Cap. 22 / 17

A Troca

Com certeza! Vamos mergulhar na história de "A Troca" com a paixão e o drama que só uma novela brasileira sabe oferecer.

por Priscila Dias

Com certeza! Vamos mergulhar na história de "A Troca" com a paixão e o drama que só uma novela brasileira sabe oferecer.

Capítulo 22 — O Beijo Roubado na Chuva e as Consequências Inesperadas

A chuva caía torrencial, como se o próprio céu chorasse a tempestade que se formava no coração de Lúcia. As gotas grossas escorriam pelo vidro embaçado do café, distorcendo as luzes da rua em borrões de cor, um reflexo perfeito do caos que se instalara em sua alma. Ela se sentia dividida, dilacerada entre a promessa que fizera e a verdade avassaladora que a atingira como um raio. A mão dela, crispada em torno da xícara de café já frio, tremia. A imagem do beijo, o toque suave dos lábios de Pedro nos seus, a faísca que acendeu um fogo que ela tentava desesperadamente apagar, voltava a cada instante.

Ela fechou os olhos, buscando em vão um refúgio para a confusão que a assolava. Era errado. Tudo era errado. Aquele beijo era uma traição, um deslize imperdoável. Ela estava noiva de André, um homem bom, que a amava com uma devoção que a deixava sem ar, e que merecia mais do que aquela desonestidade velada. Mas, com Pedro... com Pedro era diferente. Havia uma eletricidade, uma cumplicidade que a desarmava, um desejo bruto e incontrolável que a fazia esquecer de tudo e de todos.

O barulho da porta se abrindo a sobressaltou. Ela ergueu o olhar, o coração disparado no peito, esperançosa e apavorada ao mesmo tempo. Era ele. Pedro. Ele entrou, sacudindo a água do cabelo escuro, os olhos azuis, intensos como o mar em noite de tempestade, encontraram os dela. Um sorriso torto brincou em seus lábios, um sorriso que conhecia o segredo que eles compartilhavam.

“Lúcia”, ele disse, a voz rouca, mas suave, ecoando no burburinho do café. Ele se aproximou da mesa, sem se importar com os olhares curiosos dos outros clientes. “Pensei que te encontraria aqui. A gente precisa conversar.”

Ela engoliu em seco, a garganta apertada. Conversar? O que mais havia para conversar depois daquilo? O beijo na chuva, o esquecimento de tudo o que importava, o calor que a consumiu nos braços dele por alguns segundos roubados.

“Pedro, eu não…”, ela começou, a voz embargada.

Ele sentou-se na cadeira à sua frente, ignorando a sua hesitação. O olhar dele não vacilava, fixo no dela, transmitindo uma urgência silenciosa. Ele parecia tão perturbado quanto ela, mas havia algo em sua determinação que a desarmava.

“Não adianta fugir, Lúcia”, ele disse, a voz mais baixa agora, apenas para os dois. “A gente sabe o que aconteceu. O que sentimos.”

A palavra “sentimos” pairou no ar entre eles, carregada de significado. Sentimos. Ele admitia. Ele sentia o mesmo. A vertigem a tomou, o chão parecendo sumir sob seus pés.

“Não fale isso”, ela sussurrou, olhando ao redor, receosa. “Não aqui. Não agora.”

“Quando, então, Lúcia? Quando vamos ter coragem de encarar o que está acontecendo entre nós?” Ele estendeu a mão sobre a mesa, hesitando por um instante antes de tocar a dela. A pele dele estava fria da chuva, mas o toque enviou um arrepio eletrizante por todo o seu corpo. “Eu não consigo mais fingir, Lúcia. Não com você.”

As palavras dele eram um bálsamo e um veneno. Um bálsamo porque validavam o turbilhão de emoções que ela tentava reprimir. Um veneno porque confirmavam o abismo que se abria entre ela e a vida que ela havia construído.

“Você está noivo”, ela disse, a voz firme, mas trêmula. Era o argumento final, a muralha que ela precisava erguer.

Ele soltou uma risada curta, sem humor. “E você? Você não está prestes a se casar com alguém que… que não ama de verdade?”

A acusação era cruel e verdadeira. Ela desviava o olhar, o rosto queimando de vergonha. Amava André? Amava sim. Mas era um amor sereno, confortável, seguro. Era o amor que se espera, o amor que se escolhe. Não era a paixão avassaladora, o fogo que consumia, a loucura que a consumia com Pedro.

“Isso não vem ao caso”, ela murmurou, tentando puxar a mão.

Pedro segurou-a com firmeza, mas sem força excessiva. “Vem ao caso sim, Lúcia. E muito. Porque você não pode continuar nessa farsa. E eu não posso continuar te vendo assim, dividida. Eu te quero, Lúcia. Eu te quero tanto que dói. E eu sei que você me quer também. Essa troca que fizemos… ela nos uniu de uma forma que ninguém podia prever.”

A troca. Aquele acordo absurdo, nascido da necessidade e do desespero, que os forçara a conviver, a se conhecerem em suas vulnerabilidades e seus desejos mais profundos. E agora, a troca parecia ter ganhado vida própria, os transformando em peças de um jogo que eles não sabiam mais como controlar.

“Você não sabe o que diz”, ela tentou se desvencilhar.

“Eu sei exatamente o que digo”, ele respondeu, os olhos azuis intensos transmitindo uma verdade que ela não podia mais negar. “Eu vejo nos seus olhos cada vez que nos olhamos. Eu sinto no seu corpo cada vez que nossos corpos se aproximam. Essa troca… ela nos fez ver a verdade que estava escondida. A verdade é que a gente se apaixonou, Lúcia.”

A confissão dele a atingiu como um golpe. Apaixonou. A palavra soou forte, perigosa, excitante. Ela sentiu as lágrimas nos olhos, um misto de alívio e pânico. Ele a amava. E ela, se fosse honesta consigo mesma, o amava também. O beijo na chuva não fora um acidente, fora o gatilho que explodiu tudo o que vinha sendo construído em segredo.

“Não podemos”, ela implorou, a voz embargada. “André… minha família… tudo vai desmoronar.”

“E se a gente não fizer nada, Lúcia? O que desmorona? O seu futuro? A sua felicidade? Você se imagina casada com ele, vivendo uma mentira, sabendo que o seu coração pertence a outro?”

As perguntas dele cortavam como navalhas. Ele a conhecia tão bem, a ponto de desarmar todas as suas defesas. Ela não conseguia imaginar. A ideia de passar o resto da vida ao lado de André, sabendo que seus pensamentos e desejos pertenciam a Pedro, era insuportável. Mas a ideia de magoar André, de destruir a família, de se tornar o centro das fofocas e do escândalo… era igualmente aterradora.

“O que você quer que eu faça, Pedro?”, ela perguntou, a voz baixa, desesperada.

Ele apertou a mão dela, o toque agora suave, reconfortante. “Eu quero que você seja feliz, Lúcia. E eu acho… eu acho que a gente só vai ser feliz um com o outro. Não podemos mais ignorar isso. Essa troca… ela nos deu uma segunda chance, não para fingir, mas para sermos verdadeiros.”

Ele se inclinou, os olhos fixos nos dela. “Me diga, Lúcia. Me diga que você não sente nada por mim. Me diga que aquele beijo não significou nada. Diga que você ama André mais do que a si mesma.”

Ela abriu a boca para responder, mas as palavras se recusavam a sair. Ela não conseguia mentir. Não para ele. Não para si mesma. O café ao redor deles parecia ter desaparecido. O mundo se resumiu àquele olhar, àquela mão que segurava a sua, à tempestade que rugia lá fora e à tempestade que rugia dentro dela.

“Eu não…”, ela começou, a voz um sussurro.

Pedro se aproximou mais, a respiração dele quente em seu rosto. “Não diga nada. Apenas sinta.”

E então, ele a beijou novamente. Desta vez, não foi um beijo roubado, não foi um beijo acidental. Foi um beijo de rendição, de desejo, de amor. Um beijo que selou um destino incerto, mas inegável. Um beijo que ecoou o som da chuva lá fora, um prenúncio de que a tempestade havia apenas começado.

Quando se afastaram, ofegantes, o mundo parecia diferente. As luzes do café já não estavam distorcidas, mas claras. O burburinho das conversas, antes um ruído irritante, agora parecia distante. Eles estavam em uma bolha, criados pelo impacto daquele beijo, pela força da confissão silenciosa.

“O que faremos agora, Pedro?”, ela perguntou, a voz baixa, trêmula, mas com uma nova resolução.

Ele sorriu, um sorriso genuíno, cheio de esperança e um toque de perigo. “Agora, Lúcia, vamos encarar a realidade. Juntos.”

O futuro era uma tela em branco, assustadora e excitante. A troca havia desfeito as certezas, mas abrira um caminho para a verdade. E a verdade, por mais dolorosa que fosse, era o único caminho que Lúcia estava disposta a seguir agora.

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