Cap. 1 / 17

O Anjo Caído II

Absolutamente! Prepare-se para mergulhar em um mundo de paixão, segredos e o sobrenatural. Aqui estão os primeiros capítulos de "O Anjo Caído II", escritos com a alma de um romancista brasileiro:

por Luna Teixeira

Absolutamente! Prepare-se para mergulhar em um mundo de paixão, segredos e o sobrenatural. Aqui estão os primeiros capítulos de "O Anjo Caído II", escritos com a alma de um romancista brasileiro:

Capítulo 1 — O Chamado Sombrio das Ruínas

O sol, um disco de cobre incandescente, despedia-se no horizonte, tingindo o céu de Lapa com tons de laranja e violeta. O ar, que antes era vibrante com o burburinho dos boêmios e o perfume das flores de ipê, agora se tornava denso, carregado de uma melancolia ancestral. Helena, com seus cabelos negros como a noite desgrenhados pelo vento, sentia essa mudança no âmago de sua alma. Aos vinte e sete anos, os olhos castanhos, que um dia brilharam com a inocência da juventude, agora refletiam a tempestade que se formava em seu interior. Ela estava ali, nas ruínas do antigo convento, um lugar que sempre a atraiu e a repeliu em igual medida, como um imã de almas perturbadas.

As pedras frias e úmidas sussurravam histórias de tempos esquecidos, de penitências e milagres. Mas hoje, o convento parecia gritar. Um grito mudo, que só Helena parecia ouvir. Uma força invisível a puxava para dentro das ruínas, em direção ao coração escuro da construção desmoronada. Seus passos ressoavam com um eco fantasmagórico, cada toque de seus saltos desgastados nas pedras soltas era um aviso, um prenúncio.

“Helena! Onde você se meteu, garota?” A voz de sua tia, Dona Odete, rompeu o silêncio opressor, cheia de preocupação. A senhora, com seus cabelos grisalhos presos em um coque impecável e um avental manchado de farinha, tentava acompanhar o passo apressado de Helena, mas suas pernas cansadas não conseguiam.

Helena parou, virando-se para a tia com um meio sorriso que não alcançava seus olhos. “Calma, tia. Só estava sentindo a brisa noturna. Preciso de um pouco de ar.”

Dona Odete arqueou uma sobrancelha, ciente de que aquele "ar" que Helena buscava não era o que o corpo precisava. Havia algo mais. Algo que pairava sobre a sobrinha como uma nuvem negra desde a morte de seu pai, oProfessor Alencar, um renomado historiador obcecado por lendas e artefatos antigos.

“Esse lugar não me cheira bem, Helena. O seu pai passava horas aqui, perdido nesse passado que o consumiu. Não quero que você siga o mesmo caminho.” A voz de Dona Odete embargou, a lembrança do irmão era uma ferida que nunca cicatrizara.

Helena suspirou, um som rouco e profundo. “Eu não estou me perdendo, tia. Estou apenas… buscando.” Ela não sabia exatamente o que buscava, mas a sensação era inegável. Desde que encontrara a caixa de seu pai, escondida no sótão, com seus diários crípticos e um estranho medalhão de obsidiana, um portal havia se aberto em sua mente. Um portal para um mundo que ela não compreendia, mas que a chamava com uma urgência visceral.

“Buscando o quê, Helena? Respostas que nem ele encontrou? Ele se foi, meu anjo, e levou consigo um pedaço do nosso coração. Deixe o passado descansar.” Dona Odete segurou o braço de Helena com firmeza, seus olhos marejados implorando.

“Mas e se o passado não estiver em paz, tia?” Helena sussurrou, mais para si mesma do que para a tia. Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. As ruínas pareciam mais escuras agora, as sombras se alongando como dedos famintos. Um vento gélido, que não condizia com a noite amena, varreu o pátio desmoronado, fazendo as folhas secas dançarem em um frenesi macabro.

“Chega, Helena. Vamos para casa. Já está escuro e esse lugar… me dá calafrios.” Dona Odete tentou puxá-la, mas Helena se soltou com uma força surpreendente.

“Eu preciso ficar mais um pouco. Só mais um pouco, tia. Por favor.” A súplica em sua voz era genuína, mas havia uma determinação férrea em seus olhos que a tia conhecia bem. Era a mesma teimosia de seu irmão.

Dona Odete balançou a cabeça, derrotada. “Tudo bem. Mas não se demore. E tome cuidado. Esse lugar atrai coisas que não deveriam ser perturbadas.”

Helena assentiu, o coração batendo descompassado. Ela sabia que Dona Odete estava certa. Havia algo de perigoso ali. Mas a atração era mais forte do que o medo. Ela se afastou da tia, voltando seus passos para o interior do convento, para onde a escuridão parecia mais densa. As paredes cobertas de musgo e hera formavam um labirinto de sombras, e o silêncio era quebrado apenas pelo gotejar da água e o farfalhar de alguma criatura noturna.

Ela parou diante de um arco que levava a uma capela em ruínas. O teto havia desmoronado há muito tempo, deixando o céu estrelado como testemunha silenciosa da decadência. No centro do altar, outrora sagrado, repousava uma única flor, de um vermelho tão escuro que parecia absorver a pouca luz que restava. Helena sentiu um nó na garganta. Era a mesma flor que ela havia encontrado no diário de seu pai, desenhada com detalhes vívidos, acompanhada de uma anotação: "A flor do lamento, guardiã do véu."

Seus dedos roçaram a flor, sentindo sua textura aveludada e fria. Era real. E então, ela ouviu. Um sussurro baixo, quase inaudível, que parecia vir de dentro das próprias pedras.

“…Finalmente você chegou…”

Helena congelou. O som não era humano. Era uma melodia grave, carregada de dor e de um poder ancestral. Ela olhou ao redor, o corpo tenso, pronta para fugir. Mas o medo deu lugar a uma curiosidade que a consumia.

“…A linhagem continua… A chave está em suas mãos…”

As palavras ecoavam em sua mente, misturando-se com os batimentos frenéticos de seu coração. A chave? Que chave? A única coisa que possuía de seu pai, além dos diários, era o medalhão de obsidiana que ela usava pendurado no pescoço, sob a blusa. Ela o tocava instintivamente, sentindo o frio da pedra contra sua pele.

De repente, as ruínas ganharam vida. Sombras dançavam em padrões assustadores, e o ar se tornou gélido, carregado de uma energia palpável. Helena sentiu como se estivesse sendo observada por milhares de olhos invisíveis. Uma figura sombria começou a se materializar no centro da capela, envolta em um manto de escuridão que parecia se contorcer e pulsar. Era uma forma humanoide, alta e imponente, mas sem traços definidos, como se a própria noite tivesse ganhado corpo.

O pânico a dominou. Ela deu um passo para trás, tropeçando em uma pedra solta. O sussurro voltou, agora mais claro, mais próximo, e ela reconheceu a voz, uma voz que ela conhecia muito bem, mas que nunca a ouvira falar assim. Era a voz de seu pai, distorcida, carregada de uma dor que parecia dilacerar sua alma.

“Helena… minha filha… corra…”

A figura sombria estendeu um braço, e Helena sentiu uma corrente elétrica percorrer seu corpo. O medalhão em seu pescoço esquentou subitamente, emitindo um brilho fraco e pulsante. A flor vermelha no altar parecia desabrochar com mais intensidade, e um aroma doce e inebriante preencheu o ar.

Ela não conseguia se mover. Seus pés estavam pregados ao chão, seus olhos fixos na figura que se aproximava. A voz de seu pai soava em um lamento eterno.

“Ele… não… pode… te… ter…”

E então, a escuridão a envolveu. Não era uma escuridão comum, mas uma ausência de tudo, um vácuo que a sugava para um abismo sem fim. Ela sentiu um puxão violento, como se estivesse sendo arrancada de sua própria existência. A última coisa que viu foi o brilho do medalhão, um farol solitário na imensidão negra.

Quando Helena abriu os olhos, estava deitada em sua cama, no quarto que antes pertencia a seu pai. A luz do sol da manhã entrava pela janela, dissipando as sombras da noite. Seu corpo doía, e sua mente estava confusa, como se tivesse acabado de acordar de um pesadelo terrível. Mas a sensação da escuridão, o sussurro de seu pai, a imagem da figura sombria… tudo estava gravado em sua memória com uma nitidez assustadora.

Ela levou a mão ao pescoço, sentindo o medalhão de obsidiana, agora frio e inerte. Era real. A experiência não fora um sonho. Algo terrível havia acontecido nas ruínas, algo que a envolvia diretamente.

“Helena! Finalmente você acordou! Achei que tivesse pegado uma gripe forte ontem à noite.” Dona Odete entrou no quarto, com uma xícara de café fumegante nas mãos.

Helena sentou-se na cama, o coração ainda acelerado. Ela olhou para a tia, procurando alguma normalidade, alguma explicação. “Tia… ontem à noite… no convento…”

Dona Odete a encarou, uma ruga de preocupação se aprofundando em sua testa. “Você ficou muito tempo, menina. Começou a ficar pálida e com febre. Eu a trouxe para casa, estava delirando.” Ela colocou a xícara na mesa de cabeceira. “Você disse coisas estranhas, meu anjo. Falou com seu pai, sobre um chamado… e uma chave…”

Helena sentiu um arrepio. Sua tia a vira? Ou apenas ouvira seus delírios? Mas a imagem da figura sombria, a voz de seu pai… não eram delírios. Era uma verdade aterradora que ela precisava desvendar. A caixa de seu pai, com seus diários enigmáticos, estava sobre a cômoda. Era hora de mergulhar fundo nos segredos que ele havia deixado para trás. O anjo caído, ou o que quer que fosse que a havia visitado, sabia quem ela era. E a busca de Helena havia apenas começado.

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