Cap. 23 / 17

Magia e Amor II

Capítulo 23 — O Eco nas Ruínas Esquecidas

por Luna Teixeira

Capítulo 23 — O Eco nas Ruínas Esquecidas

O carro de Gabriel atravessou as estradas poeirentas, deixando para trás a agitação da cidade e mergulhando em um cenário de montanhas escarpadas e vales profundos. Clara olhava pela janela, o coração apertado com uma mistura de antecipação e saudade. A despedida de Gabriel havia sido difícil. Ele sentira a tensão em seus ombros, a urgência em seus olhos, e apesar de não saber os detalhes, sua confiança nela era um bálsamo.

“Você tem certeza que precisa ir sozinha?”, Gabriel perguntou, a voz tensa. Ele a abraçara com força, o beijo em sua testa carregado de preocupação.

“Eu preciso, meu amor. Elias e eu temos uma pista sobre a origem do mal que estamos enfrentando. É algo que se relaciona com a minha linhagem, e eu preciso lidar com isso. Mas voltarei para você, prometo.” Clara tentara soar calma, mas a urgência em sua voz traía seu estado de espírito.

Gabriel a segurou pelos ombros, o olhar fixo no dela. “Qualquer coisa que envolva essa sua ‘magia’… não se arrisque demais. Se precisar de ajuda, qualquer ajuda que eu possa dar, por mais simples que pareça, não hesite em me chamar. Eu não quero te perder.”

As palavras dele a atingiram como um raio. A fragilidade da vida, a iminência do perigo. Ela sorriu, um sorriso tingido de tristeza. “Eu sei, meu amor. E eu não vou. Agora vá. Você tem um compromisso importante com a sua exposição.”

Ele ainda a encarou por um longo momento, como se quisesse gravar cada detalhe dela em sua memória. Finalmente, com um suspiro resignado, ele assentiu e se afastou, deixando Clara com Elias e o peso do mundo em seus ombros.

Agora, sentada ao lado de Elias no banco do passageiro de um jipe robusto, Clara sentia a paisagem mudar, as montanhas se aproximando com uma majestade imponente. O ar ficou mais frio, mais puro. Elias, com sua compostura habitual, guiava o veículo com precisão, seus olhos atentos à estrada sinuosa.

“Você está bem?”, Elias perguntou, sem desviar os olhos da estrada.

Clara respirou fundo. “Estou… ansiosa. Sinto que estamos nos aproximando do perigo, Elias. E quanto mais nos aproximamos, mais forte a presença se torna.”

“É natural. A Sombra Antiga sente a sua aproximação. Ela está testando as barreiras, tentando prever nossos movimentos.” Elias fez uma pausa, o olhar varrendo as montanhas que se erguiam à frente. “O mosteiro que buscamos… ele está em um local de grande poder elemental. Dizem que foi construído sobre um nexo de energias telúricas. Por isso, a entidade se interessaria por ele.”

“Um nexo de energias… como o que sentimos na Floresta Sombria?”, Clara perguntou, lembrando-se daquele lugar de aura densa e sombria.

“Semelhante, mas diferente. A Floresta Sombria era um lugar onde a vida lutava contra a decadência. Este lugar, o mosteiro, é um ponto de convergência entre o plano físico e os reinos elementais da terra e do espírito. Um lugar de transição. Por isso, o fragmento do Sol Negro seria um ponto focal tão potente.” Elias virou o volante, manobrando o jipe por uma estrada ainda mais estreita e acidentada. “O fragmento não é uma arma, Clara. É uma semente. Uma semente de escuridão que, se germinar completamente, pode abrir um portal permanente.”

Clara sentiu um arrepio percorrer sua espinha. “Germinar… como uma planta?”

“Metaforicamente, sim. A energia da escuridão se espalha, se manifesta, corrompe. A Sombra Antiga deseja que essa semente se enraíze em nosso plano. E se ela conseguir, a barreira entre os mundos se tornará fina como um véu, e a influência dela se espalhará como uma praga.” Elias parou o jipe em uma pequena clareira. “A partir daqui, teremos que seguir a pé. A estrada termina aqui.”

Eles desceram do carro, o ar frio da montanha mordendo seus rostos. A paisagem era de uma beleza selvagem e desoladora. Pinheiros altos e antigos se estendiam até onde a vista alcançava, e o som do vento uivando entre as árvores criava uma melodia melancólica. Clara vestia roupas mais práticas, mas sentia o peso do colar de ônix contra sua pele, um lembrete constante de sua missão.

“Precisamos ter cuidado”, Elias advertiu, seus olhos treinados examinando a vegetação densa. “Lugares assim, com tanta energia latente, atraem criaturas estranhas. E a Sombra Antiga pode usar isso a seu favor.”

Eles começaram a subir por uma trilha íngreme e mal definida. A cada passo, Clara sentia a energia do lugar se intensificar. Era uma sensação de antiguidade, de segredos guardados. Ela podia sentir as rochas pulsando com uma força sutil, a terra respirando sob seus pés.

“Aqui”, Elias parou de repente, apontando para uma abertura na encosta rochosa, quase oculta por arbustos e samambaias. “O acesso ao mosteiro.”

A entrada era uma fenda escura na pedra, que levava a um túnel estreito e úmido. Clara sentiu a presença da escuridão se intensificar ali, um frio rastejante que não vinha do clima. Era uma aura de desolação e abandono.

“O mosteiro foi abandonado há séculos, após um evento que ninguém mais se lembra claramente”, Elias explicou, enquanto acendia uma lanterna. “Mas os poucos registros que restaram mencionam um ‘santuário interior’ onde os monges guardavam o que chamavam de ‘a pedra que chora’.”

“A pedra que chora… seria o fragmento do Sol Negro?”, Clara perguntou, a voz ecoando no túnel.

“Provavelmente. O nome sugere algo que irradia tristeza e corrupção.” Elias entrou no túnel, e Clara o seguiu de perto, a lanterna projetando sombras dançantes nas paredes úmidas.

A caminhada pelo túnel durou o que pareceu uma eternidade. A cada curva, a sensação de estar sendo observada aumentava. Clara sentia a presença sutil de algo nas sombras, algo que se movia nas periferias de sua visão. Era um teste, ela sabia. A Sombra Antiga tentando assustá-los, minar sua determinação antes mesmo que chegassem ao seu objetivo.

Finalmente, o túnel se abriu em uma vasta caverna subterrânea. No centro, erguia-se o que um dia fora um santuário. As paredes de pedra estavam cobertas de musgo e líquen, e um silêncio pesado pairava no ar. No centro da caverna, sobre um pedestal de pedra desgastado, havia uma rocha escura e irregular. Ela não brilhava, mas parecia absorver a luz. E em sua superfície, havia um símbolo intrincado, um círculo com uma linha ondulada cruzando-o.

“A pedra que chora”, Elias sussurrou, aproximando-se com cautela.

Clara sentiu a energia emanando da pedra. Não era uma energia maligna explícita, mas uma energia de profunda melancolia, de um sofrimento antigo. Era a essência da Sombra Antiga em sua forma mais concentrada, um eco de sua dor e de sua fome.

“É… é tão triste”, Clara murmurou, sentindo uma pontada de compaixão misturada com o medo.

“A tristeza é um dos caminhos para a corrupção. É o que ele usa”, Elias respondeu, seus olhos fixos na pedra. “Eu preciso analisar o símbolo. Ele pode nos dizer como enfraquecer a influência da pedra.”

Enquanto Elias se aproximava da rocha para examinar o símbolo, Clara sentiu um arrepio diferente. Um frio mais intenso, mais invasivo. Ela se virou rapidamente. Nas sombras mais profundas da caverna, algo se movia. Não era uma criatura física, mas uma distorção no ar, uma presença que drenava a luz e o calor.

“Elias!”, ela exclamou, seu corpo travando em alerta.

Elias se virou, sua expressão tensa. “Ela está aqui. Ela sentiu que estávamos perto.”

A distorção nas sombras começou a tomar forma. Era como se a própria escuridão estivesse se concentrando, ganhando contornos vagos, mas ameaçadores. Dois pontos de luz vermelha intensa surgiram na escuridão, olhos que encaravam Clara e Elias com uma malevolência fria.

“Precisamos sair daqui”, Elias disse, sua voz firme, mas com um tom de urgência. “A pedra é importante, mas a nossa sobrevivência é mais. Não podemos enfrentar a Sombra Antiga em seu próprio terreno, ainda mais sem estarmos preparados.”

A distorção se moveu em direção a eles, o ar ao seu redor ficando gelado. Clara sentiu seu próprio poder se agitar dentro dela, um instinto de autoproteção. Ela estendeu a mão, focando sua energia. Uma luz fraca e dourada emanou de sua palma, um escudo improvisado contra a escuridão.

“Fique atrás de mim!”, Elias ordenou, puxando um pequeno amuleto de seu pescoço. As runas gravadas nele começaram a brilhar com uma luz azul intensa.

A criatura sombria atacou, deslizando pelo chão com uma velocidade aterradora. Clara sentiu a energia fria e corrupta roçar contra seu escudo de luz, quase o quebrando. Elias recitou um encantamento antigo, e uma onda de energia azul irrompeu do amuleto, atingindo a criatura e fazendo-a recuar com um som sibilante.

“Vamos!”, Elias gritou, agarrando o braço de Clara e puxando-a em direção ao túnel de onde vieram.

Eles correram de volta pelo túnel, a sensação de perseguição implacável em seus calcanhares. O ar atrás deles parecia frio e denso, a presença da Sombra Antiga se arrastando como uma névoa venenosa. Clara podia sentir o medo, mas também uma determinação crescente. Ela não seria quebrada. Ela lutaria.

Emergiram da escuridão do túnel para a luz fraca do crepúsculo, ofegantes e exaustos. A criatura sombria não os seguiu para fora do túnel, como se estivesse ligada àquele lugar. Clara olhou para trás, para a entrada escura da caverna, sentindo a presença maligna ainda pulsando ali.

“Ela está protegendo a pedra”, Elias disse, sua voz ofegante. “E ela sabe que nós sabemos sobre ela.”

Clara assentiu, o coração batendo forte. A Sombra Antiga havia se manifestado, e eles haviam sentido seu poder. Mas eles também haviam sentido algo mais: a fraqueza em sua energia, a necessidade de se alimentar do medo e da tristeza. A pedra que chora era uma ferida aberta, e eles precisariam encontrar uma maneira de curá-la, ou pelo menos, de contê-la. A jornada para as ruínas esquecidas havia apenas começado, e o caminho à frente era sombrio e incerto.

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