Seduzida pelo Perigo II

Seduzida pelo Perigo II

por Rodrigo Azevedo

Seduzida pelo Perigo II

Autor: Rodrigo Azevedo

---

Capítulo 1 — O Sussurro da Sombra na Noite Carioca

O calor úmido do Rio de Janeiro abraçava a pele de Isabella como um amante possessivo, um convite molhado à melancolia que parecia ter se instalado em sua alma desde a última vez que viu o brilho perigoso nos olhos de Dante. O apartamento luxuoso em Ipanema, com sua vista deslumbrante para o mar que agora parecia um espelho quebrado de suas esperanças, era um lembrete constante da vida que ela tinha e da vida que a havia engolido. As cortinas pesadas e escuras, escolhidas para criar um refúgio de paz, agora pareciam mais uma prisão de luxo, ecoando o silêncio ensurdecedor deixado pela partida de Dante.

Ela girou o copo de vinho tinto em sua mão, observando o líquido rubro dançar, um reflexo pálido da paixão que a consumiu e a deixou em ruínas. Já se passara um ano. Um ano de noites insones, de olhares furtivos em multidões, de um coração que, apesar de tudo, ainda palpitava com a memória do toque dele. Um ano tentando reconstruir os fragmentos de si mesma, jogados ao vento pela tempestade que foi o romance com o capo da Camorra, Dante Moretti.

O peso do silêncio era quase insuportável. O som distante das ondas, que antes a acalmava, agora parecia um lamento eterno, um eco do grito que ela havia contido quando ele se afastou, desaparecendo da sua vida tão abruptamente quanto havia entrado nela. Ele a havia tirado de um mundo de sombras e a introduzido em outro, ainda mais obscuro e perigoso, mas sob o véu de uma proteção feroz. E agora, ela estava sozinha.

Isabella era uma mulher de contrastes, uma força da natureza disfarçada em elegância e sofisticação. Aos trinta anos, a advogada de sucesso, conhecida por sua inteligência afiada e determinação inabalável, nunca havia se permitido cair. Mas Dante… Dante havia quebrado suas barreiras, desvendado seus medos e despertado desejos que ela nem sabia que possuía. Ele a seduziu com o perigo, com a promessa de um mundo onde a paixão era a única lei, e a lealdade, a única moeda.

Um tremor percorreu seu corpo. A memória do último encontro deles era vívida, quase dolorosa. A tensão no ar, as palavras cruas, o beijo que prometia um futuro incerto. Ele a deixou com um ultimato, uma escolha impossível, e ela, em sua teimosia e medo, optou pela segurança. Uma escolha que a assombrava a cada amanhecer.

Ela se levantou, caminhando até a varanda, a brisa marinha beijando seu rosto. As luzes da cidade cintilavam como diamantes espalhados sobre um veludo negro, um espetáculo que ela costumava apreciar com Dante ao seu lado, compartilhando o vinho e sussurros em italiano. Agora, era apenas um lembrete doloroso do vazio.

“Por que, Dante?”, murmurou para a noite, a voz embargada. “Por que me deixou com essa saudade?”

De repente, um som inusitado quebrou a monotonia da noite. Um chiado discreto vindo da fechadura eletrônica da porta de entrada. Isabella congelou. Ninguém tinha a chave, nem mesmo a portaria sabia de sua presença naquele momento. Seu coração acelerou, o instinto de sobrevivência, adormecido pela rotina segura, despertou com violência.

Ela se moveu com a agilidade que anos de prática forense haviam lapidado, pegando o pesado castiçal de bronze que ficava sobre uma mesa lateral. Seus olhos, antes perdidos na melancolia, agora estavam focados, determinados. Cada músculo de seu corpo estava tenso, pronto para a ação.

A porta se abriu lentamente, revelando uma silhueta alta e imponente. A escuridão da noite parecia se curvar à sua presença. Isabella prendeu a respiração. Não era um ladrão comum. A forma como ele se movia, com uma confiança silenciosa e ameaçadora, gritava poder.

“Isabella…”

A voz. A voz que ecoava em seus sonhos, grave e com um sotaque italiano inconfundível, fez o sangue gelar em suas veias. Dante. Ele estava ali.

O castiçal tremeu em sua mão, mas ela não o baixou. O perigo que ela tentou tanto fugir havia retornado, mais potente e avassalador do que nunca. A sombra que ele projetava na parede parecia engolir a luz, um prenúncio de que a noite estava apenas começando, e que o perigo, mais uma vez, estava batendo à sua porta, seduzindo-a com a intensidade de um vulcão prestes a entrar em erupção.

Dante deu um passo para dentro do apartamento, e a luz fraca do corredor iluminou seu rosto. As linhas de expressão mais marcadas, os olhos escuros e intensos que pareciam carregar o peso de todos os segredos do mundo, a mandíbula firme. Ele estava mais perigoso, mais atraente, mais… Dante.

“O que… o que você está fazendo aqui?”, Isabella conseguiu articular, a voz mais trêmula do que gostaria.

Ele fechou a porta com um clique suave, o som reverberando no silêncio tenso. Seus olhos percorreram o apartamento, avaliando, como se medisse o espaço que ela havia construído em sua ausência.

“Você me deixou com um ultimato, Isabella”, disse ele, a voz baixa, carregada de uma emoção que ela não conseguia decifrar. Era raiva? Desapontamento? Ou algo mais profundo? “Eu o respeitei. Mas agora, as circunstâncias mudaram.”

“Circunstâncias? Dante, você não pode simplesmente aparecer aqui depois de um ano!”

Ele deu mais um passo em sua direção, e Isabella recuou instintivamente, o castiçal ainda erguido. O cheiro dele, uma mistura inebriante de couro, especiarias e a ameaça latente que o cercava, invadiu seus sentidos.

“Posso. E eu apareci”, respondeu ele, um leve sorriso cruel brincando em seus lábios. “Você acha que pode simplesmente apagar um homem como eu da sua vida, Isabella? Você se engana. Eu sou o perigo. E você, meu bem, está irremediavelmente seduzida por ele.”

O ar entre eles vibrava com uma eletricidade antiga, uma tensão sexual e perigosa que desafiava o tempo e a distância. Isabella sabia, no fundo de sua alma, que aquele reencontro não seria um simples acaso. Era o destino, com seu senso de humor cruel, jogando mais uma vez com suas vidas. E ela, apesar de todo o medo e a sabedoria adquirida, sentia-se novamente atraída pela escuridão, pela promessa de um amor que ardia tão forte quanto o perigo que o rodeava.

---

Capítulo 2 — A Fagulha Reacendida em Meio às Cinzas

O silêncio que se seguiu às palavras de Dante era espesso, carregado de anos de mágoas não ditas e de um desejo reprimido que ameaçava romper as barreiras do decoro. Isabella o encarava, o castiçal ainda firme em sua mão, uma arma patética contra a aura de poder que emanava dele. Um ano. Um ano em que ela tentou se convencer de que havia feito a escolha certa, de que se afastara do abismo. Mas a visão dele, a voz dele, o cheiro dele, tudo a desmentia.

“Eu não estou seduzida por nada, Dante. Eu me afastei. Eu escolhi a minha vida.” A voz de Isabella soou mais firme do que ela esperava, uma mistura de desafio e um tremor que ela esperava que ele não notasse.

Ele riu, um som rouco que não chegava aos olhos. “Você escolheu a solidão, Isabella. E eu vi você. Vi seus olhos vazios olhando o mar. Vi a luta em você. E eu sei que você sente falta do fogo que eu acendi.” Ele deu um passo mais perto, e o espaço entre eles diminuiu perigosamente. A cada movimento dele, Isabella sentia a pele arrepiar, um misto de pavor e uma excitação proibida.

“Você está errado”, mentiu ela, a respiração ficando mais curta. Ela podia sentir o calor que emanava dele, a força bruta contida. Era como estar perto de um vulcão adormecido, sabendo que um tremor poderia desencadear a erupção.

“Será?”, ele sussurrou, agora a centímetros de distância. Seus olhos escuros a perscrutavam, buscando qualquer sinal de fraqueza. “Você se lembra, Isabella? Você se lembra de como eu te toquei? De como eu te fiz sentir viva? De como o mundo ao seu redor desaparecia quando estávamos juntos?”

Cada palavra dele era um golpe certeiro em suas defesas. Ela se lembrava. Oh, como ela se lembrava. O toque dele em sua pele, os beijos que roubavam o fôlego, a maneira como ele a fazia se sentir a única mulher no mundo, desejada e protegida ao mesmo tempo. Era um veneno doce, e ela sabia que estava sendo envenenada novamente.

“Isso não importa mais”, disse ela, tentando firmar a voz. “O que importa é que você foi embora. Você me deixou. E eu segui em frente.”

“Seguiu em frente?”, ele repetiu, a voz adquirindo um tom perigoso. Ele ergueu uma mão, e Isabella se encolheu, esperando um golpe, mas ele apenas tocou o lado do seu rosto, o polegar acariciando sua bochecha. O toque era leve, mas eletrizante, enviando ondas de calor por todo o seu corpo. “Você tem as marcas, Isabella. As cicatrizes que eu deixei. E você as esconde sob essa fachada de normalidade.”

As pontas dos dedos dele traçaram a linha de sua mandíbula, e ela fechou os olhos por um instante, perdida na sensação. Ele sabia exatamente como tocá-la, como desarmá-la com um simples gesto.

“Por que você voltou, Dante?”, ela perguntou novamente, a voz quase um sussurro. “O que você quer?”

“Eu quero o que é meu, Isabella”, respondeu ele, a voz grave e intensa. “E você é minha. Eu te disse isso antes. E nada mudou.”

O toque dele se intensificou, o polegar agora pressionando suavemente seu lábio inferior. Isabella abriu os olhos, encontrando o olhar dele, escuro e profundo como a noite. Havia uma promessa ali, uma ameaça e um desejo que a consumia.

“Você não pode me possuir, Dante. Eu não sou sua.”

“Ah, você é”, ele afirmou com convicção, aproximando o rosto do dela. O aroma dele a embriagava. “Você foi criada para mim. E eu fui criado para você. Somos um erro perfeito, Isabella. E os erros, meu amor, são os mais difíceis de apagar.”

O olhar dele desceu para os lábios dela, e Isabella sentiu o pulso acelerar ainda mais. Ela sabia o que viria a seguir. Sabia que estava prestes a cometer o mesmo erro, a cair na mesma armadilha sedutora. Mas a resistência em seu corpo parecia ter desaparecido, substituída por uma rendição involuntária.

Ele se inclinou e a beijou. Não foi um beijo gentil, mas sim uma possessão, uma reivindicação. A boca dele era quente e exigente, explorando a dela com a familiaridade de quem conhece cada contorno, cada curva. Aquele beijo, que ela havia tentado esquecer, voltou com toda a sua força, apagando um ano de dor e solidão, mas reacendendo a chama do perigo que a cercava.

As mãos dela, que antes seguravam o castiçal com firmeza, agora se soltaram. Uma delas subiu para o pescoço dele, sentindo a força por trás da pele. A outra se agarrou ao seu peito, sentindo o coração batendo forte sob o tecido caro de sua camisa. Ela se rendeu, não apenas ao beijo, mas à lembrança do que eles eram, do que eles poderiam ser.

O mundo exterior, com suas luzes e sons, desapareceu. Existia apenas o calor dos seus corpos, o gosto um do outro, a promessa de um amor que era tão destrutivo quanto apaixonante. As mãos dele desceram para a cintura dela, apertando-a contra si, e Isabella gemeu em seus lábios, a resistência finalmente cedendo ao desejo avassalador.

Ele a ergueu sem esforço, e Isabella envolveu as pernas em sua cintura, correspondendo à intensidade do beijo. O apartamento luxuoso, o palco de sua solidão recente, agora se transformava no cenário de sua mais nova rendição. As cinzas de um amor perdido estavam sendo sopradas, e uma nova fagulha, ardente e perigosa, acendia-se no escuro.

Dante a carregou para o quarto, sem nunca quebrar o contato de seus lábios. Cada toque, cada beijo, era uma declaração de posse, uma reafirmação de que ele não a havia deixado, apenas se afastado temporariamente. E Isabella, em sua fraqueza e em sua força, permitia que ele a reivindicasse.

Ao chegarem ao quarto, ele a depositou suavemente na cama, os olhos escuros nunca deixando os dela. A respiração ofegante de ambos preenchia o silêncio. Ele passou os dedos pelo cabelo dela, afastando os fios que haviam caído sobre seu rosto.

“Você é linda, Isabella. Ainda mais linda do que eu me lembrava.” A voz dele era um sussurro rouco, carregado de admiração e possessividade.

Ela sorriu levemente, um sorriso tingido de tristeza e antecipação. “Você também não mudou, Dante. Continua perigoso.”

“E você continua a me querer, apesar de tudo”, ele disse, inclinando-se novamente para beijá-la. Desta vez, o beijo era mais terno, mas não menos intenso. Era um beijo de reencontro, de saudade, de um amor que, apesar de tudo, se recusava a morrer.

Ele começou a despir as peças de roupa dela com uma lentidão torturante, cada movimento deliberado, cada toque uma promessa. Isabella observava cada gesto, sentindo a excitação aumentar. O perigo que ele representava era real, mas naquele momento, era secundário ao desejo que a consumia. Ela estava entregue, completamente envolvida pela tempestade que era Dante Moretti.

A noite prometia ser longa, e a fagulha reacendida em meio às cinzas do passado ameaçava incendiar tudo o que ela havia tentado reconstruir. E pela primeira vez em um ano, Isabella não se importava. Ela estava de volta ao epicentro do furacão, e estava disposta a deixar-se ser levada.

---

Capítulo 3 — Fantasmas do Passado e Promessas Sombrias

O nascer do sol tentava romper as nuvens de chuva que se formavam sobre o Rio de Janeiro, mas o céu de Ipanema mantinha um tom cinzento e melancólico, um reflexo perfeito do estado de espírito de Isabella. Ao seu lado, Dante dormia, a respiração calma e profunda, um contraste gritante com a tempestade que havia se abatido sobre ela na noite anterior.

Ela se afastou com cuidado, tentando não acordá-lo. Cada músculo doía, não de cansaço, mas de uma intensidade que ela há muito não experimentava. O reaparecimento de Dante não era apenas um choque; era uma catástrofe cuidadosamente embalada em desejo e paixão. Ela havia prometido a si mesma que ele seria apenas uma lembrança, uma cicatriz. Mas agora, ele estava ali, respirando o mesmo ar que ela, seu corpo entrelaçado ao dela em uma memória recente e inesquecível.

Olhou para ele, a luz fraca do amanhecer revelando as linhas fortes de seu rosto. As sombras sob seus olhos eram mais profundas, os lábios ainda marcados pela intensidade da noite. Ele era um enigma, um homem que caminhava na linha tênue entre o amor e a destruição, e ela havia caído novamente em sua teia.

A culpa a atingiu como um soco no estômago. O que ela tinha feito? Ela era uma advogada, uma mulher inteligente e responsável. Como pôde se deixar levar tão facilmente, esquecendo os perigos, as consequências? A última vez, ela havia se convencido de que era a única maneira de sobreviver. Desta vez, ela não tinha desculpas.

Ela se levantou da cama, pegando um roupão de seda que Dante havia trazido consigo, um detalhe que a perturbou mais do que deveria. A familiaridade dele em seu espaço era invasiva, como se ele nunca tivesse partido. Caminhou até a cozinha, a mente em turbilhão. O que ele queria? Por que ele havia voltado depois de um ano de silêncio absoluto?

O som de passos a fez virar bruscamente. Dante estava ali, envolto apenas pela escuridão de sua pele, o olhar fixo nela. Havia uma intensidade que a fez sentir-se nua, mesmo sob o roupão.

“Bom dia”, ele disse, a voz ainda rouca do sono. Ele se aproximou dela, parando a uma distância respeitosa, mas carregada de tensão.

“Bom dia”, respondeu Isabella, a voz ainda um pouco trêmula. Ela tentou manter a compostura, a advogada fria e calculista que ela costumava ser.

“Você parece perturbada.”

“Estou. Dante, você não pode simplesmente aparecer na minha vida assim, depois de tudo.”

Ele deu um passo mais perto, o olhar escuro e penetrante. “Eu não apareci ‘assim’. Eu voltei. E você sabe por quê.”

Ela desviou o olhar, encarando a janela. “Eu não sei. E mesmo que soubesse, eu não quero mais isso. Eu escolhi um caminho diferente.”

“Você escolheu o caminho mais solitário, Isabella. E não é o seu caminho.” Ele estendeu a mão e tocou seu rosto, o polegar acariciando sua pele. “Eu sei que você me quer. Eu senti isso na noite passada. Eu senti em você a mesma coisa que eu sinto em mim.”

Ela não podia negar. A verdade era que, apesar de toda a razão lhe gritar que se afastasse, seu corpo, sua alma, ansiavam por ele. A paixão que ele despertava era avassaladora, um vulcão que ela não conseguia mais conter.

“O que você quer, Dante?”, ela perguntou novamente, a voz embargada. “O que te trouxe de volta?”

Ele suspirou, e um rastro de melancolia cruzou seus olhos. “As coisas mudaram, Isabella. O mundo em que eu vivo está mais perigoso do que nunca. E eu não posso mais mantê-la completamente afastada dele. Eu preciso saber que você está segura.”

“Segura? Você é o perigo, Dante!”

“Eu sou o homem que vai protegê-la desse perigo”, ele corrigiu, a voz firme e inabalável. “Você se lembra do que eu te disse? Que eu te protegeria de tudo. E eu vou cumprir essa promessa. Mesmo que isso signifique trazê-la para mais perto de mim, para mais perto do meu mundo.”

Uma onda de pavor a atingiu. Estar perto dele significava estar perto da máfia, das intrigas, da violência. Ela havia escapado de tudo isso. Ela havia escolhido uma vida normal, uma vida onde o maior perigo era um caso perdido no tribunal.

“Eu não quero mais esse mundo, Dante.”

“Mas esse mundo, Isabella, quer você. Você tem um nome, um passado que te liga a certas pessoas. E agora, eles a veem como um elo fraco. Eu não posso permitir que isso aconteça.”

Ela o encarou, confusa. “Que pessoas? Que elo fraco?”

Ele hesitou por um momento, como se ponderasse o quanto podia revelar. “O seu pai, Isabella. O passado dele está voltando para assombrá-lo. E, por extensão, está voltando para assombrá-la.”

O nome do pai a atingiu como um raio. Um homem que ela mal conhecia, um homem que a havia abandonado anos atrás, deixando-a à mercê de sua mãe controladora e de um futuro incerto. O que o passado dele tinha a ver com Dante e com a máfia?

“Meu pai? O que ele tem a ver com você?”

Dante se aproximou, pegando as mãos dela nas suas. Seus olhos escuros eram sérios, e a paixão de antes dava lugar a uma determinação fria. “Seu pai fez negócios com pessoas perigosas, Isabella. Negócios que ele nunca deveria ter feito. E agora, essas pessoas estão cobrando o que lhes é devido. E elas sabem que você existe.”

A verdade a atingiu com força. A vida pacata que ela buscava estava prestes a ser invadida por fantasmas de um passado que ela havia tentado enterrar. E Dante, o homem que a havia seduzido e depois abandonado, era agora sua única esperança de proteção.

“Eu não entendo. Por que você me contaria isso? Por que se importar?”

“Porque você me pertence, Isabella”, ele disse, a voz baixa e intensa. “E ninguém, nem mesmo os demônios do passado do seu pai, vão tirar o que é meu.”

Ele a puxou para perto, o corpo dele um refúgio seguro e perigoso ao mesmo tempo. Ela podia sentir a força em seus braços, a promessa de proteção, mas também a inevitabilidade de se perder nele novamente.

“Eu não sou sua, Dante.”

“Você está errada”, ele sussurrou em seu ouvido, o hálito quente em sua pele. “Você sempre foi minha. E agora, mais do que nunca, você precisa de mim. E eu preciso de você.”

A conversa pairava no ar, carregada de ameaças veladas e promessas sombrias. A noite de paixão havia sido apenas o prelúdio para um drama muito maior. Isabella sentiu um aperto no peito. Ela estava presa entre o desejo de fugir e a necessidade de se agarrar ao único homem que parecia capaz de protegê-la.

“Eu não posso. Eu não posso voltar para o seu mundo, Dante.”

“Você não tem escolha”, ele disse, o tom firme. “Mas eu estarei ao seu lado. E juntos, vamos lidar com isso. Juntos, vamos sobreviver.”

Ele a beijou novamente, mas desta vez, o beijo não era apenas de desejo, era uma promessa, um juramento de proteção. Um juramento selado com a sombra do perigo que agora pairava sobre suas vidas.

Os fantasmas do passado haviam retornado, e Isabella sabia, com uma certeza aterradora, que sua vida, a vida que ela tentou reconstruir, jamais seria a mesma. E a única coisa que ela podia fazer era confiar no homem que a havia seduzido com o perigo, e agora, a chamava de volta para ele em nome da sobrevivência.

---

Capítulo 4 — A Rede de Sombras e a Conexão Inesperada

O cheiro de café fresco pairava no ar, um aroma reconfortante em meio à tempestade que se formava na vida de Isabella. Sentada à mesa da cozinha, ela observava Dante, que preparava o café com a mesma eficiência calculista que demonstrava em todas as suas ações. O reencontro havia sido devastadoramente avassalador, mas a conversa que se seguiu revelou uma realidade ainda mais sombria. O passado de seu pai, um homem que ela mal conhecia, estava se entrelaçando com o mundo perigoso de Dante, ameaçando engolir a vida que ela havia tentado construir.

“Então, você está dizendo que meu pai fez negócios com pessoas que agora querem me usar como uma arma contra você?”, Isabella perguntou, a voz ainda carregada de incredulidade.

Dante virou-se, segurando duas canecas fumegantes. Ele lhe entregou uma, o toque de seus dedos enviando um arrepio familiar por sua espinha. “Não exatamente uma arma. Mais como um peão. Ou uma moeda de troca. Eles sabem que eu me importo com você. E se eles não podem me atingir diretamente, eles vão tentar atingir você.”

Ela tomou um gole do café, o calor reconfortante, mas incapaz de afastar o frio que se instalara em seu peito. “E quem são ‘eles’?”

Ele sentou-se à sua frente, o olhar intenso e preocupado. “Um grupo que está ganhando força em Nápoles. Eles se chamam ‘La Mano Nera’. A Mão Negra. Eles são implacáveis e não têm escrúpulos. Seu pai, em sua ingenuidade ou desespero, se envolveu com eles há anos. Eles o ajudaram com algo que ele precisava, e ele prometeu favores em troca. Favores que ele nunca pôde cumprir.”

Isabella franziu a testa. O pai. Um homem que a abandonara sem explicação, um homem que ela havia tentado esquecer. Agora, suas decisões imprudentes estavam voltando para assombrá-la de forma tão brutal. “Eu não o vejo há mais de dez anos. Ele desapareceu quando eu era adolescente.”

“Eles não se importam. Eles veem você como a herdeira de uma dívida. E como eu sou o homem que tem você, eles acreditam que podem me chantagear ou me manipular através de você.”

A realidade a atingiu com toda a força. Ela não estava mais segura em sua bolha de luxo e distância. O perigo era real, e vinha de um passado que ela havia tentado deixar para trás.

“E você?”, ela perguntou, a voz baixa. “O que você vai fazer?”

Dante a encarou, a intensidade em seus olhos aumentando. “Eu vou protegê-la. Isso é tudo que importa agora. Eu não vou deixar que ninguém toque em você. Eu posso ter te deixado ir uma vez, Isabella, mas eu nunca vou te deixar ir de novo.”

As palavras dele, a promessa de proteção, a possessividade em seu tom, eram um bálsamo para sua alma aterrorizada, mas também um lembrete perigoso da paixão que os unia. Ela sabia que se entregasse a ele novamente, seria um abismo sem volta.

“Eu não quero ser protegida assim, Dante. Eu não quero viver com medo.”

“Você não vai viver com medo”, ele disse, pegando a mão dela sobre a mesa. A pele dele era quente, a força reconfortante. “Você vai viver comigo. E juntos, vamos enfrentar quem quer que seja. Eu tenho contatos, Isabella. Pessoas que me devem favores. E eles vão nos ajudar.”

Uma das pessoas que lhe devia favores. A ideia de Dante mobilizando suas conexões na máfia para protegê-la era ao mesmo tempo reconfortante e aterrorizante. Ela estava entrando no mundo dele, goste ou não.

“Eu não confio nessas pessoas, Dante. Elas são como você, não são?”

Ele sorriu levemente, um sorriso que não alcançava os olhos. “Algumas sim. Mas há linhas que nem mesmo nós cruzamos. E eu não vou permitir que ‘La Mano Nera’ cruze essas linhas com você.”

Ele se levantou, caminhando até a janela e observando a cidade lá fora. As nuvens de chuva finalmente desabaram, e a chuva começou a cair com força. “Eu já fiz um contato. Um homem chamado Marco. Ele me deve uma grande dívida. Ele é… um intermediário. Ele pode nos dar informações sobre o que ‘La Mano Nera’ está planejando.”

“Um intermediário? Um mafioso?”, Isabella questionou, a voz cheia de desconfiança.

“Ele é um homem de negócios. E, como eu, ele tem seus próprios inimigos. Ele precisa de minha ajuda para se livrar de alguns deles. Em troca, ele me dará o que eu preciso sobre ‘La Mano Nera’.”

Isabella suspirou, sentindo o peso do mundo cair sobre seus ombros. A vida que ela conhecia estava desmoronando, e um novo e perigoso capítulo estava apenas começando. “Onde e quando eu vou encontrar esse Marco?”

Dante se virou para ela, um brilho de satisfação em seus olhos. “Não se preocupe com isso. Eu cuido de tudo. Você só precisa confiar em mim.”

Confiar nele. Era a coisa mais difícil que ela tinha que fazer. A confiança que ela lhe dera uma vez quase a destruiu. Mas agora, com o perigo real e iminente, ela não tinha outra opção.

“Eu confio em você, Dante”, ela disse, a voz firme, mas com um toque de resignação. “Mas não espere que eu goste disso.”

Ele se aproximou dela, segurando seu rosto entre as mãos. “Eu não espero que você goste. Eu só espero que você sobreviva. E eu garanto que isso vai acontecer.”

Ele a beijou, um beijo longo e profundo, que não era apenas de paixão, mas também de promessa e de um pacto silencioso. Um pacto selado na escuridão do perigo que os cercava.

Mais tarde naquele dia, Dante a levou para um local discreto em um bairro antigo da cidade. Um bar de aparência modesta, com pouca clientela e uma atmosfera sombria. Isabella sentiu um nó no estômago.

“Este é o lugar?”, ela perguntou, olhando ao redor com desconfiança.

“Sim. Marco não gosta de holofotes. Ele prefere a discrição.”

Enquanto esperavam, Isabella sentiu os olhares curiosos de alguns homens sentados em mesas distantes. Eram homens com aparências duras, que pareciam estar ali mais para observar do que para beber. Ela se sentiu cada vez mais desconfortável.

De repente, um homem se aproximou da mesa deles. Ele era de meia-idade, com um rosto marcado por cicatrizes e olhos que pareciam analisar tudo e todos. Usava um terno impecável, mas havia uma aura de perigo que o cercava.

“Dante”, ele disse, com uma voz rouca e cheia de um sotaque que Isabella não conseguiu identificar. “Você trouxe convidados.”

“Marco, este é Isabella. Isabella, este é Marco. Ele é um amigo.”

Marco sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. “Amigo, sim. Mas você sabe que eu cobro por meus serviços, Dante.”

“E eu sei que você sabe que eu sempre pago minhas dívidas. E a sua, Marco, é grande.” Dante olhou para Isabella, depois de volta para Marco. “Ela é a razão pela qual estou aqui. E você vai me ajudar a mantê-la segura.”

Marco olhou para Isabella, seus olhos perscrutando-a com uma intensidade que a fez sentir-se exposta. “Ela é a filha do… aquele homem, não é? Daquele que fez negócios ruins com os napolitanos?”

“Sim”, respondeu Dante, a voz firme. “E ‘La Mano Nera’ está atrás dela. Eu preciso de informações. Tudo o que você sabe sobre os planos deles, sobre seus movimentos. E eu preciso que você a proteja caso algo dê errado.”

Marco riu, um som seco e desagradável. “Proteger a filha de alguém que me deve… isso soa como um bom negócio. Mas você sabe que eu não trabalho de graça, Dante. O que você me oferece em troca desta vez?”

Dante se inclinou, a voz baixa. “A cabeça de alguns dos homens que você quer mortos. Eu tenho influência em Nápoles. E eu farei com que eles desapareçam. Permanentemente.”

Marco ponderou por um momento, seus olhos fixos em Dante. Então, ele assentiu. “Feito. Eu vou te dar tudo o que eu sei. E eu vou garantir que ninguém toque nela. Mas você terá que cumprir a sua parte do acordo.”

Isabella observava a negociação, sentindo-se como uma peça em um jogo perigoso, onde vidas e favores eram trocados como moedas. Ela estava presa em uma rede de sombras, e sua única chance de sobreviver era confiar no homem que a havia levado até ali.

Marco se virou para ela, um brilho de curiosidade em seus olhos. “Você não parece o tipo de mulher que se mistura com gente como nós, senhorita Isabella.”

“Eu não me misturo”, Isabella respondeu, sua voz firme, a advogada em sua essência ressurgindo. “Eu sou forçada a isso. Mas eu sou forte. E eu não vou ser um peão para ninguém.”

Marco sorriu novamente, um sorriso mais genuíno desta vez. “Gosto da sua atitude. Talvez você não seja apenas uma moeda de troca. Talvez você seja algo mais.”

Algo mais. A ideia ressoou em Isabella. Talvez ela não fosse apenas uma vítima. Talvez, com a ajuda de Dante, ela pudesse encontrar uma maneira de lutar contra as sombras que a cercavam.

---

Capítulo 5 — No Limite da Razão e a Fúria do Vulcão

A chuva continuava a castigar o Rio de Janeiro com uma fúria implacável, como se o céu chorasse as perdas iminentes. Isabella sentia a mesma tempestade em seu interior, um turbilhão de medo, raiva e uma atração perigosa por Dante. A conversa com Marco havia confirmado seus piores medos: ela estava, de fato, no centro de uma disputa perigosa, e o passado obscuro de seu pai era a ignição.

De volta ao apartamento luxuoso em Ipanema, o silêncio era denso, quebrado apenas pelo som da chuva batendo nas janelas. Dante a observava, os olhos escuros cheios de uma intensidade que a desarmava. A promessa de proteção que ele fizera ecoava em sua mente, mas a realidade de estar envolvida em seu mundo a assustava.

“Eu não posso fazer isso, Dante”, ela disse, a voz embargada. “Eu não posso viver assim. Com medo constante. Envolvida com pessoas… como Marco.”

Ele se aproximou dela, a aura de perigo que o cercava parecia intensificar-se com a chuva lá fora. “Você não está sozinha, Isabella. Eu estou com você. E eu não vou deixar que eles te machuquem.” Ele a puxou para perto, o corpo dele um refúgio seguro, mas também uma prisão tentadora.

“Mas eu não quero ser protegida por você. Eu quero minha vida de volta!” A frustração a consumia. Ela havia lutado tanto para construir uma vida independente, e agora tudo estava sendo ameaçado por fantasmas que ela nem conhecia.

“Essa vida foi tirada de você pelo seu pai, Isabella. E agora, eles querem tirar de você o que resta. Eu sou a única pessoa que pode te dar a força para lutar. E eu farei isso. Eu farei você forte o suficiente para encarar qualquer um.”

Ele acariciou seu rosto, o polegar traçando a linha de seus lábios. “Você é forte, Isabella. Eu sempre soube disso. Você tem uma alma de guerreira. E eu vou te ajudar a liberar essa guerreira.”

O toque dele era elétrico, a proximidade dele avassaladora. Ela lutava contra o desejo que o consumia, o desejo de se entregar a ele, de se perder em seus braços e esquecer o mundo lá fora. Mas a razão lhe gritava que era um caminho para a destruição.

“Eu não quero me perder em você, Dante. Eu não quero ser mais um dos seus problemas.”

“Você não é um problema, Isabella. Você é a minha prioridade. E se eu tenho que enfrentar o inferno para mantê-la segura, eu o farei.” Ele a beijou, um beijo intenso, que misturava paixão, proteção e a fúria de um vulcão prestes a entrar em erupção.

Em meio ao beijo, Isabella sentiu o pulso acelerar. Ela podia sentir a força dele, a paixão que a consumia, mas também a necessidade de lutar. Ela se afastou dele abruptamente, o olhar determinado.

“Eu vou lutar, Dante. Mas vou lutar do meu jeito. Eu sou advogada. Eu sei como encontrar brechas. Eu vou usar minhas habilidades para lidar com isso.”

Dante a encarou, um brilho de respeito em seus olhos escuros. “Eu sabia que você diria isso. E eu admiro isso em você. Mas você não pode fazer isso sozinha. Você vai precisar de mim. E eu estarei lá.”

Ele a puxou para um abraço apertado, a força dele a envolvendo. Ela podia sentir o coração dele batendo contra o seu, um ritmo frenético que espelhava o seu. No fundo, ela sabia que ele estava certo. Ela não podia enfrentar esse perigo sozinha.

“O que você sabe sobre ‘La Mano Nera’ que Marco não contou?”, ela perguntou, a voz abafada contra o peito dele.

Dante hesitou por um momento. “Eles estão tentando assumir o controle de algumas operações em São Paulo. E eles estão usando Nápoles como base para expandir seus negócios para o Brasil. Eles são cruéis e ambiciosos.”

“Eles acham que podem me usar para chegar até você.”

“Eles acham que podem te usar para me desestabilizar. Mas eles subestimam você, Isabella. E eles subestimam a mim.”

Ele a soltou do abraço, seus olhos fixos nos dela. “Nós vamos vencer isso, Isabella. Juntos. E quando acabarmos com isso, você poderá voltar para a sua vida. E eu… eu terei você. De verdade.”

A promessa final pairou no ar, carregada de um desejo que era ao mesmo tempo sedutor e perigoso. Isabella sabia que o caminho seria longo e árduo. Ela estava entrando no mundo de Dante, um mundo de sombras e perigos, mas ela não estava mais sozinha. Ela tinha a promessa dele, e ela tinha a sua própria força para lutar.

A chuva lá fora começou a diminuir, e um raio de sol tímido tentava romper as nuvens. O Rio de Janeiro, testemunha de seus reencontros e de suas batalhas, parecia dar um sinal de esperança. Isabella olhou para Dante, um misto de medo e determinação em seus olhos. Ela estava pronta para lutar.

“Vamos fazer isso”, ela disse, a voz firme. “Mas desta vez, eu não vou me deixar seduzir pelo perigo. Eu vou enfrentá-lo. E eu vou vencê-lo.”

Dante sorriu, um sorriso que finalmente alcançava seus olhos, um sorriso de orgulho e de possessividade. “É assim que eu gosto. Minha advogada.”

Ele a beijou novamente, um beijo que selava o pacto, um beijo que prometia um futuro incerto, mas que eles enfrentariam juntos. A fúria do vulcão dentro dele parecia contida, mas Isabella sabia que a paixão que os unia era tão poderosa quanto o perigo que os cercava. E ela estava pronta para ser consumida por ele, ou para usá-lo como combustível para sua própria batalha.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%