Seduzida pelo Perigo II
Capítulo 9 — A Armadilha em Milão
por Rodrigo Azevedo
Capítulo 9 — A Armadilha em Milão
O peso da decisão pairava sobre Isabella como uma nuvem de tempestade. Antonio havia lhe dado um ultimato, uma proposta que a colocava em uma posição insustentável. Trair Matteo era inimaginável, mas a ameaça de Antonio e a crescente atividade dos Ricci em Milão tornavam a situação cada vez mais perigosa. Ela se sentia como um peão em um jogo de poder mortal, com suas próprias emoções e lealdades sendo usadas como armas contra ela.
De volta a Veneza, Matteo se recuperava lentamente. Isabella mantinha contato diário com ele, mas omitia os detalhes da visita de Antonio. Ela não queria preocupá-lo mais do que o necessário, mas a culpa por esconder a verdade a corroía. Sofia, percebendo sua angústia, tentava confortá-la.
“Ele te ofereceu algo, não foi, Isabella?”, disse Sofia, enquanto observavam os barcos passarem pela janela do esconderijo de Matteo. “Antonio nunca age sem motivo. Ele te quer para quê?”
Isabella suspirou, sentindo o peso do segredo em seus ombros. “Ele quer que eu seja os olhos e ouvidos dele em Milão. Que eu conte tudo o que Matteo me diz. Em troca, ele promete manter Matteo vivo. Ele disse que os Ricci são mais perigosos do que imaginamos e que ele tem informações que Matteo não tem.”
Sofia franziu a testa. “Antonio é um mestre em manipulação. Ele pode estar mentindo sobre os Ricci, ou exagerando a ameaça para te forçar a cooperar. Ou ele pode realmente ter informações e quer usar você para ganhar vantagem sobre Matteo. De qualquer forma, é um jogo perigoso.”
“Eu recusei, Sofia. Eu disse que não trairia Matteo”, disse Isabella, a voz embargada. “Mas agora, sinto que o perigo está cada vez mais perto. Sinto que eles sabem que estou envolvida. Talvez o ataque a Matteo em Veneza tenha sido um aviso para mim também.”
Enquanto conversavam, o telefone de Sofia tocou. Era um dos seus contatos em Milão. A voz dele soava tensa.
“Sofia, precisamos de você de volta o mais rápido possível. Há movimentações estranhas em Milão. Parece que os Ricci estão se estabelecendo, e Antonio… ele parece estar facilitando as coisas. Há rumores de que ele fez um acordo com eles para enfraquecer Matteo e assumir o controle dos negócios no norte.”
O sangue de Isabella gelou. A teoria de Sofia se concretizava. Antonio estava aliando-se aos Ricci. E ela estava em Milão, vulnerável.
“Matteo precisa saber disso”, disse Isabella com urgência.
Eles conseguiram um transporte discreto de volta para Milão. Ao chegarem, a cidade parecia diferente. Havia uma tensão no ar, uma sensação de que algo estava prestes a acontecer. As ruas que antes pareciam familiares agora pareciam hostis.
Isabella voltou para seu apartamento, sentindo-se como uma prisioneira em sua própria casa. Ela tentou retomar suas rotinas, mas a paranoia a impedia. Cada som, cada sombra, parecia ser uma ameaça. Sofia, com sua rede de contatos, trabalhava incansavelmente para descobrir os planos de Antonio e dos Ricci.
“Eles estão se movendo rápido, Isabella”, disse Sofia, com o rosto pálido. “Antonio está facilitando a entrada dos Ricci em Milão. Ele abriu as portas para eles, em troca de uma parte dos lucros e, claro, da eliminação de Matteo.”
“Eles querem me usar como isca, não é?”, Isabella murmurou, sentindo o pânico aumentar. “Eles sabem que Matteo se importa comigo. Eles vão tentar me capturar para forçá-lo a aparecer.”
“É um plano provável. Antonio quer Matteo exposto e vulnerável. E você é a isca perfeita”, confirmou Sofia. “Precisamos tirar você de Milão, Isabella. Agora.”
Mas era tarde demais. Naquela noite, enquanto Isabella estava em seu escritório revisando alguns documentos, as luzes do apartamento se apagaram de repente, mergulhando tudo em uma escuridão profunda. Um silêncio assustador se instalou, quebrado apenas pelo som de passos apressados no corredor.
“Eles estão aqui!”, gritou Sofia, pegando uma pequena arma que mantinha escondida.
Isabella sentiu seu coração disparar. Ela agarrou o pisca-pedra de bronze, a única arma que tinha. As portas do escritório se abriram com violência, revelando figuras sombrias e imponentes. Eram homens dos Ricci, e no meio deles, inconfundível, estava Antonio.
Seu rosto estava sereno, quase entediado, como se estivesse assistindo a uma peça de teatro. Um sorriso de satisfação curvou seus lábios.
“Boa noite, Isabella”, disse Antonio, sua voz ecoando na escuridão. “Eu esperava que você tivesse tomado a decisão certa. Mas já que não o fez, tive que tomar a decisão por você.”
Um dos homens dos Ricci agarrou Isabella pelo braço, sua força bruta a impedindo de reagir. Sofia tentou defendê-la, mas foi rapidamente dominada por outros homens.
“Matteo virá por você, Isabella”, disse Antonio, aproximando-se dela. Ele a olhou com seus olhos frios e calculistas. “E quando ele vier, o jogo terminará. Para sempre.”
Eles a arrastaram para fora do apartamento, deixando Sofia para trás, ferida, mas viva. Isabella foi forçada a entrar em um carro escuro, o cheiro de couro e suor enchendo o ar. Ela sabia que estava em uma armadilha, mas não perderia a esperança.
A viagem foi curta. Eles a levaram para um armazém abandonado nos arredores de Milão, um lugar sombrio e decadente que cheirava a mofo e desespero. Lá, ela foi amarrada a uma cadeira, o ambiente iluminado por poucas lâmpadas fracas que criavam sombras dançantes nas paredes.
Antonio entrou na sala, acompanhado pelos homens dos Ricci. Ele se sentou em uma cadeira em frente a ela, a expressão impassível.
“Você fez Matteo se importar demais com você, Isabella”, disse ele, sua voz calma. “Isso é um erro que ele não pode mais corrigir. E você… você pagará por isso.”
“Você é um monstro, Antonio”, disse Isabella, a voz trêmula, mas cheia de desafio.
Antonio riu. “Monstros não existem, Isabella. Apenas homens que fazem o que é necessário para sobreviver e prosperar. Matteo aprendeu isso. E agora, você também aprenderá.”
Ele se levantou e caminhou até a porta. “Preparem-na. Matteo não demorará a chegar. E quando ele chegar, ele encontrará o que mais teme.”
Os homens dos Ricci começaram a se aproximar de Isabella, suas intenções claras e brutais. Ela se debateu, o medo se misturando a uma raiva crescente. Ela não seria mais uma vítima. Ela lutaria. Ela lutaria por sua vida, por Matteo, e por todos aqueles que Antonio e os Ricci ameaçavam. A noite em Milão havia se tornado um palco de horror, mas Isabella, no fundo do desespero, sentiu uma faísca de rebelião acender em seu peito.