Amor entre Balas III

Capítulo 7 — O Jogo de Sombras

por Mateus Cardoso

Capítulo 7 — O Jogo de Sombras

O plano de Elias era audacioso, tecido com fios de astúcia e um profundo conhecimento do submundo. Sofia seria a isca, a peça central em um jogo de xadrez onde os peões eram vidas e o rei, a segurança de Ricardo. Nos dias que se seguiram, a rotina de Sofia se transformou. As saídas noturnas com amigas foram substituídas por encontros discretos com Elias, em locais ermos e seguros. Ele a instruía, ensinando-a a observar, a memorizar detalhes, a identificar padrões que antes passariam despercebidos.

"Eles querem te usar, Sofia", Elias explicava, a voz um murmúrio sério em um galpão abandonado na Zona Leste. "Querem se aproximar de Ricardo através de você. Mas nós vamos virar o jogo. Vamos fazê-los acreditar que você está do lado deles, ou que pode ser manipulada. E enquanto eles se preparam para o bote, nós montaremos a nossa armadilha."

Sofia ouvia atentamente, absorvendo cada instrução. A adrenalina corria em suas veias, um misto de medo e excitação. Ela sabia que estava entrando em um território perigoso, mas a ideia de proteger Ricardo, de desmascarar o traidor que ameaçava tudo o que amava, a impulsionava. A cada dia, sentia-se mais forte, mais capaz de navegar pelas águas turbulentas que a cercavam.

Um dia, Elias a chamou com urgência. "O momento chegou. Ricardo vai iniciar a próxima operação amanhã à noite. É a nossa chance. Precisamos que você plante a informação falsa que combinamos."

O plano era simples, mas arriscado. Sofia deveria "vazar" para alguém que Elias havia identificado como um provável intermediário do traidor, uma informação sobre um carregamento de diamantes que seria transportado por uma rota específica. Essa rota, na verdade, estaria completamente desprotegida, atraindo os inimigos para uma emboscada. Enquanto isso, o verdadeiro carregamento seria desviado para outro local, seguro.

Naquela noite, Sofia se preparou. Vestiu um vestido elegante, sentindo o peso do véu de seda sobre o rosto, um símbolo do disfarce que estava prestes a assumir. Ela encontrou o intermediário em um bar badalado nos Jardins, um lugar onde a ostentação e os segredos se misturavam. O homem, de nome desconhecido para ela, era charmoso e escorregadio, um predador social que se movia com desenvoltura entre a elite.

"Sofia, que surpresa te encontrar aqui!", ele disse, um sorriso que não alcançava os olhos. "Não sabia que você frequentava esses lugares."

"Às vezes, sinto a necessidade de sair da minha bolha", ela respondeu, o tom leve, mas o coração martelando. "E você, sempre nos mesmos lugares, não é mesmo?"

Eles conversaram, com Sofia cuidadosamente guiando a conversa. Ela o seduziu com um misto de fascínio e vulnerabilidade, fazendo-o acreditar que estava compartilhando um segredo valioso.

"Tenho uma informação… algo que pode ser do seu interesse", ela disse, baixando a voz. "Um carregamento de diamantes. Muito valioso. Saindo amanhã à noite. Uma rota específica… pela Marginal Pinheiros, sentido Dutra. Seus amigos poderiam se interessar."

O homem a olhou com atenção, um brilho de ganância em seus olhos. "Diamantes, você diz? E por que você me contaria isso, Sofia?"

"Porque às vezes, todos nós precisamos de uma ajudinha, não é mesmo?", ela respondeu, com um sorriso enigmático. "E porque… eu confio em você."

A mentira era amarga, mas necessária. O homem sorriu, satisfeito. "Você é muito gentil, Sofia. Eu cuidarei disso. Tenha uma boa noite."

Sofia o deixou, sentindo um alívio misturado a um medo crescente. Ela havia cumprido sua parte. Agora, era esperar.

No dia seguinte, a tensão pairava no ar como uma nuvem carregada. Ricardo estava inquieto, sua aura de perigo habitual parecia mais sombria. Sofia o encontrou em seu escritório, o cheiro de couro e pólvora impregnado no ambiente.

"Está tudo pronto?", Ricardo perguntou, os olhos fixos nela.

Sofia assentiu. "A informação foi passada. Elias está monitorando tudo. A armadilha está montada."

Ricardo se aproximou dela, a mão acariciando seu rosto. "Você é a minha fortaleza, Sofia. A única que me mantém de pé." Ele a puxou para um abraço apertado, um gesto de vulnerabilidade que a fez sentir um aperto no peito. "Espero que isso tudo acabe logo."

Naquela noite, o plano se desenrolou como o previsto. A polícia, agindo sob o comando de Elias, interceptou o carro que transportava os diamantes na rota falsa. Houve um tiroteio, rápido e brutal. Os supostos criminosos foram detidos, mas não sem antes revelarem que haviam sido atraídos por uma "dica" anônima. O traidor havia caído na primeira parte da armadilha.

Mas Elias sabia que o verdadeiro cérebro ainda estava à espreita. A segunda fase do plano era ainda mais arriscada. Sofia seria o alvo. Eles precisavam atrair o mandante para um confronto direto, onde ele seria exposto e capturado.

Dias depois, um pacote chegou ao apartamento de Sofia. Era um presente anônimo: uma linda caixa de joias, com um bilhete simples: "Para a minha joia mais preciosa." Dentro, um colar de diamantes deslumbrante.

Elias a observou, a preocupação gravada em seu rosto. "Isso não é um presente, Sofia. É um convite. Eles sabem que você está trabalhando contra eles. Querem te atrair para um lugar onde possam te controlar. E eles acreditam que é através do Ricardo."

O bilhete, Elias notou, tinha um perfume sutil, um aroma que ele reconheceu como sendo usado por um dos homens mais perigosos da organização rival, um sujeito conhecido como "O Fantasma". Era ele quem orquestrava o ataque a Ricardo, e agora, ele estava se expondo.

"Precisamos que você aja como se estivesse caindo na isca", disse Elias. "Abrace o presente. Mostre a todos que você está nervosa, mas confiante de que Ricardo te protegerá. E então, nós o atrairemos para a armadilha final."

Sofia pegou o colar, a frieza do metal contrastando com o calor de sua pele. Ela sabia que cada passo dali em diante era um passo em direção ao abismo. Mas ela não era mais a mesma mulher. O amor por Ricardo a havia transformado em uma guerreira, disposta a enfrentar as sombras mais profundas para protegê-lo. Ela se olhou no espelho, o colar reluzindo em seu pescoço. Seus olhos, antes cheios de dúvida, agora brilhavam com uma determinação feroz. O jogo de sombras havia começado, e ela estava pronta para jogar.

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