Seduzida pelo Perigo II

Seduzida pelo Perigo II

por Rodrigo Azevedo

Seduzida pelo Perigo II

Autor: Rodrigo Azevedo

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Capítulo 16 — O Abraço Gelado da Verdade

O ar na mansão dos Rossi parecia ter se solidificado. Cada respiração era um esforço, cada som, um eco amplificado no silêncio pesado que se instalara. Isabella sentia o coração martelar contra as costelas, um tambor descompassado que anunciava a tempestade que se formava em seu interior. As palavras de Marco, proferidas com uma frieza calculada que a fez tremer, ecoavam em sua mente, pintando um quadro sombrio de sua própria inocência perdida. “Não é o que você pensa, Isabella. É pior.”

Pior. A palavra se cravava em sua alma como um punhal. Ela havia se entregado a Marco Rossi, acreditando piamente no amor que via em seus olhos, no fogo que sentia em seus beijos. Havia se permitido acreditar que, por trás da fachada de impiedade que a mafia impunha, existia um homem capaz de amar, de proteger, de construir um futuro para ela. Agora, essa crença desmoronava em pedaços, revelando a realidade nua e crua: Marco era, antes de tudo, um homem do crime, um predador em seu próprio território, e ela, Isabella, era apenas mais um de seus troféus.

Ele a observava com a intensidade que lhe era peculiar, os olhos azuis como um oceano tempestuoso, capazes de refletir a mais pura ternura e a mais gélida crueldade em um instante. A postura impecável, o terno escuro que parecia uma segunda pele, tudo nele exalava poder e perigo. Isabella se encolheu, como se pudesse se tornar invisível, invisível à sua verdade, invisível à sua decepção.

“Marco… o que você quer dizer com ‘pior’?”, a voz saiu embargada, um fio de esperança ainda teimando em existir. Ela precisava de uma explicação, de um resquício de dignidade para agarrar, de algo que pudesse justificar a sedução, a promessa de um amor que agora parecia tão… sujo.

Marco suspirou, um som baixo que vibrou no peito. Ele deu um passo à frente, e Isabella recuou instintivamente. O espaço entre eles parecia carregado de uma eletricidade perigosa.

“Você se entregou a mim, Isabella. Entregou seu corpo, sua alma, seu futuro. E eu permiti. Deixei que você visse um lado de mim que poucos conhecem. Um lado que não é para ser visto.” Ele fez uma pausa, seus olhos fixos nos dela, procurando algum vestígio da mulher que ele acreditava ter encontrado. “Mas a verdade é que, para proteger o que é meu, eu preciso ser implacável. E você, meu amor, se tornou a minha coisa mais preciosa.”

A palavra “preciosa” soou estranha, quase como uma posse. Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. “Preciosa… para ser protegida? Ou preciosa… para ser usada?”

Um sorriso amargo brincou nos lábios de Marco. “Ambas, Isabella. O que mais você esperava? Que eu fosse um santo? Que eu abandonasse tudo o que construí para viver um conto de fadas contigo?”

As lágrimas começaram a se formar em seus olhos, mas ela lutou contra elas. Não lhe daria o prazer de vê-la desmoronar. Não ainda. “Eu esperava… eu esperava que você fosse honesto comigo. Que você não brincasse com meus sentimentos. Que você não me usasse como uma… peça no seu jogo.”

“E você acha que eu não tenho sentimentos, Isabella?”, a voz de Marco ganhou um tom mais áspero. “Você acha que não me importo com você? Você foi a única coisa que me trouxe luz em meio a tanta escuridão. A única que me fez sentir vivo de verdade, não apenas como um fantasma em meu próprio império.”

Ele estendeu a mão, como se quisesse tocá-la, mas parou a centímetros de seu rosto. Isabella sentiu a tentação de se aproximar, de se deixar envolver novamente por aquele carisma avassalador, mas a razão gritava. A razão que lhe mostrava a imagem de Marco em uma reunião secreta, falando de negócios obscuros, de alianças perigosas.

“Você fala de luz, Marco, mas tudo o que eu vejo é escuridão em você. E essa escuridão… ela me consome. Eu não posso ser sua luz se estou sendo devorada pela sua sombra.” Ela deu um passo para trás, sentindo suas pernas fraquejarem. A força que a sustentava parecia vir de um lugar distante, um lugar de autoconsciência que ela não sabia que possuía.

“Isabella, não seja tola!”, Marco deu um passo decidido em sua direção, a raiva começando a dominar sua feição. “Você não entende o perigo que corre. Se você me deixar agora, você estará sozinha. E o mundo em que vivemos não é gentil com os fracos.”

“Eu não sou fraca, Marco”, ela disse, a voz firme, embora seu corpo tremesse. “Eu só sou… enganada. E eu não quero mais ser enganada. Se para estar com você eu preciso fechar os olhos para a verdade, então prefiro estar sozinha.”

Ela sentiu uma lágrima solitária escorrer por seu rosto, mas não a enxugou. Era um símbolo de sua dor, de sua decepção, mas também de sua decisão. Ela se virou, decidida a sair dali, a fugir daquele ambiente que a sufocava.

“Você não vai a lugar nenhum!”, a voz de Marco ecoou atrás dela, um rosnado baixo que fez seu sangue gelar. Ela sentiu a mão forte dele agarrar seu braço, puxando-a de volta para si. A proximidade era sufocante, o cheiro amadeirado de seu perfume, misturado com a tensão palpável.

“Me solta, Marco!”, ela lutou, mas a força dele era esmagadora.

“Você acha que pode simplesmente sair da minha vida assim, Isabella? Depois de tudo o que aconteceu entre nós? Você é minha agora. Eu a protegi, eu a desejei, e você me pertence.” As palavras saíram com uma possessividade que a apavorou.

“Eu não pertenço a ninguém, Marco!”, ela gritou, a voz rouca de desespero e fúria. “Eu sou uma pessoa livre!”

Ele a apertou mais forte, e Isabella sentiu a dor irradiar em seu braço. Seus olhos se encontraram, e ela viu ali não amor, mas um sentimento distorcido, uma possessividade que beirava a loucura. Ele era um predador, e ela, a presa que ousou desafiar o caçador.

“Livre?”, Marco riu, um som cruel que a fez estremecer. “Você se ilude, meu amor. Ninguém é livre neste mundo. Especialmente aqueles que se aproximam de mim.” Ele a puxou para perto, seu rosto a centímetros do dela. “Você é minha, Isabella. E eu não vou deixar você ir.”

Ele a beijou com uma força que a deixou sem ar, um beijo que não era de amor, mas de posse. Um beijo que selava seu destino, que a prendia em uma teia de perigo e paixão que ela não sabia se conseguiria escapar. As lágrimas desciam livremente agora, misturando-se ao beijo amargo, um beijo que prometia um futuro incerto, sombrio, mas irresistivelmente perigoso. Ela estava seduzida pelo perigo, e a verdade, por mais dolorosa que fosse, não a libertara, mas a aprisionara ainda mais.

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