Cap. 24 / 17

A Troca

Capítulo 24 — As Sombras do Passado e a Verdade Oculta de Pedro

por Priscila Dias

Capítulo 24 — As Sombras do Passado e a Verdade Oculta de Pedro

O sol da manhã entrava pelas frestas das cortinas, pintando listras douradas no chão do apartamento de Lúcia. A noite anterior fora um turbilhão de emoções: a conversa devastadora com André, a confissão de seus sentimentos por Pedro, a incerteza do futuro. Ela se sentia exausta, mas uma nova força parecia ter brotado em seu interior. A honestidade, por mais dolorosa que fosse, era um alívio. Agora, o que a preocupava era Pedro.

Ela sabia que ele também precisava enfrentar a realidade. A troca, que os unira de forma tão inesperada, agora parecia ser o catalisador para a desconstrução de suas vidas. Ela pegou o celular, o nome de Pedro brilhando na tela. Hesitou. O que dizer? Como começar? Ela sabia que ele também estaria lidando com as consequências do beijo, da confissão mútua.

Enquanto isso, na mansão imponente da família Almeida, Pedro se preparava para um encontro tenso. Seu pai, o implacável e calculista Sr. Almeida, exigira uma reunião imediata. A troca, que deveria ser um acordo discreto para salvar as aparências e a empresa, estava se tornando um campo minado. Pedro sabia que a verdade sobre seus sentimentos por Lúcia era apenas a ponta do iceberg. Havia segredos mais profundos, mais sombrios, ligados à própria fundação da empresa e ao passado de sua família.

Ele entrou no escritório de seu pai, um cômodo imponente, repleto de couro escuro e madeira nobre, onde o cheiro de charuto pairava no ar. Sr. Almeida estava sentado atrás de uma enorme escrivaninha de mogno, a expressão fechada, os olhos penetrantes fixos em Pedro.

“Você demorou”, disse o Sr. Almeida, a voz grave e cortante. “O que você tem a me dizer, Pedro? Ouvi dizer que a Lúcia terminou com o André.”

Pedro sentou-se na cadeira à frente do pai, o corpo tenso. “Sim, pai. Ela terminou. E eu… eu estou com ela.”

Uma ruga profunda apareceu na testa do Sr. Almeida. “Com ela? Você está louco, Pedro? Você sabe o que isso significa? Você sabe o que sua mãe faria se soubesse disso?”

“Mãe está morta, pai. E eu não me importo com o que ela faria. Eu me importo com o que eu sinto. Eu amo a Lúcia.” A firmeza na voz de Pedro surpreendeu até mesmo a si mesmo.

O Sr. Almeida soltou uma risada seca e amarga. “Amor? Você fala de amor depois de tudo o que aconteceu? Depois do que a família dela nos fez?” A menção ao passado lançou uma sombra sobre o ambiente.

“O que a família dela nos fez tem a ver com os meus sentimentos? Eu não sou você, pai. Eu não vivo de vingança.”

“Ah, você vive sim, Pedro! Você vive dessa troca que você mesmo armou! Essa troca que era para ser um golpe de mestre, para nos trazer de volta o que nos foi tirado! E agora você vem me dizer que se apaixonou pela filha do nosso inimigo? Você é um tolo!”

Pedro se levantou, a raiva subindo em suas veias. “Eu não me apaixonei pela filha do inimigo, pai! Eu me apaixonei pela Lúcia! E essa troca… ela não era o que você pensa. Eu não fiz isso para me vingar.”

“Ah, não? E por que você fez, então? Por bondade? Por altruísmo? Você estava desesperado, Pedro! Desesperado para salvar a sua pele e a nossa empresa da falência que seu pai, sim, o seu pai, causou! E essa troca com a família dela… era a única saída!”

As palavras do pai o atingiram como um golpe. Ele sabia que a empresa estava à beira da falência, mas não imaginava que a culpa recaía sobre o próprio pai.

“Você está mentindo!”, Pedro acusou.

“Estou mentindo? Você quer a verdade, Pedro? A verdade é que o seu pai, o grande Sr. Almeida, apostou tudo o que tínhamos em um negócio arriscado e perdeu! A família da Lúcia nos salvou, sim, mas eles nos salvaram com uma condição: a fusão das empresas e a troca de responsabilidades. E eu… eu aceitei, para proteger o nome da família. Para proteger você. E para me vingar. Sim, para me vingar!”

Pedro sentiu o chão sumir sob seus pés. A troca, que ele pensava ter orquestrado, era na verdade um plano de vingança de seu pai, um plano que envolvia a família de Lúcia.

“Então… então a empresa da Lúcia não estava em dificuldades? Ela não precisava da minha ajuda?”

“Não! Era tudo uma armação! Uma armação para te aproximar dela, para te fazer parte do plano! Eu te usei, Pedro! Usei o seu desespero, usei o seu amor pela Lúcia para te manipular!” O Sr. Almeida riu, um riso desprovido de alegria.

A revelação foi um soco no estômago. Pedro se sentiu traído, usado. A mulher que ele amava, a mulher que ele acreditava que estava em dificuldades, era na verdade parte de um jogo sujo, um jogo que ele desconhecia.

“Você… você usou a Lúcia também?”, ele perguntou, a voz embargada.

“Ela sabia que não era uma troca fácil. Sabia que tinha riscos. Mas ela também tinha os seus motivos para aceitar. O nome dela estava em jogo, Pedro. A reputação da família dela. E, convenhamos, ela também viu uma oportunidade de proximidade com você.”

Pedro não conseguia acreditar. Lúcia sabia? Sabia de tudo? A mulher que ele achava que estava se abrindo para ele, que estava se apaixonando por ele, poderia estar apenas seguindo um plano?

“Eu não acredito no senhor”, Pedro disse, a voz fria como gelo. “Eu a amo. E ela me ama. E essa troca… foi real para nós.”

“Ah, foi real, foi? E quando você descobrir que a família dela planejava te usar para tomar o controle total da empresa? E quando você descobrir que ela sabia disso e aceitou mesmo assim? O que você vai pensar então?”

A menção de novas revelações jogou Pedro em um poço de incerteza. Ele não sabia mais em quem confiar. Lúcia sabia? E se soubesse, por que não contou a ele? O beijo, as confissões… foram genuínos ou parte de um plano maior?

“Eu preciso ir”, Pedro disse, levantando-se abruptamente. A cabeça girava.

“Onde você vai? Vai contar para ela que você sabe de tudo? Vai contar para ela que o seu pai é um monstro e que a família dela também está envolvida nesse jogo sujo?”

“Eu vou descobrir a verdade, pai. Toda a verdade. E se você estiver mentindo…”

“Eu não estou mentindo, Pedro. A verdade dói, não é? Mas é melhor você saber agora do que quando for tarde demais.”

Pedro saiu do escritório do pai, o coração em pedaços. A mulher que ele amava, a única que parecia ter o poder de tirar o chão debaixo de seus pés, agora era uma incógnita sombria. As sombras do passado de sua família se estendiam, envolvendo Lúcia e a troca em uma teia de mentiras e manipulações. Ele se sentia traído, confuso, desesperado. Teria ele se apaixonado pela pessoa errada? Seria Lúcia apenas mais uma peça no jogo de seu pai? Ele precisava descobrir a verdade, custasse o que custasse.

Enquanto isso, Lúcia, alheia à tormenta que se formava no mundo de Pedro, decidia que era hora de confrontá-lo. Ela pegou o celular novamente, desta vez com mais convicção.

“Pedro”, ela digitou. “Precisamos conversar. Agora. É urgente.”

Ela esperava sua resposta, o coração acelerado, sem saber que as verdades que estavam prestes a vir à tona seriam muito mais complexas e dolorosas do que ela imaginava.

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