguia decifrar completamente. Era um quebra-cabeça complexo, e ela sentia que estava apenas arranhando a superfície.

No dia seguinte, um novo mensageiro apareceu em sua porta. Desta vez, a mensagem era mais elaborada, contendo um mapa rudimentar de um antigo galpão abandonado na Zona Leste e um horário: a próxima madrugada. A assinatura era um símbolo que ela reconheceu dos arquivos de Dante – um falcão estilizado. Era Dante. Ele precisava de algo dela.

A incerteza a consumia. Ir significava se expor a um risco imenso. Ficar significava arriscar a confiança que Dante depositava nela. Ela sabia que ele não a convocaria a menos que fosse absolutamente necessário.

Enquanto o sol se punha, lançando longas sombras sobre a cidade, Isabella tomou sua decisão. Ela entraria em contato com Sofia. Se Dante estava em apuros, ele precisaria de todos os seus aliados. E Sofia, por mais enigmática que fosse, era uma dessas aliadas.

Ela encontrou Sofia em um bar discreto no centro da cidade, um lugar frequentado por figuras que preferiam a discrição. Sofia estava sentada em uma mesa no canto, um copo de uísque à sua frente, observando a entrada com a mesma intensidade fria de sempre.

"Sofia", Isabella disse, sentando-se à mesa. "Precisamos conversar."

Sofia a observou por um momento, um leve sorriso nos lábios. "Eu imaginei que você viria. Você é mais curiosa do que aparenta, Isabella."

"Dante está em perigo", Isabella foi direta. "Sofia, você sabe quem são 'O Sindicato das Sombras'? Eles estão voltando."

A menção do nome mudou a expressão de Sofia. A frieza em seus olhos deu lugar a um brilho perigoso. "O Sindicato... Eu não ouvia esse nome há muito tempo. Eles são uma praga. O que eles querem com Dante?"

Isabella explicou o que Ricardo lhe disse e a mensagem que recebeu de Dante. Sofia ouviu atentamente, sua postura tensa.

"Um galpão na Zona Leste...", Sofia murmurou, pensativa. "É um lugar estratégico. Se eles estão tentando atraí-lo para uma emboscada, será uma bem planejada."

"Dante confia em mim. Ele me pediu para ir", Isabella disse, a voz firme. "Eu preciso saber o que ele está tramando. E eu preciso que você esteja preparada."

Sofia deu um riso baixo. "Preparada? Isabella, eu sempre estou preparada. Se Dante precisa de ajuda, e você está no meio disso, então eu também estou." Ela olhou para Isabella com uma intensidade renovada. "Mas você precisa entender. Se esses velhos fantasmas estão de volta, o jogo mudou. Não é mais apenas sobre território ou dinheiro. É sobre vingança. E eles não vão parar por nada."

Ela pegou seu celular. "Dante me deu um canal de comunicação direto para emergências. Ele sabe que as coisas estão ficando feias. Se você for a esse galpão, me mantenha informada. E se algo der errado... eu vou cuidar de você."

A promessa de Sofia, embora carregada de uma frieza pragmática, trouxe um alívio inesperado para Isabella. Ela não estava sozinha nessa. A rede de Dante, por mais fragmentada que estivesse, ainda existia, e ela estava se tornando parte dela.

"Eu vou", Isabella confirmou, olhando para o relógio. A madrugada não tardaria. "Eu preciso ir. Ele está contando comigo."

Enquanto se levantava, Sofia a segurou pelo braço. "Isabella, você não é apenas a mulher de Dante. Você tem sua própria força. Use-a. E não confie em ninguém além de Dante e de mim. Os leões velhos são os mais perigosos quando estão acuados."

Isabella assentiu, a imagem dos leões velhos ecoando em sua mente. A noite seria longa, e o perigo era palpável. Mas ela iria ao encontro de Dante, armada com o conhecimento que adquirira e a certeza de que, mesmo nas sombras mais profundas, ela não estaria completamente sozinha.

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