Cap. 23 / 17

A Troca

Capítulo 23 — A Verdade Desvelada e o Confronto Iminente

por Priscila Dias

Capítulo 23 — A Verdade Desvelada e o Confronto Iminente

O aroma forte do café fresco invadia o pequeno apartamento de Lúcia, misturando-se à tensão palpável que pairava no ar. A noite anterior, com sua chuva torrencial e o beijo roubado de Pedro, parecia um sonho vívido, mas a realidade era ainda mais crua. Ela se olhava no espelho do banheiro, os olhos inchados de quem chorou, a pele pálida, mas um brilho novo, um brilho de quem decidiu encarar o que vinha pela frente. A troca, aquele pacto bizarro e imprevisível, havia desvendado uma verdade que ela não podia mais ignorar: o amor por Pedro era real, avassalador, e o casamento com André, uma mentira que se tornava insustentável.

“Não posso mais fugir”, ela murmurou para o próprio reflexo, a voz firme, embora ainda embargada. “É hora de encarar tudo.”

O som do celular tocando a fez pular. Era André. O nome dele brilhava na tela, um lembrete constante da teia em que ela se encontrava. Respirou fundo, buscando a coragem que precisava.

“Alô?”, ela atendeu, tentando soar o mais natural possível.

“Lúcia, meu amor! Já estou saindo de casa. Queria passar aí para te dar um beijo antes de ir para o aeroporto. Lembre-se, a reunião com os investidores da Itália é crucial. Não quero que você se preocupe com nada. Tudo vai dar certo, como sempre.” A voz dele era calorosa, cheia de um amor genuíno que, naquele momento, apertava o coração dela. Era a prova do quão injusta ela estava sendo.

“André… eu… eu não acho que seja uma boa ideia você vir até aqui hoje”, ela disse, a voz falhando.

Um silêncio se seguiu do outro lado da linha, um silêncio carregado de preocupação. “Por quê, meu amor? Aconteceu alguma coisa? Você está bem?”

“Estou bem. É só que… eu preciso resolver algumas coisas. Sozinha. E eu queria te dizer algo importante. Pessoalmente. Em outro momento.” Ela estava se enrolando, tentando encontrar as palavras certas para adiar o inevitável.

“Outro momento? Lúcia, o que está acontecendo? Você está me assustando.” A apreensão na voz dele era evidente, e ela se sentiu como uma cobra rastejando sobre a grama verde.

“André, por favor. É complicado. Eu te amo, você sabe disso. E eu preciso da sua compreensão agora.” Ela mentia, mas era uma mentira necessária para ganhar tempo.

“Compreensão? Lúcia, você me conhece. Sempre te dou toda a compreensão do mundo. Mas isso… isso está diferente. Você está distante. O que você está escondendo de mim?” A voz dele agora carregava um tom de mágoa, e ela se sentiu afundar.

“Nada que você precise se preocupar. Eu só… eu só preciso de um tempo para pensar. Sobre nós. Sobre o nosso futuro.”

“Pensar? Sobre nós? Lúcia, nós estamos prestes a nos casar! Que tempo é esse que você precisa para pensar sobre nós, se já estamos juntos nessa jornada há tanto tempo?”

Aquelas palavras, a inocência e a confiança de André, eram como um punhal revirado em seu peito. Ela não podia mais. A mentira se tornara pesada demais.

“André”, ela disse, a voz embargada pela emoção, “eu preciso ser honesta com você. Agora. Eu… eu não posso me casar com você.”

O silêncio do outro lado foi ensurdecedor. Ela podia quase sentir a dor que a notícia causava, a confusão, a incredulidade.

“O quê? Lúcia, você está falando sério? O que você quer dizer com isso? Isso é uma brincadeira de mau gosto, não é?” A voz dele estava rouca, a mágoa dando lugar a um desespero palpável.

“Não é uma brincadeira, André. É a verdade. Eu… eu percebi que eu não te amo da forma como deveria. Não da forma como você merece.” As lágrimas finalmente começaram a rolar por seu rosto, quentes e salgadas.

“Não me ama? Como assim não me ama? E todos esses anos, Lúcia? Todos os nossos planos? O que foi tudo isso para você? Uma aventura? Uma distração?” A voz dele estava quebrada, e ela sentiu um nó se formar em sua garganta.

“Não, André, não foi uma aventura. Foi… foi um caminho que eu achei que era o certo. Mas eu descobri que o meu coração… o meu coração está em outro lugar. E eu não posso construir uma vida em cima de uma mentira. Não para você, não para mim.”

“Em outro lugar…”, ele repetiu, a voz quase inaudível. “Você está me dizendo que ama outro homem?”

A pergunta pairou no ar, pesada e inevitável. Ela não podia desviar o olhar de si mesma no espelho, mesmo que quisesse.

“Sim, André. Eu amo outro homem.” A confissão, uma vez dita, trouxe um alívio estranho, mas também uma dor imensa.

Ele soltou um suspiro profundo, um suspiro que parecia carregar todo o peso do mundo. “Quem é ele, Lúcia? Quem é o homem que roubou o seu coração, o coração que eu achava que era meu?”

Ela hesitou por um instante. Dizer o nome de Pedro seria como jogar uma bomba no meio do que restava da vida que eles construíram. Mas ela já havia cruzado a linha. Não havia mais volta.

“É o Pedro”, ela disse, a voz baixa, mas clara.

A reação de André foi imediata e explosiva. “O PEDRO? O Pedro que… que você ‘ajudou’ com a empresa? O Pedro que você disse que era apenas um amigo de infância? Essa troca… essa troca que você me disse que era apenas um acordo de negócios… era tudo uma farsa, não era? Você está com ele, não é? Desde quando, Lúcia?”

A voz dele estava carregada de raiva, de decepção, de uma dor profunda que ela nunca imaginou que pudesse causar.

“André, não é bem assim. Aconteceu tudo muito rápido. Eu não planejei…”

“Não planejou? Você acha que eu sou um idiota, Lúcia? Acha que eu não percebo as coisas? Você está se encontrando com ele às escondidas, não está? Desde quando? Responda!”

“Desde… desde que a gente começou a trabalhar juntos naquele projeto.”

“O projeto! Então eu estava certo! Eu sentia que algo estava errado! Eu via o jeito que vocês se olhavam, o jeito que você defendia ele a qualquer custo! Eu fui cego, Lúcia. Cego e tolo por acreditar em você.”

A raiva dele era justificada. Ela se sentia um lixo. Tudo o que ela havia feito, todas as mentiras, todas as omissões, estavam sendo expostas de forma brutal.

“André, eu sinto muito. De verdade. Eu nunca quis te machucar.”

“Machucar? Você destruiu tudo, Lúcia! Destruiu a minha confiança, destruiu os nossos sonhos, destruiu o futuro que eu via ao seu lado!” A voz dele estava embargada pelas lágrimas que ele tentava reprimir. Ela conseguia ouvir o sofrimento em cada palavra.

“Eu sei. E eu assumo a responsabilidade. Mas eu não posso continuar com algo que não é real. Eu não seria feliz. E você também não seria, vivendo com alguém que ama outro.”

“Você tem tanta certeza assim? De que você me ama tanto assim? De que esse… esse Pedro é o homem da sua vida?”

“Eu não tenho certeza de nada, André. Mas eu tenho certeza de que não posso me casar com você. E tenho certeza de que não posso mais mentir. A troca… ela nos fez descobrir quem realmente somos e o que realmente queremos.”

“A troca…”, ele repetiu, a voz carregada de amargura. “Essa troca vai ser a sua ruína, Lúcia. E a minha também. Você vai se arrepender disso. Você vai se arrepender de ter jogado fora o meu amor por essa… essa paixão avassaladora que você chama de amor por ele.”

“Eu não sei se é paixão, André. Mas é o que eu sinto. E eu preciso seguir o meu coração, mesmo que isso signifique te machucar.”

“Você já me machucou, Lúcia. Mais do que imagina. Eu vou para a Itália. A reunião é importante. Mas saiba que, quando eu voltar… nós teremos uma longa conversa. E eu espero que você tenha o bom senso de não ter estragado tudo de vez.”

E com isso, ele desligou.

Lúcia ficou ali, o telefone na mão, o corpo tremendo. A conversa com André fora devastadora, mas necessária. Agora, o confronto com Pedro era iminente. A troca havia criado uma conexão inegável entre eles, um amor que florescia em meio ao caos. Mas o que ela não sabia era que a verdade sobre Pedro também estava prestes a ser desvendada, uma verdade que poderia mudar tudo novamente.

Enquanto isso, em um luxuoso escritório com vista para a cidade, Pedro analisava os documentos em sua mesa. Seus olhos, antes cheios de paixão ao pensar em Lúcia, agora exibiam um brilho de determinação fria. Ele sabia que a conversa com André seria inevitável, e que a relação deles com Lúcia estava prestes a passar por um teste de fogo. A troca, que começou como um acordo pragmático, havia se transformado em um ninho de emoções complexas e perigosas. Ele pegou o telefone, discou um número.

“Alô, meu pai?”, disse Pedro, a voz firme. “Preciso falar com você. Urgente. Sobre a Lúcia. E sobre a nossa empresa.” A preocupação em seu tom era clara. A troca, que ele acreditava ter sob controle, estava prestes a expor segredos que poderiam destruir tudo o que ele havia construído.

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