Seduzida pelo Perigo II

Capítulo 17 — A Sombra de um Passado Sombrio

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 17 — A Sombra de um Passado Sombrio

O amanhecer em Nápoles tingia o céu de tons pastel, mas para Isabella, o sol parecia apenas mais um holofote cruel, expondo a crueza de sua nova realidade. A noite passada, com Marco, havia sido um borrão de desespero, raiva e uma rendição involuntária. O beijo de posse, a força em seus braços, as palavras que a declaravam sua… tudo aquilo a marcara mais profundamente do que qualquer carícia. Ela estava presa, não apenas pelas circunstâncias, mas pela própria teia de sedução que Marco habilmente tecera.

Ele a havia deixado ir, eventualmente, com a promessa sombria de que a conversa deles ainda não havia terminado. Ela passara o resto da noite em seu quarto, o corpo dolorido e a alma em pedaços, tentando processar a avalanche de emoções e a dura verdade que Marco lhe apresentara. Ele não era o homem que ela imaginara, e o amor que ela acreditava ter florescido entre eles era, na melhor das hipóteses, uma ilusão perigosa.

Agora, enquanto o sol se erguia sobre a cidade, Isabella se via cercada pelos luxos da mansão Rossi, um luxo que pesava como uma armadura. Ela caminhou até a varanda, o mármore frio sob seus pés descalços. O aroma salgado do Mediterrâneo, que antes lhe trazia paz, agora parecia carregar consigo o cheiro de perigo iminente.

Marco a encontrara ali, o café da manhã já servido em uma bandeja de prata, como se nada tivesse acontecido. Ele se aproximou com a mesma compostura de sempre, mas Isabella sentiu a tensão em seus ombros, a forma como seus olhos a percorriam, buscando sinais de rendição.

“Bom dia, Isabella”, ele disse, a voz suave, mas com um fio de aço por baixo. Ele se sentou à mesa, um gesto convidativo que ela ignorou.

“Eu não quero nada, Marco”, ela respondeu, a voz baixa, mas firme. Ela o encarou, a decepção ainda queimando em seu peito. “Eu quero entender. Quero saber por que você fez isso.”

Marco suspirou, pegando uma fruta e a descascando com um pequeno canivete. “Fiz o quê, Isabella? Protegi o que é meu?”

“Você me usou, Marco. Você se aproveitou da minha ingenuidade, da minha confiança.”

Ele parou, o canivete pairando no ar. Seus olhos se fixaram nos dela, e por um instante, Isabella viu um lampejo de algo que se assemelhava a dor. “Você acha que eu não senti nada por você, Isabella? Você acha que foi fácil para mim? Você é a única pessoa que me fez ver a vida com outros olhos. Mas eu não sou um homem de contos de fadas. Eu sou um homem marcado pelo passado, e esse passado… ele me persegue.”

“E que passado é esse, Marco? Um passado que o justifica a me tratar como um objeto?”

Ele largou o canivete e se levantou, caminhando até a varanda. Ele olhou para o horizonte, para a vastidão azul do mar, como se buscasse respostas nas ondas. “Meu pai… ele era um homem como eu. Um líder. Mas ele era mais cruel, mais sanguinário. Ele me ensinou tudo o que sei sobre este mundo. E ele… ele era um homem temido. E amado, à sua maneira.”

Isabella se aproximou cautelosamente, a curiosidade lutando contra o medo. “Seu pai?”

Marco assentiu, a mandíbula tensa. “Ele foi traído. Por pessoas que ele considerava irmãos. Família. Ele foi assassinado na minha frente quando eu era apenas um garoto. Um garoto de dez anos que teve que assumir o controle de tudo. Imagine isso, Isabella. A responsabilidade esmagadora, o peso de um império nas costas de uma criança.”

Ele se virou para ela, e Isabella viu em seus olhos a dor de um trauma antigo, a sombra de um menino que fora forçado a crescer rápido demais. “Eu jurai a mim mesmo que nunca deixaria que isso acontecesse comigo. Que eu seria mais forte, mais esperto, mais implacável. E eu fui. Mas essa implacabilidade… ela tem um preço. E o preço é nunca poder confiar completamente em ninguém. E sempre estar preparado para a traição.”

Ele deu um passo em direção a ela, e Isabella não recuou desta vez. Havia algo em sua voz, em sua vulnerabilidade aparente, que a prendia. “Quando eu te conheci, Isabella, você era diferente. Você era pura, inocente. Você me fez lembrar de um tempo antes de tudo isso. Um tempo em que eu podia ser… eu. Sem a armadura, sem as máscaras. Mas então eu percebi o perigo que você corria por estar perto de mim. O perigo que eu representava para você.”

“Então você decidiu me afastar?”, Isabella perguntou, a voz suave.

“Não. Eu decidi te proteger. E para te proteger, eu preciso te ter por perto. Preciso controlar o seu mundo, para que ninguém mais possa te machucar.”

“Mas você está me machucando, Marco!”, ela exclamou, a voz embargada pela emoção. “Você está me prendendo. Você está me tirando a minha liberdade!”

“A liberdade é um luxo que não podemos nos dar neste mundo, Isabella. A sua liberdade significaria o seu fim. Eu não posso permitir isso.” Ele tocou o rosto dela com a ponta dos dedos, um gesto gentil que contrastava com a brutalidade de suas palavras. “Eu te amo, Isabella. Mais do que eu imaginei que fosse possível. E é por isso que eu preciso ser o seu predador. Para garantir que ninguém mais o faça.”

A declaração de amor, dita em meio a tanta escuridão, a desarmou. Ela o olhou, tentando decifrar os mistérios em seus olhos. Ele a amava, mas seu amor era possessivo, perigoso. Era um amor que a aprisionava.

“Eu não sei se consigo viver assim, Marco”, ela sussurrou, as lágrimas voltando a rolar. “Vivendo na sua sombra, sob a sua proteção que me sufoca.”

“Você vai se acostumar”, ele disse, a voz firme, sem deixar margem para discussão. “E você vai aprender a amar a segurança que eu te dou. Porque, no final das contas, Isabella, você não tem para onde ir.”

Ele a puxou para um abraço, um abraço que era ao mesmo tempo reconfortante e sufocante. Ela se permitiu ser envolvida por ele, sentindo o calor de seu corpo, o cheiro familiar de seu perfume. Mas, por baixo de tudo aquilo, ela sabia que estava sendo aprisionada. Aprisionada por um homem que a amava com a intensidade de um vulcão, mas com a possessividade de um tirano. Ela estava seduzida pelo perigo, e agora, o perigo era ela.

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