Amor entre Balas III

Capítulo 6

por Mateus Cardoso

Com certeza! Prepare-se para o mergulho profundo na alma de "Amor entre Balas III", onde as paixões incendeiam e o perigo espreita em cada sombra. Mateus Cardoso apresenta os próximos cinco capítulos, tecendo a trama com a intensidade que só o coração brasileiro sabe pulsar.

Capítulo 6 — O Sussurro da Traição

A noite em São Paulo era um manto pesado e úmido, daqueles que grudam na pele e prometem um amanhecer incerto. No apartamento luxuoso, de onde se avistava a metrópole cintilante como um mar de estrelas caídas, Sofia sentia-se mais solitária do que nunca. A taça de vinho tinto, esquecida na mesinha de centro, refletia a luz fraca do abajur, pintando um borrão rubro em seus olhos marejados. As palavras de Ricardo ecoavam em sua mente, cada uma delas como um chicote invisível marcando sua alma. “Você é a única coisa que me resta, Sofia. A única verdade nesse mundo de mentiras.” Uma verdade dita por um homem que vivia em um labirinto de segredos, um labirinto que agora parecia engolir sua própria existência.

Ela se levantou, os pés descalços deslizando pelo tapete persa. A silhueta de seu corpo, delineada pela luz do luar que invadia pela janela, era a de uma guerreira cansada. A luta para manter a sanidade, para conciliar o amor avassalador que sentia por Ricardo com a realidade brutal de sua vida, estava cobrando um preço alto. Cada beijo roubado, cada toque furtivo, cada promessa sussurrada no escuro era uma batalha ganha contra o destino que parecia querer separá-los. Mas e se a maior ameaça viesse de dentro? E se as mentiras que envolviam Ricardo fossem mais perigosas do que ela imaginava?

O telefone tocou, um som estridente que a fez sobressaltar. O visor exibia um número desconhecido. Hesitou, o coração disparado no peito como um pássaro aprisionado. Quem poderia ser a essa hora? Com a mão trêmula, atendeu.

"Alô?", a voz soou rouca, um fio de esperança misturado a um medo ancestral.

Do outro lado, uma voz masculina, baixa e carregada de uma urgência velada. "Senhora Sofia. Precisamos falar com a senhora. É sobre o senhor Ricardo."

Um arrepio percorreu sua espinha. "Quem é você? O que quer?"

"Meu nome não importa agora. O que importa é que o senhor Ricardo está em perigo. Um perigo que ele não pode controlar sozinho." A voz fez uma pausa, como se calculasse cada palavra. "E tem mais. Alguém dentro da organização está passando informações. Alguém muito próximo dele."

Sofia sentiu o chão sumir sob seus pés. Traição. A palavra, em sua forma mais crua e devastadora, ecoou em sua mente. "Isso é impossível. Ricardo confia em poucas pessoas."

"E é por isso que é tão perigoso, senhora. O inimigo está onde menos se espera. Precisamos que a senhora nos ajude a protegê-lo. Mas para isso, precisaremos de sua total discrição. E sua coragem."

O convite era tentador e aterrorizante. Mergulhar ainda mais fundo no submundo de Ricardo? Mas a alternativa era vê-lo destruído, possivelmente por aqueles que ele mais confiava. O dilema a dilacerava. A lealdade, o amor, o instinto de proteção… tudo a empurrava para aceitar.

"Onde nos encontramos?", perguntou, a voz firme apesar do turbilhão interno.

"Em dez minutos. No Café Brasil, na Avenida Paulista. A mesa perto da janela. Estarei esperando." A ligação foi encerrada.

Sofia vestiu um vestido preto simples, mas elegante, e calçou os sapatos de salto alto. Em frente ao espelho, observou seu reflexo. Não era mais a jovem ingênua que se apaixonara por um homem de mistérios. Era uma mulher que, por amor, estava disposta a enfrentar as sombras. Saiu do apartamento, o ar da noite agora parecendo mais denso, carregado de presságios. A Avenida Paulista, sempre vibrante, parecia estranhamente silenciosa em sua mente. Cada passo a levava para um território desconhecido, onde a confiança era uma moeda rara e a traição, uma arma afiada.

Chegou ao Café Brasil. O lugar exalava um aroma acolhedor de café e pão fresco, um contraste gritante com a escuridão que a envolvia. Localizou o homem sentado na mesa indicada. Era um homem de meia-idade, com um rosto marcado por rugas de preocupação e olhos profundos que pareciam ter visto demais. Ele a observou com uma intensidade discreta.

"Senhora Sofia?", ele perguntou, a voz um sussurro rouco.

"Sim. E o senhor é…?"

"Chame-me de Elias. Eu trabalho com Ricardo há muitos anos. De certa forma, sou um guardião de seus segredos, e agora, de sua vida." Ele fez um gesto para que ela se sentasse. "Obrigado por vir."

"Eu não podia deixar de vir", ela respondeu, sentando-se em frente a ele. "O que está acontecendo?"

Elias suspirou, o som ecoando a fadiga de seu semblante. "A situação está ficando insustentável, Sofia. Ricardo fez muitos inimigos ao longo dos anos. Alguns que ele pensava ter deixado para trás voltaram com sede de vingança. E a pior parte é que temos um rato em nossa própria casa."

"Quem?", ela perguntou, a voz tensa.

"Não temos certeza absoluta ainda. Mas os indícios apontam para alguém muito perto. Alguém que tem acesso irrestrito aos planos, aos movimentos. As últimas operações… elas falharam de formas que só poderiam ter sido planejadas por alguém de dentro." Elias a encarou. "Eles estão mirando em Ricardo. Tentaram um atentado há duas semanas, mas foi evitado no último minuto. Agora, eles querem algo mais pessoal. Querem atingi-lo onde dói mais."

O olhar de Elias pousou em Sofia. Um calafrio percorreu seu corpo. "Vocês acham que…?"

"Precisamos ter certeza de que você está segura. E que você pode ser uma aliada confiável. Ricardo confia em você, e isso é um ponto fraco para ele. Eles sabem disso." Elias tomou um gole de seu café. "Temos um plano. Uma forma de expor o traidor e, ao mesmo tempo, preparar uma armadilha para quem está orquestrando tudo isso de fora. Mas para isso, preciso de sua participação."

A ideia de se tornar uma peça em um jogo tão perigoso era avassaladora. Mas a imagem de Ricardo, exposto e vulnerável, a impulsionava. Ela era o porto seguro dele, a única coisa que o mantinha ancorado à humanidade. Se ela não lutasse por ele, quem o faria?

"Eu farei o que for preciso", disse ela, a convicção em sua voz crescendo a cada palavra. "Diga-me o que devo fazer."

Elias sorriu fracamente, um lampejo de esperança em seus olhos cansados. "Sua coragem me impressiona, Sofia. Agora, escute com atenção. Temos que ser muito cuidadosos. O traidor pode estar nos observando agora mesmo." Ele baixou a voz, começando a delinear o plano que os levaria para o coração da escuridão, onde o amor e a lealdade seriam testados até o limite.

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