Cap. 2 / 17

O Lobisomem

Capítulo 2 — Os Sinais na Floresta e o Chamado Ancestral

por Nathalia Campos

Capítulo 2 — Os Sinais na Floresta e o Chamado Ancestral

A lua escarlate pairava no céu como um olho de sangue, pintando a floresta que cercava Vila Serena com um brilho espectral. A atmosfera estava carregada de uma tensão palpável, como se a própria natureza estivesse prendendo a respiração em antecipação a algo terrível. Aurora, com o coração ainda acelerado pela presença de Mateus, sentia uma força invisível puxando-a para dentro da mata. Era um chamado ancestral, um eco de gerações que a compeliam a desvendar o segredo que sua avó tentara lhe transmitir.

Mateus permanecia ao seu lado, uma presença sólida e protetora. Seus olhos, geralmente severos, agora carregavam uma preocupação profunda, um conhecimento tácito do que estava por vir. Ele apertou a mão de Aurora, um gesto silencioso de conforto e alerta.

"As árvores... elas parecem mais escuras hoje", Aurora murmurou, observando as sombras dançarem entre os troncos nodosos. As folhas, outrora verdes e vibrantes, pareciam agora um manto escuro e opressivo.

"Elas sentem", Mateus respondeu, sua voz um rosnado baixo. "A floresta tem seus próprios sentidos. E ela grita quando algo está errado."

Ele soltou a mão dela e se moveu com a agilidade de um predador, examinando o chão com atenção. "Veja isto", ele disse, apontando para uma marca no solo macio. Era uma pegada, maior do que a de qualquer animal conhecido, com garras afiadas que haviam rasgado a terra. Ao lado, havia outras marcas, indicando que a criatura havia passado por ali em uma velocidade assustadora.

Aurora se ajoelhou, observando a pegada com um misto de horror e fascínio. Era inconfundível. As histórias de sua avó, os contos sussurrados pelos mais velhos, tudo isso se materializava diante de seus olhos. A criatura era real.

"Minha avó... ela disse que era uma maldição", Aurora falou, a voz trêmula. "Que a cada geração, a lua sangrenta traz... isso de volta."

Mateus assentiu, sua expressão sombria. "A linhagem de sua avó tem um papel antigo. Um elo com a terra, com os espíritos que a guardam. Mas também um elo com a criatura."

As palavras de Mateus a atingiram como um raio. Um elo com a criatura? Ela nunca imaginou que sua família pudesse estar ligada a algo tão sombrio.

"O que você quer dizer?", Aurora perguntou, olhando para ele com os olhos arregalados.

"Eu não sei todos os detalhes, Aurora", Mateus confessou, sua voz carregada de frustração. "As antigas guardam segredos. Mas sei que sua avó era uma protetora. E que essa proteção tem um preço. Um preço que a lua sangrenta vem cobrar."

Ele se aproximou de uma árvore antiga, com a casca marcada por séculos de intempéries. Com a ponta de sua faca, ele raspou um pedaço da casca, revelando um símbolo gravado profundamente na madeira. Era um lobo estilizado, com olhos que pareciam brilhar mesmo na penumbra.

"Este símbolo", Mateus disse, sua voz baixa e solene. "Sua avó o gravou. É um sinal de proteção. Mas também um chamado."

Aurora sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Ela se lembrou de ter visto aquele símbolo em um velho livro empoeirado na biblioteca de sua avó, um livro que ela nunca ousou abrir completamente. Um livro de saberes antigos, de ervas e de rituais.

"O chamado...", Aurora sussurrou. "Para quê?"

"Para enfrentar o que está por vir", Mateus respondeu, seu olhar fixo na floresta. "Eu o vi antes. A criatura. Não é apenas um animal. É algo mais. Uma força da natureza, corrompida."

Ele pegou algo de seu bolso. Era um pequeno saquinho de pano, que ele abriu, revelando um punhado de ervas secas com um aroma forte e terroso.

"Arruda, alecrim e espinheiro", Mateus disse, misturando as ervas em suas mãos. "Sua avó me ensinou algumas coisas antes de partir. Ela disse que se a lua sangrenta voltasse, eu deveria estar preparado. E que você deveria estar perto."

Ele entregou um pouco das ervas para Aurora. "Segure isso. O cheiro pode ajudar a manter a criatura afastada. E a força das ervas pode fortalecer sua própria coragem."

Aurora pegou as ervas, sentindo seu aroma penetrante invadir seus sentidos. As ervas pareciam emanar um calor suave, e ela sentiu um fio de esperança se acender em seu peito.

"Mas por que eu, Mateus?", Aurora perguntou, olhando para ele com intensidade. "Por que minha família tem essa ligação? E por que você se importa tanto?"

Mateus hesitou por um momento, seu olhar desviando para as profundezas da floresta. Havia uma dor em seus olhos, uma história não contada que parecia pesar em seu coração.

"Vila Serena tem segredos, Aurora", ele finalmente disse, sua voz rouca. "Segredos que moldam quem somos. Sua avó era uma mulher de sabedoria e poder. E eu... eu devo uma dívida a ela. Uma dívida que só pode ser paga enfrentando o que ela temia."

Um uivo mais próximo rompeu o silêncio, mais forte e ameaçador do que antes. O som parecia emanar de várias direções ao mesmo tempo, um coro de ferocidade que gelou o sangue de Aurora.

"Ela está perto", Mateus disse, seus músculos tensos. "Temos que ir. Há um lugar mais seguro. Um lugar onde os antigos se reuniam."

Ele a guiou para dentro da floresta, afastando os galhos com as mãos. A cada passo, a escuridão parecia se adensar, e os sons da mata se tornavam mais perturbadores. O farfalhar das folhas, o estalar de galhos, tudo parecia prenunciar a chegada da criatura.

"O que exatamente é essa criatura?", Aurora perguntou, sua voz um sussurro abafado pelo medo.

"Um lobisomem", Mateus respondeu, sem rodeios. "Mas não como os contos de fadas. É uma fera ancestral, que se alimenta do medo e da escuridão. E a lua sangrenta lhe dá força total."

Ele parou abruptamente, levantando a mão para impedi-la de avançar. Seus olhos se fixaram em um ponto na escuridão. Um brilho fugaz, um par de olhos amarelos que cintilaram por um instante antes de desaparecerem.

"Ela está nos observando", Mateus sussurrou, seu corpo tenso como uma corda de arco. "Ela sabe que estamos aqui."

Aurora sentiu um calafrio percorrer seu corpo. A presença da criatura era palpável, um mal que parecia impregnar o ar que respiravam. Ela apertou as ervas em sua mão, sentindo a fragrância forte como um escudo.

"Qual é o plano?", ela perguntou, sua voz firme apesar do medo que a consumia.

Mateus olhou para ela, um lampejo de admiração em seus olhos. "Sei onde encontrar proteção. Mas precisamos ser rápidos. E precisamos confiar um no outro."

Ele a puxou pela mão novamente, e juntos eles correram pela floresta, guiados pela luz sinistra da lua escarlate. Os sons da criatura se aproximavam, cada vez mais próximos, e Aurora sentiu o medo se transformar em uma determinação feroz. O chamado ancestral dentro dela estava se fortalecendo, preparando-a para enfrentar o que a noite trazia.

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