Seduzida pelo Perigo II

Capítulo 18 — O Jogo de Sombras em Viena

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 18 — O Jogo de Sombras em Viena

A viagem para Viena foi um turbilhão de eventos orquestrados com a precisão de um relógio suíço. Isabella, ainda sob o impacto das revelações de Marco e o peso de sua possessividade, se viu embarcando em um avião particular, a paisagem de Nápoles desaparecendo sob as nuvens. Marco a acompanhava, seu olhar intenso e protetor a seguindo a cada passo, como se ela fosse um diamante a ser lapidado, mas também um tesouro a ser guardado.

Viena, com sua arquitetura imperial e a melodia sutil de um passado glorioso, parecia um palco perfeito para um drama de proporções épicas. A cidade, imersa em um frio elegante, escondia suas próprias sombras, e Isabella sentia que a missão de Marco ali era mais perigosa do que ele deixara transparecer.

Eles foram recebidos por um homem de feições severas e um terno impecável, um tal de Anton Volkov, representante de uma facção russa com a qual os Rossi precisavam negociar. O aperto de mão de Volkov era firme, seus olhos escuros e penetrantes pareciam calcular cada detalhe. Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Havia algo de predatório naquele homem, algo que ressoava com o lado mais sombrio de Marco.

A negociação ocorreu em um salão opulento, com lustres de cristal que refletiam a luz fria e calculada da sala. Isabella se sentou ao lado de Marco, uma presença silenciosa, mas atenta. Ela observava a troca de olhares, as palavras cuidadosamente escolhidas, a tensão que pairava no ar como uma névoa gélida. Marco se movia com uma confiança inabalável, sua voz firme e persuasiva, mas Isabella percebia os sutis sinais de sua cautela. Ele estava em território alheio, lidando com inimigos disfarçados de aliados.

“Senhor Rossi”, disse Volkov, a voz rouca, com um leve sotaque eslavo. “Sua proposta é generosa. Mas os riscos… bem, os riscos são consideráveis.”

Marco sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. “Riscos são para aqueles que não sabem como mitigá-los, Volkov. E nós, meu caro, somos mestres em mitigar riscos.”

A conversa se estendeu por horas, um jogo de xadrez onde cada movimento era calculado, cada palavra, uma arma. Isabella se sentia como um peão em um tabuleiro maior, observando a dança perigosa dos reis e rainhas. Ela notou a forma como Marco desviava de certas perguntas, como ele evitava revelar os verdadeiros detalhes de seus planos. Ele estava protegendo a si mesmo, e a ela, de informações que poderiam ser usadas contra eles.

Durante uma pausa para o café, Volkov se aproximou de Isabella, seus olhos percorrendo-a de cima a baixo com uma insolência que a fez se sentir desconfortável. “Você é a… musa do senhor Rossi?”, ele perguntou, um tom de escárnio na voz.

Antes que Isabella pudesse responder, Marco se colocou entre eles, um escudo de proteção fria. “Isabella é a minha convidada, Volkov. E ela não está aqui para ser interrogada. Se você tem alguma questão sobre negócios, dirija-se a mim.”

Volkov ergueu as mãos em um gesto de falsa rendição, mas seus olhos brilhavam com uma malícia reprimida. “Claro, claro. Meus cumprimentos, senhorita.”

A tensão entre os homens era palpável. Isabella sentiu o perigo se intensificar, a atmosfera se adensar. Marco apertou sua mão discretamente por baixo da mesa, um gesto que era ao mesmo tempo um aviso e um consolo. Ele a queria perto, mas não queria que ela se envolvesse.

Mais tarde, no silêncio do luxuoso apartamento que haviam alugado, Isabella confrontou Marco. “Você não confia nele, não é?”, ela perguntou, a voz baixa.

Marco estava na varanda, observando a cidade iluminada. Ele se virou, seus olhos escuros encontrando os dela. “Confiança é uma moeda rara neste mundo, Isabella. E Volkov… ele não tem para me oferecer.”

“Então por que você está aqui? Por que se arriscar assim?”

Ele se aproximou dela, o olhar carregado de uma intensidade que a fez prender a respiração. “Porque o que estamos negociando aqui é vital para o futuro da minha família. É uma aliança que vai nos fortalecer e nos proteger de ameaças ainda maiores. E você… você está aqui para testemunhar o poder dos Rossi. Para entender o que eu sou capaz de fazer.”

“E o que você é capaz de fazer, Marco?”, ela perguntou, a voz quase um sussurro.

Ele a segurou pelos braços, a força em seus dedos delicada, mas firme. “Eu sou capaz de proteger o que amo. E de destruir quem o ameaça.” Ele a beijou, um beijo que era um misto de paixão e promessa, um beijo que a lembrava de sua dualidade: o homem capaz de um amor avassalador e o líder implacável de um império criminoso.

Nos dias seguintes, a dinâmica entre Marco, Isabella e Volkov se tornou cada vez mais tensa. Isabella começou a perceber que a negociação era apenas uma fachada. Havia um jogo de sombras em andamento, um jogo de informações e ameaças veladas. Ela percebeu que Volkov estava tentando sondar os limites de Marco, testando sua determinação e suas fraquezas. E Marco, por sua vez, estava usando Isabella como um trunfo, um símbolo de sua influência e de sua conexão com um mundo que Volkov parecia desprezar, mas secretamente invejar.

Uma noite, durante um jantar formal com Volkov e outros associados, Isabella presenciou algo que a chocou. Um dos homens de Volkov, um sujeito corpulento e de olhar frio, tentou um movimento ousado, um toque inapropriado no braço de Isabella quando Marco se afastou por um momento. A reação de Marco foi instantânea e brutal. Em um movimento fluido e rápido, ele desarmou o homem com uma facilidade assustadora e o empurrou contra a parede, a mandíbula tensa, os olhos faiscando de fúria contida.

“Ninguém toca no que é meu”, Marco disse, a voz baixa e perigosa, direcionada ao homem, mas com um olhar que deixava claro quem era o verdadeiro alvo de sua raiva.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Volkov, apesar de visivelmente surpreso, manteve a compostura. “Um acesso de fúria, senhor Rossi? Ou um aviso claro?”

Marco soltou o homem, que se recompôs com dificuldade, os olhos fixos no chão. “Um aviso claro, Volkov. E lembre-se disto. Você está lidando com os Rossi. E os Rossi não toleram desrespeito.”

O jantar terminou abruptamente, a atmosfera carregada de uma tensão explosiva. No apartamento, a conversa entre Marco e Isabella foi tensa.

“Você não precisava fazer aquilo, Marco”, Isabella disse, a voz trêmula.

“Eu preciso proteger o que é meu, Isabella. E você é minha. Você não entendeu isso ainda?”

“Mas isso não é um jogo, Marco! As pessoas podem se machucar!”

“Este mundo é um jogo, Isabella. E eu sou um dos melhores jogadores. E quanto a se machucar… aqueles que ousam me desafiar, ou ameaçar o que me pertence, eles aprendem a lição da maneira mais dura.”

Ele a puxou para perto, o corpo dele um santuário de força e perigo. Ela se rendeu ao abraço, sentindo o calor dele, mas também a frieza de sua natureza. Viena, com sua beleza fria e seu passado sombrio, se tornara o palco onde Marco mostrava a Isabella o verdadeiro poder dos Rossi. E ela, seduzida pelo perigo, se via cada vez mais envolvida na teia complexa de sua vida, uma vida onde o amor e a violência andavam de mãos dadas. Ela estava em Viena, mas seu coração parecia preso em uma luta de sombras, uma luta onde ela era ao mesmo tempo o prêmio e a refém.

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