Seduzida pelo Perigo 58

Capítulo 19 — O Risco de Isabella

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 19 — O Risco de Isabella

A mansão Rossi se tornara um centro de operações clandestinas. As conversas sussurradas, os movimentos furtivos e o cheiro de perigo tornaram-se parte da rotina de Isabella. Ela se movia pelos corredores com uma desenvoltura recém-adquirida, seus olhos atentos, seus ouvidos abertos para qualquer informação que pudesse ser útil a Matteo. Ele a havia mergulhado de cabeça no mundo da máfia, e, para sua surpresa, ela descobria uma força interior que não sabia possuir.

Naquela tarde, Matteo estava em seu escritório, concentrado em documentos que pareciam importantes. Ele havia pedido a Isabella que ficasse por perto, em caso de necessidade. Ela se sentou em uma poltrona no canto, fingindo ler um livro, mas na verdade, observando cada movimento dele. A dinâmica entre eles mudara. A paixão ainda ardia, mas agora estava entrelaçada com uma confiança perigosa, com a cumplicidade de quem compartilha segredos.

"Carmine está se movendo rápido", Matteo disse, sem tirar os olhos dos papéis. "Ele está tentando consolidar alianças antes que possamos reagir. Ele sabe que meu tempo é limitado."

Isabella o olhou, apreensiva. "Tempo limitado por quê?"

Matteo finalmente ergueu os olhos, um brilho intenso neles. "Porque há rumores. Rumores de que a polícia está se aproximando. Que meu pai não foi o único a cair nas mãos de nossos inimigos. Que eles têm outros planos."

O sangue de Isabella gelou. A ideia de Matteo ser pego era insuportável. Ela o amava, apesar de tudo, e o perigo que ele corria a consumia. "O que podemos fazer?", ela perguntou, a voz baixa.

"Precisamos de informações. Precisamos saber quem está por trás dessa nova ofensiva. E precisamos encontrar a fonte desses rumores na polícia. Se pudermos identificar o traidor, podemos controlar a situação antes que ela saia do controle." Matteo suspirou, passando a mão pelos cabelos. "Carmine é apenas um peão. Eu preciso alcançar o jogador."

Ele se levantou e caminhou até ela, ajoelhando-se diante de sua poltrona. Segurou as mãos dela, seus olhos fixos nos dela. "Eu preciso que você vá a um lugar, Isabella. Um lugar perigoso. Mas você é a única que pode ir sem levantar suspeitas."

O coração de Isabella disparou. Ir a um lugar perigoso? Ela estava pronta para isso? Ela olhou para Matteo, para a determinação em seus olhos, e soube que não poderia recusar.

"Onde?", ela perguntou, a voz firme, apesar do tremor interno.

"Um cassino. Um dos de Carmine. Ele usa o lugar como fachada para seus negócios mais sujos. Há um homem lá, um contador que trabalhou para meu pai há anos. Ele sabe muita coisa. Mas ele é medroso. E ele odeia Carmine. Se ele souber que estou em posição de protegê-lo, ele pode falar." Matteo apertou as mãos dela. "Eu não posso ir pessoalmente. Seria muito óbvio. Mas você… você pode ir como uma cliente. Você pode seduzi-lo, fazê-lo se sentir seguro o suficiente para falar."

Sedução. A palavra pairou no ar, carregada de um duplo sentido que Isabella sentiu em sua pele. Ela sabia que Matteo a via como uma arma, uma ferramenta. Mas ela também sabia que essa arma era dela, moldada pela paixão que sentia por ele.

"Eu… eu não sei se consigo, Matteo. Eu não sou… assim", ela gaguejou, sentindo o rubor subir em seu rosto.

Matteo sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo carinhoso e possessivo. "Você é muito mais do que pensa, meu amor. Você tem uma força que Carmine e seus capangas nunca entenderiam. Você tem um coração puro, que pode tocar até os mais duros. E você tem a mim. Eu estarei por perto. Meus homens estarão lá fora, observando. Se algo der errado, eles agirão. E eu estarei a uma ligação de distância."

Ele lhe deu um pequeno telefone discreto. "Apenas um toque, e eu saberei que você precisa de mim. Mas tente resolver isso sozinha, Isabella. Mostre a eles que você não é apenas uma garota indefesa. Mostre a eles que você é minha."

A ideia de se infiltrar no território de Carmine era assustadora, mas a necessidade de ajudar Matteo, de protegê-lo, a impulsionava. Ela assentiu. "Eu vou."

Horas depois, Isabella se preparava. Ela usava um vestido elegante, que realçava suas curvas, sapatos de salto alto e uma maquiagem que a transformava em uma mulher diferente, mais confiante e sedutora. Ela se olhou no espelho, sentindo um misto de nervosismo e excitação. A mulher que via ali era uma estranha, uma atriz em um papel perigoso.

Quando Matteo a viu, seus olhos brilharam. "Magnífica", ele sussurrou, aproximando-se dela e depositando um beijo ardente em seus lábios. "Lembre-se do que eu disse. Seja forte. E confie em mim."

O cassino era um lugar de luzes ofuscantes, música alta e o som constante de fichas. O ar era pesado com o cheiro de fumaça de charuto e perfume caro. Isabella se sentiu fora de seu elemento, mas manteve a compostura, caminhando com confiança até o bar. Ela pediu uma bebida e esperou.

Não demorou muito para que um homem, com um terno impecável e um olhar furtivo, se aproximasse dela. Ele era o contador que Matteo mencionara. Seu nome era Giuseppe. Ele parecia nervoso, mas também intrigado pela presença de Isabella.

"Boa noite", ele disse, com um leve sotaque italiano. "Posso oferecer uma bebida à dama?"

Isabella sorriu, um sorriso calculado. "Seria um prazer."

Eles conversaram por um tempo, sobre assuntos triviais, sobre a noite, sobre os jogos. Isabella sentiu que Giuseppe a avaliava, mas não com a frieza de Carmine, e sim com uma curiosidade cautelosa. Aos poucos, ela começou a tocar no assunto que Matteo a instruíra a abordar, de forma sutil, plantando sementes de desconfiança sobre Carmine.

"Ouvi dizer que o Senhor Rossi tem muitos inimigos", Isabella disse, olhando para a bebida. "E que alguns deles estão se tornando cada vez mais ousados."

Giuseppe engoliu em seco. "O mundo dos negócios é complicado, senhorita. Há muitas reviravoltas."

"Sim, mas algumas reviravoltas são mais perigosas do que outras", Isabella insistiu, lançando um olhar penetrante para ele. "E algumas pessoas… algumas pessoas se beneficiam mais do que outras com essas reviravoltas."

Ela viu uma faísca de medo nos olhos de Giuseppe. Ele sabia do que ela estava falando. Matteo havia lhe dito que Giuseppe era leal a seu pai, mas temia por sua própria vida.

"Eu não quero me envolver em nada que possa me prejudicar", Giuseppe disse, a voz tensa.

"Ninguém quer", Isabella respondeu suavemente. "Mas às vezes, a melhor maneira de se proteger é garantir que você esteja do lado certo. E que as pessoas certas saibam que você não é uma ameaça." Ela se inclinou um pouco mais perto dele. "O Senhor Rossi se preocupa com aqueles que foram leais ao seu pai. Ele se preocupa com aqueles que foram prejudicados por Carmine. E ele está procurando por pessoas que possam ajudá-lo a expor a verdade."

Ela viu a hesitação nos olhos de Giuseppe, a luta interna entre o medo e a lealdade. Era o momento crucial. Ela sabia que Matteo estava em algum lugar, observando, esperando.

"Eu… eu não sei se posso", ele murmurou.

Isabella pegou sua mão, sentindo o suor frio. "Giuseppe, o Senhor Rossi sabe que você é um homem honrado. Ele sabe que você tem informações valiosas. Ele apenas quer ter certeza de que essas informações cheguem às mãos certas. E que você esteja seguro." Ela apertou a mão dele. "Se você falar comigo, ele poderá garantir sua proteção. Ele pode tirar você daqui. Para sempre."

Giuseppe olhou em volta, como se procurasse por Carmine, por perigo. A oferta de Matteo era tentadora, uma saída de seu labirinto de medo. Ele respirou fundo, seus olhos encontrando os de Isabella. Ela viu a decisão se formar ali.

"Eu… eu tenho algo", Giuseppe disse, baixando a voz. "Algo que pode ajudar. Mas não aqui. Não agora."

Isabella sentiu um alívio imenso. Ela havia conseguido. "Quando e onde?", ela perguntou, mantendo a voz calma.

"Amanhã. Ao amanhecer. Na velha doca abandonada. Ninguém vai lá." Giuseppe soltou a mão dela, um vislumbre de esperança em seus olhos. "Por favor, senhorita. Certifique-se de que eu estarei seguro."

"Você estará", Isabella prometeu, um sorriso genuíno finalmente surgindo em seus lábios. Ela sabia que o risco era enorme. Se Carmine descobrisse, as consequências seriam terríveis. Mas olhar para Giuseppe, para o alívio em seu rosto, fez tudo valer a pena. Ela havia dado um passo ousado, e Matteo estaria orgulhoso. Ela estava se tornando a arma que ele precisava, uma arma moldada não apenas pela paixão, mas pela coragem e pela determinação de proteger aqueles que amava. A noite ainda era longa, e o perigo espreitava em cada sombra, mas Isabella sentia que havia algo mais do que apenas o medo; havia a esperança de que, juntos, eles pudessem encontrar um caminho através da escuridão.

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