Seduzida pelo Perigo II

Capítulo 7 — Ecos de Veneza

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 7 — Ecos de Veneza

A notícia da recuperação de Matteo chegou a Isabella como um alívio agridoce. Seus contatos em Veneza, cuidadosamente cultivados, confirmaram que ele estava vivo e em vias de se recuperar em um local seguro. Mas o que exatamente aconteceu em Veneza? A vagueza das informações era quase tão perturbadora quanto o ataque em si. Antonio havia mencionado um "desentendimento", mas Isabella desconfiava que a realidade era muito mais sombria.

Ela estava sentada em seu escritório, um espaço elegantemente decorado que refletia sua necessidade de controle, analisando relatórios financeiros que pareciam fúteis diante da ameaça iminente que sentia pairar sobre ela. Cada telefonema, cada mensagem, era escrutinada com um novo nível de paranoia. Antonio havia deixado sua marca, uma dúvida corrosiva que a impedia de encontrar paz.

“Ele está se recuperando, Isabella”, disse Sofia, sua fiel assistente, entrando no escritório com uma xícara de café fumegante. Sofia era uma rocha de lealdade, a única pessoa em quem Isabella confiava plenamente naquele mar de intrigas.

Isabella suspirou, pegando a xícara. “Graças a Deus. Mas eu preciso saber o que aconteceu, Sofia. Não posso ficar aqui sentada, esperando que outra peça do tabuleiro se mova sem que eu saiba o porquê.”

Sofia assentiu, aproximando-se da mesa e olhando para os relatórios. “Os seus contatos em Veneza são discretos, mas persistentes. O que eles sabem é que o ataque foi bem planejado. Não foi um roubo comum, nem um assalto aleatório. Foi direcionado a Matteo. E o que é mais preocupante, eles mencionaram o nome de uma família rival que tem estado ativa ultimamente.”

“Qual família?”, Isabella perguntou, sua atenção voltada para Sofia. O nome de uma família rival significava uma guerra aberta, um conflito que ela não sabia se conseguiria sobreviver.

“Os Ricci. Eles têm tentado expandir sua influência na região norte. Matteo bloqueou seus avanços em alguns negócios importantes nas últimas semanas. É um motivo forte o suficiente para uma retaliação.”

Isabella fechou os olhos por um momento, a imagem de Matteo em perigo a assaltando. Ela sabia que ele era um homem de negócios implacável, um líder de um império sombrio, mas essa era a primeira vez que ela sentia a crueldade desse mundo atingi-la tão diretamente.

“Os Ricci… conheço o nome. Eles são conhecidos por serem brutais”, disse Isabella, sua voz baixa e tensa. “E Antonio? Ele parece saber mais do que diz. Ele me visitou ontem à noite. Me ameaçou, de certa forma. Disse que eu sou a fraqueza de Matteo e que ele sabe como explorar isso.”

Sofia franziu a testa, preocupada. “Antonio é perigoso. Ele joga um jogo diferente. Matteo é direto, busca o poder. Antonio busca a dominação através da manipulação. Ele é um predador, Isabella. E você está no meio desse ninho de cobras.”

“Eu sei. E não vou ser uma vítima”, disse Isabella com convicção. Ela se levantou, andando pelo escritório. “Preciso ir a Veneza. Preciso ver Matteo. Preciso entender o que está acontecendo.”

Sofia olhou para ela com apreensão. “Isabella, é muito arriscado. Veneza ainda não é segura. E se você for vista por alguém ligado aos Ricci, ou pior, por alguém que queira usar sua presença contra Matteo…”

“Eu não posso ficar aqui, Sofia. Não mais. Sinto que estou sufocando. Preciso confrontar a verdade, por mais perigosa que seja.” Isabella olhou para a janela, o céu azul de Milão parecendo zombar de sua angústia. “Tenho alguns contatos antigos lá. Pessoas que me devem favores. Posso ir discretamente.”

Sofia hesitou, mas sabia que não conseguiria dissuadir Isabella quando ela tomava uma decisão. “Tudo bem. Mas você não vai sozinha. Levarei comigo alguns dos nossos homens mais confiáveis. E você vai seguir cada palavra que eu disser. Sem improvisos.”

“Combinado”, Isabella concordou, sentindo um fio de esperança se acender em seu peito.

A viagem para Veneza foi tensa. O trem de alta velocidade cortava a paisagem italiana, mas para Isabella, cada quilômetro percorrido a aproximava de um ninho de perigo. Ela se sentia como uma guerreira se dirigindo para a batalha, a armadura emocional cuidadosamente polida para esconder sua vulnerabilidade.

Ao chegar em Veneza, a cidade parecia estranhamente calma, um contraste chocante com a violência que a havia marcado. Os canais cintilavam sob o sol, os gondoleiros deslizando suavemente sobre as águas. Mas para Isabella, cada beco escuro, cada ponte antiga, escondia um segredo, uma ameaça latente.

Eles foram levados a um esconderijo seguro, uma vila isolada na periferia da cidade, onde Matteo estava se recuperando sob vigilância. Ao entrar no quarto, Isabella viu Matteo deitado na cama, o rosto pálido, mas o olhar ainda intenso. A visão dele, ferido e vulnerável, a atingiu profundamente.

“Matteo”, ela sussurrou, correndo para seu lado.

Ele abriu os olhos, um leve sorriso surgindo em seus lábios ao vê-la. “Isabella. Eu sabia que viria.” Sua voz estava fraca, mas carregada de emoção.

Ela segurou sua mão, sentindo o calor da sua pele. “Como você está? Eu fiquei tão preocupada.”

Matteo apertou sua mão. “Estou melhor agora. Foi… complicado. Os Ricci. Eles queriam uma mensagem. Uma mensagem de que não podem ser desafiados impunemente.”

“Mas por que em Veneza? Por que você estava sozinho?”, Isabella perguntou, a raiva e a preocupação se misturando em sua voz.

“Eu tinha um encontro. Um informante que prometia informações sobre os planos de expansão dos Ricci. Pensei que pudesse resolver isso sozinho, sem envolver você ou meus homens mais próximos. Um erro de julgamento, eu admito.” Ele olhou para ela com intensidade. “Você esteve em perigo, Isabella? Antonio… ele te procurou?”

Isabella hesitou por um momento, mas decidiu ser honesta. “Ele esteve lá. Ele sabe que você me vê como uma fraqueza e que ele pode usar isso contra você. Ele é um jogo perigoso, Matteo.”

Matteo cerrou os punhos, a dor misturada à raiva em seu olhar. “Antonio. Sempre na espreita. Ele quer me ver cair, mas não imagina o quão perigoso ele pode ser para você.” Ele a puxou para perto, em um abraço delicado, considerando seus ferimentos. “Eu não posso te proteger em Milão, Isabella. E agora, mesmo aqui, não posso te proteger completamente. Você está no centro de tudo isso.”

As palavras de Matteo ecoaram as de Antonio, mas com um tom diferente. Não era uma ameaça, mas uma constatação dolorosa da realidade. Ela estava no centro de uma tempestade, uma força que a atraía e a ameaçava simultaneamente.

“Eu não quero ser uma fraqueza, Matteo”, disse Isabella, sua voz firme. “Eu quero ser uma aliada. Preciso entender esse mundo, preciso saber me defender.”

Matteo a olhou com uma mistura de admiração e preocupação. “Você é forte, Isabella. Mais forte do que imagina. Mas este mundo… ele corrói a alma. Eu não quero isso para você.”

“Mas é a minha realidade agora”, ela respondeu. “Eu me envolvi com você, Matteo. E agora, eu também sou alvo. Não posso mais me esconder. Preciso aprender a lutar.”

Nos dias seguintes, Isabella permaneceu ao lado de Matteo, auxiliando em sua recuperação e ouvindo atentamente enquanto ele lhe contava sobre o complexo mundo do crime organizado, sobre as famílias rivais, sobre as alianças frágeis e as traições inevitáveis. Ela viu a inteligência fria e calculista de Matteo, a forma como ele navegava nesse submundo, e percebeu que, apesar de seu amor por ela, ele também era um produto desse ambiente implacável.

Em uma tarde, enquanto Matteo descansava, Isabella decidiu explorar um pouco, sempre acompanhada por um dos homens de confiança de Sofia. Ela caminhou pelas vielas de Veneza, observando as pessoas, tentando sentir a atmosfera da cidade. Foi então que ela viu. Em uma ponte movimentada, um homem discreto, mas com um olhar atento, parecia observar a multidão com uma intensidade incomum. Seu rosto não era familiar, mas sua postura, a forma como ele se movia entre as pessoas, sugeria que ele não era um turista comum.

Isabella sentiu um arrepio de alerta. Ela se aproximou do homem de confiança. “Você o conhece?”, sussurrou, apontando discretamente.

O homem olhou por um momento, seus olhos experientes avaliando a figura. “Não diretamente, senhora. Mas a postura dele… ele parece um dos homens dos Ricci. Um vigia. Eles devem estar monitorando a cidade, procurando qualquer movimento suspeito.”

O coração de Isabella disparou. Os Ricci estavam em Veneza. Eles sabiam que Matteo estava ali. E agora, eles a viam também. A preocupação de Matteo e Sofia se tornou uma realidade palpável. Ela estava sendo observada. O perigo de Veneza não era apenas uma ameaça passageira, mas uma sombra que se alongava, pronta para engoli-la.

Ela voltou para a vila com uma nova urgência. A fragilidade de Matteo, a ameaça dos Ricci, a manipulação de Antonio – tudo se fundia em um caldeirão de perigo que ameaçava consumi-la. Ela não era mais a Isabella inocente que havia chegado a Milão. A sedução do perigo a transformara, endurecera sua alma. E agora, ela estava pronta para enfrentar o que quer que viesse.

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