Cap. 11 / 21

Amor à Força II

Amor à Força II

por Priscila Dias

Amor à Força II

Autor: Priscila Dias

---

Capítulo 11 — A Sombra de um Passado Reacendido

O sol de Recife beijava a pele de Sofia com uma intensidade diferente daquela a que estava acostumada em São Paulo. Era um beijo que prometia calor, mas também escondia a ameaça de um calor insuportável. A brisa marinha, que antes lhe parecia um alívio bem-vindo, agora trazia consigo um ar carregado de presságios. Havia dias que ela tentava se entregar à aparente tranquilidade da cidade, à sua arquitetura charmosa e ao ritmo mais cadenciado da vida, mas a inquietação a roía por dentro. A imagem de Ricardo, com aquele olhar de dor e resignação, era um fantasma persistente em sua mente. A confissão dele, tão devastadora quanto inesperada, havia deixado cicatrizes profundas em sua alma, rasgando o véu da realidade que ela construíra.

Enquanto o elevador subia rumo ao seu andar, Sofia revivia as palavras de Ricardo. "Eu nunca deixei de te amar, Sofia. Mas o meu amor se tornou um peso. Um peso que eu não podia mais carregar, nem te impor." A raiva que ela sentira no início, a traição que a consumira, agora dava lugar a uma melancolia amarga. Havia uma verdade crua naquilo que ele disse, uma verdade que ela se recusara a enxergar por tanto tempo. O peso do passado, das expectativas da família, da pressão social, tudo isso havia conspirado para sufocar o amor que, segundo ele, ainda existia.

Ela entrou em seu novo apartamento, um espaço moderno e elegante, mas que, por enquanto, parecia tão vazio quanto seu coração. As malas ainda estavam espalhadas, lembretes da fuga apressada de São Paulo. A mudança de cenário, pensara ela, seria o remédio para a dor. Mas a dor, essa danada, parecia ter vindo junto, acomodando-se confortavelmente ao seu lado.

O celular tocou, estridente, quebrando o silêncio opressivo. Era a sua mãe. Sofia suspirou e atendeu, tentando soar o mais animada possível.

"Filha! Já se instalou? Como é Recife? Está gostando?" Dona Helena transbordava energia, como sempre. A sua mãe era um furacão de otimismo, uma força da natureza capaz de mover montanhas e, aparentemente, de ignorar as próprias tempestades que assombravam a vida de sua filha.

"Oi, mãe. Sim, já cheguei. O apartamento é ótimo, e a cidade... bem, é diferente." Sofia escolheu as palavras com cuidado. Não queria dar a Dona Helena nenhum motivo para preocupação, nem para as suas habituais intromissões.

"Diferente como? Conte tudo! Já arrumou algum emprego bacana? Algum moço interessante por aí? Recife é cheia de sol, de gente bonita..." A voz de Dona Helena era um misto de curiosidade e expectativa. Ela sempre planejara um futuro glorioso para Sofia, repleto de sucesso profissional e um casamento de conto de fadas.

Sofia sorriu fracamente. "Mãe, ainda estou me organizando. Cheguei há pouquíssimo tempo. Preciso de um tempo para me adaptar."

"Adaptar? Que nada! Você nasceu para brilhar, minha filha! E não se preocupe com trabalho, eu já tenho algumas ideias. Conheço um pessoal influente lá... podemos arrumar algo para você em um piscar de olhos." A ânsia de Dona Helena em "resolver" a vida de Sofia era quase palpável.

"Mãe, eu não quero nada resolvido pela senhora. Eu quero encontrar o meu próprio caminho aqui." A voz de Sofia ganhou um tom de firmeza que surpreendeu até a si mesma. Era um reflexo da batalha que ela vinha travando consigo mesma, da necessidade de se reencontrar, de se libertar das teias familiares que a sufocavam.

Houve um silêncio do outro lado da linha, um silêncio denso e carregado. Dona Helena era acostumada a ter suas vontens acatadas, a moldar a vida de Sofia de acordo com os seus próprios desejos.

"Sofia, querida, eu só quero o seu bem. Você sabe que tudo que eu faço é pensando no seu futuro." A voz de Dona Helena agora tinha um tom meloso, quase infantil, uma tática que ela usava para manipular.

"Eu sei, mãe. Mas o meu futuro agora depende de mim." Sofia sentiu um arrepio. A menção de Dona Helena ao "pessoal influente" e à possibilidade de "arrumar algo" soou como um eco sombrio do passado. Ela se lembrou de como Ricardo havia sido introduzido em sua vida, de como a relação deles fora construída sob a égide de interesses familiares e sociais. Seria possível que Dona Helena estivesse arquitetando algo semelhante em Recife?

A ideia a gelou. Ela viera para fugir de Ricardo e de tudo que ele representava, mas e se, em vez de fugir, ela tivesse apenas mudado de cenário para encontrar as mesmas armadilhas? A sombra do passado parecia mais longa e mais escura do que ela imaginava.

"Tudo bem, minha flor. Se é o que você quer. Mas se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, pode me ligar, tá?" A voz de Dona Helena, embora mais contida, ainda carregava uma ponta de imposição.

"Eu sei, mãe. Obrigada." Sofia encerrou a ligação com um suspiro profundo. Olhou pela janela o movimento da cidade, as pessoas apressadas, os carros buzinando. Havia uma energia vibrante ali, uma promessa de recomeço, mas Sofia sentia que o seu recomeço seria mais árduo do que imaginara. A vingança de Dona Helena, a quem ela se referia como um plano para "recolocar Ricardo no lugar", ainda era uma incógnita, mas Sofia sentia que, de alguma forma, ela estaria envolvida, quer quisesse, quer não.

A noite chegou e, com ela, uma sensação de solidão. Sofia decidiu explorar os arredores. Caminhou por ruas iluminadas por postes antigos, sentindo o cheiro de maresia e a música distante de um frevo. Parou em uma pequena praça, sentou-se em um banco de madeira e observou as estrelas que começavam a pontilhar o céu escuro. Havia uma beleza melancólica em Recife, um charme que penetrava a alma.

De repente, uma figura conhecida chamou sua atenção. Um homem alto, com cabelos escuros e um porte elegante, estava conversando com um grupo de pessoas perto de uma sorveteria. Seu coração disparou. Era ele. Ricardo.

Ele não a viu. Sofia sentiu um turbilhão de emoções a invadir. Raiva, mágoa, saudade, curiosidade... tudo misturado em um coquetel amargo. O que ele estaria fazendo ali, em Recife? Seria uma coincidência? Ou seria a sombra de Dona Helena, orquestrando mais um de seus planos maquiavélicos?

Ela se levantou, decidida a ir embora antes que ele a visse. Mas seus pés pareciam pregados ao chão. A vontade de confrontá-lo, de exigir explicações, era quase irresistível. No entanto, a dor ainda era muito recente, as feridas abertas. Ela não estava pronta para encarar aquele olhar novamente.

Virou-se e começou a andar rapidamente, o coração batendo descompassado. A brisa marinha agora parecia um sopro frio em sua pele. Ela sentiu um peso nos ombros, a sensação de estar sendo observada. Olhou para trás e viu Ricardo parado, olhando em sua direção. Por um instante, seus olhares se cruzaram. Havia surpresa nos olhos dele, e algo mais... algo que Sofia não soube decifrar.

Ele começou a caminhar em sua direção. Sofia acelerou o passo, o pânico começando a se instalar. Ela não queria vê-lo. Não ali. Não agora.

Enquanto se afastava, ouviu a voz dele, carregada de uma urgência que a fez hesitar. "Sofia! Espere!"

Mas ela não parou. Correu, o som dos seus passos ecoando na noite calma de Recife. A sombra do passado não era apenas uma metáfora. Parecia que ele a havia seguido, com a mesma determinação implacável que Dona Helena demonstrara ao longo de suas vidas. E Sofia, em sua busca por paz, sentiu que havia acabado de entrar em uma nova arena de conflitos, onde as peças do jogo eram suas próprias emoções e o prêmio, talvez, a sua própria sanidade.

---

Capítulo 12 — O Encontro no Cais e a Proposta Inesperada

O som dos seus próprios passos apressados ecoava na rua de paralelepípedos, um ritmo frenético que acompanhava a batida acelerada do seu coração. Sofia não ousou olhar para trás. A voz de Ricardo, carregada de uma urgência que ela conhecia bem, parecia ainda flutuar no ar, um fantasma a persegui-la pela noite recifense. Cada esquina virada era uma nova esperança de escapar, de se perder na multidão anônima que agora parecia mais um refúgio do que uma ameaça.

Ela não sabia o que faria se ele a alcançasse. A ideia de confrontá-lo a assustava tanto quanto a de fugir. As palavras dele no elevador, a confissão de um amor que se tornou peso, a dor em seus olhos... tudo isso ainda a assombrava. Mas a presença dele ali, em Recife, tão perto, era um lembrete brutal de que as pontes que ela pensava ter queimado talvez estivessem apenas adormecidas, prontas para serem reacendidas por um sopro de destino ou pela mão habilidosa de sua mãe.

Enquanto corria, a brisa marinha, antes um alívio, agora parecia um abraço frio, um prenúncio de tempestade. Os cheiros de peixe fresco e de maresia, antes convidativos, agora pareciam carregar um toque de melancolia. Ela parou ofegante em frente a um pequeno bar de frente para o mar, as luzes amareladas refletindo na água escura. Precisava de um instante para recuperar o fôlego, para tentar organizar os pensamentos que se atropelavam em sua mente.

A porta do bar se abriu e uma melodia de forró animada invadiu a noite. Sofia hesitou. Entrar ali significava se expor, mas ficar na rua, exausta e sobressaltada, também não era uma opção. Respirou fundo e adentrou o local.

Era um bar simples, frequentado por locais, com mesas de madeira e um balcão robusto. O cheiro de cerveja gelada e de petiscos pairava no ar. Sofia sentou-se em uma mesa afastada, tentando se misturar à atmosfera vibrante, mas sentindo-se completamente deslocada. Pediu uma água com gás e um pastel de queijo, tentando se concentrar no sabor, na textura, em qualquer coisa que a tirasse daquele turbilhão.

Minutos se arrastaram, pontuados pelo som contagiante da música e pelas conversas animadas. Sofia tentava se convencer de que Ricardo a havia perdido de vista, que ele não a encontraria ali. Mas a sensação de estar sendo vigiada persistia, um arrepio que percorria sua espinha.

De repente, a música parou. Um silêncio momentâneo pairou no ar antes de ser quebrado por aplausos e uma nova melodia. Nesse instante, Sofia levantou os olhos e seus olhares se cruzaram com os de Ricardo. Ele estava parado na entrada do bar, com aquele mesmo ar de quem foi pego de surpresa, mas agora com um sorriso leve nos lábios. Ele a havia encontrado.

O tempo pareceu congelar. Os murmúrios do bar, a música que recomeçara, tudo se tornou um ruído distante. Sofia sentiu um nó na garganta. O que ele queria? Por que ele não a deixava em paz?

Ricardo se aproximou da sua mesa, devagar, como se temesse assustá-la. Ele parou a uma curta distância, o olhar fixo no dela. Havia uma mistura de apreensão e determinação em seus olhos.

"Sofia", ele disse, a voz baixa, mas firme, ecoando no silêncio particular que se formara entre eles. "Eu não queria te assustar."

Sofia apenas o encarou, sem conseguir articular uma palavra. A raiva que ela sentia começou a se misturar com uma estranha curiosidade. Como ele a havia encontrado? E por que ele parecia tão genuíno em sua apreensão?

"Você... você me viu correndo", ela finalmente conseguiu dizer, a voz rouca.

Ricardo assentiu. "Eu te vi. E eu senti que precisava falar com você. De verdade. Sem pressa, sem ninguém por perto." Ele gesticulou para a cadeira vazia à sua frente. "Posso me sentar? Por favor."

Sofia hesitou por um instante, mas algo no olhar dele a convenceu. Ela assentiu. Ricardo sentou-se, e um novo silêncio se instalou, um silêncio mais confortável, mas ainda carregado de tensão.

"Eu sei que você deve estar me odiando", Ricardo começou, quebrando o silêncio. "E eu entendo. Eu não esperei que você entendesse tudo de uma vez. Apenas fugir não vai resolver nada, Sofia. Não para nenhum de nós."

"Fugir?", Sofia repetiu, a voz um pouco mais forte. "Eu fui para Recife para ter um recomeço. Para me afastar de tudo e de todos que me fizeram mal."

"E você acha que eu fiz mal a você?", Ricardo perguntou, o tom de voz carregado de uma dor sincera.

Sofia desviou o olhar, incapaz de sustentar a intensidade do olhar dele. "Você me traiu, Ricardo. Você mentiu para mim. E a sua mãe... ela manipulou tudo."

Ricardo suspirou. "Minha mãe é... é Dona Helena. Eu não posso controlar as ações dela, Sofia. E quanto a mim... eu cometi erros. Erros terríveis. Eu sei disso. Mas eu nunca, em momento algum, deixei de te amar. Esse amor se tornou um fardo, sim, mas não por sua causa. Por causa das minhas próprias fraquezas, das minhas próprias falhas em lidar com a pressão, com as expectativas."

As palavras dele ressoavam com uma verdade que Sofia não podia negar completamente. A imagem de Ricardo sofrendo sob o peso das expectativas familiares, a humilhação que ele sentiu quando Dona Helena o manipulou para se afastar dela, tudo isso se apresentava em sua mente.

"Você está em Recife há quanto tempo?", Sofia perguntou, mudando de assunto, ainda sem saber como processar tudo.

"Cheguei há dois dias. Eu precisava te encontrar. Precisava ter certeza de que você estava bem. E, para ser sincero, eu tinha um plano." Ricardo fez uma pausa, olhando para o mar. "Eu sei que pode soar loucura, mas eu vim para te propor algo."

Sofia arqueou uma sobrancelha, a curiosidade vencendo a cautela. "Propor o quê?"

"Eu sei que você está procurando um novo rumo. Um recomeço. Eu também. E eu tenho uma oportunidade aqui em Recife. Uma parceria. Um projeto que pode mudar tudo para nós. Para mim, pelo menos." Ele a olhou nos olhos. "Sofia, eu sei que pedir sua confiança agora é pedir o impossível. Mas eu estou disposto a provar que posso ser diferente. Que o nosso passado não precisa nos definir."

"Uma parceria?", Sofia repetiu, confusa. "Que tipo de parceria? E como isso se encaixa no seu plano de me reconquistar ou de se livrar da minha mãe?"

Ricardo sorriu levemente. "Não é sobre reconquistar você agora, Sofia. É sobre construir algo novo. Algo nosso. Eu tenho uma proposta de trabalho em uma empresa de desenvolvimento imobiliário aqui em Recife. É um projeto ambicioso, e eles estão procurando alguém com visão de mercado, com criatividade... alguém como você."

"Eu? Mas eu nem comecei a procurar emprego aqui ainda."

"Eu sei. Mas eu te conheço, Sofia. Eu sei do seu potencial. E eu sei que essa oportunidade seria perfeita para você. E para mim, também. Se você aceitar, podemos trabalhar juntos. Podemos nos ajudar a construir algo sólido, longe das influências que nos prejudicaram no passado." Ele estendeu a mão sobre a mesa, sem tocá-la. "Eu quero que você pense nisso. Não como uma tentativa de voltar ao que éramos, mas como uma chance de construir um futuro diferente. Um futuro onde o nosso amor, se ele ainda existir, seja uma escolha, e não uma imposição."

Sofia olhou para a mão estendida dele, e depois para o seu rosto. Havia uma sinceridade ali que a desarmava. A ideia era audaciosa, quase insana. Voltar a trabalhar com Ricardo? Depois de tudo? Mas a oportunidade era real. A chance de ter um novo começo, com ele ao seu lado, mas de uma forma completamente diferente...

"Eu não sei, Ricardo", ela disse, a voz baixa. "É muita coisa para absorver."

"Eu sei. Apenas pense nisso. Eu não vou te pressionar. Eu vou estar aqui, em Recife. E eu vou te dar todo o espaço que você precisar. Mas eu queria que você soubesse que existe essa possibilidade. Uma possibilidade de recomeço, juntos, mas de um jeito novo." Ele pegou um guardanapo e escreveu algo. "Este é o meu número. E o endereço do meu novo escritório. Se você quiser conversar mais, se quiser saber mais sobre o projeto... eu estarei lá."

Ele se levantou, deu um leve sorriso e saiu do bar, deixando Sofia sozinha com a sua água com gás, o pastel pela metade e uma proposta que havia virado o seu mundo de cabeça para baixo. O cais, antes um lugar de fuga, agora se tornava um ponto de partida para uma nova e imprevisível jornada. O amor à força estava longe de ter acabado. Talvez, apenas talvez, ele estivesse prestes a ser redefinido.

---

Capítulo 13 — A Confrontação em Família e os Novos Planos de Dona Helena

O sol da manhã batia forte nas janelas do apartamento de Sofia em Recife, mas a luz que entrava parecia ter perdido o seu brilho. A noite anterior havia sido uma turbulência de emoções e de revelações inesperadas. A proposta de Ricardo pairava em sua mente como uma nuvem densa, carregada de possibilidades e de perigos. Trabalhar com ele novamente? Em um projeto novo, com ele se comprometendo a uma dinâmica diferente? Era tentador, sim, mas a desconfiança ainda era uma barreira considerável. E o que dizer da sua mãe? A sombra de Dona Helena parecia se estender por todos os lados, um labirinto de manipulações e interesses ocultos.

Sofia decidiu ignorar a proposta de Ricardo por enquanto. Precisava colocar os pés no chão, se organizar e, acima de tudo, se preparar para o inevitável confronto com sua mãe. Ela sabia que Dona Helena, ao descobrir sua fuga para Recife, não tardaria em aparecer ou, no mínimo, em ligar para "dar uma olhada". E ela não estava errada. O celular tocou, vibrando na mesinha de centro. Era Dona Helena.

"Filha! Como você está?", a voz de Dona Helena soou, como sempre, efusiva e cheia de uma preocupação que, Sofia sabia, era apenas uma fachada para o seu controle.

"Estou bem, mãe. Me instalando." Sofia tentou manter a voz calma e distante.

"Se instalando? Que bom! Mas você sabe que eu não gosto de ficar longe de você por muito tempo. E eu também tenho novidades sobre aquele assunto do Ricardo. Sabe, o que conversamos antes de você ir." Dona Helena, como sempre, ia direto ao ponto, sem rodeios quando se tratava de seus planos.

O estômago de Sofia se apertou. "Que assunto, mãe?"

"Ora, Sofia! O assunto sobre o Ricardo. Eu sei que ele foi um tolo, um moleque inconsequente. Mas eu tive uma conversa séria com ele. E ele está arrependido, meu bem. Muito arrependido. Ele me procurou ontem."

Sofia ficou em choque. Ricardo havia procurado Dona Helena? Isso explicava a presença dele em Recife. Ele estava agindo sob o comando da mãe? Ou seria uma jogada dele para enganar ambas? A sua mente girava em círculos.

"Ele te procurou? E o que você disse a ele?" A voz de Sofia soou mais firme agora, uma mistura de raiva e desconfiança.

"Eu disse a ele que você precisava de espaço, mas que o amor de vocês era forte demais para ser desfeito assim. Eu disse que ele precisava provar que mudou, que estava disposto a fazer o que fosse preciso para te reconquistar. E ele concordou, Sofia. Ele concordou em se mudar para Recife também. Ele vai me procurar para que possamos traçar um plano juntos. Um plano para que vocês voltem." Dona Helena falava com a convicção de quem está arquitetando uma obra-prima.

Sofia não conseguia acreditar no que ouvia. Ricardo se mudando para Recife, a pedido da mãe dela, para reconquistá-la? Era um pesadelo. Ele sabia que ela não queria mais nada com ele, ou pelo menos, era o que ela pensava.

"Mãe, você enlouqueceu?", Sofia explodiu. "Eu não quero o Ricardo de volta! Eu vim para cá para fugir dele, para fugir dessa sua mania de controlar a minha vida!"

"Sofia, não fale assim comigo! Eu só quero o seu bem! E você sabe que eu tenho os meus contatos. Eu consigo as coisas. E eu consigo que o Ricardo se comporte. Eu vou garantir que ele te trate como você merece. Eu vou fazer vocês voltarem, minha filha. Pelo seu futuro. Pelo futuro da família." A voz de Dona Helena era um misto de autoridade e de uma ameaça velada.

"O meu futuro não se constrói com as suas manipulações, mãe! E eu não quero mais que você se meta na minha vida!" Sofia sentiu uma onda de desespero. A sua mãe era implacável. Ela não desistiria tão facilmente.

"Você vai se arrepender disso, Sofia. Você vai se arrepender de me desafiar. Eu não sou a única que pode te ajudar. Eu tenho influência aqui em Recife também. E se você acha que pode viver independente de mim, está muito enganada." Dona Helena desligou o telefone abruptamente, deixando Sofia em um silêncio atordoado.

As palavras da mãe ecoavam em sua mente, carregadas de ameaças e de uma frieza calculista. Dona Helena não estava apenas interferindo em seu relacionamento com Ricardo; ela estava planejando algo maior, algo que envolvia seus "contatos" em Recife e uma volta por cima para a família.

Sofia levantou-se e começou a andar de um lado para o outro no apartamento. Ela precisava agir. Não podia ficar parada enquanto sua mãe tecia suas teias. A proposta de Ricardo, que antes parecia uma armadilha, agora se apresentava como uma possível saída. Se ele estava realmente arrependido e disposto a mudar, talvez trabalhar com ele fosse uma forma de mantê-lo sob seus olhos, de entender suas reais intenções e de se defender de qualquer plano de Dona Helena.

Ela pegou o papel com o número de telefone e o endereço do escritório de Ricardo. Respirou fundo. Precisava de um plano. Um plano que a protegesse de sua mãe e que lhe desse o controle de seu próprio destino.

Decidiu ir até o escritório de Ricardo. Não para aceitar a proposta imediatamente, mas para confrontá-lo, para exigir uma explicação sobre sua conversa com Dona Helena. Precisava saber se ele estava sendo manipulado pela mãe ou se estava agindo por conta própria.

O escritório de Ricardo era em um prédio moderno e imponente no centro de Recife. Ao chegar, a recepcionista a direcionou para a sala dele. Sofia entrou sem hesitar, o coração disparado. Ricardo estava sentado em sua mesa, analisando alguns papéis. Ao vê-la, seus olhos se arregalaram de surpresa e, em seguida, de um misto de alívio e apreensão.

"Sofia! Eu não esperava te ver tão cedo. Pensei que precisasse de tempo." Ele se levantou.

"Tempo para quê, Ricardo? Para você e a minha mãe tramarem a minha volta ao seu lado?", Sofia o acusou, a voz trêmula de raiva.

Ricardo pareceu chocado. "O quê? O que você está dizendo? Sua mãe te contou alguma coisa?"

"Ela me contou que você procurou ela ontem, que vocês planejaram a sua vinda para Recife para me reconquistar, que você concordou com tudo que ela disse!" Sofia sentiu as lágrimas picarem seus olhos.

Ricardo passou a mão pelos cabelos, visivelmente frustrado. "Sofia, eu fui falar com a sua mãe sim. Mas não foi para traçar um plano para te reconquistar. Foi para tentar fazê-la entender que eu não queria mais interferir na sua vida, que eu queria que você fosse feliz, mesmo que fosse longe de mim. Eu disse a ela que estava em Recife, que tinha uma oportunidade de trabalho. Mas ela... ela distorceu tudo."

Ele se aproximou de Sofia, o olhar sincero. "Sofia, eu juro, eu nunca mais vou deixar a minha mãe ou qualquer outra pessoa controlar a minha vida ou a nossa relação. Eu cometi erros, sim. E eu me arrependi amargamente. Mas eu estou aqui em Recife por minha própria vontade, com uma proposta de trabalho que eu acredito que pode ser boa para nós dois, como parceiros de negócios, sem pressão, sem obrigações. Eu nunca mais vou forçar nada em você."

Sofia o olhou, tentando decifrar a verdade em seus olhos. A determinação dele parecia genuína. E a sua mãe era capaz de distorcer qualquer coisa para atingir seus objetivos.

"E o projeto?", Sofia perguntou, mais calma agora.

"É um projeto de revitalização de uma área portuária histórica. Uma oportunidade única. Eles precisam de alguém com visão, com criatividade. Alguém como você. Eu pensei em nós trabalhando juntos, como sócios. Administrando o projeto. Com autonomia. Sem interferências." Ricardo estendeu a mão novamente. "Sofia, eu não peço que você me perdoe agora. Mas eu peço que você considere essa oportunidade. Como uma chance de construir algo novo, onde possamos ter controle, onde possamos provar que somos capazes de fazer as coisas darem certo, do nosso jeito."

Sofia olhou para a mão dele. A proposta de Ricardo era arriscada, mas também era uma oportunidade de se firmar em Recife, de ter independência e, quem sabe, de se proteger das manipulações de sua mãe. Ela estava cansada de ser uma marionete.

"Eu vou pensar", Sofia disse, a voz ainda incerta. "Mas eu preciso de garantias. Garantias de que a minha mãe não vai interferir. E de que você realmente quer isso, Ricardo. Não por ela, mas por nós."

Ricardo assentiu, um alívio visível em seu rosto. "Eu entendo. E eu farei o que for preciso para que isso aconteça. Para que você se sinta segura."

Enquanto Sofia saía do escritório de Ricardo, uma nova determinação a impulsionava. Sua mãe havia declarado guerra, mas Sofia estava pronta para lutar. E talvez, apenas talvez, a proposta de Ricardo fosse a arma secreta que ela precisava para vencer essa batalha.

---

Capítulo 14 — A Trama em Movimento e a Infiltração de Lena

Recife, a cidade que prometia um recomeço, agora se tornava o palco de uma batalha silenciosa e calculada. Sofia sentia a pressão aumentar a cada dia. A conversa com Ricardo, embora lhe tivesse dado um vislumbre de esperança, também a deixara mais alerta. Ele jurava que sua mãe havia distorcido suas intenções, mas a desconfiança ainda era uma companheira indesejada. Dona Helena, por sua vez, não demorou a mostrar que não desistiria tão facilmente de seus planos.

Uma semana se passou desde a visita de Sofia ao escritório de Ricardo. Ela havia aceitado, relutantemente, a proposta de parceria no projeto de revitalização. A ideia de ter um papel ativo, de construir algo com suas próprias mãos, era tentadora demais para ser ignorada, mesmo com Ricardo ao seu lado. Ele se mostrava dedicado ao projeto, mas os olhares que trocavam eram carregados de uma tensão não resolvida, de um passado que se recusava a ser esquecido.

Enquanto isso, Dona Helena parecia ter sumido do mapa. As ligações diminuíram, as mensagens se tornaram mais esporádicas. Sofia, em parte, se sentia aliviada, mas também apreensiva. Sabia que a sua mãe não agia sem motivo. O silêncio era, provavelmente, apenas a calmaria antes da tempestade.

Um dia, enquanto Sofia trabalhava em seu novo escritório, um espaço moderno e vibrante em um dos prédios históricos da Rua do Bom Jesus, um nome começou a surgir em conversas e em documentos: Lena. Lena era uma arquiteta renomada, conhecida por seu trabalho em projetos de preservação e revitalização urbana. Ela era apresentada como uma peça fundamental no novo empreendimento, alguém com vasta experiência e contatos importantes na prefeitura.

Sofia sentiu um arrepio de desconfiança. A forma como Lena era apresentada, quase como uma salvadora da pátria, parecia familiar demais. Era a mesma retórica que Dona Helena usava para descrever a si mesma e seus planos.

"Quem é Lena?", Sofia perguntou a Ricardo, enquanto analisavam os primeiros esboços do projeto.

Ricardo a olhou, um leve sorriso nos lábios. "Ah, Lena é a nossa estrela. Uma arquiteta incrível. Ela cuidou da parte conceitual do projeto antes de eu chegar. Tem uma visão espetacular e sabe como ninguém lidar com a burocracia daqui. Ela é essencial para que as coisas andem rápido."

"Essencial como?", Sofia insistiu, sentindo a sua intuição gritar mais alto.

"Essencial para conseguir as licenças, para negociar com os órgãos públicos, para... sabe, para fazer acontecer. Ela tem os contatos certos." Ricardo deu de ombros, como se fosse algo trivial.

O coração de Sofia disparou. Contatos certos. Fazia acontecer. Era o discurso de Dona Helena. Ela sabia que precisava investigar Lena.

Naquela noite, Sofia dedicou horas a pesquisar sobre Lena. Descobriu que ela era realmente talentosa, com um portfólio impressionante. Mas, quanto mais fundo ela cavava, mais encontrava conexões sutis, mas persistentes, com pessoas ligadas a Dona Helena, com empresas que, de alguma forma, haviam se beneficiado dos esquemas da sua mãe no passado. Era como se Lena fosse um peão estrategicamente posicionado no tabuleiro de xadrez de Dona Helena.

A ideia de que sua mãe pudesse estar usando Lena para sabotar o projeto, ou para ter controle sobre ele, era aterradora. E se o objetivo de Dona Helena não fosse apenas fazer Sofia voltar para Ricardo, mas sim, controlar o empreendimento em Recife, lucrando com ele através de terceiros?

No dia seguinte, Sofia decidiu abordar Ricardo com suas suspeitas.

"Ricardo, eu tenho algumas dúvidas sobre a Lena."

Ricardo a olhou, a expressão de curiosidade. "O que você quer dizer?"

"Eu fiz uma pesquisa sobre ela. E eu acho que há uma conexão entre ela e a minha mãe. Empresas, pessoas... tudo parece se ligar. Eu tenho a impressão de que ela não está aqui apenas para trabalhar no projeto, mas para nos observar. Ou para controlar tudo."

Ricardo franziu a testa. "Com a sua mãe? Tem certeza? Lena é uma profissional séria, Sofia. Eu confio nela."

"Eu também confiava em você, Ricardo. E veja o que aconteceu." A resposta de Sofia foi direta e carregada de dor.

Ricardo suspirou, a culpa evidente em seu rosto. "Você tem razão. Eu fui ingênuo. Ok, Sofia. Vamos investigar isso juntos. O que você descobriu?"

Sofia contou a ele sobre as conexões que havia encontrado. Ricardo ouviu atentamente, a preocupação crescendo em seus olhos. A ideia de que Dona Helena pudesse estar interferindo, mesmo em Recife, era algo que ele não esperava.

"Se for verdade", Ricardo disse, pensativo, "isso muda tudo. O meu objetivo era criar um espaço onde pudéssemos ter independência. Se a sua mãe está nos manipulando através da Lena, então nós precisamos agir rápido."

Eles decidiram que era preciso ter mais provas. Sofia, usando suas habilidades de pesquisa e observação, e Ricardo, aproveitando seus contatos no mundo dos negócios locais.

Nos dias seguintes, a tensão no escritório se tornou palpável. Sofia e Ricardo trabalhavam em conjunto, disfarçando suas investigações como parte do planejamento do projeto. Eles observavam Lena de perto, tentavam filtrar suas conversas, analisar seus relatórios. Lena, por sua vez, parecia alheia a tudo, sempre profissional, sempre focada no trabalho. Mas Sofia sentia que havia algo por trás daquela fachada. Uma frieza calculista que lembrava demais a sua própria mãe.

Uma noite, enquanto Sofia e Ricardo revisavam documentos no escritório, um dos computadores de Lena, deixado momentaneamente sem supervisão, chamou a atenção de Sofia. Havia uma janela aberta, mostrando uma troca de e-mails. O remetente era, inconfundivelmente, Dona Helena.

Sofia chamou Ricardo discretamente. Juntos, eles leram os e-mails. Eram mensagens trocadas entre Lena e Dona Helena, detalhando um plano para desviar fundos do projeto, para atrasar a liberação de licenças importantes e, no final, para assumir o controle total do empreendimento, expulsando Sofia e Ricardo. Dona Helena estava usando Lena como sua testa de ferro, enquanto ela própria se mantinha nas sombras.

O sangue de Sofia gelou. A confirmação era esmagadora. A sua mãe não havia mudado. Ela era a mesma manipuladora implacável de sempre.

"Eu não acredito...", Ricardo sussurrou, incrédulo. "Ela fez isso de novo."

Sofia sentiu uma mistura de raiva e determinação tomar conta dela. A fuga para Recife não havia sido suficiente. A vingança de sua mãe era mais elaborada do que ela jamais imaginara. Mas agora, ela tinha provas. Ela sabia quem era a inimiga.

"Nós não podemos deixar que ela ganhe, Ricardo", Sofia disse, a voz firme. "Nós temos as provas. Agora, nós vamos lutar."

Ricardo a olhou, um novo brilho em seus olhos. Era o mesmo brilho de determinação que ele havia demonstrado quando a propôs a parceria. Talvez, naquele momento, ele estivesse realmente disposto a se livrar das amarras de sua mãe.

"O que você tem em mente?", ele perguntou.

Sofia sorriu, um sorriso perigoso. "Nós vamos jogar o jogo dela. Mas com as nossas próprias regras."

A trama de Dona Helena estava em movimento, mas Sofia e Ricardo, unidos por uma causa comum, estavam prontos para contra-atacar. A batalha em Recife havia apenas começado.

---

Capítulo 15 — A Emboscada no Cais e a Fuga Necessária

A noite em Recife desceu como um véu escuro sobre a cidade, tingindo as águas do porto com tons de ônix e mistério. As luzes dos navios e dos prédios se refletiam na superfície ondulante, criando um espetáculo de beleza melancólica. Sofia e Ricardo estavam a caminho do antigo armazém no cais, o local escolhido por Lena para a suposta reunião final de aprovação dos planos. Um local isolado, perfeito para os propósitos de Dona Helena.

Sofia sentia a adrenalina percorrer suas veias. As provas estavam em mãos. Os e-mails incriminatórios eram a arma secreta que ela e Ricardo haviam conseguido com muito esforço e discrição. Eles haviam decidido, juntos, que era hora de expor a farsa. Mas a prudência exigia cautela. A ideia de confrontar Lena diretamente, sabendo que ela estava agindo sob as ordens de Dona Helena, era arriscada. A emboscada no cais era a oportunidade ideal para pegar Lena desprevenida e, talvez, para desmascarar Dona Helena de uma vez por todas.

"Você tem certeza disso, Sofia?", Ricardo perguntou, a voz tensa, enquanto manobrava o carro pelas ruas desertas do porto. "Encontrar a Lena sozinha lá pode ser perigoso."

"Precisamos de uma testemunha, Ricardo", Sofia respondeu, o olhar fixo na frente. "E você é a melhor testemunha que eu poderia ter. Além disso, precisamos ter certeza de que ela não vai desaparecer antes que possamos expor tudo." Ela se virou para ele, a determinação em seus olhos. "E, para ser sincera, eu não quero mais fugir. Quero enfrentar isso de frente."

Ricardo assentiu, compreendendo a necessidade dela. A relação deles havia se transformado ao longo daquela jornada. A desconfiança inicial havia dado lugar a uma parceria cautelosa, e talvez, apenas talvez, a um respeito mútuo. Ele sabia que Sofia estava sendo forçada a enfrentar a sua mãe de uma maneira que ele próprio falhou em fazer por anos.

Ao chegarem ao local, um antigo armazém com paredes descascadas e um cheiro forte de maresia e de mofo, eles se depararam com uma cena que superou suas expectativas. Lena não estava sozinha. Havia mais duas figuras imponentes esperando por ela. E, para o choque de Sofia, uma delas era Dona Helena.

O ar ficou pesado com a presença dela. Sofia sentiu um nó na garganta. A sua mãe, ali, em pessoa, confirmando suas piores suspeitas. Lena, ao ver Sofia e Ricardo, esboçou um sorriso forçado, mas os olhos dela revelavam um certo desconforto.

"Sofia! Ricardo! Que surpresa agradável. Pensei que a reunião fosse apenas comigo", Lena disse, a voz tentando soar cordial, mas com um tom de apreensão.

"Surpresa, Lena?", Sofia retrucou, a voz calma, mas firme. "Ou seria tudo parte do seu plano, orquestrado pela minha mãe?"

Dona Helena deu um passo à frente, o olhar fixo em Sofia, um misto de desdém e arrogância em seu rosto. "Sofia, minha filha. Que bom que você veio. Precisamos conversar sobre o seu futuro. E o futuro da nossa família."

"O meu futuro, mãe, eu decido sozinha", Sofia respondeu, sentindo a raiva crescer dentro dela. "E quanto à sua família, você parece ter transformado a nossa em um circo de manipulações e interesses escusos."

Ricardo se posicionou ao lado de Sofia, um escudo silencioso. "Dona Helena, nós sabemos de tudo. Os e-mails. O plano para desviar os fundos. Tudo." Ele tirou o celular do bolso, mostrando os arquivos que haviam salvado.

O rosto de Dona Helena se contraiu em uma máscara de fúria. Lena, por sua vez, empalideceu, percebendo que o jogo havia virado contra ela.

"Vocês não têm prova nenhuma!", Dona Helena gritou, a voz estridente ecoando no armazém. "Isso é tudo invenção de vocês!"

"Não, mãe. Não é invenção", Sofia disse, a voz agora carregada de uma autoridade que ela nunca imaginou possuir. "Eu tenho cópias de todos os e-mails que você trocou com a Lena. E eu tenho testemunhas." Ela olhou para os outros dois homens, que até então permaneciam em silêncio, observando a cena com uma expressão indecifrável. "Quem são eles, mãe? Seus capangas? Vêm para me ameaçar?"

Dona Helena hesitou por um instante, a raiva lutando contra a sua habitual astúcia. Ela sabia que estava em desvantagem.

"Eles são meus sócios", ela disse, tentando recuperar o controle. "Eles confiam em mim. E eles vão garantir que o nosso projeto em Recife seja um sucesso."

De repente, um barulho alto e inesperado soou do lado de fora do armazém. Sirenes. A polícia.

Os rostos de Dona Helena e Lena se contorceram em pânico. Ricardo e Sofia trocaram um olhar de surpresa e satisfação. Alguém havia avisado a polícia.

"Como isso é possível?", Dona Helena sibilou, olhando para Lena com desconfiança.

"Eu não sei!", Lena respondeu, a voz trêmula. "Eu não fiz nada!"

Mas era tarde demais. As portas do armazém se abriram bruscamente, e policiais uniformizados invadiram o local.

"Senhoras e senhores, vocês estão detidos por suspeita de fraude e conspiração", disse o oficial à frente.

Dona Helena tentou argumentar, mas foi contida pelos policiais. Lena parecia prestes a desmaiar. Sofia e Ricardo, embora chocados com a rapidez dos acontecimentos, sentiram um alívio imenso. A justiça, de alguma forma, havia chegado.

No meio do caos, enquanto os policiais levavam Dona Helena e Lena, Sofia olhou para Ricardo. Havia um novo entendimento entre eles, forjado na adversidade.

"Nós conseguimos", Ricardo disse, um sorriso cansado no rosto.

"Sim. Conseguimos", Sofia concordou. Mas a sensação de vitória era agridoce. A sua mãe, presa. A sua família, em ruínas. E o futuro, ainda incerto.

Enquanto a polícia conduziam Dona Helena para fora do armazém, os olhos dela encontraram os de Sofia. Havia ódio e uma promessa silenciosa de vingança em seu olhar. Sofia sabia que aquela era apenas uma batalha vencida, e não a guerra inteira.

De repente, um dos homens que se dizia "sócio" de Dona Helena se aproximou de Sofia e Ricardo, um sorriso perigoso nos lábios. "Vocês acharam que isso ia ser tão fácil assim?", ele disse, a voz fria.

Antes que Sofia ou Ricardo pudessem reagir, ele sacou uma arma. O caos voltou a reinar no armazém. O som de um tiro ecoou.

Sofia sentiu um puxão forte em seu braço. Ricardo a puxava para fora do armazém, correndo em direção ao carro. "Precisamos ir, Sofia! Agora!"

Eles entraram no carro e Ricardo acelerou, deixando para trás o armazém, a polícia e a figura ameaçadora do suposto sócio. Sofia olhou para trás, o coração disparado. A fuga de sua mãe para Recife havia se tornado uma armadilha para todos eles. E agora, em meio à confusão e ao perigo iminente, eles precisavam desaparecer. Precisavam encontrar um novo refúgio, um lugar onde pudessem se proteger das sombras que insistiam em persegui-los. A necessidade de uma fuga, dessa vez, era real e urgente. A vingança de Dona Helena poderia ter sido frustrada nos tribunais, mas em outro nível, ela ainda estava longe de terminar.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%