A Caçadora de Vampiros II

Luna Teixeira

por Luna Teixeira

Luna Teixeira

A Caçadora de Vampiros II

Capítulo 1 — O Sussurro nas Sombras da Madrugada

O ar de São Paulo, mesmo nas horas mais recônditas da madrugada, tinha um peso. Um peso de poluição, de suor, de sonhos esquecidos e de segredos que a cidade teimava em não revelar. Mas para Elisa Vargas, aquele peso era mais denso, mais carregado. Era o odor metálico do sangue, o perfume adocicado e putrefato da morte, o cheiro inconfundível de algo antigo e maligno que se movia sob o véu da noite.

Ela estava no topo de um arranha-céu abandonado na região da Barra Funda, um fantasma de concreto e vidro que arranhava o céu escuro como um dedo ossudo. O vento chicoteava seus cabelos negros, desalinhando as tranças que costumava manter em ordem impecável. A jaqueta de couro preta, surrada e marcada por inúmeras batalhas, parecia uma segunda pele, um escudo contra o frio e, mais importante, contra as garras afiadas de seus inimigos.

Seus olhos, de um azul profundo que parecia ter absorvido toda a melancolia do oceano, perscrutavam a cidade abaixo. Cada rua, cada beco escuro, cada janela iluminada era um potencial esconderijo. Elisa era uma caçadora. Não de animais, não de criminosos comuns. Ela caçava vampiros. Criaturas ancestrais, de beleza sedutora e crueldade sem limites, que se alimentavam da vida dos humanos, vivendo em meio a nós, invisíveis para a maioria, mas visíveis, e mortais, para ela.

Um arrepio percorreu sua espinha, não de frio, mas de antecipação. O rádio em seu ouvido crepitou, a voz de Miguel, seu parceiro e, secretamente, o homem que roubava seus suspiros e sua paz, soou rouca e urgente.

"Elisa, tem alguma coisa aí. Padrão de energia anômalo vindo do antigo teatro Municipal. Algo… pesado."

O Teatro Municipal. Um ícone da cidade, um palco de tantas histórias. Agora, talvez, um palco para uma nova tragédia. Elisa sentiu um nó apertar seu estômago. Vampiros gostavam de lugares com história, com um eco de glória passada, onde podiam se alimentar não só de sangue, mas de nostalgia e desespero.

"Pesado como?", ela perguntou, a voz firme, mas com uma tensão subjacente que Miguel, conhecendo-a como a palma da sua mão, não deixaria passar despercebida.

"Pesado como aqueles que não deviam respirar o mesmo ar que nós. Sinto o cheiro daí mesmo, Elisa. Sangue velho. Muito sangue velho."

O sangue velho. Um vampiro de linhagem, um ser com séculos de existência, com poder e conhecimento que a maioria dos recém-criados nem sonhava em possuir. Elisa desceu pelas escadas de incêndio, cada passo calculado, cada movimento preciso. Ela não era uma guerreira impulsiva. A precisão era sua arma, a estratégia, seu escudo.

O Teatro Municipal era um colosso de arquitetura eclética, um vestígio de um tempo de opulência. As luzes da cidade criavam um jogo de sombras em sua fachada imponente, tornando-o ainda mais misterioso. Elisa se moveu com a agilidade de um felino, deslizando pelas sombras, usando a arquitetura gótica a seu favor.

Miguel já estava em posição, a alguns quarteirões de distância, cobrindo as rotas de fuga. Seus olhos estavam focados no teatro, o rifle em suas mãos, um protótipo modificado com projéteis de prata e estacas de madeira bendita.

"Nada de entrada pela frente, Elisa. Portas principais trancadas, guardas… bem, não parecem humanos."

Elisa sorriu ironicamente. "Guarda de carne para um prato de sangue? Que original."

Ela se aproximou de uma entrada lateral, um portal de serviço quase engolido pela escuridão. O metal estava frio, mas Elisa sentiu um calor estranho emanando de seu interior. Um calor maligno. Ela sacou sua adaga, uma lâmina de prata pura incrustada com símbolos antigos de proteção. O metal da porta gemeu sob a pressão, e então, com um estalo seco, cedeu.

O interior do teatro era ainda mais sombrio e opressor. O cheiro era avassalador agora. Uma mistura de poeira, mofo, perfume caro e… sangue. Sangue fresco. E não apenas um. Parecia haver o rastro de várias vítimas recentes.

Ela ativou a visão noturna em suas lentes de contato especiais. O mundo se transformou em um espectro de verdes e azuis. As formas ganharam contornos sinistros, e o que pareciam ser manchas de umidade nas paredes, agora brilhavam com um tom avermelhado.

"Miguel, estou dentro. O cheiro é… intenso. Várias vítimas, e o rastro principal leva ao palco principal."

"Cuidado, Elisa. Tenho a sensação de que isso não é uma caçada comum. O nível de poder que sinto… é o de um dos Anciãos."

Os Anciãos. Os vampiros originais, os fundadores das linhagens mais antigas e perigosas. Enfrentá-los era quase suicídio. Mas Elisa não recuava. Ela não podia. Havia uma razão pela qual ela dedicava sua vida a essa guerra invisível, uma razão que queimava em seu peito como um fogo sagrado.

Ela se moveu pelo corredor principal, seus passos mal audíveis no carpete empoeirado. As cortinas pesadas que cobriam as janelas pareciam sudários, e as estátuas clássicas nos cantos pareciam observar sua passagem com olhos vazios e acusadores.

Ao se aproximar da entrada para o palco, ouviu vozes. Sons guturais, baixos, de uma língua antiga que Elisa não reconhecia, mas cujo tom carregado de ameaça ela compreendia perfeitamente. E junto com as vozes, o som de algo sendo rasgado. Carne.

Seu coração disparou. Ela precisava agir rápido. Ela se agachou, a adaga pronta, e esperou. As vozes pararam. Um silêncio tenso se instalou, quebrado apenas pelo gotejar de algo úmido no palco.

Elisa inspirou profundamente, sentindo a energia fria e perversa que emanava de dentro. Ela sabia que estava prestes a pisar em um terreno perigoso, onde a beleza se misturava à crueldade, e onde a morte esperava à espreita nas sombras.

"Miguel, ele está no palco. Juro por Deus, sinto o poder dele. Um Ancião."

A resposta de Miguel foi uma pausa tensa. "Elisa… recue. Não é uma luta que você deva travar sozinha."

Ela fechou os olhos por um instante, respirando fundo. "Não posso. Há sangue fresco. Pelo menos duas vítimas recentes. Eu preciso vê-lo."

Com um movimento rápido e decidido, Elisa abriu a pesada cortina vermelha que separava o corredor do palco. A luz fraca que vinha das lanternas de emergência pintava o palco com tons de vermelho e laranja. E ali, no centro, estava ele.

Ele não era o monstro que as lendas pintavam. Ele era a personificação da beleza sombria e da decadência. Alto, com cabelos escuros que caíam em cascata sobre ombros largos e uma pele pálida que parecia brilhar na penumbra. Vestia um traje elegante, de um corte antigo, que parecia ter sido feito para ele. E seus olhos… seus olhos eram de um vermelho sangue, brilhando com uma inteligência fria e uma fome antiga.

A seus pés jaziam os corpos de dois jovens, suas roupas rasgadas, seus corpos marcados por mordidas. O cheiro de sangue era sufocante. O Ancião não se moveu. Ele apenas a observou, um sorriso lento e cruel se formando em seus lábios finos.

"Uma caçadora", ele sibilou, a voz melodiosa, mas com um tom cortante que fez os pelos de Elisa se eriçarem. "Uma mosca irritante, tentando atrapalhar os verdadeiros senhores da noite."

Ele se levantou, e Elisa sentiu o poder que emanava dele como uma onda fria e opressora. Era uma aura de milênios de existência, de incontáveis batalhas, de fome insaciável.

"Você não deveria estar aqui, mortal", ele disse, seus olhos vermelhos fixos nos dela. "Este é um lugar de descanso, não de caça."

Elisa levantou sua adaga, a prata reluzindo fracamente. "Descanso para você é morte para outros. E eu sou a doença que os expulsa do meu mundo."

O Ancião riu, um som frio e sem humor. "Que coragem… ou que tolice. Você é apenas uma criança brincando de ser heroína."

"Eu sou Elisa Vargas", ela respondeu, a voz firme, desafiadora. "E eu não brinco. Eu caço."

O sorriso do Ancião desapareceu, substituído por uma expressão de fúria contida. "Então, Elisa Vargas, prepare-se para encontrar seu próprio fim."

Ele se moveu. Não como um humano. Ele se moveu com uma velocidade sobrenatural, um borrão escuro em direção a ela. Elisa reagiu no instinto, esquivando-se para o lado, a adaga em punho. A batalha havia começado. E no silêncio sombrio do Teatro Municipal, o destino de muitos seria decidido.

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