Cap. 3 / 17

O Lobisomem

Capítulo 3 — O Refúgio Ancestral e a Revelação Sombria

por Nathalia Campos

Capítulo 3 — O Refúgio Ancestral e a Revelação Sombria

A floresta parecia se fechar sobre eles, as árvores imponentes formando um teto escuro que apenas a lua escarlate conseguia perfurar em feixes fantasmagóricos. Aurora e Mateus corriam, o som de seus passos abafado pelo tapete de folhas secas e o eco dos uivos que os perseguiam. O medo era uma presença constante, mas agora, misturado a ele, havia uma adrenalina crua, uma necessidade de sobrevivência que impelia Aurora para frente.

Mateus, com sua força impressionante, abria caminho com destreza, protegendo Aurora de galhos baixos e raízes traiçoeiras. Seus olhos escaneavam a escuridão constantemente, um guardião atento contra o perigo iminente. Ele parecia saber para onde ir, guiado por um instinto ancestral que Aurora sentia reverberar em suas próprias veias.

"Estamos quase lá", Mateus ofegou, puxando Aurora para um pequeno desfiladeiro escondido entre formações rochosas cobertas de musgo. "Este lugar... é um refúgio. Os antigos o usavam para se proteger."

Eles adentraram uma abertura estreita na rocha, que logo se alargou para revelar uma caverna surpreendentemente espaçosa. A escuridão ali era mais densa, mas um leve brilho emanava de cristais incrustados nas paredes, lançando uma luz suave e etérea sobre o local. No centro da caverna, uma fogueira parecia ter sido acesa recentemente, com brasas ainda incandescentes.

"Alguém esteve aqui", Aurora observou, olhando em volta. Havia um cheiro de fumaça e algo mais, um aroma peculiar que ela não conseguia identificar.

Mateus assentiu, seu olhar varrendo a caverna com cautela. "Eu sabia que este lugar ainda era um ponto de refúgio. Minha avó me falou dele. E eu sinto a energia deste lugar. É antiga, forte."

Ele se aproximou da fogueira e soprou as brasas, que logo reacenderam, lançando um brilho acolhedor. O calor emanava como um abraço, afastando o frio da noite e a sensação de pavor.

"Precisamos nos aquecer", Mateus disse, sentando-se perto do fogo. Ele fez um gesto para que Aurora se juntasse a ele.

Enquanto o fogo crepitava, Aurora sentiu a tensão diminuir um pouco. Ela ainda sentia o perigo pairando do lado de fora, mas ali, naquele refúgio ancestral, sentia-se um pouco mais segura. Ela olhou para Mateus, seu rosto iluminado pelas chamas, e viu a profunda gravidade em seus olhos.

"Mateus", ela começou, sua voz ainda um pouco trêmula. "Você disse que minha família tem um elo com a criatura. E que você tem uma dívida. Fale comigo. Preciso entender."

Mateus suspirou, sua expressão se tornando ainda mais sombria. Ele pegou um pedaço de madeira e começou a traçar figuras na terra perto da fogueira.

"Vila Serena não foi sempre este lugar pacífico, Aurora", ele começou, sua voz baixa e solene. "Há muito tempo, nossos ancestrais viviam em constante medo. O lobisomem atacava sem piedade. Famílias eram dizimadas, o terror era o único sentimento que restava."

Ele parou, sua mão parando no desenho de uma figura humana sendo atacada por uma fera. "Até que um dos seus ancestrais, uma mulher de grande poder e coragem, fez um pacto. Um pacto com a própria terra, com os espíritos que a habitavam. Ela prometeu que sua linhagem seria a guardiã da vila, que protegeria os moradores do mal que espreitava nas sombras."

Aurora ouviu atentamente, o coração batendo forte em seu peito. Era a história que ela sempre sentira sob a superfície, o segredo que sua avó guardava com tanto zelo.

"Mas pactos têm suas condições", Mateus continuou, sua voz ganhando um tom mais sombrio. "E essa linhagem, a sua, Aurora, carrega em si uma bênção e uma maldição. A bênção de poder repelir e, em alguns casos, controlar a criatura. Mas a maldição de ser para sempre marcada por ela. Um elo que se fortalece em noites como esta."

Ele olhou diretamente para Aurora, seus olhos buscando os dela na penumbra. "O lobisomem é atraído pela energia da sua linhagem. Ele a busca, seja para destruí-la ou para... algo mais."

Aurora sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Ser para sempre marcada pela criatura? O que isso significava?

"Minha avó me contou sobre um ritual", Aurora falou, lembrando-se de fragmentos de conversas. "Um ritual que poderia romper o ciclo."

"Sim, o ritual", Mateus confirmou, seu tom ganhando um vestígio de esperança. "Mas ele é perigoso. E precisa ser realizado na noite da lua sangrenta, quando o véu entre os mundos está mais fino. Sua avó tentou, mas algo a impediu. Ela me passou parte do conhecimento antes de partir. E me pediu para protegê-la, se a lua sangrenta voltasse."

"E você?", Aurora perguntou, sua voz carregada de curiosidade e um toque de receio. "Qual é a sua ligação com tudo isso?"

Mateus hesitou, um olhar de dor cruzando seu rosto. "Minha família, Aurora, foi uma das primeiras a sofrer nas mãos do lobisomem. Minha avó, e a avó de sua avó, as duas mulheres mais poderosas de suas gerações, lutaram juntas para deter a criatura. Elas conseguiram, mas a um custo. Minha família, então, jurou lealdade à sua linhagem, para garantir que o sacrifício delas não fosse em vão."

Ele olhou para a fogueira, suas palavras carregadas de uma emoção contida. "Eu carrego o peso da história da minha família. E a promessa de proteger o que resta. E você, Aurora, é o que resta do legado mais importante."

De repente, um som agudo e arranhado ecoou do lado de fora da caverna, seguido por um rosnado gutural que fez o chão tremer. A criatura estava ali.

"Ela nos encontrou", Mateus disse, levantando-se rapidamente. Ele pegou um cajado de madeira robusta que estava apoiado na parede. "Precisamos estar prontos."

Aurora sentiu o medo voltar, mais forte do que antes. Mas agora, ela tinha um vislumbre da verdade. Sabia que sua família tinha um papel crucial na luta contra aquela criatura sombria. Sabia que Mateus estava ao seu lado, não apenas por dever, mas por uma conexão forjada em gerações de sofrimento e proteção.

"O que precisamos fazer?", Aurora perguntou, sua voz firme, segurando com força as ervas em sua mão.

Mateus olhou para ela, um brilho de determinação em seus olhos. "Precisamos ir para o coração da floresta. Onde o ritual deve ser realizado. E precisamos enfrentar a criatura. Sua avó me disse que a força da linhagem, combinada com a vontade de proteger, é a única arma capaz de feri-la."

Ele estendeu a mão para ela. "Vamos, Aurora. A lua sangrenta não espera por ninguém."

Aurora pegou a mão dele, sentindo a força e o calor que emanavam dela. Juntos, eles se prepararam para sair do refúgio, para enfrentar a fera que aguardava na noite de lua escarlate. A revelação sombria havia sido feita, e agora, a verdadeira batalha estava prestes a começar.

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