Seduzida pelo Perigo 58

Seduzida pelo Perigo 58

por Rodrigo Azevedo

Seduzida pelo Perigo 58

Capítulo 6 — O Preço da Lealdade

A noite em São Paulo era um véu de veludo negro, pontilhado por estrelas tímidas e o brilho ostensivo de um submundo que respirava nas sombras. No topo de um dos arranha-céus mais imponentes da Avenida Paulista, a vista era de tirar o fôlego, um mar de luzes que parecia dançar sob o comando invisível de alguém. Alguém como Dimitri Volkov.

Ele estava ali, em seu escritório, um santuário de mármore negro e couro italiano, com um copo de uísque envelhecido nas mãos. O líquido âmbar refletia as luzes da cidade, um espelho líquido de sua própria existência, complexa e perigosa. A porta se abriu suavemente, anunciando a chegada de Marco, seu braço direito, um homem de poucas palavras e lealdade inabalável.

"Dimitri," Marco disse, a voz grave ecoando no silêncio.

Dimitri não se virou. Continuou a contemplar a paisagem urbana, o semblante impassível, mas seus olhos traíam a tempestade interna. "Algo novo sobre a operação de Santos?"

Marco hesitou por um instante, um leve franzir de testa o único sinal de sua apreensão. "Sim. A informação que recebemos... era precisa. Eles estavam esperando por nós. Foi uma emboscada, Dimitri."

Um silêncio pesado se instalou no escritório, apenas quebrado pelo tilintar suave do gelo no copo de Dimitri. Ele finalmente se virou, os olhos azuis gélidos fixos em Marco. Havia uma fúria contida neles, uma brasa prestes a explodir.

"Emboscada," ele repetiu, a palavra soando como um rosnado. "E quantos dos nossos?"

"Perdemos quatro homens, Dimitri. E outros dois feridos. A carga foi recuperada. E o que é pior... a traição veio de dentro."

A notícia atingiu Dimitri como um soco no estômago. Ele apertou o copo com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Quatro homens. Quatro vidas que ele considerava seus. E uma traição. A palavra ecoava em sua mente, um veneno insidioso.

"De dentro," ele sussurrou, a voz rouca. "Quem?"

Marco retirou um envelope de dentro do paletó. "Anastasya. Ela fugiu com a carga e o nosso informante. Parece que a oferta do outro lado era mais alta."

O nome de Anastasya. A dançarina que ele trouxera para seu círculo íntimo, a mulher misteriosa cujos olhos pareciam esconder segredos tão profundos quanto os dele. A mulher que, ele admitia a si mesmo, havia começado a ocupar um espaço perigoso em seu coração. A traição dela não era apenas uma perda material ou estratégica; era uma ferida pessoal.

"Anastasya," Dimitri repetiu, o nome carregado de escárnio e dor. Ele jogou o copo na mesa com força, o som do vidro se estilhaçando ecoando como uma explosão no escritório. "Aquela víbora. Eu devia ter sabido. Sempre há um preço. E ela decidiu vender a sua alma por mais dinheiro."

Ele começou a andar pelo escritório, a figura imponente e ameaçadora. Cada passo parecia carregar o peso de sua raiva e decepção. "E quem é o nosso informante? O rato que abriu as portas para eles."

Marco estendeu o envelope. "Vladimir. Ele era o nosso contato na alfândega. Trabalhava conosco há anos."

Vladimir. Outro nome que evocava confiança, anos de serviço. Dimitri parou em frente à janela novamente, observando o caos organizado da cidade lá embaixo. Parecia um reflexo perfeito de sua própria vida, um emaranhado de lealdades testadas, traições inesperadas e o constante jogo de poder.

"Vladimir e Anastasya," ele disse, a voz fria e calculista agora. "Eles acham que podem sair impunes. Que podem me roubar e simplesmente desaparecer." Ele se virou para Marco, os olhos brilhando com uma determinação sombria. "Marco, quero Anastasya e Vladimir encontrados. Mortos. E quero a carga de volta. Entendeu?"

"Entendi, Dimitri," Marco respondeu, sem hesitar.

"E sobre a operação em Santos," Dimitri continuou, o tom de voz ainda mais perigoso. "Precisamos reagrupar. Recuperar as perdas e mostrar a quem quer que seja que o meu império não é um alvo fácil. Quero que preparemos uma resposta. Algo que eles nunca esquecerão."

Ele se sentou em sua cadeira giratória, o corpo tenso, a mente já arquitetando os próximos passos. A traição de Anastasya o atingira de forma profunda. Ele havia confiado nela, visto algo nela que o atraía além da superficialidade. Ele a achava diferente, um refúgio em meio à escuridão. Agora, essa esperança se desfazia em pedaços, espalhando-se como os cacos do copo em sua mesa.

"Marco," ele disse, a voz mais calma, mas com uma intensidade latente. "Prepare um encontro comigo. Preciso de informações sobre o paradeiro de Anastasya. Alguém deve saber para onde ela foi. E quero saber quem era o comprador. Quem pagou para nos trair."

"Sim, Dimitri."

Marco saiu, deixando Dimitri sozinho novamente com seus pensamentos. Ele pegou um dos cacos de vidro de sua mesa, a luz se refletindo em sua superfície afiada. Era como a verdade que agora se revelava: cortante, perigosa e dolorosa. Ele sabia que a lei da máfia era implacável. Traição era um crime capital, e a pena era a morte. E ele era o juiz, júri e carrasco.

Ele se levantou e caminhou até uma estante, onde guardava uma coleção de armas antigas. Pegou uma pistola automática, polida e impecável. A sentiu em suas mãos, o peso familiar, o potencial de destruição. Ele não era um homem que se permitia ser fraco. A dor da traição seria transformada em combustível. Ele seria mais implacável, mais perigoso.

"Anastasya," ele sussurrou para o vazio, o nome soando como uma promessa de vingança. "Você cruzou a linha errada."

O telefone tocou, tirando-o de seus devaneios. Era Nikolai, seu contato em um dos portos de Santos.

"Dimitri," Nikolai disse, a voz tensa. "Os caras que atacaram nossa equipe... eles não eram de nenhuma facção local conhecida. Usavam equipamentos de ponta. Pareciam profissionais."

"Profissionais," Dimitri repetiu, pensativo. "Eles foram pagos para nos atingir. Quem está por trás disso? Quem quer ver a nossa operação em Santos desmantelada?"

"Não temos informações concretas ainda, Dimitri. Mas há rumores de que um novo jogador está entrando no jogo. Alguém que quer o controle da rota de contrabando."

Um novo jogador. Essa informação era crucial. A traição de Anastasya, os ataques coordenados em Santos, tudo parecia parte de um plano maior. Alguém estava tentando usar a fraqueza de Dimitri, a sua atenção dividida, para se fortalecer.

"Nikolai, preciso que você descubra quem é esse novo jogador. E me diga qual a ligação dele com Anastasya. Se ela se vendeu, ela se vendeu para alguém."

"Farei o meu melhor, Dimitri."

Dimitri desligou o telefone. O uísque na mesa parecia menos atraente agora. Havia um incêndio para apagar, e ele precisava estar sóbrio e focado. A vingança contra Anastasya era pessoal, mas a guerra que se iniciava era estratégica. Ele não podia permitir que um novo poder o desafiasse em seu próprio território.

Ele pegou o paletó, a determinação gravada em seu rosto. A noite, antes um manto de mistério e sedução, agora se tornava um campo de batalha. Ele sairia às ruas, não para admirar as luzes, mas para caçar. A lealdade era a moeda mais valiosa no mundo dele, e Anastasya havia tentado cobrá-la com o dinheiro sujo da traição. Ela descobriria, da pior maneira possível, que a lealdade de Dimitri Volkov tinha um preço, mas a traição tinha um custo ainda maior. E ela não poderia pagar.

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