O Guardião Sobrenatural

Capítulo 18 — A Verdade de Arnaldo e o Despertar do Guardião

por Luna Teixeira

Capítulo 18 — A Verdade de Arnaldo e o Despertar do Guardião

A noite caía sobre Vila Esperança como um manto de veludo escuro, salpicado de estrelas frias e distantes. Clara, sentada na sacada de seu quarto, sentia o peso da decisão que tomara no mercado. A oferta de Silas ainda ecoava em sua mente, uma sirene sedutora para a escuridão. Mas as palavras de Íris a haviam ancorado, lembrando-a da verdadeira força que residia em sua linhagem. Ela precisava de respostas, e Arnaldo era a chave.

A imagem dele, de seus olhos tempestuosos e de seu toque que incendiava sua alma, a atormentava. A noite em que ele se afastou, deixando-a com a sensação de um beijo incompleto e um coração em chamas, era uma ferida que se recusava a cicatrizar. Ela sabia que ele guardava segredos, que sua relutância em se aproximar era um reflexo de algo profundo e talvez doloroso.

Reunindo toda a sua coragem, Clara desceu até o anexo onde Arnaldo costumava se recolher. A porta estava entreaberta, e uma luz fraca emanava de dentro. Hesitante, ela bateu suavemente.

"Arnaldo?", chamou, a voz embargada.

Um silêncio tenso se seguiu, e então a porta se abriu completamente. Arnaldo estava ali, seus olhos escuros fixos nela, uma mistura de surpresa e apreensão em seu rosto. Ele parecia mais sombrio do que nunca, a aura de mistério que o envolvia mais densa.

"Clara", ele disse, a voz grave, quase um rosnado. "O que faz aqui a esta hora?"

"Eu preciso falar com você", ela respondeu, dando um passo para dentro. O quarto era simples, quase espartano, mas carregado de uma energia antiga. Havia livros empilhados, mapas antigos e um leve aroma de incenso. "Íris me contou sobre o pacto, sobre a maldição. Sobre o que eu sou."

Arnaldo fechou os olhos por um instante, um suspiro escapando de seus lábios. "Eu sabia que ela acabaria por lhe dizer." Ele a encarou, a intensidade em seu olhar fazendo o coração de Clara acelerar. "E você acredita nela?"

"Eu não sei mais em quem acreditar", Clara confessou, a voz trêmula. "Mas eu sinto isso em mim, Arnaldo. Essa força. Essa escuridão. E eu tenho medo."

Ele se aproximou, o espaço entre eles carregado de uma tensão palpável. Seus olhos percorreram o rosto de Clara, buscando algo que ela não sabia expressar. "O medo é compreensível. Mas você não deve se entregar a ele."

"Você sabia, não é? Que eu era assim. Que eu era parte de tudo isso." A acusação era suave, mas carregada de dor.

Arnaldo suspirou novamente, um som de resignação. "Eu sabia que você era especial, Clara. Que possuía uma energia que não era comum. E eu sabia do perigo que ela representava, tanto para você quanto para os outros." Ele hesitou, como se lutasse com suas próprias palavras. "Minha família... ela também está ligada a essa proteção. Somos Guardiões de outra linhagem, com um dever de vigiar as fronteiras, de intervir quando o véu entre os mundos se torna fino demais."

"Outra linhagem?", Clara repetiu, a mente girando. "Então você também é um guardião?"

"De uma forma mais sombria, talvez", Arnaldo admitiu, a voz baixa. "Nossos ancestrais lidaram com as sombras que emanavam do portal, com as criaturas que tentavam atravessá-lo. E essa luta... ela deixou marcas em nós." Ele olhou para as próprias mãos, que pareciam carregar um peso invisível. "Eu carrego a culpa de falhas passadas, de momentos em que não fui forte o suficiente. E a aproximação com você... ela me lembra disso."

"Por que você se afasta de mim, Arnaldo?", Clara perguntou, a voz embargada. "Por que você me beija com tanta paixão e depois me ignora como se eu fosse um fantasma?"

A pergunta pairou no ar, carregada de emoção não dita. Arnaldo desviou o olhar, a mandíbula tensa. "Porque eu não quero te machucar, Clara. Porque você é uma luz em um mundo de sombras, e eu... eu trago a escuridão comigo. Cada vez que me aproximo, eu te coloco em perigo. Eu te aproximo do abismo."

"Mas eu não quero ser protegida de você, Arnaldo!", Clara exclamou, lágrimas começando a se formar em seus olhos. "Eu quero entender. Eu quero lutar ao seu lado. Eu sou uma guardiã também, não sou? Eu tenho essa força dentro de mim. Eu não quero fugir dela."

Seus olhos se encontraram novamente, e desta vez, Arnaldo não desviou. Havia uma aceitação em seu olhar, uma faísca que Clara nunca tinha visto antes. "Você tem a força, Clara. Mais do que imagina." Ele deu um passo à frente, a mão erguida, hesitando antes de tocar seu rosto. "O que você sente... é a sua ancestralidade despertando. A chama que arde em você é a mesma que arde em todos os Guardiões. E ela não é uma maldição. É um dom."

Ao toque de sua mão, Clara sentiu uma corrente elétrica percorrer seu corpo. Não era a energia fria e descontrolada que a atormentava, mas algo mais quente, mais puro. Era como se Arnaldo estivesse reacendendo uma chama adormecida dentro dela.

"Mas como eu controlo isso?", ela sussurrou, a voz quase inaudível.

"Você não controla. Você abraça", Arnaldo respondeu, seus olhos escuros fixos nos dela. "Você aprende a canalizá-la. A usá-la para o bem. E eu... eu posso te ensinar." Ele a puxou para mais perto, seus corpos se tocando. O beijo que se seguiu não foi roubado, nem hesitante. Foi um beijo de entrega, de reconhecimento mútuo. Era um beijo que falava de medos compartilhados, de forças recém-despertadas e de um destino que agora parecia inseparável.

Naquele instante, Clara sentiu a maldição se transformar. A escuridão em seu interior não desapareceu, mas se tornou maleável, uma força a ser guiada, não uma besta a ser temida. Ela sentiu a energia do portal, não como uma ameaça, mas como um chamado. Um chamado para a ação.

Arnaldo a afastou gentilmente, seus olhos brilhando com uma nova determinação. "A barreira está enfraquecendo, Clara. O portal se manifestará em breve. Precisamos estar prontos."

"Prontos para quê?", Clara perguntou, sentindo uma força vibrante percorrer seu corpo.

"Para proteger. Para lutar. Para impedir que a escuridão consuma tudo", Arnaldo respondeu. "Você não é mais apenas uma herdeira da maldição, Clara. Você é uma Guardiã. E eu estarei ao seu lado."

Naquele momento, sob o olhar das estrelas frias, Clara sentiu algo se transformar dentro dela. O medo deu lugar à coragem. A incerteza à convicção. A maldição era real, mas sua força interior era ainda maior. Ela era uma Guardiã, e com Arnaldo ao seu lado, ela enfrentaria qualquer escuridão que viesse. O despertar do Guardião dentro dela havia começado.

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