Cap. 7 / 17

Magia e Amor II

Capítulo 7 — O Despertar da Guardiã

por Luna Teixeira

Capítulo 7 — O Despertar da Guardiã

A biblioteca da mansão dos Valença era um santuário de sabedoria antiga, um labirinto de estantes repletas de livros empoeirados, pergaminhos amarelados e manuscritos que pareciam sussurrar segredos esquecidos. O cheiro de couro velho e papel se misturava ao aroma sutil de ervas secas, um perfume que Dona Helena usava para manter a mente clara e afastar as energias negativas. Naquela noite, a biblioteca se tornou o campo de treinamento de Isabella.

Após a conversa tensa com a avó, Isabella sentia uma mistura de pavor e excitação borbulhando em seu interior. O peso da verdade a oprimia, mas a promessa de Dona Helena de guiá-la reacendeu uma centelha de esperança. Ela sabia que a jornada seria árdua, mas a ideia de proteger a si mesma e sua família a impulsionava.

Dona Helena, com a paciência de uma mestra experiente, guiava Isabella através de textos que falavam sobre o grimório ancestral, sobre as origens do pacto e sobre os rituais que mantinham a maldição adormecida. As runas antigas, os símbolos místico e as descrições de entidades sombrias eram difíceis de compreender, mas Isabella se esforçava para absorver cada palavra, cada detalhe.

"Este é o Codex Umbra, Bella", Dona Helena disse, apontando para um tomo grosso, encadernado em couro negro, com um fecho de prata em forma de serpente. "Ele contém a história da nossa linhagem, a gênese da magia que corre em nossas veias. E também os meios para controlá-la, e os perigos que ela acarreta."

Isabella estendeu a mão com hesitação e tocou a capa fria do livro. Um formigamento sutil percorreu seus dedos, uma sensação de energia latente. Era como se o próprio livro a reconhecesse, a chamasse.

"A cada geração", Dona Helena continuou, sua voz baixa e ressonante, "um Valença nasce com o dom mais aguçado. Você é essa pessoa agora, Isabella. Seu potencial é imenso, maior do que o de qualquer um de nós em sua idade. É por isso que Ricardo… e outros… a cobiçam."

A menção de Ricardo trouxe um nó à garganta de Isabella. Aquele homem misterioso e sedutor, cujos olhos pareciam penetrar em sua alma, agora se revelava como uma ameaça. A paixão que ela sentira por ele parecia uma ilusão perigosa, uma teia tecida para prendê-la.

"Mas eu não entendo, avó. Se o dom é tão poderoso, por que não o usamos para o bem? Por que essa maldição?" Isabella perguntou, sua mente em turbilhão.

"A magia, minha querida, não é intrinsecamente boa ou má. Ela é uma força neutra. O que a define é a intenção de quem a usa. O pacto foi feito em um momento de desespero, para proteger a família de uma ameaça ainda maior. Mas o preço foi alto. A entidade que nos concedeu o poder exige um tributo. E esse tributo, ao longo dos séculos, tem se manifestado como a própria maldição que nos assombra."

Dona Helena pegou um pequeno cristal de quartzo que repousava sobre a mesa. "Esta é uma ferramenta simples, mas poderosa. Para canalizar energia. Vamos começar com o básico. Feche os olhos, Isabella. Sinta a energia ao seu redor. Sinta a terra sob seus pés, o ar em seus pulmões, o fogo que aquece esta sala."

Isabella fechou os olhos, concentrando-se nas sensações que sua avó descrevia. No início, era apenas um ruído em sua mente, uma cacofonia de pensamentos. Mas, à medida que se permitia relaxar, que se desprendia das preocupações do dia, começou a sentir algo mais. Uma vibração sutil, uma corrente subterrânea de energia que pulsava ao seu redor. Era como se o mundo estivesse vivo, respirando, e ela fizesse parte dessa respiração.

"Agora, sinta a energia dentro de você", Dona Helena instruiu. "A energia do seu dom. Ela pulsa em seu coração, em suas veias. Não a lute. Abrace-a."

Isabella focou sua atenção para dentro de si. Uma sensação quente e efervescente começou a se espalhar por seu corpo, concentrando-se em seu peito. Era uma sensação estranha, ao mesmo tempo familiar e completamente nova. Ela a imaginou como um rio subterrâneo, fluindo silenciosamente sob a superfície de sua existência.

"Imagine essa energia fluindo para as suas mãos", disse Dona Helena. "Para o cristal. Deixe-a fluir. Não a force, apenas a guie."

Isabella estendeu as mãos em direção ao cristal. Ela imaginou a energia quente se acumulando em suas palmas e, em seguida, fluindo suavemente para o quartzo. Para sua surpresa, o cristal começou a brilhar fracamente, emitindo uma luz suave e pulsante. Um arrepio de espanto percorreu seu corpo.

"Você está fazendo isso, Bella!", Dona Helena exclamou, seus olhos brilhando de orgulho. "Você está sentindo a conexão. Você é uma guardiã, minha neta. Uma guardiã de um poder antigo."

O brilho do cristal se intensificou por um momento, e Isabella sentiu uma súbita onda de vitalidade percorrer seu corpo. A fadiga que sentira mais cedo se dissipou, substituída por uma clareza mental e uma sensação de força renovada. Era uma euforia contagiante.

"Isso é… incrível", Isabella sussurrou, abrindo os olhos e admirando o cristal que agora brilhava com uma luz própria.

"É apenas o começo", disse Dona Helena, um sorriso sutil brincando em seus lábios. "Você tem um longo caminho a percorrer. E a escuridão… ela não dorme. Ela está sempre à espreita, esperando a menor oportunidade para se manifestar."

Enquanto falava, a porta da biblioteca se abriu lentamente, revelando a figura de Ricardo. Ele estava impecavelmente vestido, como sempre, com um sorriso que não alcançava seus olhos. A presença dele na mansão ainda a perturbava, uma mistura de atração e repulsa que a deixava desnorteada.

"Perdão pela interrupção, Dona Helena, Isabella", disse Ricardo, sua voz suave e sedutora. "Ouvi dizer que estavam estudando os antigos textos. Interessante. Algo em que eu poderia ser de grande ajuda."

Isabella sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Havia algo em seu olhar que a intimidava, uma intensidade sombria que ela não conseguia decifrar. A energia que ela acabara de despertar parecia se contrapor à presença dele, como se estivessem em polos opostos.

"Ricardo", Dona Helena disse, seu tom mais formal. "Estamos no meio de um treinamento. Algo que requer concentração e, digamos, privacidade."

"Oh, eu entendo", Ricardo respondeu, seus olhos encontrando os de Isabella. "Mas a magia dos Valença é um assunto familiar. E Isabella é parte da minha família, não é mesmo?"

A insinuação nas palavras dele a fez sentir-se desconfortável. Ele a via como um prêmio, um instrumento, e não como uma pessoa. A proximidade dele era perigosa, uma armadilha sutil.

"Eu não sou sua, Ricardo", Isabella disse, sua voz mais firme do que ela esperava. Ela sentiu a energia em seu corpo pulsar em resposta à sua declaração, como um escudo invisível.

Ricardo sorriu, um sorriso que a fez sentir um arrepio. "Ainda não, Isabella. Mas o destino tem um jeito curioso de unir as pessoas. Especialmente quando elas compartilham um poder tão… extraordinário."

Ele se aproximou, seus olhos fixos nos dela. Isabella sentiu uma atração quase irresistível, uma força que a puxava para ele. Mas, ao mesmo tempo, ela sentiu a energia de sua avó, a força dos textos que acabara de estudar, fortalecendo-a. Ela se lembrou de sua força recém-descoberta, do potencial que jazia adormecido dentro dela.

"Por favor, Ricardo, retire-se", Dona Helena disse, sua voz fria e cortante. "Este não é o momento nem o lugar."

Ricardo hesitou por um momento, seus olhos ainda fixos em Isabella. Ele parecia saborear a resistência dela, o desafio. Então, com um leve aceno de cabeça, ele se virou e saiu da biblioteca, deixando para trás um rastro de incerteza e um sentimento palpável de perigo.

Assim que ele saiu, Isabella soltou o ar que prendia. A tensão em seus ombros diminuiu, mas o desconforto permaneceu.

"Ele é perigoso, avó", Isabella disse, a voz trêmula.

"Mais do que você imagina, querida", Dona Helena concordou, seu rosto sério. "Ele está sendo manipulado por forças ainda mais sombrias. E ele acredita que você é a chave para a liberdade dele. Precisamos nos preparar. Você precisa se fortalecer."

Dona Helena pegou um pequeno amuleto de prata em forma de lua crescente. "Este amuleto é antigo. Ele foi usado por gerações para proteger aqueles que carregam o dom. Use-o. Ele lhe dará força e discernimento."

Isabella pegou o amuleto. Era frio ao toque, mas sentiu uma onda de energia protetora emanando dele. Ela o colocou em volta do pescoço, sentindo um conforto imediato.

"Obrigada, avó", Isabella disse, a voz embargada pela emoção. "Eu não sei o que faria sem você."

"Você tem a si mesma, Isabella", Dona Helena respondeu, abraçando-a. "E você tem a força que reside dentro de você. A magia Valença está em suas veias. E agora, você está começando a despertar para o seu verdadeiro poder. Você é uma guardiã. E o mundo precisa de você."

A noite continuava lá fora, a chuva batendo contra os vidros da biblioteca. Mas dentro daquele refúgio de conhecimento, Isabella sentia que estava se transformando. A menina ingênua que se preocupava apenas com arte e exposições estava dando lugar a uma mulher forte, com um destino complexo e perigoso à sua frente. A magia, antes um sussurro distante, agora ressoava em seu sangue, um chamado para o qual ela não podia mais se recusar a atender.

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