Cap. 13 / 17

A Troca

Capítulo 13 — O Encontro Inesperado e a Teia de Mentiras que se Aperta

por Priscila Dias

Capítulo 13 — O Encontro Inesperado e a Teia de Mentiras que se Aperta

O aroma de café fresco e pão de queijo recém-assado pairava no ar, um convite à tranquilidade que contrastava com a tempestade que se formava na mente de Ana Clara. Ela estava na cozinha da casa de Rafael, auxiliando Dona Helena na preparação do almoço de domingo. A matriarca, com sua energia contagiante e seu sorriso acolhedor, a tratava como uma filha, um gesto que apertava o coração de Ana Clara a cada dia.

"Querida, você parece um pouco distante hoje", Dona Helena comentou, virando um pão de queijo dourado na assadeira. "Está tudo bem?"

Ana Clara forçou um sorriso. "Claro, Dona Helena. Apenas um pouco cansada. Muitos preparativos para o casamento."

Era a desculpa perfeita. A próxima etapa do plano era o casamento, e ela precisava manter a fachada impecável. Rafael entrou na cozinha, radiante, um beijo suave depositado nos lábios de Ana Clara.

"Bom dia, meu amor. Vejo que já está ajudando minha mãe."

"Ajudando e aprendendo muito", Ana Clara respondeu, sentindo o calor subir em seu rosto.

Rafael a abraçou por trás, o toque dele um misto de conforto e desejo que a desarmava. "Você não precisa se preocupar com nada. Deixe que eu cuido de tudo."

"Eu sei, querido", ela murmurou, aconchegando-se em seus braços. "Mas gosto de estar aqui com vocês."

O almoço foi um evento familiar agradável. Rafael contou histórias de sua infância, Dona Helena ria com as lembranças, e Ana Clara se sentia, por momentos, parte daquela família. Era uma sensação perigosa, uma ilusão que ela sabia que em breve seria desfeita.

No meio da tarde, enquanto Rafael e Dona Helena discutiam detalhes da festa de casamento, o interfone tocou. Uma voz feminina, desconhecida, soou do alto-falante: "Por favor, chame o senhor Rafael Bittencourt. É um assunto urgente."

Rafael franziu a testa, confuso. "Não estou esperando ninguém."

Ele atendeu o interfone. "Pois não? Quem fala?"

A voz, agora mais clara, carregava uma nota de ansiedade. "Rafael, sou eu, Sandra. Preciso falar com você. É muito importante."

Ana Clara sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Sandra. A antiga namorada de Rafael, aquela que Dona Helena descrevera como calculista e ambiciosa. O nome dela soava como um presságio.

Rafael empalideceu ligeiramente. "Sandra? O que você quer?"

"Por favor, Rafael. É um assunto que não posso discutir por telefone. Deixe-me entrar."

Houve um momento de silêncio tenso. Rafael olhou para Ana Clara, uma pergunta silenciosa em seus olhos. Ela assentiu, um gesto encorajador, embora seu coração estivesse acelerado.

"Minha mãe", Rafael disse para Sandra, "está aqui conosco. E a minha noiva também. Não sei se é o melhor momento."

"Por favor, Rafael", a voz de Sandra insistiu, agora com um tom de súplica. "É algo que afeta você, algo que você precisa saber."

Rafael suspirou, derrotado. "Tudo bem. Pode subir."

Ele desligou o interfone e se virou para Ana Clara e Dona Helena, o semblante preocupado. "É Sandra. Minha ex-namorada."

Dona Helena suspirou, um leve desapontamento em seu rosto. "Ah, Sandra. Que ela venha em boa hora."

Ana Clara sentiu um nó na garganta. Ela sabia que a chegada de Sandra poderia ser um divisor de águas. A mulher que compartilhou a vida de Rafael, que conhecia seu passado, poderia ser a chave para desvendar a verdade que Ana Clara tanto tentava esconder.

Poucos minutos depois, a campainha tocou. Rafael foi atender a porta. Ana Clara e Dona Helena o seguiram, curiosas e apreensivas.

Era Sandra. Alta, elegante, com um vestido vermelho que realçava sua beleza estonteante e um olhar penetrante que parecia analisar tudo e todos ao seu redor. Ela era, de fato, uma mulher de presença marcante, com uma aura de confiança que, de alguma forma, incomodava Ana Clara.

"Rafael", Sandra disse, um sorriso calculado nos lábios, sem tirar os olhos de Ana Clara. "Você não me apresentou."

"Sandra, esta é Ana Clara, minha noiva", Rafael disse, a voz tensa. "E esta é Dona Helena, minha mãe."

Sandra estendeu a mão para Ana Clara, um aperto firme e frio. "Prazer em conhecê-la, Ana Clara. Ouvi falar muito de você."

Havia uma ironia velada em suas palavras que Ana Clara não deixou passar. Ela retribuiu o aperto, tentando manter a compostura.

"O prazer é meu, Sandra."

Eles se dirigiram à sala de estar, e Sandra sentou-se em uma poltrona, como se fosse a dona da casa. O silêncio se instalou, pesado e expectante.

"Então, Sandra", Rafael disse, impaciente. "O que é tão urgente?"

Sandra o encarou, seus olhos azuis fixos nos dele. "Rafael, eu vim te contar a verdade sobre algo que aconteceu no passado. Algo que você precisa saber antes de se casar."

Ana Clara sentiu o sangue gelar. A verdade. Era isso. A verdade sobre o quê?

"O que você quer dizer com isso?", Rafael perguntou, a voz ainda tensa.

Sandra sorriu, um sorriso frio e vitorioso. "Eu sei quem é Ana Clara, Rafael. E sei que você não deveria se casar com ela."

Um silêncio sepulcral pairou na sala. Dona Helena arregalou os olhos, chocada. Ana Clara sentiu o chão sumir sob seus pés. A teia de mentiras que ela havia construído com tanto cuidado parecia desmoronar em segundos.

"Como assim?", Rafael perguntou, a voz quase um sussurro.

"Ana Clara não é quem você pensa que ela é", Sandra continuou, saboreando cada palavra. "Ela não é a moça simples e encantadora que você conheceu. Ela é… ela é uma impostora."

O olhar de Rafael se voltou para Ana Clara, cheio de incredulidade e dor. Ele esperou que ela negasse, que explicasse. Mas Ana Clara estava paralisada, incapaz de articular uma palavra. As palavras de Sandra eram como flechas certeiras, atingindo seus pontos mais vulneráveis.

"Ela trocou de lugar com a prima dela, Luciana", Sandra revelou, com um tom de satisfação. "Para se casar com você e com o seu dinheiro."

Dona Helena soltou um grito abafado, chocada. Rafael se levantou abruptamente, o rosto uma máscara de dor e confusão. Ele olhou para Ana Clara, buscando alguma resposta em seus olhos.

"Ana Clara?", ele perguntou, a voz embargada. "Isso é verdade?"

As lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Ana Clara. Ela sabia que não havia mais como negar. A verdade, por mais dolorosa que fosse, precisava vir à tona. Mas o medo de perder Rafael, de destruir tudo o que ela havia planejado, era avassalador. A teia de mentiras que ela havia tecido com tanto esmero, agora, parecia um nó apertado em sua garganta, sufocando-a. O encontro inesperado com Sandra havia jogado uma luz brutal sobre a fragilidade de sua farsa, e a verdade, implacável, estava prestes a desabar sobre todos eles.

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