Cap. 9 / 17

Magia e Amor II

Capítulo 9 — O Jogo de Sombras

por Luna Teixeira

Capítulo 9 — O Jogo de Sombras

Os dias em Ouro Preto se desenrolavam em um ritmo frenético para Isabella. Sob a tutela de Dona Helena, ela mergulhava cada vez mais fundo no mundo da magia Valença. As aulas se tornaram mais intensas, os rituais mais complexos. Ela aprendia a canalizar sua energia, a criar barreiras protetoras e a sentir as presenças sutis que a cercavam. A biblioteca da mansão se tornou seu santuário, as palavras nos livros antigos se transformando em guias para uma realidade que ela mal começava a compreender.

A cada passo, no entanto, a sombra de Ricardo pairava sobre ela. Ele aparecia inesperadamente, com palavras doces e olhares sedutores, tentando sondar seus progressos e, sutilmente, desviá-la de seu caminho. Isabella sentia a atração que ele exercia, uma força quase magnética que a deixava confusa e vulnerável. Mas a lembrança das memórias sombrias, das palavras de sua avó, a mantinham em guarda.

Uma tarde, enquanto praticava um exercício de concentração no jardim, sentindo a energia das flores e da terra fluir através dela, Ricardo surgiu de repente, como um fantasma elegante. Ele estava impecável, como sempre, e carregava um buquê de rosas vermelhas.

"Para a mais bela flor desta cidade", disse ele, estendendo as rosas com um sorriso encantador.

Isabella hesitou, o amuleto em seu pescoço parecendo pulsar levemente, um aviso sutil. "Ricardo, eu… eu não sei se deveria aceitar."

"Por que não, Isabella?", ele perguntou, o sorriso diminuindo um pouco. "Não confia em mim?"

A pergunta a atingiu em cheio. A verdade era que ela não confiava mais nele, não completamente. Aquele homem sedutor escondia algo sombrio em seus olhos, e ela sentia isso em cada célula de seu ser.

"Eu confio na minha intuição, Ricardo", ela respondeu, sua voz firme. "E minha intuição me diz para ter cautela."

Ricardo riu, um som que parecia desprovido de alegria. "Cautela é um luxo que você não pode se dar, Isabella. O mundo em que você está entrando é perigoso. E você precisa de alguém forte ao seu lado. Alguém que entenda o poder que corre em suas veias."

Ele se aproximou, seus olhos fixos nos dela. Isabella sentiu o ar ficar mais denso, uma energia opressora emanando dele. Era como se ele estivesse tentando controlá-la, dominá-la com sua presença.

"Você está se tornando poderosa, Isabella", ele continuou, sua voz um sussurro. "Eu posso sentir isso. E eu posso ajudá-la a liberar todo o seu potencial. Juntos, podemos reescrever o destino da nossa família."

A proposta dele soou como uma armadilha. "Você quer o poder para você, Ricardo", Isabella disse, lembrando-se do ritual de purificação. "Você não quer quebrar o pacto, você quer controlá-lo."

O sorriso de Ricardo desapareceu completamente. Seus olhos se estreitaram, e por um breve momento, Isabella viu um vislumbre de fúria neles. "Você não entende nada, Isabella. O pacto é a nossa herança. A nossa força. Eu não quero quebrá-lo, eu quero dominá-lo. E você, com seu dom puro, é a chave para isso."

Ele deu um passo à frente, suas mãos se estendendo em direção a ela. Isabella sentiu um pânico crescente. A energia que ela aprendera a controlar começou a borbulhar dentro dela, uma força defensiva que a impelia a reagir.

"Não se aproxime, Ricardo!", ela alertou, estendendo a mão para impedi-lo.

Ignorando o aviso, ele avançou, suas mãos quase tocando os ombros dela. No momento em que seus dedos estavam prestes a roçarem sua pele, Isabella fechou os olhos e concentrou toda a sua vontade. Ela imaginou uma parede de luz dourada se formando entre eles, uma barreira impenetrável.

Uma onda de energia emanou dela, empurrando Ricardo para trás com força. Ele cambaleou, surpreso com a magnitude do poder que ela manifestara. A luz dourada brilhou intensamente por um momento, antes de se dissipar.

Ricardo a encarou, a surpresa em seu rosto substituída por uma raiva fria e calculista. "Você é mais forte do que eu pensava, Isabella. Mas a força bruta não será suficiente. Eu conheço seus segredos. Eu sei de onde você vem."

Ele deu um passo para trás, um sorriso sinistro voltando aos seus lábios. "Dona Helena está tentando enganá-la. Ela quer que você se sacrifique em um ritual tolo. Mas eu posso oferecer algo muito mais… gratificante."

"Eu não confio em você", Isabella repetiu, sua voz trêmula, mas firme.

"E você não deveria confiar em ninguém", disse Ricardo, seus olhos percorrendo o jardim como se buscasse algo. "Nem mesmo em sua avó. As sombras têm muitas faces, Isabella. E algumas delas estão mais perto do que você imagina."

Com essas palavras enigmáticas, ele se virou e desapareceu entre as árvores, deixando Isabella sozinha no jardim, com o coração acelerado e a mente em turbilhão. A menção de um ritual de sacrifício, a dúvida sobre sua avó… ele estava tentando semear a discórdia, jogando com seus medos.

Dona Helena apareceu na varanda, observando a cena com preocupação. Ela viera buscar Isabella para o jantar, mas percebera a tensão no ar.

"O que aconteceu, querida?", ela perguntou, descendo os degraus.

Isabella correu para os braços de sua avó, buscando conforto e segurança. "Ele estava aqui, avó. Ele tentou me tocar. E ele falou sobre o ritual… disse que você quer que eu me sacrifique."

Dona Helena a abraçou com força. "Eu sei, minha filha. Ricardo está desesperado. Ele sabe que você é a chave para quebrar o pacto, e ele não quer perder essa oportunidade. Mas ele está manipulando a verdade."

"Como assim?", Isabella perguntou, afastando-se para olhar nos olhos de sua avó.

"O ritual de purificação não é um sacrifício, Bella. É uma liberação. É a união de todas as energias dos Valença que portam o dom, canalizadas para um único propósito: quebrar a corrente do pacto. É um ato de renascimento, não de morte. Ricardo distorce as coisas para adequá-las à sua própria ganância."

Dona Helena pegou a mão de Isabella. "Ele está tentando plantar a semente da dúvida em você. Ele quer que você se sinta sozinha, desprotegida. Mas você não está, Bella. Eu estou aqui. E você tem a força dentro de si."

Naquela noite, Isabella mal conseguiu dormir. As palavras de Ricardo ecoavam em sua mente, a dúvida insinuando-se em suas defesas. Ela amava sua avó, confiava nela. Mas a ideia de um ritual que exigia tanta energia… e o tom de Ricardo… era perturbador.

Nos dias seguintes, Isabella sentiu uma mudança sutil na atmosfera da mansão. Era como se as sombras estivessem se aprofundando, as presenças se tornando mais audíveis. Ela via vultos pelos cantos dos olhos, ouvia sussurros indistintos quando estava sozinha. Era como se Ricardo tivesse aberto uma porta para a escuridão, e ela estivesse começando a invadir.

Um dia, enquanto estudava um antigo mapa de Ouro Preto com Dona Helena, procurando por locais de poder que pudessem ser usados no ritual, Isabella sentiu uma tontura súbita. As linhas do mapa se distorceram, e ela se viu transportada para um lugar diferente.

Era uma antiga capela, em ruínas, escondida nas montanhas. A luz do sol entrava por buracos no telhado, iluminando poeira e teias de aranha. Havia um altar de pedra no centro, e em volta dele, símbolos antigos entalhados no chão.

"Ricardo", ela sussurrou, reconhecendo a energia sinistra que emanava do local.

Ela viu Ricardo em pé no altar, em pé em frente a um grupo de pessoas encapuzadas. Ele segurava um artefato brilhante, uma espécie de orbe negra. Seus olhos brilhavam com um poder sombrio. Ele estava conduzindo um ritual, mas não era o ritual de purificação. Era algo mais sinistro.

"Ele está tentando usar o orbe para fortalecer o pacto, não para quebrá-lo", Dona Helena disse, sua voz tensa, mas clara, como se estivesse presente na visão de Isabella. "Ele quer se tornar o guardião da maldição, não se libertar dela."

Isabella sentiu o desespero apertar seu peito. Ela precisava impedi-lo. Ela precisava encontrar uma maneira de chegar àquela capela, de interferir no ritual.

"Eu preciso ir, avó", Isabella disse, sua voz firme. "Eu preciso impedi-lo."

Dona Helena assentiu, seus olhos cheios de preocupação, mas também de orgulho. "Eu sabia que você seria forte, Bella. Eu a ensinei o que pude. Agora, use tudo o que aprendeu. O destino da nossa família está em suas mãos."

Enquanto Dona Helena a guiava através de um ritual rápido para que Isabella pudesse se locomover mentalmente, Isabella sentiu uma determinação férrea. Ela não era mais a garota ingênua que chegara a Ouro Preto. Ela era uma Valença, uma portadora do dom, e estava pronta para lutar pelo seu futuro, pela liberdade de sua família. O jogo de sombras estava se intensificando, e Isabella estava pronta para entrar em campo.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%